segunda-feira, 29 de maio de 2017

Grandiosa exceção

Aos 40 anos, Totti, talentoso meia do Roma, encerrou sua carreira ontem. A notícia nada teria de incomum, não fosse o fato de que, em sua longa carreira, Totti jamais jogou por outro clube. No futebol altamente mercantilizado de hoje, onde os jogadores trocam de clube a todo o momento, em busca de maiores salários, Totti é uma grandiosa exceção. A postura de Totti é ainda mais digna de destaque pelo fato de que, ao optar por permanecer durante toda a sua carreira no Roma, ele perdeu não só a chance de ganhar mais dinheiro, mas também a de obter um maior número de títulos, já que o clube italiano raramente os conquista. Exemplos como o de Totti são escassos no futebol. No Brasil, há os casos de Nílton Santos, Marcos e Rogério Ceni, que tiveram Botafogo, Palmeiras e São Paulo, respectivamente, como os únicos clubes de suas carreiras. O amor á camiseta, considerado por muitos como algo anacrônico, ainda existe. Histórias como a de Totti fazem com que o futebol mantenha o seu encanto aos olhos do torcedor.

domingo, 28 de maio de 2017

Erros que se repetem

Não é á toa que o Grêmio não ganha o Campeonato Brasileiro há 21 anos. Aliás, o Grêmio nunca venceu a competição depois que ela adotou a fórmula de pontos corridos. O clube é vítima de erros que se repetem, cometidos por sucessivas diretorias. O maior deles é a priorização de competições, fazendo com que times reservas sejam escalados em determinados jogos, causando a perda de pontos que farão falta no final. A decisão de escalar um time inteiramente reserva contra o Sport, hoje, na Ilha do Retiro, é um exemplo disso. Não havia nada que justificasse a medida. O fato de o Grêmio estar envolvido em três disputas simultâneas não implicava na necessidade de poupar jogadores em partida alguma, pois após o jogo contra o Zamora, na quinta-feira passada, a Libertadores só será retomada em julho. Também na Copa do Brasil haverá uma pausa. Depois de jogar contra o Fluminense, na próxima quarta-feira, o Grêmio só voltará á competição, caso se classifique para a fase seguinte, no final de junho. Dessa forma, daqui a alguns dias, o Grêmio teria apenas o Brasileirão para se dedicar por um bom tempo. O Grêmio, no entanto, ignorou essas evidências e colocou um time reserva contra o Sport. Chegou a estar ganhando por 2 x 0, mas acabou perdendo por 4 x 3. Assim, desperdiçou pontos preciosos, que lhe farão muita falta, contra um adversário fraco e que estava desfalcado do seu melhor jogador. Perder um jogo depois de ter aberto dois gols de vantagem no placar é algo muito doloroso para o torcedor. Ainda mais que, se vencesse, o Grêmio seria líder isolado, com dois pontos a mais que os segundos colocados. Ao que parece, o Grêmio desdenha da mais importante competição do futebol brasileiro, preferindo as disputas de jogos eliminatórios. Uma postura medíocre, inaceitável para um clube da grandeza do Grêmio.

Mudança obrigatória

Era cogitação, virou imposição. Com a derrota por 1 x 0 para o Paysandu, ontem, no Mangueirão, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, a saída do técnico Antônio Carlos Zago é uma mudança obrigatória a ser feita pelo Inter. Mais do que perder, o Inter jogou muito mal. Afora isso, o Paysandu mostrou-se um time muito fraco e ainda assim, venceu o jogo. Manter Zago como técnico não vai levar o Inter a lugar nenhum. O Inter não evolui. Seu aproveitamento no Campeonato Gaúcho foi de apenas 49%. Por mais atenuantes que pudessem ser dadas para os constantes tropeços, como o fato de que o Inter teve de montar um time novo, e, em função disso, fez muitas contratações e dispensas, nada explica um rendimento tão baixo. Nos últimos dez jogos, por exemplo, o Inter só ganhou um. Os bons resultados contra clubes grandes, como Grêmio e Corinthians, e a estreia com goleada fora de casa, contra o Londrina, na Segunda Divisão, deram algum fôlego ao trabalho de Zago. O empate em pleno Beira-Rio contra o ABC e a derrota de ontem para o Paysandu, no entanto, somados ao desempenho geral do técnico até aqui, tornam inviável a sua permanência. Um recomeço se fará necessário para o Inter, pois o trabalho realizado desde o início do ano não deu os frutos esperados.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Só as ruas podem salvar o Brasil

Os dias vão transcorrendo e o país continua entregue á própria sorte, com um governo acabado que finge manter o seu poder. Na prática, o presidente golpista Michel Temer não governa mais. Por que, então, ainda não caiu? Porque os interesses dos diversos grupos que compõem o cenário político, como sempre, estão postos acima dos do país. A direita, mesmo fortemente afetada pela derrocada de Temer, quer manter o seu propósito de aprovar as reformas trabalhista e da Previdência, tão ansiadas pela plutocracia. Por isso, uma saída da crise que seja favorável aos golpistas está sendo gestada. Uma eleição indireta, feita por um Congresso Nacional corrupto, que escolherá um nome confiável para a direita, que dê prosseguimento a agenda carregada de demofobia do governo Temer. Os brasileiros não podem permitir que isso aconteça. O povo precisa mostrar sua força. Só as ruas podem salvar o Brasil. A hora é de ocupar os espaços públicos, exigindo a saída de Temer e o fim das reformas. O novo presidente tem de ser escolhido em eleições diretas. Chega dessa conversa fiada de que as instituições estão funcionando, pois isso só serve para que se posterguem as mudanças necessárias para a reconstrução do país. Fora Temer! Eleições diretas para presidente!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Faltaram gols

Como se esperava, o Grêmio goleou o fraquíssimo Zamora, e ficou em primeiro lugar no seu grupo na Libertadores. A goleada de 4 x 0, no entanto, não foi suficiente para que o Grêmio obtivesse o primeiro lugar na classificação geral. Portanto, faltaram gols, ainda que tenham sobrado oportunidades. Até abrir o placar, o Grêmio já tinha perdido um grande número de chances. No segundo tempo, já vencendo por 3 x 0, o Grêmio marcou apenas mais um gol, e desperdiçou um pênalti. Se houvesse feito mais três gols, e teve muitas chances para isso, o Grêmio teria ficado com a melhor campanha geral da fase classificatória da Libertadores. Como não conseguiu, ficou em terceiro lugar, em função do saldo de gols. O clube de melhor campanha foi o Atlético Mineiro, seguido pelo Lanus. Mesmo assim, o Grêmio ficou numa boa colocação, que lhe garante jogar em casa as segundas partidas dos confrontos que terá daqui para a frente, com exceção dos dois clubes que ficaram à sua frente. Pedro Rocha e Luan, que hoje marcaram gols, perderam outras oportunidades, o que já virou rotina. Porém, mesmo descontada a fragilidade do adversário, foi a quarta vitória consecutiva do Grêmio, e sempre com alto desempenho. O Grêmio vai bem nas três competições em que está envolvido, e com o hiato que ocorrerá na Copa do Brasil e na Libertadores, não precisará priorizar nenhuma delas, por enquanto, e ainda poderá aproveitar o período com jogos apenas pelo Campeonato Brasileiro para consolidar ainda mais o seu bom desempenho na disputa.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Brasil está acéfalo

O que falta acontecer para que Michel Temer deixe o cargo de presidente? Temer não tem mais a mínima condição de governar, está no cargo de maneira apenas simbólica. O Brasil está acéfalo, sem um governo efetivo. Ao que parece, há uma aposta no quanto pior, melhor. Em vez de uma solução rápida, com a saída imediata de Temer, os dias vão transcorrendo sem que se tenha ideia do que está por vir após a inevitável queda do presidente golpista. Os promotores do golpe e, os empresários associados com eles, querem manter na agenda do governo a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, que são extremamente prejudiciais aos interesses da população. O ideal seria aprovar uma emenda constitucional que antecipasse a eleição direta para presidente. Os governistas, no entanto, afirmam que uma eleição direta agora seria golpe. Na verdade, a direita rejeita a antecipação da eleição direta por que ela seria vencida pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Numa eleição indireta, feita por um Congresso Nacional corrupto, poderá ser nomeado um presidente ainda pior que Temer. Como expressa o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar. As manifestações de hoje em Brasília foram alentadoras, pois mostram que a população percebeu que cabe a ela escrever a história nesse momento em que é preciso pôr fim ao caos que o golpe instalou no país.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A notável fibra da Chapecoense

A Chapecoense, depois do desastre aéreo que comoveu o mundo, em novembro, segue surpreendendo. O clube, ainda sob o impacto da dor causada por tantas vidas perdidas na queda do avião, conseguiu montar um novo grupo de jogadores em tempo recorde, e tornou-se bicampeão catarinense. Paralelamente, cumpria boa campanha na Libertadores, competição que disputa pela primeira vez. Depois de uma grande vitória, fora de casa, sobre o Lanus, que lhe encaminhava a classificação para a próxima fase da competição, veio a público a notícia de que a Chapecoense escalara um jogador que estava suspenso, e que, por isso, perderia os pontos que ganhara na partida. Hoje, poucas horas antes do jogo contra o Zulia, em Chapecó, aconteceu a confirmação da perda de pontos. Com isso, a Chapecoense não tinha mais chances de classificação na Libertadores. Porém, a notável fibra da Chapecoense apareceu mais uma vez. Ainda havia a chance de ficar em terceiro lugar no grupo e, em consequência, ingressar na próxima fase da Copa Sul-Americana. A Chapecoense saiu perdendo ainda no primeiro tempo, mas obteve uma virada heróica, com dois gols marcados nos acréscimos. Assim, a Chapecoense garantiu a participação em mais uma Copa Sul-Americana, e já anunciou que irá recorrer da condenação que sofreu na Libertadores. A Chapecoense segue fazendo história, e construindo uma trajetória de superação de adversidades.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O país dos cretinos

Entre suas tantas mazelas, o Brasil é, também, o país dos cretinos. Obcecados em seu antipetismo doentio, eles, cinicamente, se aferram á defesa da Constituição para condenar a realização de eleições diretas para presidente antes de 2018. A tresloucada Janaína Paschoal, conhecida por sua atuação no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, postou um áudio nas redes sociais em que defende que a Constituição seja respeitada, e que, caso Michel Temer venha a cair, seu substituto seja escolhido de forma indireta. Na mesma linha, o jornalista Tulio Milman, do grupo RBS, escreveu que uma eleição direta agora configuraria um golpe, pois seria feita apenas para beneficiar os interesses de um candidato. O candidato, no caso, obviamente, é o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. A defesa da Constituição é o argumento que sistematicamente é usado, seja para justificar o impeachment de Dilma, ou para condenar uma antecipação das eleições diretas. O argumento é raso em ambos os casos. O fato de Michel Temer ser o vice de Dilma, não descaracteriza a condição de golpe da deposição da presidente. As alegações para o impeachment foram pífias e inconsistentes, e o fato do processo ter seguido o rito formal previsto não o legitima. Pior, ainda, é chamar de golpe uma antecipação de eleição pela via direta. Afinal, para que isso acontecesse, seria necessária a aprovação de uma emenda constitucional. Na verdade, essa incoerência argumentativa, deixando de reconhecer um golpe, e classificando dessa forma uma iniciativa que teria de ser votada pelo Congresso Nacional, apenas revela o pânico da direita com a possibilidade de que Lula volte a ser presidente. Por sinal, o defensor de tão disparatado argumento foi o mesmo que escreveu que não se importa em morrer trabalhando, na tentativa de defender a aprovação da criminosa reforma da Previdência. Argumentos fracos e incoerentes, considerações seletivas, com diferentes apreciações para situações análogas, essa é a postura da direita brasileira. O respeito á Constituição deve ser observado, sim, mas ele não pode servir para justificar as posições dos defensores do golpe.

domingo, 21 de maio de 2017

Liderança

A turbulência no Grêmio com a desclassificação no Campeonato Gaúcho e a derrota para o Deportes Iquique foi superada. O time reencontrou o seu melhor futebol e obteve três vitórias em jogos pelo Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. Com a vitória por 2 x 0 sobre o Atlético Paranaense, hoje, na Arena da Baixada, o Grêmio alcançou a liderança do Brasileirão com o mesmo número de pontos que o Fluminense, mas com vantagem no saldo de gols. Mais uma vez, o Grêmio mostrou um futebol envolvente, se impondo sobre o adversário. Depois de um primeiro tempo um tanto morno, o Grêmio abriu o placar logo aos 40 segundos após a volta do intervalo. A partir daí, o Grêmio tomou conta do jogo, e chegou ao segundo gol ao natural. Não fosse a injustificada cera de Marcelo Grohe, que redundou em sua expulsão, o Grêmio poderia ter vencido por um placar ainda mais folgado. A expulsão, ocorrida aos 32 minutos do segundo tempo, levou a que o Atlético Paranaense exercesse uma forte pressão até o final do jogo, mas o Grêmio soube garantir o resultado favorável. O Grêmio é um dos principais postulantes ao título da competição, sem dúvida, mesmo que ela esteja apenas no início, pois suas vitórias são sólidas, não aleatórias ou circunstanciais.

sábado, 20 de maio de 2017

Tropeço

O que ninguém esperava, aconteceu. O Inter, em seu primeiro jogo em casa pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, teve um tropeço contra um adversário modesto. Hoje, no Beira-Rio, o Inter empatou com o ABC em 1 x 1. O pior é que o resultado esteve longe de ser injusto. O goleiro Édson fez grandes defesas, é verdade, mas o ABC também teve várias chances de marcar, e quase obteve a vitória num contra-ataque. Não há como minimizar um empate como esse. Entre Inter e ABC há um verdadeiro abismo em termos de expressão e estrutura. A folha de pagamento do clube potiguar, por certo, é inferior ao salário de qualquer uma das maiores estrelas do Inter. A torcida do Inter, como não poderia deixar de ser, protestou após o jogo, e pediu a saída do técnico Antônio Carlos Zago. A reabilitação do Inter não será fácil, pois seu próximo jogo será contra o Paysandu, fora de casa. Se o Inter tiver um segundo mau resultado em sequência, talvez Zago venha a deixar o cargo. A perda do título do Campeonato Gaúcho, se somada com tropeços na Segunda Divisão, onde se espera que o Inter não encontre maiores dificuldades, poderão encurtar sua permanência no clube.