domingo, 10 de fevereiro de 2019

A banca que só recebe

A rotina de todos os campeonatos gaúchos se fez presente, mais uma vez. O Inter venceu o Juventude, hoje, por 2 x 1, no Alfredo Jaconi. A história do jogo, no entanto, poderia ter sido outra. Ainda no primeiro tempo, quando o Inter vencia por 1 x 0, Victor Cuesta cometeu um pênalti claríssimo sobre Braian Rodriguez. O árbitro estava de frente para o lance, a poucos metros de distância e, mesmo assim, nada marcou. Há quem diga, diante de fatos como esse, que são "erros humanos", e que "a banca paga e recebe". Não é verdade. Em campeonatos gaúchos, o Inter é a banca que só recebe.

Campeão

Foi mais um show do Grêmio. Hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, o Grêmio goleou o Avenida por 6 x 0. Em seis jogos no Gauchão o Grêmio obteve cinco vitórias e um empate, marcou vinte e um gols e sofreu apenas um. Não bastasse isso, o jogo de hoje valeu ao Grêmio, também, a conquista do título de campeão da Recopa Gaúcha, competição que reúne os campeões do ano anterior do campeonato estadual e Copa da Federação. Todas as vitórias do Grêmio, até aqui, foram por goleadas. Em duas delas, o Grêmio jogou com os reservas. O Grêmio está fazendo da disputa estadual um treino mais forte.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Caos administrativo

Nada é tão ruim que não possa piorar. O governo de Jair Bolsonaro estava condenado a ser um desastre, só rematados imbecis acreditariam que pudesse dar certo. Porém, o que se vê em apenas 40 dias da nova administração do país é muito pior do que qualquer projeção. O que se tem é um caos administrativo. A longa internação de Bolsonaro, muito maior do que a inicialmente prevista, deixa em dúvida a sua real condição de saúde. As discrepâncias entre as declarações do vice-presidente Hamilton Mourão com posições anteriormente assumidas por Bolsonaro geram tensões entre os integrantes do governo, e estimulam especulações de uma briga pelo poder. Afinal, quem está, efetivamente, governando o Brasil? Bolsonaro, isolado num hospital e com um quadro incerto de saúde, apenas simula estar exercendo o cargo. Mourão não está autorizado a governar, pois Bolsonaro não lhe transmitiu o cargo interinamente. O governo Bolsonaro parece estar dividido em grupos heterogêneos que buscam o poder avidamente. Não há um norte administrativo, um projeto de país. As perspectivas para o futuro são, todas elas, muito sombrias. O Brasil caminha para o abismo, aceleradamente. A letargia da população diante desse quadro é que espanta. Será fruto da teimosia em apostar num governo inviável, ou resignação diante de um sonho desfeito tão rapidamente? Por tudo que se observa, o pior ainda está por vir. O desatino eleitoral praticado por muitos brasileiros já está cobrando a sua conta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Um país tomado pelo luto

O ano de 2019 está somente começando, são apenas 39 dias transcorridos. Porém, num período de tempo tão exíguo, o Brasil tornou-se um país tomado pelo luto. Tudo começou com o crime ambiental de Brumadinho (MG), com mais de cem vítimas. Prosseguiu com o temporal no Rio de Janeiro, dois dias atrás, que deixou seis vítimas fatais e um rastro de destruição. Hoje, o país amanheceu com a notícia de que dez jovens das categorias inferiores do Flamengo, morreram num incêndio em alojamentos do "Ninho do Urubu", o centro de treinamento do clube. Se a dor da perda de vidas é comum aos três episódios, na essência eles diferem entre si. O único dos três casos que pode ser considerado uma fatalidade é o do temporal no Rio de Janeiro. Afinal, temporais são manifestações da natureza, ainda que suas consequências sejam maiores quando há omissão do poder público nas medidas preventivas. O rompimento da barragem em Brumadinho é um crime ambiental dos mais abjetos, cuja responsabilidade é da mineradora Vale. O ocorrido, hoje, no "Ninho do Urubu", não é uma fatalidade, nem um crime, mas o resultado do provisório cuja temporariedade vai se prolongando. Os alojamentos consumidos pelo incêndio eram estruturas provisórias, ainda que dotadas de conforto, montadas sobre contêineres. Eles eram utilizados desde 2014, inicialmente pelo grupo de profissionais. Com o avanço das obras do centro de treinamento, os profissionais foram transferidos para alojamentos definitivos e de alto padrão. Os contêineres, então, foram reservados para os jovens das categorias inferiores. Na próxima semana, também eles irão para alojamentos mais estruturados. Os dez garotos que perderam a vida em meio ao fogo, no entanto, não irão usufruir das novas instalações. Eles foram vítimas do descaso que permitiu ao Flamengo fazer uso dos contêineres sem alvará de funcionamento, nem plano de combate a incêndio. Os sonhos de meninos pobres, que vêem no futebol seu único meio de ascensão social, foram ceifados pela desídia dos que dirigem um dos maiores clubes do país, combinada com a omissão dos agentes públicos. Em todos esses casos, a corda sempre rebenta do lado mais fraco, ou seja, o dos mais pobres. No rompimento da barragem, com a morte de operários da mineradora e de trabalhadores humildes da região. No temporal, com as perdas, humanas e materiais, dos moradores de morros e encostas, os mais expostos nessas situações. Por fim, no incêndio, com a abrupta interrupção da trajetória de vida de jovens pobres em busca de um futuro melhor. O Brasil, em outros tempos um país marcado pela descontração e expansividade de seu povo, agora chora mortos em sequência. São apenas 39 dias, e 2019 já parece interminável.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estado mínimo

O que antes era apenas uma intenção da direita, vai ganhando forma aceleradamente. O estado mínimo, onde o cidadão é abandonado pelo poder público e entregue aos apetites vorazes do mercado, vai se desenhando ante a apatia de um eleitorado que, manipulado pelas forças retrógradas do país, caminha como um boi para o matadouro. O governo federal propõe que os jovens que venham a ingressar no mercado de trabalho não tenham direito a décimo-terceiro salário e férias. Alguns governos estaduais recorreram ao Supremo Tribunal Federal para reduzir a carga horária do funcionalismo público, com o intuito de pagar menos aos servidores. Paralelamente aos ataques ao bolso da parcela mais frágil da sociedade, os governantes de direita seguem dando anistias e incentivos fiscais aos grandes grupos econômicos e não lhes cobram os imensos valores sonegados aos cofres públicos. O Brasil se encaminha para um futuro de miséria e caos social. A resposta a esse quadro dantesco precisa ocorrer o quanto antes, e de forma enérgica. O que está em jogo é o futuro das próximas gerações. Não há privilégios a serem combatidos, como alegam os neoliberais. O que há são direitos duramente conquistados, que devem ser defendidos com unhas e dentes. As tão propagadas reformas em nada beneficiarão o país, só irão depauperar a população. A iníqua reforma trabalhista, com todo o seu quadro de horrores, foi aprovada no governo do ex-presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, e já produz efeitos devastadores na vida dos trabalhadores. As forças de oposição precisam se mobilizar para impedir a aprovação das demais proposições dos democraticidas, especialmente a reforma previdenciária. O Brasil não pode cair no abismo da desintegração social que a concretização das reformas neoliberais irão, inevitavelmente, causar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

A ensandecida perseguição contra um simbolo

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sofreu mais uma condenação a 12 amos de prisão, dessa vez pelo processo referente a sua suposta posse de um sítio em Atibaia (SP). Não há razão para fazer referência ao teor das acusações contra Lula, pois ele é sobejamente conhecido. A inconsistência das acusações contra Lula e o seu viés político são por demais evidentes. Lula é vítima de um conluio entre figuras dos meios político, militar, jurídico e da imprensa cujo objetivo é destruir a sua imagem. As absurdas condenações a longos períodos de prisão, que, somados, superam a sua expectativa de vida, é um meio de impedir que, livre e com seus direitos políticos restituídos, Lula volte a ser presidente, fato que seria inexorável. O que se vê é a ensandecida perseguição contra um símbolo. Sim, Lula é alvo do ódio incontido de fascistas que não digerem o fato de que ele é o presidente mais popular da história do país, e de que, se concorresse novamente ao cargo, ganharia de qualquer oponente, com facilidade. A nova condenação de Lula não aconteceu, nesse momento, por acaso. A mobilização para que Lula seja indicado para o Prêmio Nobel da Paz vem crescendo. Caso a honraria seja concedida a Lula, isso constituiria um revés impossível de ser digerido por seus inimigos. Porém, condenado ou não, com ou sem o recebimento do Prêmio Nobel, Lula já tem o seu lugar na história, enquanto seus perseguidores sequer irão merecer, com o avanço do tempo, uma nota de rodapé. Não há abuso jurídico ou esforço retórico que possam arranhar a imagem de Lula. Vivo ou morto, preso ou solto, Lula será sempre uma presença indelével no cenário político brasileiro.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Começo verdadeiro

Após as férias, o futebol brasileiro abriu suas disputas no novo ano com os campeonatos estaduais, na segunda quinzena de janeiro. Porém, hoje ocorreu o começo verdadeiro do futebol brasileiro em 2019. Afinal, já houve jogos pela Pré-Libertadores, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. Amanhã, serão jogadas mais partidas por essas competições. Dessa forma, os clubes brasileiros saem da calmaria dos fracos campeonatos estaduais e enfrentam competições de maior exigência. Pela Pré-Libertadores, o Atlético Mineiro empatou em 2 x 2 com o Danúbio (URU), fora de casa, depois de estar por duas vezes na frente do placar. O resultado, no entanto, não deixou de ser bom, pois, devido ao saldo qualificado, um simples empate em 0 x 0 já dará a classificação para o Atlético na semana que vem, no Independência. A Chapecoense estreou na Copa Sul-Americana empatando em 0 x 0, também fora de casa, com o Union La Calera (CHI). Uma vitória simples na Arena Condá será suficiente para a Chapecoense se classificar. O Fluminense se classificou para a próxima fase da Copa do Brasil ao golear o River (PI), em Teresina, por 5 x 0. Com o final das férias escolares em grande parte do país, o futebol também retoma o seu ritmo. A partir de agora, os jogos se tornam mais exigentes, as cobranças são maiores. As expectativas das torcidas crescem. O período de testes está chegando ao fim. Emoções, daqui em diante, não irão faltar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Vitória modesta

Vencer era preciso, ou a crise seria, sem dúvida, inevitável. O Inter ganhou, hoje, do Brasil de Pelotas por 1 x 0, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho. Com isso, o Inter quebrou a série de maus resultados e subiu na classificação. Porém, foi uma vitória modesta, com um gol circunstancial, sobre um adversário que ainda não venceu na competição. No início do jogo, o Inter mostrou intensidade e o Brasil de Pelotas nada criava em termos ofensivos. A impressão que se tinha era de que o gol do Inter sairia a qualquer momento, e, a partir daí, a vitória viria com facilidade. No entanto, mesmo criando várias chances de gol, o Inter não conseguia abrir o placar. Com isso, o primeiro tempo chegou ao fim sem que o Inter marcasse um gol sequer. No segundo tempo, o Brasil de Pelotas sentiu que poderia ousar mais, e equilibrou o jogo, tendo boas oportunidades de gol. O jogo parecia se encaminhar para um 0 x 0 definitivo quando, aos 31 minutos, uma sequência de falhas da defesa do Brasil de Pelotas após uma cobrança de falta do Inter, resultou no gol de Rodrigo Moledo. O Brasil de Pelotas ainda tentou reagir, mas o resultado se manteve até o final. A vitória, depois de três rodadas sem ganhar, certamente, vai desanuviar o ambiente do Inter. O futebol apresentado pelo Inter, entretanto, não faz acreditar que tudo vá melhorar, de uma hora para a outra. Se não jogar muito mais daqui para a frente, os tropeços tendem a acontecer novamente.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

O Grêmio está sobrando

Se em 2018 o Grêmio correu sérios riscos de uma eliminação precoce no Campeonato Gaúcho, por ter usado o time de transição nas cinco primeiras rodadas, nesse ano a competição poderá ser um passeio para o clube. O título do Gauchão, no ano anterior,  acabou sendo ganho, com um esforço de recuperação, mas, em 2019, o Grêmio está sobrando. Hoje, o Grêmio, jogando com dez reservas, goleou o Caxias por 3 x 0, no Francisco Stédile, e disparou na liderança. Nos últimos três jogos, o Grêmio goleou em todos, marcou dez gols e não sofreu nenhum. No jogo de hoje só um titular esteve presente, Kannemann, que precisava ganhar ritmo de jogo, já que ainda não havia estreado esse ano. Kannemann teve mais uma atuação soberba, como se não tivesse tido nenhum problema clínico, fato que impediu que jogasse antes. Pepê foi o grande destaque do Grêmio, marcando dois belos gols e chutando uma bola no travessão. Felipe Vizeu jogou poucos minutos e já fez o seu primeiro gol pelo Grêmio. Júlio César fez defesas difíceis e mostrou estar em condições de disputar a titularidade. André, mais uma vez, deixou a desejar, mas a bola que deu para Pepê marcar o seu segundo gol foi preciosa. Com quatro vitórias e um empate em cinco jogos, quinze gols marcados e apenas um sofrido, o Grêmio parece rumar de forma decidida para o bicampeonato.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Desempenho vergonhoso

A Seleção Brasileira Sub-20 que disputa o campeonato sul-americano da categoria, no Chile, é um retrato do momento que vive o futebol do país. O que se vê, até aqui, é um desempenho vergonhoso, indigno da tradição da camisa "canarinho". A equipe conta em seu grupo com destaques como o lateral direito Emerson e o atacante Rodrygo, já negociados para o exterior, e emergentes como o goleiro Phellipe Meggiolaro e o atacante Tetê, ambos do Grêmio, mas não consegue mostrar um futebol sequer razoável. Até agora, em seus jogos disputados, marcou apenas três gols. Hoje, perdeu, ao natural, por 2 x 0 para a Venezuela. Aliás, na primeira fase, a Seleção se classificou em segundo lugar no seu grupo, atrás da mesma Venezuela. Nos dois jogos que realizou contra a Colômbia, pela primeira fase e no hexagonal decisivo, empatou ambos por 0 x 0. Como pode uma equipe brasileira ter um rendimento tão pífio diante de adversários de tão pouca tradição? Um fato emblemático do que é essa Seleção Sub-20, ocorreu aos 48 minutos do segundo tempo do jogo de hoje, quando o placar final já estava definido. Rodrygo, o jogador mais badalado da equipe, cometeu uma falta criminosa sobre um adversário, e foi expulso. Com baixa produção técnica, a Seleção revela, por meio do seu jogador mais destacado, que também não tem controle emocional. O técnico da equipe, Carlos Amadeu, não possui a expressão profissional que se exige do ocupante do cargo. O futebol brasileiro, no que diz respeito às suas seleções, quer sejam às de categorias inferiores ou a principal, precisa de uma ampla reformulação. Caso contrário, sua imagem vitoriosa, construída ao longo dos anos, será apenas uma lembrança distante.