quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Perseguição obstinada
O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva prestou, hoje, depoimento sobre as obras realizadas no sítio de Atibaia (SP), supostamente de sua propriedade. Lula, mais uma vez, negou ser o proprietário do sítio. O ex-presidente, que sofre uma perseguição obstinada da chamada "Operação Lava-Jato", chegou a dizer que não sabe se viverá para ver a justiça ser feita no seu caso. Durante a tomada do depoimento, Lula teve desentendimentos com a juíza que substituiu Sérgio Moro no caso. Não poderia ser diferente. Os julgamentos envolvendo Lula fazem parte de um sórdido jogo de cartas marcadas com o objetivo de impedir o presidente mais popular da história do Brasil se voltar a participar da vida política do país. Os processos envolvendo Lula estão eivados de irregularidades e impropriedades jurídicas. O prazo de condenação pela suposta propriedade do triplex em Guarujá (SP) foi acelerado, para evitar que Lula pudesse concorrer na eleição presidencial. As provas apresentadas contra o ex-presidente não têm nenhuma consistência. O putrefacto sistema judiciário brasileiro, que age em conluio com as forças que promoveram o golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita, não apresenta perspectivas de que se possa fazer justiça nos processos que envolvem Lula. O povo, no entanto, não faltará com Lula. Por mais que o persigam, Lula continuará sendo a principal expressão politica do Brasil.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
As idas e vindas de Bolsonaro
O período de transição entre governos é longo. Afinal, os governantes são eleitos no mês de outubro de um determinado ano e só tomam posse em janeiro do seguinte. A transição do governo do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer para o do eleito Jair Bolsonaro não completou nem um mês, mas tem sido uma fonte inesgotável de informações desencontradas sobre o que viverá o país a partir de janeiro de 2019. As idas e vindas de Bolsonaro em suas declarações são a causa desse quadro. Bolsonaro já disse e desdisse sobre medidas de seu futuro governo várias vezes. A mais recente volta atrás em suas falas foi sobre a extinção do Ministério do Trabalho. Depois da enorme repercussão que a declaração gerou, Bolsonaro, hoje, sinalizou que o Ministério do Trabalho será mantido. A impressão que Bolsonaro transmite é a de que está permanentemente testando a repercussão das medidas que anuncia, e que quando ela é negativa, recua. Com isso, parece pretender evitar um desgaste de sua imagem antes de assumir o cargo. Porém, e depois de empossado, como agirá Bolsonaro? Governará indiferente a possíveis protestos, ou irá recuar cada vez que sua popularidade ameaçar cair? O fato é que o candidato boquirroto e de discurso agressivo deu lugar a um presidente eleito que parece preocupado em não gerar animosidades na opinião pública. O primeiro efeito que resulta dessas afirmações constantemente revistas é o de transmitir uma imagem de desorientação da futura administração do país, o que gera insegurança sobre o que acontecerá a partir do próximo ano. Cada vez mais, o governo Bolsonaro parece um vôo cego a que os brasileiros serão submetidos. Entre as expectativas positivas do "mercado" e o pessimismo dos brasileiros minimamente conscientes, ninguém sabe exatamente o que acontecerá após a virada do calendário, e isso não é nem um pouco tranquilizador.
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Stan Lee
As histórias em quadrinhos de super-heróis marcaram fortemente a infância de pessoas da minha geração. Era o tempo da Ebal, editora que publicava as principais revistas, ou "gibis", de super-heróis no país. Eles se dividiam em dois grupos, de editoras americanas concorrentes, a Marvel e a DC Comics. A DC Comics tinha, no seu catálogo de heróis, Batman, Super-Homem, Aquaman, Flash, entre outros. Alguns dos heróis da Marvel eram Homem de Ferro, Hulk, Homem-Aranha, Demolidor. Em comum entre os heróis da Marvel, o fato de terem sido criados por um mesmo mestre dos quadrinhos, Stan Lee, que faleceu, hoje, aos 95 anos. Durante boa parte de minha infância me deliciei com as histórias dos super-heróis criados por Stan Lee. O sucesso dos "gibis" acabou levando esses personagens para os desenhos animados e os filmes. Sempre com grande êxito. Stan Lee é um ícone das histórias em quadrinhos, que tanto marcaram a cultura ocidental. Um grande e genial criador que teve uma longa e profícua existência. Um homem cujo trabalho marcou diferentes gerações. Vai-se o criador, ficam os seus personagens, atravessando o tempo e fascinando pessoas de todas as idades.
domingo, 11 de novembro de 2018
Dificuldades fora de casa
Mais uma vez, o Inter saiu na frente jogando como visitante. Novamente, não conseguiu sustentar a vitória. O empate em 1 x 1 com o Ceará, hoje, pelo Campeonato Brasileiro, comprovou que o Inter tem dificuldades fora de casa. Único clube ainda invicto como mandante no Brasileirão, o Inter mostra um rendimento muito inferior quando sai dos seus domínios. O Inter abriu o placar cedo, mas não tirou proveito disso, sofrendo o empate e não conseguindo retomar a vantagem. O resultado praticamente tirou às chances do Inter de ainda vir a ser campeão, já que o Palmeiras, líder da competição, também empatou e manteve a distância que separa os dois clubes na classificação. A partir de agora, cabe ao Inter buscar a confirmação da participação na próxima Libertadores. A reconquista do título de campeão brasileiro, ainda não deverá ocorrer dessa vez.
Poderia ser mais fácil
Uma vitória importante, de virada, obtida nos acréscimos do jogo com um frango do goleiro adversário. Assim foi Grémio 2 x 1 Vasco, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Poderia ser mais fácil, mas a teimosia do técnico do Grêmio, Renato, não permitiu que a vitória fosse definida antes. Jean Pyerre e Mateus Henrique, que marcou o gol da virada, só entraram no segundo tempo, embora já tenham provado que merecem a titularidade. Porém, Renato escalou Cícero, mais uma vez, contrariando o bom senso. Foi a partir da entrada dos dois jovens jogadores que o Grêmio tomou conta da partida. Afora a grande qualidade técnica, Jean Pyerre e Mateus Henrique imprimem dinamismo ao time, em função de sua juventude, enquanto Cícero e Maicon, jogando juntos, geram muita lentidão. O resultado foi decisivo para o objetivo do Grêmio de se classificar diretamente para a fase de grupos da próxima Libertadores, mas para que ele seja alcançado, o seu técnico terá de se render às evidências, e não insistir com o que, comprovadamente, não dá certo.
sábado, 10 de novembro de 2018
Demofobia
O avanço do fascismo, no Brasil e no mundo, é uma realidade. Consequência de uma crise econômica global que já dura dez anos e não dá sinais de arrefecimento, a atual onda conservadora sataniza tudo o que é popular, e exalta a repressão, vista como um meio de proteger os interesses e o sossego das "pessoas de bem". Essa onda de demofobia é particularmente visível no Rio Grande do Sul, e tem se refletido nas urnas, com a preferência por candidatos de direita nas eleições majoritárias. Em Porto Alegre, um fato, em especial, que tem chamado a atenção é a perseguição ao Carnaval. Depois de uma realização precária em 2017, o desfile das escolas de samba não aconteceu em 2018, e ainda há total indefinição sobre o que ocorrerá no próximo ano. O Carnaval de rua da Cidade Baixa, uma festa popular e democrática, vem sendo ameaçado há anos, e não deverá ser realizado no ano que vem, em nome da tranquilidade dos moradores do bairro, que reclamam das perturbações ao seu bem-estar. Os mesmos moradores perseguem há anos as casas noturnas de um bairro cuja vocação boêmia é por demais conhecida. Os frustrados e mau humorados não suportam o prazer e o contentamento alheios. Escondem, sob a capa da defesa do direito ao repouso e à manutenção da ordem pública, o ódio que sentem dos que são capazes de fruir os prazeres maiores da existência. A espontaneidade que é própria das manifestações populares lhes irrita, já que estão presos por uma série de grilhões. Fracassados crônicos na busca de uma vida gratificante, querem jogar sobre os outros o peso da sua amargura. Mais do que nunca, diante de tanto falso moralismo e repressão, é preciso resistir.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Entre o grotesco e o vexatório
O presidente eleito Jair Bolsonaro é uma fonte inesgotável de declarações estapafúrdias e irrefletidas. Nada mais natural em alguém que tem uma personalidade autoritária associada a uma clara deficiência cognitiva. Dessa forma, na maior parte do tempo, Bolsonaro oscila entre o grotesco e o vexatório. Entre as mais recentes falas de Bolsonaro está a de que ele irá tomar conhecimento, previamente, do conteúdo das provas do Enem, já que ficou insatisfeito com alguns assuntos abordados na edição desse ano. Bolsonaro acrescentou que o futuro ministro da Educação terá de levar em conta que o Brasil é um país conservador. Essa afirmação vem na esteira de outra, dada anteriormente, de que a oposição terá que entender que o seu governo será conservador e cristão. Alguém precisa avisar para Bolsonaro que não cabe a um presidente ocupar-se do teor dos conteúdos de um exame de ensino. Em relação ao seu futuro governo, ele não poderá impor ao país a condição de cristão. O Brasil é um país laico, condição que foi estabelecida quando da instituição da República, que, por sinal, foi proclamada por militares. São tantas as asneiras ditas pelo futuro presidente, que caberia adaptar o bordão de um antigo programa humorístico para ele, e gritar: "Cala a boca, Bolsonaro"!
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
A extinção do Ministério do Trabalho
O Brasil se prepara para o show de horrores que terá início no primeiro dia de 2019. O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro já assusta antes de começar, imagine-se o que será depois que se tornar uma realidade. Poucos dados são tão explícitos sobre as intenções do novo governo quanto a extinção do Ministério do Trabalho, anunciada durante a semana. Nada mais coerente do que massacrar os interesses dos trabalhadores para um governo que identifica o PT como um inimigo a ser destruído. Afinal, a sigla significa Partido dos Trabalhadores. Com uma embalagem de combate à corrupção, e calcado na figura de um paladino em defesa da "família", o governo Bolsonaro nada terá de boas intenções. Seu verdadeiro propósito é servir aos interesses do empresariado e do agronegócio. A classe trabalhadora brasileira, já vitimada por uma taxa de desemprego brutal, será jogada à própria sorte. Mais do que nunca, o novo governo irá administrar para os rentistas, que acumulam capital sem investir em atividades produtivas. Os trabalhadores, que já sofreram duros revezes no governo do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, terão uma situação ainda mais precária quando Bolsonaro tomar posse. O enorme fosso social brasileiro irá se ampliar. A irrefletida escolha nas urnas feita por 55% do eleitorado brasileiro cobrará um preço muito alto para o país.
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
Tendência inevitável
O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, declarou que a Rede Globo deixará de transmitir os campeonatos estaduais, a partir de 2020. Petraglia revelou que isso se dará pela falta de retorno financeiro, e pelo interesse da Globo de antecipar o início das competições nacionais para fevereiro, incrementando as vendas de pay-per-view. A Rede Globo não confirma inteiramente o que disse Petraglia, mas afirmou que considera um desperdício que um terço do calendário do futebol brasileiro seja consumido com competições estaduais, sem que os clubes das diferentes regiões do país estejam voltados para um mesmo foco. Na verdade, não há nenhuma surpresa nessas notícias. O ocaso dos campeonatos estaduais é uma tendência inevitável. O que espanta é que esse desfecho já não tenha acontecido. O Campeonato Brasileiro, a melhor e mais importante competição do futebol do país, tem o mesmo número de participantes, e por conseguinte de rodadas, que o Espanhol, o Francês, o Italiano e o Inglês. No entanto, enquanto os campeonatos referidos são disputados ao longo de nove meses, o brasileiro é espremido em seis e meio. Com o fim dos estaduais, ou com sua reformulação, o Campeonato Brasileiro poderia começar em fevereiro, resolvendo esse problema. Essa medida já deveria ter sido tomada há muito tempo, mas antes tarde do que nunca.
terça-feira, 6 de novembro de 2018
A estreiteza mental da direita
Uma das características mais marcantes da direita é a sua boçalidade. Sua linha de argumentação é primária, tosca. Os direitistas costumam debochar de quem é de esquerda é desfruta de boas condições materiais, como se isso fosse uma contradição. Só a estreiteza mental da direita pode estabelecer uma conexão entre um fato e outro. Por quê uma pessoa bem sucedida não pode ser de esquerda? Ser de esquerda é lutar por uma sociedade menos desigual, não pela universalização da miséria. Porém, não adianta, esse argumento cretino continua a ser esgrimido pelos direitistas. Somente hoje, me deparei duas vezes com comentários nesse sentido. Primeiramente, ao ouvir, num programa de rádio, um conhecido jornalista, ultradireitista, criticar o ator Jim Carrey por suas posturas políticas. O jornalista em questão referiu o fato de que Carrey, a quem chamou de "socialista de Iphone", estava tendo um bate-boca com um senador do Partido Republicano. Não faltou, é claro, a depreciação da figura de Carrey, apresentado como um ator que já participou de muitos blockbusters de Hollywood, mas que, hoje, estaria esquecido pela indústria do cinema. O ponto alto do comentário foi quando o jornalista disse que Carrey recomendou que os Estados Unidos adotassem o socialismo como regime de governo. Com um riso debochado, o jornalista sugeriu que Carrey doasse a sua fortuna pessoal, de U$ 150 milhões para as causas sociais. Horas depois, vi uma postagem no Facebook em que Caetano Veloso era atacado por defender o movimento dos Sem Teto. A postagem sugeria que Caetano, que, supostamente, possui um patrimônio de R$ 6 milhões em imóveis, abrisse mão do mesmo em favor dos sem teto. Jim Carrey e Caetano Veloso não tem de doar nada a ninguém, ganharam honestamente cada centavo. Não há nenhuma contradição em possuir um bom padrão de vida e ser de esquerda. Pelo contrário, isso é demonstração de um caráter elevado. Mais do que contradição, uma absoluta estupidez, é alguém que não pertença ao topo da pirâmide social defender ideias de direita, cuja finalidade, sabidamente, é promover a concentração de renda e a exclusão social.
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