terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os primeiros pontos perdidos

Depois de nove vitórias consecutivas, a Seleção Brasileira teve os seus primeiros pontos perdidos em jogos oficiais com o técnico Tite. Foi hoje, no empate em 1x1 com a Colômbia, pelas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, em Barranquilla. A Seleção saiu na frente no placar, com um golaço de William, no final do primeiro tempo, mas Falcão Garcia empatou para a Colômbia, no início do segundo. As duas seleções tiveram bons momentos no jogo, mas o intenso calor cobrou o seu preço e, no final da partida, as equipes estavam extenuadas, e não tiveram forças para mudar o resultado. Embora o jogo pouco valesse para a Seleção em termos práticos, pois já está classificada para a Copa do Mundo e não pode mais ser ultrapassada na liderança das Eliminatórias, não faltou futebol, nem empenho, para a equipe. Se a atuação esteve abaixo de outros jogos, também não foi ruim. Enfrentando um adversário forte, com jogadores como James Rodríguez, Cuadrado e Falcão Garcia, e que precisava muito mais dos pontos em disputa, a Seleção não se deixou dobrar, e até esteve mais perto da vitória do que a Colômbia. Em relação aos testes feitos por Tite, Fernandinho e Roberto Firmino, que iniciaram o jogo nos lugares de Casemiro e Gabriel Jesus, respectivamente, não deram resposta no mesmo nível dos titulares. Não há razão, no entanto, para preocupações. A atuação da Seleção não foi brilhante, é verdade, mas manteve um padrão aceitável. Ainda que não tenha vencido, a Seleção permanece invicta em jogos oficiais com Tite. O trabalho do técnico, portanto, prossegue sem sobressaltos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Saída pela porta da frente

Um fato chamou muito a atenção de quem esteve no sábado, na Arena, para assistir ao jogo Grêmio x Sport. No intervalo, o atacante Pedro Rocha, recentemente negociado com o Spartak Moscou, entrou em campo, acompanhado por seu pai, e acenou para os torcedores, despedindo-se deles, pois viajaria hoje para se apresentar ao seu novo clube. Pedro Rocha foi ovacionado pela torcida, e aplaudido de pé. Afora ser bonita e comovente, a cena vista no sábado é uma demonstração de como é possível fazer uma saída pela porta da frente no futebol mercantilista dos dias atuais. Ronaldinho é odiado pelo torcedor do Grêmio pela forma como saiu do clube, deixando-o a ver navios, sem nada receber por ele. Jonas também deixou o clube de forma traumática, forçando sua saída. Walace, idem. Pedro Rocha, ao contrário, saiu dignamente. Ele havia renovado o seu contrato com o Grêmio no início do ano. Com isso, proporcionou ao clube ganhar um bom dinheiro com sua venda, em vez de sair de graça seis meses antes do término de um contrato. Pedro Rocha soube defender seus interesses sem atropelar os do Grêmio. Dessa forma, saiu do clube de forma digna, e por isso obteve o carinho do torcedor. Se Ronaldinho saiu do Grêmio como um fugitivo, Pedro Rocha o fez de maneira digna, e as portas do clube sempre estarão abertas para ele. A atitude de Pedro Rocha é uma demonstração de que os altos interesses financeiros do futebol não são incompatíveis com a ética e a civilidade.

domingo, 3 de setembro de 2017

O Inter jogou um título fora

Certas atitudes, por mais que se tente entender, se mostram incompreensíveis. Esse é o caso da opção do Inter de ter escalado um time de reservas contra o Atlético Mineiro, na quarta-feira, no Beira-Rio, pelas quartas de final da Copa da Primeira Liga. Não havia razão alguma para o Inter poupar jogadores. Afinal, o Inter é o líder isolado do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, já pôs oito pontos de vantagem sobre o quinto colocado, e só jogará novamente pela competição no próximo sábado. Sendo assim, o Inter não teria nenhum risco colocando os seus titulares em campo. O vencedor de Inter x Atlético Mineiro enfrentaria, nas semifinais, o ganhador de Flamengo x Paraná. Em qualquer dos casos, seria interessante para o Inter, pois um jogo contra o Flamengo teria a motivação natural de uma partida entre dois grandes clubes, e se o adversário fosse o Paraná as perspectivas de se classificar para a decisão seriam amplas. Porém, a realidade é que o Inter jogou com o time reserva, perdeu para o Atlético Mineiro, e foi eliminado da Copa da Primeira Liga. O clube mineiro, confirmando a lógica, elimnou o Paraná nas semifinais. Como no outro lado do chaveamento o clube classificado, hoje, para a decisão foi o Londrina, se pode dizer, sem nenhum receio de errar, que o Inter jogou um título fora. Sim, pois o Inter jogaria a decisão, em partida única, no seu estádio, contra um adversário que já derrotou por duas vezes na Série B, marcando seis gols e sofrendo apenas um. A conquista lhe daria um prêmio de R$ 3 milhões, e um título de campeão, algo que o seu maior rival, o Grêmio, ainda não obteve em 2017. Os argumentos de que a competição não tem valor, e de que a única preocupação do Inter no ano deve ser a de voltar para a Primeira Divisão, são rasos, e não justificam a equivocada opção feita pelo clube. Um clube grande deve estar sempre voltado para a conquista de títulos, nunca para abrir mão deles.

sábado, 2 de setembro de 2017

Chocolate

No jargão do futebol, quando um time goleia seu adversário e demonstra uma flagrante superioridade em campo se diz que ele deu um "chocolate". Foi o que aconteceu hoje, na Arena, no jogo Grêmio 5 x 0 Sport, em partida atrasada do Campeonato Brasileiro. O jogo começou um tanto morno, com o Grêmio tendo dificuldades em concluir. Porém, essa situação só durou até acontecer o primeiro gol, surgido de uma cobrança de falta violentíssima de Edílson. A partir daí, o Grêmio tomou conta do jogo. No segundo gol, Edílson fez uma jogada magnífica, com direito a uma "janelinha" e a uma "meia-lua", e um passe açucarado para Everton chutar para as redes. No segundo tempo, Fernandinho, cobrando pênalti, e depois numa tabela de cabeça com Ramiro, marcou dois gols. A goleada se completou com um gol de Dionathã, que havia entrado um pouco antes. A jogada do quarto gol, particularmente, foi uma demonstração da esmagadora superioridade do Grêmio em campo, começando desde o campo de defesa com toques de calcanhar, e culminando com a tabela de cabeça. Os grandes destaques individuais do Grêmio foram Edílson e Arthur. O resultado fez com que a diferença do Grêmio para o líder do Brasileirão, o Corinthians, caísse para sete pontos. A distância do Corinthians para o Grêmio ainda é confortável para o clube paulista, mas o campeonato está em aberto.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A permanência de Luan

Depois de uma longa novela, a "janela" de transferências fechou, e Luan não saiu do Grêmio. A permanência de Luan impede o que seria um desmonte do time do. Grêmio, pois Pedro Rocha já foi vendido, Maicon fará cirurgia, Douglas segue lesionado, e Bolanos e Lincoln foram emprestados. A saída de Luan iria desfigurar muito a base de time do Grêmio, e em meio a duas competições importantes como o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, praticamente deixaria o clube sem chances de título em ambas. Como o Grêmio irá receber uma substancial quantia pela venda de Pedro Rocha, a necessidade de negociar um jogador para fazer caixa já foi suprida. Outra boa notícia para o Grêmio é que Luan prometeu que, não tendo ocorrido a sua ida para o exterior nessa janela, irá renovar o seu contrato, evitando que o clube nada receba quando de uma eventual saída futura. Para o jogador, no entanto, as chances de ir para a Europa escassearam, pois Luan já tem 24 anos e só agora foi convocado para a Seleção Brasileira. Se sonha em ir para um clube de primeira linha da Europa, talvez Luan venha a se frustrar, pois a cada ano isso se tornará menos provável.

Vitória com pouco brilho

Nem tudo saiu como o esperado na noite de ontem, na Arena do Grêmio. A Seleção Brasileira venceu o Equador,  pelas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, como todos esperavam, mas foi uma vitória de pouco brilho. O resultado de 2 x 0 indica que o jogo foi ganho ao natural, mas isso não é de todo verdadeiro. Diante de uma forte retranca, a Seleção mostrou-se burocrática no primeiro tempo. Afora a postura defensiva do adversário, a Seleção sofria com a rispidez do Equador, que cometia muitas faltas, por vezes violentas. A equipe brasileira não conseguia impor sua qualidade para furar o bloqueio feito pelo Equador. Na saída de campo para o intervalo, como o 0 x 0 persistisse no placar, ouviram-se vaias no estádio. No segundo tempo, no entanto, esse panorama se alterou. Um novo ímpeto foi demonstrado pela Seleção Brasileira, que aumentou a pressão sobre o Equador, mostrando-se decidida em vencer o jogo. O gol de Paulinho, após uma cobrança de escanteio, trouxe, enfim, o grito preso na garganta do torcedor. Com a entrada de Philipe Coutinho, a Seleção se impôs definitivamente, chegou ao segundo gol, e até poderia ter feito outros. As vaias deram lugar ao "olé" da torcida. A lamentar, o fato de que o estádio esteve longe de lotar. O público foi de pouco mais de 36 mil torcedores, num estádio cuja capacidade total é de mais de 55 mil pessoas. Com a vitória, a Seleção atingiu a sua melhor campanha na história das Eliminatórias e, faltando três rodadas para o seu encerramento, não pode mais perder o primeiro lugar da competição.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Desclassificações

Como já se suspeitava, pelos times que colocaram em campo, ocorreram, hoje as desclassificações de Grêmio e Inter da Copa da Primeira Liga. Porém, Grêmio e Inter não fizeram atuações vexatórias, pelo contrário, e até mereciam melhor sorte. O Grêmio jogou contra o Cruzeiro, no Mineirão, com um time inteiramente reserva. Seu adversário, por sua vez, escalou vários titulares, e ainda colocou outros durante o jogo. Exceto Bruno Rodrigo, o Grêmio jogou, basicamente, com garotos. Ainda assim, fez um enfrentamento equilibrado com o Cruzeiro. Sofreu dois gols no final do jogo, quando tudo indicava que a decisão de quem se classificaria para as semifinais da competição se daria na cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Nessas circunstâncias, a derrota deixou um gosto amargo, mas o que fica é que o time reserva do Grêmio portou-se com muita dignidade diante de um adversário com muitos jogadores renomados. O Inter também poderia ter tido um resultado melhor. Contra um Atlético Mineiro que levou para o campo um time misto reforçado por nomes como Marcos Rocha, Gabriel, Fred e Robinho, o Inter, que escalou apenas reservas, levou um gol cedo, reagiu, e terminou o jogo fazendo uma enorme pressão sobre o adversário. Só não empatou porque o goleiro do Atlético Mineiro, Giovanni, fez uma série de grandes defesas. Grêmio e Inter foram desclassificados, mas sem conspurcar a grandeza de ambos os clubes. Agora, resta seguirem na busca dos seus objetivos, o Grêmio o de ganhar mais uma Libertadores, e o Inter o de vencer o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão.

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Legado olímpico

Completado um ano da realização da Olimpíada no Rio de Janeiro, há pouco ou quase nada para ser exaltado. O propalado legado olímpico não se confirmou. As instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca não tiveram o aproveitamento posterior que foi anunciado. Até agora, a área tornou-se um elefante branco em processo de sucateamento. O impulso para o esporte no país, também não se confirmou, pelo contrário. Muitos atletas tiveram seus patrocínios reduzidos ou cortados após a competição. O "legado" concreto da Olimpíada foi mais um rombo nos cofres públicos, ainda que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, negue o fato. Dizia-se que a realização da Olimpíada seria inteiramente bancada com recursos privados, mas isso foi apenas uma falácia. A oportunidade de transformar o Brasil num país poliesportivo, capaz de deixar a condição de mero figurante olímpico, foi desperdiçada. Até mesmo modalidades esportivas antes bem sucedidas no país regrediram no seu desempenho, nos últimos anos, e a Olimpíada do Rio de Janeiro em nada serviu para alterar esse quadro. O exemplo mais notório dessa realidade é o basquete, que segue ladeira abaixo, depois de ter alcançado muitas glórias. Pela primeira vez, desde 1959, o basquete feminino ficará de fora de uma edição do campeonato mundial. O basquete, masculino, por sua vez, deverá ficar alijado da próxima edição dos Jogos Pan-Americanos. No balanço final, quem lucrou com a Olimpíada foram as figuras de sempre em competições desse porte, ou seja, os dirigentes esportivos e os donos de empreiteiras. Para os atletas e o povo, terminada a festa, restou uma amarga conta para pagar.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O São Paulo está na rota da queda

Sempre que um clube grande começa a dar sinais de que pode ser rebaixado, há resistência dentro e fora dele a que se admita essa possibilidade. A realidade, no entanto, mostra que oito dos doze grandes clubes brasileiros já caíram para a Segunda Divisão. Assim, embora o segundo turno do Campeonato Brasileiro esteja apenas começando, é perceptível que o São Paulo está na rota da queda. A exemplo do que aconteceu com outros clubes grandes que foram rebaixados, o São Paulo já trocou de técnico e o time não reagiu. Uma das razões para isso, como ocorreu com o Inter em 2016, foi a escolha inadequada do novo técnico. No caso do São Paulo, Dorival Júnior não tem o perfil indicado para promover uma virada no desempenho de um time. Dorival tem somado muitos trabalhos ruins nos últimos anos, e não é um técnico sanguíneo, capaz de despertar o brio dos jogadores. Outro dado preocupante para o São Paulo é que ele já iniciou o segundo turno do Brasileirão dentro da zona de rebaixamento, o que não aconteceu com o Inter, por exemplo, que, mesmo assim, caiu. A derrota de ontem para o Palmeiras foi emblemática de um clube que se encaminha para o rebaixamento. O São Paulo abriu o placar, sofreu a virada, conseguiu empatar o jogo, teve três chances claras para fazer o terceiro gol, e acabou perdendo por 4 x 2. Se o São Paulo vier a cair, restarão Flamengo, Santos e Cruzeiro entre os grandes clubes brasileiros a nunca terem sido rebaixados. Essa é mais uma prova de que, ao contrário do que arrogantemente afirmava o Inter antes da sua queda, clube grande cai, sim.

domingo, 27 de agosto de 2017

As escandalosas cifras do futebol

Vai longe o tempo em que o futebol, o esporte das multidões, tinha uma atmosfera de romantismo. O futebol tornou-se um negócio milionário, com grandes quantias sendo pagas pela aquisição de jogadores, que, por sua vez, recebem salários altíssimos. Porém, essa situação ultrapassou todos os limites. As escandalosas cifras do futebol estão comprometendo o futuro desse esporte. Os valores dispendidos pelo Paris Saint Germain pela aquisição de Neymar, e o salário pago ao jogador, podem levar o futebol a um novo parâmetro, cada vez mais excludente, pois só clubes que tenham um magnata ou grupo econômico a lhes dar sustentação financeira poderão formar times fortes. Não fosse a Fifa uma instituição corrupta, alguma medida já teria sido tomada no sentido de coibir esses exageros. Só alguém demasiadamente ingênuo poderá crer que é tudo uma questão de mercado, uma ação natural do capitalismo. Pelos valores cada vez mais altos pagos nas contratações de jogadores, é evidente que o futebol está sendo usado como um meio de lavar dinheiro. A paixão de milhões de torcedores pelo futebol está sendo malbaratada por pessoas e grupos que vêem nele apenas uma fachada para encobrir suas falcatruas.