domingo, 30 de abril de 2017

Mais sorte do que juízo

No quinto jogo realizado contra a dupla Gre-Nal no Campeonato Gaúcho, o Novo Hamburgo permaneceu invicto. Hoje, no primeiro jogo pela decisão da competição, empatou com o Inter em 2 x 2, e esteve duas vezes na frente no placar. Na fase classificatória, venceu o Inter e empatou com o Grémio. Mas semifinais, empatou duas vezes com o Grémio, e se classificou para a decisão nos tiros livres da marca do pênalti. Nas duas vezes em que jogou contra o Inter, as partidas foram no Beira-Rio. No jogo de hoje, o Beira-Rio recebeu mais de 43 mil pessoas, o maior público dos jogos de domingo em todo o Brasil. Mesmo com todo esse cenário, o Inter teve mais sorte do que juízo. O Novo Hamburgo mereceu vencer. O primeiro gol do Inter foi fortuito, resultou de uma infelicidade do goleiro Matheus. O segundo começou numa grande jogada de D'Alessandro, num raro lance em que a marcação sobre ele foi desatenta. Por tudo o que já fez até aqui, com a melhor campanha entre todos os clubes na fase classificatória, e os cincos jogos de invencibilidade diante de Grêmio e Inter, o Novo Hamburgo merece ser o campeão gaúcho. Se, no próximo domingo, isso não se confirmar, será um resultado que não honrará o futebol. As competições devem apontar como os seus campeões os que forem melhores ao longo de uma campanha, e não em apenas um jogo.

sábado, 29 de abril de 2017

O triste papel da imprensa

O Brasil vive um dos piores momentos de sua história, com um governo golpista e ilegítimo, e o que é pior, sem uma imprensa que denuncie essa situação. A greve geral de ontem evidenciou ainda mais o triste papel da imprensa no quadro atual do país. Os maiores veículos da imprensa brasileira tentaram minimizar a expressividade do movimento, alegando que ele não alcançou a adesão esperada. Na verdade, a greve geral foi um sucesso, e a internet e veículos da imprensa estrangeira puderam mostrar isso para o mundo. A imprensa brasileira age em conluio com o governo de Michel Temer, insistindo em apoiar reformas que irão ferir de morte os interesses da população. Foi visível a intenção de mostrar fotos nos jornais, e imagens na TV, que dessem a ideia de que a greve geral teve uma pequena participação popular. Todo esse esforço, no entanto, é inócuo. A mobilização contra as reformas prosseguirá, e deverá ter um novo e expressivo capítulo já no Dia do Trabalho, na próxima segunda-feira, quando, novamente, multidões irão ás ruas protestar. Não há manipulação ou tendenciosidade editorial que possam encobrir a realidade, pois, como expressa o ditado, contra fatos não há argumentos.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A greve geral foi um êxito

A grande imprensa tenta mostrar o contrário, mas a greve geral foi um êxito, hoje, em todo o país. Milhares de pessoas saíram as ruas para manifestar sua inconformidade com as reformas trabalhista e previdenciária, que o governo golpista e ilegítimo tenta impor aos brasileiros. A tentativa de negar a expressividade da greve é inócua, pois importantes jornais do exterior atestaram o seu sucesso. O governo procurou menosprezar o movimento, e afirmou que não voltará atrás nas reformas, mas isso é apenas retórica. A greve geral não é um fato isolado. Ela é o estopim de um combate permanente ás medidas que o governo pretende implantar para destruir os direitos dos trabalhadores. A reforma trabalhista não deverá ser aprovada no Senado, segundo afirmou o próprio presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB/AL). A reforma previdenciária encontra cada vez mais resistência entre os congressistas. O governo, é claro, vai jogar pesado, ameaçando os parlamentares com perdas de vantagens e ofertando cargos em troca de apoio às suas infames reformas, mas a resistência a implantação das medidas vem crescendo entre deputados federais e senadores. A greve de hoje foi apenas o início da virada contra as reformas. O governo não perde por esperar.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O fazedor de gols

Em 2016, poucos minutos depois de o Grêmio conquistar o seu quinto título da Copa do Brasil, o então vice-presidente de futebol do clube, Adalberto Preiss, projetando a necessidade de reforços para o grupo no ano seguinte, disse que era preciso contratar um "fazedor de gols". O Grêmio foi em busca desse jogador, e trouxe Lucas Barrios para suprir essa carência. Barrios não se afirmou de imediato. Sofreu uma lesão logo após a sua chegada, e enfrentou a dificuldade de jogar num time desacostumado com um homem de referência no ataque. Até ontem, havia marcado apenas três gols com a camisa do Grêmio. Porém, hoje, na goleada de 4 x 1 sobre o Guarani do Paraguai, na Arena, pela Libertadores, fez outros três, o que lhe credencia a obter a condição de titular. O Grêmio poderia ter ganho por um placar ainda mais elástico, se Luan não tivesse desperdiçado um pênalti. Aliás, Luan foi o destaque negativo do jogo, com mais uma péssima atuação. Sua condição de titular absoluto é cada vez menos justificável pelo futebol que tem jogado. Seja como for, a goleada veio em boa hora para amenizar a frustração pela eliminação no Campeonato Gaúcho. Foi, acima de tudo, a grande noite de Lucas Barrios, abrindo a perspectiva de que o Grêmio tenha encontrado o fazedor de gols que tanto buscava.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Uma reforma que não pode ser aprovada

Começará a ser votada, hoje, no plenário da Câmara dos Deputados, a reforma trabalhista. Essa é uma reforma que não pode ser aprovada. Se for, as relações do trabalho, no Brasil, irão recuar para um nível medieval. Todos os avanços da Consolidação das Leis do Trabalho seriam revogados. O governo golpista e ilegítimo tenta aprovar suas medidas carregadas de demofobia a toque de caixa, pois a resistência da sociedade começa a se ampliar, o que poria em risco a sua aprovação. As forças vivas da sociedade brasileira e a oposição não podem desistir de barrar essa monstruosidade. Todos os esforços possíveis e imagináveis devem ser feitos para impedir que esse crime contra os trabalhadores brasileiros seja consumado. Atos protelatórios em plenário, manobras regimentais, ações judiciais, mobilizações junto às forças populares, todos os recursos são válidos para impedir a aprovação da reforma. O governo não tem legitimidade para propor mudanças tão drásticas na vida dos brasileiros como as que acontecerão se as reformas trabalhista e previdenciária forem aprovadas. A luta não acabou, está apenas começando.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A gangorra

Uma imagem há muito tempo associada ao futebol do Rio Grande do Sul é a da gangorra. Como no brinquedo, seus dois grandes clubes, Grêmio e Inter, se alternam em ciclos hegemônicos em que enquanto um está no alto, o outro está encostado ao chão. Foi assim quando o Grêmio ganhou 12 campeonatos estaduais em 13 disputados entre os anos de 1956 a 1968. O fato repetiu-se no amplo domínio do Inter nos anos 70, e do Grêmio nas décadas de 80 e 90. Agora, no entanto, esse quadro já não se mostra como em outras épocas, e o Grêmio é o grande responsável por isso. O Grêmio está tendo, nos últimos anos, um desempenho pífio no Campeonato Gaúcho. Desde 2010, não vence a competição, e nas duas últimas edições foi eliminado nas semifinais. A disputa paralela da Libertadores não serve como desculpa, pois, em 2015, o Inter participou das duas competições, sendo campeão gaúcho e semifinalista no torneio continental. A verdade é que o Grêmio, ainda que não confesse, nutre um profundo desapreço pelo campeonato estadual e, por consequência, não consegue se motivar para a sua disputa. O final de 2016, com o Grêmio conquistando o título de campeão da Copa do Brasil e o Inter sendo rebaixado para a Segunda Divisão, apontava para a perspectiva de um novo ciclo hegemônico em azul, preto e branco. A eliminação no campeonato estadual, no entanto, com o Inter podendo chegar, pela segunda vez em sua história, ao título de heptacampeão, e obtendo bons resultados em outras competições, desfizeram, ao menos por enquanto, essa possibilidade. O Grêmio precisa repensar sua relação com o Campeonato Gaúcho. A impressão que se tem é a de que o clube só participa da competição em razão da excelente quantia paga pela emissora de TV que detém os direitos de transmissão. Os sucessivos fracassos nessa disputa, no entanto, comprometem a imagem do clube, e geram uma maior pressão por resultados em outras competições. Se seguir com sua postura negligente no campeonato estadual, o Grêmio permitirá ao seu maior rival um recurso permanente para escapar de crises maiores. Não há justificativa para um procedimento que em nada beneficia o clube, e que ainda auxilia o seu principal oponente.

domingo, 23 de abril de 2017

Eliminação inaceitável

O Novo Hamburgo fez uma campanha meritória no Campeonato Gaúcho, pois marcou mais pontos que todos os outros clubes, mas, ainda assim, o Grêmio sofreu uma eliminação inaceitável, hoje, no Estádio do Vale. Pela terceira vez na competição, o Grêmio não passou de um empate em 1 x 1 com o Novo Hamburgo. O Grêmio jogou um mau futebol, sem nenhuma vibração, aceitando o ritmo arrastado que o Novo Hamburgo propunha na partida, já que o empate em 0 x 0 era suficiente para a classificação do clube da casa. Ainda assim, o Grêmio conseguiu abrir o placar. Porém, mais uma vez, permitiu que o Novo Hamburgo ditasse o ritmo do jogo, acelerando-o em busca do empate, que acabou alcançando poucos minutos depois. Como se vê, o Grêmio em momento algum se impôs sobre o seu adversário. A definição de quem se classificaria para a decisão foi, então, para os tiros livres da marca do pênalti. O Novo Hamburgo deu ao Grêmio a chance de ganhar a disputa, mas várias cobranças erradas resultaram na vexatória eliminação. Pelo segundo ano consecutivo, o Grêmio é desclassificado do campeonato estadual nas semifinais por um clube do interior. O jejum de títulos na competição só faz aumentar, pois a última vez que o Grêmio a venceu foi em 2010. Uma situação constrangedora e injustificável para um clube da sua grandeza.

Erro fatal

O Caxias teve tudo para se classificar para a decisão do Campeonato Gaúcho, e não soube aproveitar. Hoje, no Francisco Stédile, no segundo jogo das semifinais contra o Inter, viu o goleiro adversário deixar o campo ainda no início da partida, vitimado por uma lesão. Conseguiu sair na frente no placar e cometeu um pênalti claro que foi ignorado pela arbitragem. Próximo ao final do jogo, teve um pênalti marcado a seu favor e ficou com um jogador a mais, pois o Inter teve um jogador expulso. Bastaria marcar o gol, e a classificação estaria praticamente assegurada. Porém, Gilmar bateu de forma medíocre, a meia altura, e o goleiro. A partir daí, mesmo com um jogador a mais, o Caxias não conseguiu fazer o gol que lhe levaria para decisão. Nos tiros livres da marca do pênalti, o Inter acertou todas as cobranças, o Caxias desperdiçou uma, e obteve a classificação. O Caxias não pode reclamar de nada, estava com a faca e o queijo na mão para chegar á decisão do campeonato e desperdiçou a oportunidade. A má cobrança do pênalti foi um erro fatal.

sábado, 22 de abril de 2017

Falsa vitima

O goleiro Aranha, atualmente na Ponte Preta, ganhou as manchetes em 2014, quando jogava no Santos, alegando ter sido vítima de racismo numa partida contra o Grêmio, na Arena, válida pela Copa do Brasil. Câmeras da ESPN corroboraram as afirmações de Aranha, ao mostrarem torcedores do Grêmio, em especial uma moça, gritarem a palavra "macaco" para o goleiro.  O caso foi julgado no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), e o Grêmio foi retirado da competição. Aranha, um goleiro obscuro e medíocre, com uma carreira opaca, conseguiu, assim, os seus 15 minutos de fama. Não se levou em conta que o goleiro exagerara na "cera" durante o jogo, o que despertara a revolta dos torcedores, nem de que a responsabilidade por uma suposta atitude de injúria racial deveria ser restrita aos seus autores, sem que o clube fosse punido. Houve um grande bombardeio midiático sobre o tema, com o Grêmio recebendo a pecha de um clube racista, e Aranha se tornando uma vítima desse crime ignóbil. O tempo, no entanto, pôs os fatos nos seus devidos lugares. Aranha é uma falsa vítima. Hoje, após o jogo em que a Ponte Preta classificou-se para a decisão do Campeonato Paulista, ao ser questionado sobre sua forma física, mostrou-se irritado, e disse que há repórteres que "gostam de homem" e por isso cobram que os jogadores sejam "sarados". A "vítima" de racismo, revela-se, portanto um adepto da homofobia. Supostamente atingido pelo preconceito, Aranha procedeu da mesma forma que os seus presumíveis agressores. Três  anos depois, a máscara de Aranha, finalmente, caiu.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Escândalo

O que era indigno tornou-se um escândalo. O presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelleto, conselheiro do Inter em cuja administração o clube é constantemente beneficiado por "erros humanos" de arbitragem, entre outros favorecimentos, deixou de lado qualquer pudor. Circula, hoje, pela internet, um vídeo em que Novelleto, em ambiente doméstico, comemora a classificação do Inter para as oitavas de final da Copa do Brasil, diante do Corinthians, aos pulos e berros. Ainda que a imprensa esportiva do Rio Grande do Sul, historicamente alinhada com os interesses do Inter, esteja tentando minimizar o episódio, o fato é sórdido e repugnante. Não há mais a mínima condição para que Novelleto continue no cargo, o qual, aliás, exerce ilegalmente, já que o artigo 31 do estatuto da Federação Gaúcha de Futebol veda que conselheiros de clubes sejam presidentes da instituição. A imprensa, conivente com essa situação espúria, jamais denunciou ou cobrou essa gravíssima irregularidade. O Grêmio, sistematicamente prejudicado por Novelleto, deveria se posicionar oficialmente sobre o fato, exigindo sua renúncia. O futebol estadual está entregue a um homem que não tem condições morais de conduzi-lo. Essa situação indecente vem se arrastando há anos, sem que nada seja feito. Agora, chegou-se ao limite. Novelleto tem de deixar o cargo, ou só restará ao futebol do Rio Grande do Sul chafurdar na lama.