terça-feira, 6 de novembro de 2018
A estreiteza mental da direita
Uma das características mais marcantes da direita é a sua boçalidade. Sua linha de argumentação é primária, tosca. Os direitistas costumam debochar de quem é de esquerda é desfruta de boas condições materiais, como se isso fosse uma contradição. Só a estreiteza mental da direita pode estabelecer uma conexão entre um fato e outro. Por quê uma pessoa bem sucedida não pode ser de esquerda? Ser de esquerda é lutar por uma sociedade menos desigual, não pela universalização da miséria. Porém, não adianta, esse argumento cretino continua a ser esgrimido pelos direitistas. Somente hoje, me deparei duas vezes com comentários nesse sentido. Primeiramente, ao ouvir, num programa de rádio, um conhecido jornalista, ultradireitista, criticar o ator Jim Carrey por suas posturas políticas. O jornalista em questão referiu o fato de que Carrey, a quem chamou de "socialista de Iphone", estava tendo um bate-boca com um senador do Partido Republicano. Não faltou, é claro, a depreciação da figura de Carrey, apresentado como um ator que já participou de muitos blockbusters de Hollywood, mas que, hoje, estaria esquecido pela indústria do cinema. O ponto alto do comentário foi quando o jornalista disse que Carrey recomendou que os Estados Unidos adotassem o socialismo como regime de governo. Com um riso debochado, o jornalista sugeriu que Carrey doasse a sua fortuna pessoal, de U$ 150 milhões para as causas sociais. Horas depois, vi uma postagem no Facebook em que Caetano Veloso era atacado por defender o movimento dos Sem Teto. A postagem sugeria que Caetano, que, supostamente, possui um patrimônio de R$ 6 milhões em imóveis, abrisse mão do mesmo em favor dos sem teto. Jim Carrey e Caetano Veloso não tem de doar nada a ninguém, ganharam honestamente cada centavo. Não há nenhuma contradição em possuir um bom padrão de vida e ser de esquerda. Pelo contrário, isso é demonstração de um caráter elevado. Mais do que contradição, uma absoluta estupidez, é alguém que não pertença ao topo da pirâmide social defender ideias de direita, cuja finalidade, sabidamente, é promover a concentração de renda e a exclusão social.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Um projeto educacional criminoso
O Brasil vive dias estarrecedores. Não que as barbaridades que estejam ocorrendo no país sejam inéditas na história da humanidade, longe disso. Lamentavelmente, o ser humano não é nada criativo quando se trata de mostrar-se estúpido, mesquinho, tacanho, imbecil. O que surpreende é que certos comportamentos que se pensava estarem depositados no lixo da história se façam presentes no Brasil atualmente. Dentre as atrocidades a que o país está ou virá a ser submetido a partir do novo governo federal que se avizinha, a chamada "escola sem partido" é a mais deletéria. Trata-se de um projeto educacional criminoso, que fere de morte o que o ensino tem de mais precioso, que é a capacidade de despertar o senso crítico dos alunos, de fazer com que eles se tornem capazes de pensar por conta própria, e não serem meros reprodutores de conceitos esquemáticos e conservadores. A ideia de estimular alunos para que gravem as aulas a fim de denunciar professores que estejam praticando "doutrinação ideológica" é de um nível de fascismo superlativo, só imaginável num país que perdeu o rumo. Enganam-se, no entanto, os que acham que, por terem ganho uma eleição, vão impor ao país sua agenda de monstruosidades. A resistência, já anunciada, não será um termo a cair no vazio. Ela existirá, e não será branda. O Brasil não será cabresteado. O obscurantismo não vencerá.
domingo, 4 de novembro de 2018
O chororô surtiu efeito
Após os supostos prejuízos de arbitragem sofridos no empate em 1 x 1 com o Vasco, em São Januário, os dirigentes do Inter abriram o berreiro, esquecendo-se, convenientemente, dos inúmeros favorecimentos recebidos pelo seu clube por parte dos homens do apito. O chororô surtiu efeito. Na vitória por 2 x 1, de virada, sobre o Atlético Paranaense, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, um erro grotesco de arbitragem, com a marcação de um pênalti que não existiu, definiu o resultado em favor do Inter. Como sempre, o Inter jogou pouco, mesmo diante de um adversário que estava com um time inteiramente reserva. A exemplo do que aconteceu contra o Paraná, também no Beira-Rio, o apito amigo agiu já nos acréscimos do jogo. Com bravura, o Atlético Paranaense ainda foi ao ataque, e quase empatou o jogo. Não satisfeito em marcar um pênalti inexistente, o árbitro terminou a partida quando o Atlético Paranaense teria um escanteio para ser cobrado, sem que o tempo de acréscimos houvesse se esgotado. O Inter e o apito amigo continuam andando de mãos dadas.
sábado, 3 de novembro de 2018
Resposta rápida
Superar uma desclassificação dolorosa como a de terça-feira, quando foi eliminado da Libertadores, não parecia ser uma tarefa fácil para o Grêmio. Porém, em seu primeiro jogo após o duro golpe, o Grêmio deu uma resposta rápida ao baque que sofreu, e venceu o Atlético Mineiro por 1 x 0, hoje, no Independência, pelo Campeonato Brasileiro. O gol surgiu logo no inicio do jogo, marcado por Geromel, e o Grêmio conseguiu sustentar a vantagem até o final. Geromel, por sinal, teve mais uma excelente atuação, justificando plenamente o conceito de que desfruta junto ao torcedor. A vitória manteve o Grêmio em quinto lugar, apenas um ponto atrás do São Paulo, contra quem ainda terá um confronto direto, no Morumbi. O Grêmio busca chegar pelo menos em quarto lugar no Brasileirão para se classificar de forma direta para a próxima Libertadores. Afora Geromel, outros jogadores também tiveram atuações dignas de destaque. Um deles foi Paulo Miranda, que, novamente, teve um desempenho muito seguro. Foi, verdadeiramente, uma lástima que tenha deixado o jogo contra o River Plate por ter sentido câimbras, aos 26 minutos do segundo tempo. Se tivesse permanecido até o fim do jogo, o resultado, certamente, seria outro. Mostrar capacidade de superação era essencial para o Grêmio, hoje, e isso foi obtido. O ano não acabou para o Grêmio, que ainda têm objetivos a serem alcançados. Se o título ficou inalcançável, pois o Palmeiras disparou na pontuação, o Grêmio ainda pode ultrapassar os outros clubes que estão à sua frente.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Desfaçatez
O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) nem tomou posse e o país, estarrecido se vê diante de uma série de anúncios desencontrados, medidas democraticidas sendo aventadas, entre outras barbaridades. Porém, nada é pior e mais carregado de desfaçatez do que a indicação do juiz Sérgio Moro para ser o futuro superministro da Justiça e Segurança. Moro, tido por "herói" pela direita brasileira, não teve o menor constrangimento em aceitar o convite, escancarando o que todas as pessoas lúcidas desse país já sabiam, ou seja, que o julgamento e a condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi um episódio político e não jurídico. Agora, ficou evidente em troca de quê Moro condenou Lula. Seu papel era impedir que Lula concorresse na eleição presidencial, que certamente venceria. Em troca, Moro torna-se um superministro e, em 2020, quando Celso de Melo for atingido pela aposentadoria compulsória, ganhará uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Um negócio da China, pois, por ser jovem, Moro poderá ficar décadas no Supremo. A direita, mais uma vez, mostrou o quanto é despudorada. Não se importa em exibir seu desrespeito para com a ética. O governo nem começou, e já desperta, nas pessoas que tem senso crítico, o desejo de que o tempo transcorra rapidamente, para que esse pesadelo acabe.
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
A decisão que a Conmebol queria
A Libertadores será decidida entre River Plate e Boca Juniors. Uma despedida com chave de ouro para as edições com dois jogos na decisão, já que, a partir de 2019 a competição será definida num jogo único, em local previamente designado, como ocorre na Champions League. Nunca antes a Libertadores teve dois finalistas da Argentina, e, quando isso acontece a disputa será entre os dois clubes de maior rivalidade no país. Sem dúvida, quando ficaram definidos os semifinalistas, essa tornou-se a decisão que a Conmebol queria. Não se verificaram erros monstruosos de arbitragem contra Grêmio e Palmeiras, os outros participantes das semifinais, mas é óbvio que o charme de uma decisão entre os dois gigantes argentinos era algo que fascinava a Conmebol. Será uma decisão sem favoritismo, pois é um clássico de enorme rivalidade. O River Plate tem mais qualidade que o Boca Juniors, mas isso não lhe concede vantagem, pois, numa decisão desse nivel, o esforço e a superação podem nivelar tudo.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Castigo doloroso
Uma eliminação dura, com requintes de crueldade. Assim foi a derrota do Grêmio por 2 x 1, de virada, para o River Plate, hoje, na Arena, que resultou na sua desclassificação da Libertadores. Foi um castigo doloroso, mas uma consequência natural para um clube cujo técnico insistiu em desafiar o bom senso, escalando jogadores que não possuem condições de jogar pelo Grêmio. Renato, depois das várias falhas de Bressann em jogos pelo Campeonato Brasileiro, não o escalou hoje, e escolheu Paulo Miranda para compor a dupla de zaga com Geromel. Paulo Miranda fazia uma grande partida, quando teve de sair por lesão. Aí, tudo começou a se complicar para o Grêmio. Bressan não saiu jogando, mas estava no banco, e entrou no lugar de Paulo Miranda. Antes mesmo de tocar na bola, Bressan levou um cartão amarelo. Pouco depois, o Grêmio sofreu o gol de empate. No final do jogo, quando a classificação parecia garantida, Bressan cometeu um pênalti absurdo, que não foi percebido pelo árbitro, mas foi captado pelo VAR. O River Plate fez o seu segundo gol, que tirou o Grêmio da Libertadores. Ainda que o Grêmio tenha queixas a fazer da Conmebol, as declarações de Renato e do presidente Romildo Bolzan Júnior não traduzem a realidade. O Grêmio não foi roubado, como afirmou Renato. O "subterrâneo"a que se referiu Romildo Bolzan Júnior também não foi o fator que decidiu a partida. Se é verdade que Everton perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 x 0 para o Grêmio, o que poderia ter decidido tudo, nada foi pior do que os erros de Bressan, um jogador que já comprovou de forma exaustiva que não tem condições de vestir a camisa do Grêmio. Todos sabiam disso, só Renato insiste em negar o óbvio. Mais cedo ou mais tarde, a conta viria. Ela veio de uma forma terrível, fazendo escapar uma classificação que estava quase garantida. Em respeito à torcida do Grêmio, Bressan não pode mais jogar pelo clube.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Uma receita fadada ao fracasso
Um presidente que admite nada entender de economia, e que por isso vai comer na mão do seu ministro da Fazenda, já é, por si só, algo assustador. Se esse ministro for adepto do ultraliberslismo, torna-se apavorante. Esse é o caso do presidente eleito Jair Bolsonaro e seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. O receituário econômico de direita, como meio de debelar crises, jamais deu certo em lugar algum, é uma receita fadada ao fracasso. O exemplo mais recente disso é a Argentina, do presidente Maurício Macri. A Argentina está quebrada, e, em consequência, teve de recorrer ao FMI. Essa situação o Brasil conhece muito bem. No último governo da ditadura militar, o do general João Batista de Oliveira Figueiredo, o Brasil quebrou, e teve, depois de três décadas, de recorrer ao FMI. A crise se prolongou pelo governo seguinte, de José Sarney, já na redemocratização, com a inflação atingindo níveis galopantes. As receitas econômicas clássicas de direita só funcionam na teoria. Na prática, só geram desemprego e recessão. A fidelidade do eleitor acaba quando o seu bolso fica vazio. A lua de mel de Bolsonaro com o seu eleitorado vai durar muito pouco. A crise, em vez de ser mitigada, vai se agudizar. O temor que paira no ar é o de que o governo recorra a um golpe para se manter no poder. Dentro das regras democráticas, o futuro governo não terá como evitar um colapso, e a abreviação do seu mandato.
domingo, 28 de outubro de 2018
O pesadelo está só começando
O avanço nas pesquisas verificado nos últimos dias não foi suficiente para Fernando Haddad (PT) obter uma virada na eleição presidencial. Com pouco mais de 55% dos votos, Jair Bolsonaro (PSL) é o novo presidente do Brasil. Haddad recebeu pouco mais de 44% dos votos. A diferença em favor de Bolsonaro não chegou a 11% dos votos, enquanto no início da campanha do segundo turno as pesquisas apontavam uma vantagem de 18%. Esse dado revela o quanto o país está dividido. Bolsonaro tem ao seu lado uma maioria circunstancial, não uma avalanche de apoiadores, como muitos tentaram fazer crer. Sua eleição se assemelha com a de dois outros presidentes brasileiros, Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo. Em comum com ambos, Bolsonaro tem o discurso moralista e o fato de ter concorrido por um partido sem expressão. Jânio renunciou sete meses depois de empossado. Collor sofreu impeachment na metade de seu mandato. A menos que recorra a um golpe, pois tem os militares ao seu lado, Bolsonaro não deverá ter melhor sorte. A política não perdoa os aventureiros. Porém, o pesadelo está só começando. Os brasileiros terão muito sofrimento pela frente, como consequência de uma desatinada escolha. Os que votaram em Bolsonaro, no entanto, não poderão se queixar quando a realidade bater à sua porta. Afinal, como expressa um ditado popular, quem corre por gosto não cansa.
sábado, 27 de outubro de 2018
Ainda há tempo de evitar um desastre
Amanhã será realizado o segundo turno da eleição presidencial. Dois candidatos absolutamente antagônicos estarão disputando o voto dos eleitores brasileiros. De um lado, favorito para o pleito, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). De outro, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Bolsonaro e Haddad são como água e azeite, não se misturam. O candidato do PSL é racista, adepto da homofobia, misógino e defensor da ditadura militar que tanto mal fez ao país. Haddad é professor, um homem culto, sereno, equilibrado e capacitado. Ainda há tempo de evitar um desastre, que seria a eleição do tresloucado Bolsonaro. O antipetismo de parcelas do eleitorado brasileiro não pode servir de justificativa para colocar no poder um homem despreparado e violento, que não tem compromisso com a democracia. Um governo de Bolsonaro seria uma aventura funesta. O caminho estaria aberto para uma nova ditadura militar, Um governo de Haddad seria de conciliação, de busca de superação da polarização ideológica que se estabeleceu no país. Mais uma vez, é hora da esperança vencer o medo. Em vez de armas, escolha os livros. Aposte na democracia, não no autoritarismo.
Assinar:
Postagens (Atom)