sábado, 29 de dezembro de 2018

A coragem de Tarso Genro

Os grandes homens mostram o seu valor nas horas difíceis. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro é um homem dessa estirpe. Político brilhante, intelectual notável, Tarso Genro não foge da raia nesse trágico momento que vive o Brasil. Eleito governador em 2010 no primeiro turno, com 52% dos votos, Tarso foi vitimado pelo processo de estupidez coletiva que tomou conta do país, e perdeu a reeleição para José Ivo Sartori, que acabou se tornando o pior ocupante do cargo em todos os tempos. Agora, com o caos que se avizinha a partir da posse de Jair Bolsonaro como presidente, Tarso se posiciona sem medo, e saúda a decisão do PT de não se fazer presente no ato. Tarso rebateu, numa rede social, a crítica feita ao fato por uma jornalista chapa branca. São homens como Tarso Genro que sustentam a esperança diante da barbárie que se prepara para tomar conta do país. A coragem de Tarso Genro é um alento diante do obscurantismo que se abateu sobre o Brasil.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Base desmanchada

Com a saída de Marcelo Grohe, o  Grêmio  segue o seu processo de perda de jogadores do time vencedor dos últimos anos. O que restou foi uma base desmanchada, o que traz insegurança para o torcedor. A reposição de peças, até agora, não aconteceu. O Grêmio não deu um presente de Natal para a sua torcida, mas ainda tem tempo de trazer boas notícias para a virada de ano. Um pouco de ousadia se faz necessário para que os tão esperados reforços cheguem. O presidente Romildo Bolzan Júnior prometeu cinco contratações para 2019. Por enquanto, nada. Se o Grêmio tem grandes ambições para o próximo ano, precisa mostrar isso na prática. O torcedor tem o presidente Romildo e o técnico Renato em alta conta, mas já começa a ficar preocupado com a falta de novidades. Tomara que o Grêmio mude esse quadro rapidamente, apresentando novos e grandes jogadores para o exigente ano que virá pela frente. Caso contrário, a preocupação do torcedor se transformará em desalento.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

A saída de Marcelo Grohe

O torcedor do Grêmio, que vem esperando, em vão, por contratações, foi surpreendido, hoje, com a venda de um dos grandes nomes do time, o goleiro Marcelo Grohe. O Al Itihad, da Arábia Saudita vai pagar 3 milhões de dólares por Marcelo Grohe. Uma proposta financeira "irrecusável" e o fato de já ter 32 anos, pesaram para que Grohe aceitasse a transação. Tecnicamente, é uma grande perda para o Grêmio. Paulo Victor, seu reserva imediato, é um goleiro apenas razoável. Para preencher a lacuna que será deixada por Grohe, o Grêmio terá de ir ao mercado. Seja qual for o substituto de Grohe, a qualidade dificilmente será a mesma. O Grêmio, até agora, só teve perdas para 2019. Nenhuma contratação. A saída de Marcelo Grohe agrava um quadro que já era preocupante.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O nebuloso mundo dos assessores políticos

Os últimos dias colocaram em evidência personagens que, em geral, se movem nas sombras da atividade política. Os assessores políticos são figuras que não costumam aparecer com destaque na imprensa, exercem cargos para os quais são escolhidos pelo compadrio ou por critérios subjetivos. Alguns pouco ou nada fazem, mas outros acabam usufruindo das intimidades do poder. Esse é o caso de Fabrício Queiroz, que tornou-se uma pedra no sapato do presidente eleito Jair Bolsonaro, ao emitir um cheque de R$ 24 mil para a futura primeira dama, Michele Bolsonaro. Fabrício é assessor do atual deputado estadual do Rio de Janeiro, e senador eleito, Flávio Bolsonaro, filho do futuro presidente. A história do cheque ainda não foi devidamente esclarecida, e as justificativas apresentadas, até agora, não convencem ninguém. Hoje, num fato ainda mais impactante, o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi assassinado, em Vitória, por um seu ex-assessor, Marcos Venício Moreira Andrade, contra quem havia movido uma ação judicial. Em função da ação, Marcos Venício teve R$ 60 mil bloqueados na sua conta, o que motivou o assassinato. Esse é o nebuloso mundo dos assessores políticos. Antes relegados a um segundo plano, pelo menos aos olhos da opinião pública, estão mostrando que sua função de coadjuvante nem sempre é tão discreta. Por vezes, ela é muito incômoda para os patrões, e pode, até, ser fatal.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Mesquinharia

A rudeza do tratamento que vem sendo dispensado pela "Justiça" brasileira ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva é cada vez maior. Num gesto de repugnante mesquinharia, Lula teve negada a permissão para deixar a prisão a fim de comparecer ao enterro de seu amigo Sigmaringa Seixas, advogado e ex-deputado federal pelo PT. O juiz plantonista indeferiu o pedido de Lula uma hora após a sua feitura, sob a alegação de que a lei só prevê a liberação de presos em regime fechado nos casos de doença grave ou morte do cônjuge ou companheiro, ascendentes, descendentes, e irmãos. Ainda que, sob a estrita observância do texto legal, o juiz pudesse estar certo, a recusa ao pedido de Lula mostra a maneira como o ex-presidente é tratado pela "Justiça" brasileira. Se houvesse um mínimo de boa vontade dos magistrados para com o presidente mais popular da história do país, Lula teria sido liberado para se despedir do amigo. Porém, Lula é vítima do ódio de operadores do Direito no país. Lula é perseguido pelos que sabem que ele teria ganho a eleição presidencial, caso lhe fosse permitido concorrer. A cada novo ato de hostilidade contra Lula, no entanto, sua imagem só cresce aos olhos do povo. Lula já inscreveu o seu nome de forma positiva e indelével na história, e isso juiz algum poderá mudar.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Natal consumista

Mais uma vez, é Natal. Como tem acontecido há muito tempo, o caráter religioso da data fica encoberto pelo apelo do consumo. O Natal transformou-se numa maratona de compras, encerrada por uma ceia farta. Afinal, a data magna da cristandade é, também, a de maior faturamento do comércio em todo ano. Num mundo cada vez mais regido pelo interesse financeiro, o que se tem, atualmente, é um Natal consumista. Claro, ganhar e dar presentes é muito bom. Comer uma ceia variada e saborosa, também. Viajar, aproveitando um feriadão, igualmente. Porém, esse viés festivo tem pouco a ver com um dia que deveria ser de reflexão e recolhimento, e não de expansividade. Num mundo dominado pelo mercado, o Natal tornou-se mais um produto. Diminuído na sua essência, o Natal é comemorado até pelos que não tem fé. Sua figura central, Jesus Cristo, o aniversariante do dia, foi sendo deixado de lado em favor do Papai Noel. Acreditar em Jesus Cristo é uma questão de fé, passível de questionamento. O Papai Noel, por mais simpático que possa ser, é um personagem fictício. Celebração essencialmente familiar, o Natal, agora, é ruidoso. Tudo em nome do fugaz contentamento do consumo desenfreado.

domingo, 23 de dezembro de 2018

O caro preço da insensatez eleitoral

Escolher governantes pelo voto é um direito essencial na democracia. Só a manifestação dos eleitores nas urnas legitima o mandato de quem chefia o Poder Executivo. Esse direito, no entanto, negado aos eleitores brasileiros por um longo tempo, tem de ser exercido com muita consciência. O voto irrefletido, movido pelo ódio, gera consequências desastrosas, que afetam os interesses de toda a coletividade. O fim de mandato do atual governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, é um exemplo disso. Sartori é, sem dúvida, o pior governador do Estado em todos os tempos. Seu final de mandato é deplorável, pois nada tem para apresentar como realizações de seus quatro anos no poder. O caro preço da insensatez eleitoral fica evidente quando se trata do governo Sartori. O ressentimento com o PT, e uma campanha que apostou na sentimentalidade do eleitor, fez com que Sartori vencesse o pleito em 2014. Sua administração nada fez pelo Estado. Em quatro anos, Sartori maltratou os servidores públicos, parcelando os seus salários, e governou para os poderosos. Extinguiu fundações de grande relevância  para o Estado, sem que isso gerasse uma economia significativa para os cofres públicos. Os que escolheram Sartori em 2014 tiveram o bom senso de não o reeleger. Porém, o estrago já está feito. Nada ficou do governo Sartori que possa ser destacado, pois não apresentou projetos para favorecer o desenvolvimento do Estado, limitou-se a aplicar o velho receituário destrutivo neoliberal, propondo a queima de patrimônio público com a venda de estatais. Seu governo não deixará nenhuma saudade. Na verdade, o que há é uma contagem regressiva para que Sartori encerre seu mandato. 

sábado, 22 de dezembro de 2018

Rotina

O Campeonato Mundial de Clubes virou uma competição de resultado previsível. O Real Madrid fez da conquista do título mundial uma rotina. Hoje, no Zayed Sports City Stadium, o Real Madrid goleou por 4 x 1 o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, e conquistou o tricampeonato mundial, e o seu sétimo título da competição em toda a história. O Al Ain teve uma atuação digna, mas não fez frente ao Real Madrid, cuja qualidade técnica é muito superior. Seu maior destaque, mais uma vez, foi o brasileiro Caio, que, provavelmente, despertará o interesse de clubes de maior expressão. Com uma hegemonia estabelecida na Champions League, e diante da fragilidade que vem sendo demonstrada pelos clubes sul-americanos nos campeonatos mundiais mais recentes, o Real Madrid  segue empilhando títulos da competição. Escolhido pela Fifa como o maior clube do século anterior, o Real Madrid, pelo visto, quer repetir a dose no atual.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Organização criminosa

As investigações que estão sendo conduzidas pelo Ministério Público sobre os desvios financeiros cometidos na administração do ex-presidente do Inter no biênio 2015/2016, Vitório Piffero, alcançaram grande repercussão com a execução de mandados de busca e apreensão nas casas de dirigentes do clube naquele período, ocorrida anteontem. O procurador Marcelo Dornelles classificou o que foi apurado até aqui como o resultado de uma organização criminosa que se instalou no clube. Não bastasse ter rebaixado o Inter para a Segunda Divisão, a diretoria da época saqueou os cofres do clube. O primeiro vice-presidente, Pedro Afatatto, chegou a sacar R$10 milhões na boca do caixa, no período de um ano, para pagamento de obras cuja existência não foi comprovada. O que se espera é que, ao final de toda a investigação, que prossegue e será muito longa, haja a devida punição aos que forem comprovadamente culpados, e que o clube seja ressarcido dos recursos desviados. Para os torcedores do Inter e os apreciadores do futebol, o que mais se destaca nessa situação é ver que a corrupção, um mal que, historicamente, corrói o país, não poupa nem mesmo grandes clubes, com seus milhões de adeptos. O futebol, como qualquer atividade, precisa de credibilidade. Fatos como os ocorridos no Inter mancham a reputação do esporte preferido dos brasileiros. Até por isso, é preciso que as punições aos culpados sejam duras. O país não tolera mais que casos como esse acabem em pizza.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Bebida alcoólica nos estádios

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou um projeto que vem em boa hora, ainda que os falsos moralistas de plantão o tenham condenado. O projeto em questão permite a volta da venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol, ainda que com restrições, como permitir a comercialização apenas até o final do primeiro tempo e após o jogo. Na verdade, a lei que proibiu a venda de bebidas nos estádios jamais deveria ter existido. Ela fere o direito individual, causa prejuízo financeiros aos clubes e é hipócrita, pois a comercialização no entorno é feita sem restrições. A lei que proíbe o álcool nos estádios entrou em vigor no Rio Grande do Sul em abril de 2008. Em maio de 2009, ficou evidente toda a sua estupidez. Num jogo entre Grêmio e Cruzeiro pelas semifinais da Libertadores houve um tumulto na entrada de torcedores no Olímpico, inclusive com feridos, porque os que ficaram bebendo nos bares do entorno do estádio até pouco antes do horário de início da partida tentaram entrar em grande número. As longas filas que se formaram para a entrada no estádio já com o jogo em andamento causaram revolta nos torcedores, ocasionando o tumulto. Tudo porque a proibição de beber dentro do estádio faz com que as pessoas prolonguem a sua permanência fora dele. Nada disso aconteceria se fosse possível beber dentro do estádio. Não se mudam comportamentos criando leis. Beber nos estádios é um antigo hábito brasileiro, sem que isso gerasse violência em larga escala. Afora isso, nos pequenos clubes do interior, a renda da copa sempre foi um fator economicamente importante. O ideal seria a revogação total da antiga lei, permitindo a venda de bebida nos estádios sem restrições.