sábado, 31 de março de 2018

Um governo em ruínas

A prisão de amigos próximos do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, em ação que foi determinada na última quinta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, e hoje revogada pelo próprio acolhendo pedido da Procuradoria Geral da República, expôs um quadro insustentável em qualquer outro país. O Brasil está entregue a um governo em ruínas. A continuidade de Temer no poder é um escândalo que se agrava a cada dia. Temer até poderá prosseguir no cargo, pois no Brasil tudo é possível em termos políticos, mas sua imagem foi, definitivamente, comprometida. Temer, há  poucos dias, revelou sua intenção de concorrer à reeleição. A ideia, que já era estapafúrdia, agora tornou-se um delírio. Há a possibilidade de Temer sofrer uma nova denúncia, que seria a terceira, por parte da Procuradoria Geral da República. Se isso vier a se confirmar, Temer não terá o mesmo poder de fogo junto ao Congresso Nacional para que ela seja rejeitada, pois em ano eleitoral os parlamentares estão mais preocupados com a renovação de seus próprios mandatos. A "tropa de choque" de Temer afirma que a prisão de seus amigos foi uma manobra para evitar sua candidatura à reeleição. Outras teorias da conspiração que circulam pelo país sustentam que os acontecimentos dos últimos dias são parte de um plano que visa afastar Michel Temer do cargo, colocar o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) no seu lugar, e suspender as eleições. Assim, Maia terminaria de implantar a agenda desejada pelo "mercado", prosseguindo com a destruição de direitos dos trabalhadores e com o entreguismo ao capital estrangeiro. Seja como for, politicamente, o país está à deriva, sem perspectivas de alcançar um porto seguro para ancorar.

sexta-feira, 30 de março de 2018

As surpresas de uma fórmula absurda

A fórmula de disputa do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro desse ano chamou a atenção por ser extremamente confusa e injusta, tornando pior uma competição que já era ruim. Disputado em dois turnos, o campeonato não oferece maiores vantagens para quem vence cada uma de suas fases. O natural seria que o regulamento previsse que, no caso de um mesmo clube ganhar os dois turnos, ele seria o campeão, ou, havendo um vencedor de cada fase, que eles disputassem o título entre si. No "criativo" campeonato em questão, isso não acontece. Os ganhadores de cada turno obtém como vantagem apenas a possibilidade de jogarem pelo empate nas semifinais que, afora eles, ainda reunem dois outros clubes de melhor campanha no cômputo geral da competição. Foi isso que aconteceu com o Flamengo, que ganhou a Taça Guanabara, e o Fluminense, que venceu a Taça Rio, nomes dados ao primeiro e segundo turnos da competição, respectivamente. Numa das semifinais, o Flamengo jogou contra o Botafogo bastando-lhe o empate para se classificar à decisão do campeonato. O mesmo ocorreu com o Fluminense, na outra partida pelas semifinais, contra o Vasco. Flamengo e Fluminense perderam os jogos e, assim, a competição será decidida por Botafogo e Vasco, clubes que não venceram nenhuma fase da disputa. No caso do Fluminense, a eliminação se deu com requintes de crueldade. O Vasco saiu na frente, o Fluminense virou o placar, e em nova reviravolta do marcador, o clube da Cruz de Malta fez o gol da vitória aos 49 minutos do segundo tempo. São as surpresas de uma fórmula absurda. Em competições nas quais se adota o formulismo, o mérito não é recompensado adequadamente. Toda uma campanha pode ir por água abaixo num único jogo. Tudo em nome da "emoção", nivelando artificialmente os participantes. A verdade é que, quanto mais mirabolante for a fórmula de um campeonato, menos atraente ele se torna para o torcedor. Não é à toa que o campeonato estadual do Rio de Janeiro apresenta um fracasso na frequência aos estádios, com públicos baixíssimos nos últimos anos.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Classificação protocolada

Depois da goleada imposta pelo Grêmio no primeiro jogo contra o Avenida, nos Eucaliptos, ficou claro que um dos finalistas do Campeonato Gaúcho já estava definido. Assim, na segunda partida, ontem, na Arena, haveria, simplesmente, um cumprimento de tabela. Essa impressão se confirmou e, com o empate em 1 x 1, o Grêmio teve sua classificação protocolada para a decisão do Gauchão. Os dois clubes colocaram times mistos em campo, numa prova de que ambos consideravam irreversível o resultado do primeiro jogo. O Grêmio dominou amplamente o jogo, desde o início, fez um gol no primeiro tempo, e apenas administrava a partida. Porém, no segundo tempo, o ritmo do Grêmio em campo caiu, e o Avenida começou a ser mais insinuante, até que obteve o empate. Mesmo com bastante tempo pela frente para buscar a vitória, o Grêmio não a conseguiu. Pela disparidade de qualidade entre os times, o normal seria o Grêmio ter vencido, e ficou claro o aborrecimento do técnico Renato com o resultado final. Seja como for, o Grêmio irá decidir a competição contra o Brasil de Pelotas, para tentar conquistar um título que não obtém desde 2010. Por ter melhor campanha, o Brasil de Pelotas fará o segundo jogo no Bento Freitas, mas o Grêmio é o favorito para ser o campeão. 

terça-feira, 27 de março de 2018

Estatística reveladora

Era apenas um amistoso, e a Alemanha jogou com uma equipe mista. Ainda assim, a vitória da Seleção Brasileira sobre a Alemanha por 1 x 0, hoje, no Estádio Olímpico de Berlim, tem a sua importância. A goleada humilhante de 7 x 1 sofrida para a Alemanha, dentro de casa, na Copa do Mundo de 2014, será uma mancha permanente na história da Seleção Brasileira, mas o resultado de hoje reforça uma estatística reveladora. Agora, são treze vitórias da Seleção sobre a Alemanha, que venceu a equipe brasileira apenas cinco vezes. Alguns poderão dizer que a maioria dos jogos entre as equipes foram amistosos, mas elas já se enfrentaram numa decisão de Copa do Mundo, em 2002, e a Seleção Brasileira venceu ao natural, por 2 x 0. A goleada de 7 x 1 foi resultado de uma série de equívocos na Seleção. Um técnico que não era o mais indicado para o momento, uma equipe mal escalada para o jogo, entre vários outros fatores. Ao longo da história, no entanto, é clara a superioridade da Seleção sobre a Alemanha, como, de resto, sobre todas as outras equipes. Afinal, só ela ganhou cinco copas do mundo.

segunda-feira, 26 de março de 2018

O disparate de Sampaoli

O técnico da seleção da Argentina, Jorge Sampaoli, irá lançar, no mês de abril, o livro "Meus Latidos", no qual coloca suas ideias sobre o futebol. Na obra, Sampaoli tece considerações honrosas sobre o futebol argentino. Até aí, tudo bem, pois a qualidade do futebol argentino é inegável. Porém, o disparate de Sampaoli ocorre quando ele afirma que o futebol do seu país é o melhor dentre todos, e o que revelou os melhores jogadores da história. Sampaoli cita nomes como Maradona, Messi, Di Stefano, Sivori, Kempes, e até alguns menos votados como Bochini, Alonso e Madurga. A declaração de Sampaoli não condiz com a realidade. A Argentina ganhou apenas duas Copas do Mundo, enquanto o Brasil venceu cinco. Em termos de jogadores, o melhor de todos os tempos, Pelé, é brasileiro. Em se tratando de grandes nomes, o futebol brasileiro é imbatível em qualidade e quantidade. Garrincha, Leônidas da Silva, Zizinho, Didi, Nílton Santos, Gérson, Rivelino, Tostão, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Zico, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Neymar, são muitos os craques e grandes jogadores revelados pelo futebol brasileiro ao longo do tempo. Sampaoli é um bom técnico, e o futebol argentino é muito qualificado, mas não pode existir dúvida sobre quem é o maior no contexto mundial. O Brasil é o maior vencedor da Copa do Mundo, e nenhum outro país revelou tantos craques. A qualidade do futebol brasileiro é inigualável.

domingo, 25 de março de 2018

Tranquilidade

O favoritismo do Grêmio diante do Avenida, no confronto pelas semifinais do Campeonato Gaúcho, é óbvio. Porém, a facilidade com que o Grêmio encaminhou sua classificação para a decisão do Gauchão, já no primeiro jogo, foi surpreendente. Com apenas nove minutos de jogo, o Grêmio já vencia por 2 c 0, o que lhe deu grande tranquilidade para conduzir a partida de acordo com seus objetivos. O resultado final foi uma goleada de 3 x 0, que, praticamente, já coloca o Grêmio na decisão da competição contra o vencedor da outra semifinal. Cabe salientar, no entanto, que mesmo tendo sido goleado, o Avenida criou chances ofensivas, e obrigou Marcelo Grohe a fazer, pelo menos, duas grandes defesas, uma delas depois de uma linda bicicleta de Welder. A bola aérea mostrou-se, mais uma vez, uma deficiência defensiva do Grêmio, ainda que não tenha redundado em gols do adversário. O grande destaque do Grêmio foi Arthur, autor do terceiro gol, que, com outra grande atuação, escancarou o equívoco do técnico Renato em não lhe escalar como titular no Gre-Nal de quarta-feira, no Beira-Rio. O longo jejum de títulos gaúchos do Grêmio está muito próximo de acabar.

sábado, 24 de março de 2018

Disputa histórica

Na madrugada de sábado para domingo, pelo horário brasileiro, começará o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2018, com o Grande Prêmio da Austrália, em Melbourne. A ausência de um piloto brasileiro na categoria, pela primeira vez desde 1970, reduz o interesse de muitos pela competição, mas não deveria ser assim. Afinal, a Fórmula 1 continua a contar com grandes pilotos e, particularmente nesse ano, terá uma disputa espetacular. Lewis Hamilton, da Mercedes, e Sebastian Vettel, da Ferrari, possuem quatro títulos mundiais cada um, o que os levou a alcançarem o ex-piloto Alain Prost no terceiro lugar entre os maiores campeões da Fórmula 1. Como a disputa pelo título tende, mais uma vez, a se concentrar entre os dois, um deles deverá alcançar cinco campeonatos, se igualando a Juan Manuel Fangio, e ficando atrás, apenas, de Michael Schumacher, que obteve sete conquistas. Com ou sem brasileiros, a Fórmula 1 continua sendo uma atração das mais interessantes.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Bom desempenho

A Seleção Brasileira fez hoje o seu segundo amistoso contra uma equipe europeia sob a orientação do técnico Tite. Sua adversária foi a Rússia, em Moscou, no Estádio Luzhniki, onde serão jogadas a abertura e a decisão da Copa do Mundo. Depois de um primeiro tempo insosso, quando não conseguiu criar chances de gol, a Seleção teve bom desempenho no segundo, impondo-se e alcançando uma goleada de 3 x 0. O grande destaque da Seleção foi o volante Paulinho, confirmando sua ótima fase no Barcelona, onde chegou sob a desconfiança da torcida e da imprensa, vindo da China, e conquistou a todos com o seu bom futebol. Obviamente, é preciso considerar a fragilidade da Rússia, que, mesmo sendo a equipe do país sede da próxima Copa do Mundo, é séria candidata a ser eliminada na primeira fase da competição, mas a Seleção fez uma exibição que agradou, de modo geral, mesmo sem contar com seu maior astro, Neymar, que está lesionado. O próximo amistoso, contra a Alemanha, na terça-feira, em Berlim, será bem mais exigente, mas a Seleção tem condições de fazer frente ao desafio. 

quinta-feira, 22 de março de 2018

Vitória parcial

A admissibilidade da impetração de um habeas corpus preventivo em favor do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e a determinação de que ele não poderá ser preso antes do julgamento do mesmo, no dia 4 de abril, decisões tomadas hoje pelo Supremo Tribunal Federal,  representam uma vitória parcial, mas com fortes indícios de que se torne definitiva. Os embargos declaratórios da defesa de Lula serão julgados na próxima segunda-feira, dia 26 de março, pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, o mesmo que o condenou a 12 anos e um mês de prisão, em janeiro. A tendência é a confirmação da sentença, por unanimidade. Assim, com a prevalência da admissão da prisão logo após o julgamento em segunda instância, ela poderia ser executada de forma imediata. Com as decisões de hoje do Supremo Tribunal Federal, isso não irá mais acontecer. Seria esse um êxito ilusório, um mero adiamento de um desfecho negativo? Não é o que está parecendo. Desde o início está mais do que claro que o julgamento de Lula não segue critérios jurídicos, é meramente político. Fosse um julgamento consistente do ponto de vista jurídico, Lula teria sido absolvido, dada a inexistência de provas concretas para a sua condenação. Se agora, às vésperas de uma condenação definitiva e sua consequente prisão essa possibilidade é postergada, isso não ocorre por acaso. Se antes a prisão de Lula parecia apenas uma questão de tempo, agora há sérios indícios de que ela não ocorrerá. A condenação de Lula se deu pela via política. Sua permanência em liberdade se dará pelo mesmo caminho.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Sufoco

A classificação do Grêmio para as semifinais do Campeonato Gaúcho veio, como já se esperava, mas com um surpreendente sofrimento. O Gre-Nal de hoje, no Beira-Rio, se arrastava num 0 x 0 que só interessava ao Grêmio, quando, aos 33 minutos do primeiro tempo, Bressan, comprometedor como sempre, cometeu um pênalti classificado como infantil pelo técnico do Grêmio, Renato. O Inter, naturalmente, entusiasmou-se e partiu em busca dos gols que lhe faltavam para se classificar. Aos 17 minutos do segundo tempo, o Grêmio sofreu um grave prejuízo por parte da arbitragem. Uma falta inexistente foi marcada pelo bandeirinha Rafael da Silva Alves, e redundou no segundo gol do Inter, marcado por D'Alessandro. A partir daí, é claro, o Inter pressionou em busca de mais um gol, o que faria com que a decisão fosse para os tiros livres da marca do pênalti. Foram minutos aterrorizantes para o torcedor do Grêmio, que tinha diante de si uma possibilidade de eliminação que seria um fiasco depois da larga vantagem alcançada no primeiro jogo. Para sorte do Grêmio, após o Inter marcar o segundo gol, o técnico Odair Hellmann desorganizou o time com as modificações que fez para tentar marcar o terceiro gol. Após os 30 minutos do segundo tempo, o Inter caiu de produção, e o Grêmio conseguiu manter o placar que lhe classificava. A mais lúcida das entrevistas dadas depois do jogo foi a de Marcelo Grohe, que disse que o Grêmio foi apático e correu o risco de ser desclassificado de forma vexatória. Superado o sufoco de hoje, no entanto, o Grêmio  parte para a tentativa de conquistar o título do Gauchão. O Inter só voltará a jogar em abril, contra o Vitória, pela Copa do Brasil.