segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A iniqüidade do capitalismo

Os adeptos do capitalismo dizem que é o sistema econômico que mais gera riquezas. A questão fundamental, no entanto, não é essa. Afinal, de nada adianta gerar riqueza se houver má distribuição da mesma e uma enorme desigualdade social. Levantamentos recentemente divulgados dão conta de que 87% de toda riqueza gerada no mundo em 2017 ficou com apenas 1% da população. No Brasil, cinco pessoas possuem a mesma renda de metade dos habitantes do país. Será que é preciso apresentar qualquer outro argumento para evidenciar a iniqüidade do capitalismo? Só os muito ingênuos ou irremediavelmente burros podem acreditar que o capitalismo seja compatível com uma sociedade justa e democrática. A desigualdade é inerente ao capitalismo, que dela se nutre. Os únicos beneficiários desse regime econômico são as grandes empresas e os bancos. As políticas de "austeridade" defendidas pelos governos de direita resultam em maiores índices de desemprego, salários aviltados, ampliação do fosso social, aumento da violência, transferência de patrimônio público para mãos privadas, deterioração dos serviços essenciais para a população. O culto á "meritocracia" e ao "empreendedorismo" nada mais é do que um discurso bem embalado para justificar o darwinismo social, onde os mais fortes submetem os menos favorecidos de forma cruel e implacável. Os defensores do "mercado" sonham com uma sociedade sem empregos formais e garantias trabalhistas, onde as pessoas tenham de trabalhar a vida inteira, por valores irrisórios, e sem direito à aposentadoria. Onde viceja o capitalismo, fenece a esperança de um mundo melhor.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Contrastes

São apenas duas rodadas disputadas pelo Campeonato Gaúcho, mas o Inter já começa a ganhar confiança, depois de dois anos muito ruins. Hoje, jogando com um time reserva, com exceção do goleiro, o Inter goleou o Novo Hamburgo por 3 x 0, no Estádio do Vale. Os contrastes com o seu maior rival, o Grêmio, são grandes. Em dois jogos, o Inter marcou quatro gols, não sofreu nenhum, e ganhou os seis pontos que disputou. O Grêmio, enquanto isso, jogando com um time descaracterizado, marcou quatro gols, sofreu seis, e obteve somente um ponto. As razões do Grêmio para proceder assim são compreensíveis, pois o seu grupo principal retornou das férias na última quinta-feira. Porém, o futebol vive de resultados. Dessa forma, o início de ano do Inter não poderia ser melhor. Precisando recuperar sua autoestima, e  com um técnico que ainda carece de afirmação, o Inter está alcançando o que há de mais importante para consolidar qualquer trabalho, que são as vitórias.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Fiasco

O que aconteceu com o Grêmio, hoje, na Arena, não pode ser tolerado. Como era previsível, ao decidir escalar um time descaracterizado nas primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho, o Grêmio expunha-se ao risco de maus resultados em sequência. Porém, o que ocorreu, hoje, contra o Caxias ultrapassou todos os limites, foi um fiasco inadmissível para um clube da grandeza do Grêmio. O time "alternativo" do Grêmio saiu na frente no placar, cedeu o empate logo depois, chegou a abrir uma vantagem de 3 x 1, mas foi arrefecendo em campo, e acabou derrotado por 5 x 3. Em seu primeiro jogo, contra o São Luís, no 19 de Outubro, deixou uma vitória certa escapar aos 47 minutos do segundo tempo. Com isso, em dois jogos, o Grêmio somou apenas um ponto no Gauchão, uma competição que não ganha desde 2010. O Grêmio não aprendeu com os péssimos resultados obtidos pelos times descaracterizados que escalou em vários jogos do Campeonato Brasileiro de 2017, e que lhe custaram o título de uma competição que poderia ter vencido até com facilidade. Não há atenuante para uma derrota como a de hoje, nas circunstâncias em que se deu. A camisa do Grêmio merece respeito, e ser representada com dignidade. O relativo sucesso do clube no ano anterior, quando ganhou apenas um título e desperdiçou outros que poderia ter vencido, não justificam que o Grêmio comece 2018 correndo riscos desnecessários e aviltando a sua grandeza.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mais negócio do que esporte

O tenista sérvio Novak Djokovic criticou os organizadores do Torneio Aberto da Austrália, que vem sendo disputado sob temperaturas altíssimas. Ele entende que, em alguns dias, deveriam ser dadas horas extras de descanso, até a temperatura baixar. Djokovic, no entanto, reconheceu que os tenistas fazem parte de uma indústria que é mais negócio do que esporte, e que eles são "abençoados" por terem uma grande compensação financeira. Porém, ao mesmo tempo, ele considera que o mais importante é a saúde dos tenistas, e o que lhes acontecerá depois da carreira. As colocações de Djokovic não servem apenas para o tênis. Elas se enquadram em quase todos os esportes de alto rendimento. O lado lúdico do esporte foi sendo deixado de lado, e deu lugar ao pragmatismo do mundo dos negócios. No futebol, o panorama é o mesmo. Os calendários estão cada vez mais apertados, sobrecarregando os jogadores. Tudo se dá em nome dos grandes lucros obtidos com a transmissão de jogos, sua comercialização para diversos países, entre outros fatores. Com isso, a quantidade se sobrepõe á qualidade. São jogos demais, o que gera saturação no jogadores e no público. O esporte deve, antes de tudo, promover a saúde e propiciar o entretenimento do público. O capitalismo selvagem e a sua avidez por lucros invadiram o esporte, que foi conspurcado. Afinal, para os defensores do mercado, o importante e faturar muito dinheiro, mesmo que seja em detrimento do encanto natural do esporte.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Vitória magra

Na sua estreia no Campeonato Gaúcho, o Inter não apresentou novidades. O único dos novos contratados que entraria em campo hoje, o lateral direito Dudu, vindo do Figueirense, ficou de fora, de última hora, por lesão. Assim, o Inter mostrou o mesmo time de 2017, com exceção de Eduardo Sasha, que foi emprestado para o Santos, e deu lugar a Camilo. Numa estreia, o importante é  vencer, e o Inter conseguiu. Foi uma vitória magra, por 1 x 0, sobre o Veranópolis, no Beira-Rio. O Inter não teve uma grande atuação, mas fez o suficiente para vencer. O resultado dará tranquilidade para o desenvolvimento do trabalho. Com um técnico, Odair Hellmann, que ainda necessita de afirmação, e um time, até agora, sem novos nomes, foi um bom começo do Inter.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Pontos desperdiçados

A estreia do Grêmio no Campeonato Gaúcho não poderia ter sido mais frustrante para o seu torcedor. Depois de estar vencendo o jogo desde os 23 minutos do primeiro tempo, o Grêmio amargou um empate em 1 x 1 com o São Luís, no 19 de Outubro, com um gol sofrido aos 47 minutos do segundo. O Grêmio jogou com um time "alternativo", como fez várias vezes no Campeonato Brasileiro de 2017, e, mais uma vez, obteve um mau resultado. Pelas circunstâncias em que ocorreu o empate, foram pontos desperdiçados. Depois de fazer um bom primeiro tempo, o Grêmio caiu muito de produção no segundo, aceitando a pressão do São Luís em busca do empate. Ainda assim, a vitória poderia ter sido mantida, mas a expulsão do estreante Paulo Miranda, aos 39 minutos, foi decisiva para que isso não acontecesse. Com um jogador a menos, o Grêmio foi ainda mais pressionado pelo São Luis, e com o árbitro tendo dado cinco minutos de acréscimo, não conseguiu resistir, e cedeu o empate para um adversário muito limitado. Vencer teria sido importantíssimo para o Grêmio em termos de tabela. Como apenas empatou, o Grêmio vai com a obrigação de vencer o Caxias, sábado, na Arena. O Caxias, por sinal, estreou no campeonato goleando o atual campeão, o Novo Hamburgo, por 3 x 0, no Francisco Stédile. A verdade é que os times "alternativos" do Grêmio não se mostram confiáveis, nem mesmo contra adversários modestos do interior.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A saúde de Pelé

As imagens veiculadas na tevê mostrando Pelé se movendo com o auxílio de um andador, são de causar consternação. O maior jogador de futebol de todos os tempos, exemplo de condição atlética durante a sua carreira, está fisicamente fragilizado, aos 77 anos. A saúde de Pelé decaiu nos últimos anos, depois que ele se submeteu a duas cirurgias para colocação de próteses nos quadris. A partir delas, Pelé tem tido problemas de mobilidade. No sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, Pelé fez uso de uma cadeira de rodas. Agora, na cerimônia de apresentação do Campeonato do Estado do Rio de Janeiro de 2018, Pelé utilizou um andador. Sem dúvida, são imagens dolorosas para os amantes do futebol. O tempo avança para todos, mas, em se tratando de um ex-esportista, a limitação física é especialmente chocante. O Pelé de andar claudicante de hoje é uma demonstração de o quanto a vida é frágil, seja a das pessoas comuns ou dos grandes mitos, como ele.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Contratação insensata

A volta de Emerson Sheik ao Corinthians, anunciada hoje pelo clube, é uma contratação insensata. Sheik completará 40 anos em 2018, seu rendimento já não é o mesmo faz tempo, ou seja, é um bom jogador, mas que não pode mais corresponder a expectativa de um grande clube. Na vez anterior em que esteve no Corinthians, Sheik foi decisivo para a conquista do título da Libertadores de 2012, e tornou-se ídolo da torcida. Porém, seis anos transcorreram desde então. Se, na época, Sheik era um veterano em ótima forma, atualmente é, na prática, um ex-jogador. Em 2017, na Ponte Preta, amargou o rebaixamento para o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. Sua contratação pelo atual campeão brasileiro se apresenta como um fato sem sentido. Se Sheik foi contratado para ser um reforço, é um erro de avaliação grave. Se foi para reverenciar um ídolo, uma homenagem seria o mais adequado, sem onerar os cofres do clube com um jogador que não lhe será útil.




domingo, 14 de janeiro de 2018

Uma história que se repete

Mais uma vez, o Grêmio foi eliminado precocemente da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Ao perder para o Goiás por 1 x 0, hoje, o Grêmio ficou fora da sequência da competição. Essa é uma história que se repete a cada ano. O Grêmio nunca foi campeão dessa que é a mais prestigiosa disputa do gênero no país. Sua melhor campanha foi o vice-campeonato em 1991, com um time que tinha, entre outros, Danrlei e Roger, futuros multicampeões pelos profissionais do clube. Na decisão, no entanto, o Grêmio foi goleado por 4 x 0 pela Portuguesa, que tinha Dener como seu maior destaque. Esse desempenho histórico modesto é incompatível com a grandeza do Grêmio. Seu maior rival, o Inter, já ganhou a competição quatro vezes, por exemplo. A verdade é o que o Grêmio nunca encarou a competição com a seriedade que ela merece. O Inter, agora, é o único representante do Rio Grande do Sul na disputa, e pode continuar aspirando a conquista de seu quinto título. Resta esperar que, um dia, o Grêmio venha a comportar-se de acordo com a sua grandeza, e torne-se um postulante ao título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, e não um mero participante sem maiores aspirações, o que é característico de clubes menores.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A insuportável supremacia do sertanejo

A música brasileira, antes tão vigorosa e diversificada, vive um processo de empobrecimento assustador. Seus velhos ícones parecem ter esgotado seu veio criativo. Os novos nomes que surgem não tem a mesma força e expressão desses grandes ídolos. Em meio a isso, tirando proveito desse quadro desolador, um ritmo tornou-se onipresente nos meios de divulgação da música, o sertanejo. Na televisão, principalmente, a música sertaneja reina de forma quase absoluta. A insuportável supremacia do sertanejo é a tradução mais fiel da pobreza criativa da música brasileira atual. Depois da explosão de duplas sertanejas, ocorrida há alguns anos, agora são as cantoras desse gênero que vão surgindo aos magotes. O fenômeno já foi denominado de "feminejo". O fato é que, seja com duplas, masculinas ou femininas, com cantores ou cantoras, o sertanejo é um suplício para os ouvidos. Melodias pobres e letras indigentes caracterizam a música sertaneja atual, que pouco ou nada tem a ver com a raiz do gênero, representada, em tempos idos, por duplas como Pena Branca e Xavantinho, por exemplo. Como qualquer outro gênero musical, o sertanejo tem o direito de buscar o seu lugar. O que não é admissível é que se torne o único a ter espaço nos meios de divulgação. A música brasileira sempre se caracterizou pela diversidade, não pode ser reduzida a um único gênero.