terça-feira, 1 de novembro de 2016
Voto obrigatório
Bastou o fato de que as eleições de 2016 apresentaram uma grande abstenção e um alto número de votos brancos e nulos para que uma velha questão voltasse a ser discutida. O assunto em tela é o fim do voto obrigatório. Os defensores do voto facultativo argumentam que ele é adotado na maioria dos países. Sustentam, também, que votar deve ser um direito, não uma obrigação. Porém, ainda que a ideia possa ser teoricamente sedutora, penso que a implantação do voto facultativo não seria boa para o Brasil. Em primeiro lugar porque não há justificativa aceitável para alguém se eximir de votar, pois o ato não exige nenhum sacrifício do eleitor já que as seções são sempre próximas de seu local de residência. O tempo necessário para o ato de votar também não é grande e, portanto, em nada atrapalha a vida do eleitor. O fim do voto obrigatório afastaria ainda mais o cidadão da política, o que é muito ruim. Afora isso, abriria espaço para que pessoas desinteressadas de votar aceitassem fazê-lo por dinheiro, que receberiam para favorecer determinados candidatos. Num país ainda muito despolitizado como é o Brasil, o fim do voto obrigatório só favoreceria os adeptos da demofobia. A leitura que deve ser feita sobre o comportamento do eleitor no pleito de 2016 não é a de que ele queira ser desobrigado de votar. O que ele deseja é uma ampla reforma política. Retirar a obrigatoriedade do voto e manter a mesma carcomida estrutura política seria um desastre. Só quem deseja isso são as forças conservadoras. O país não pode embarcar nessa canoa furada.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Cifras escandalosas
Não é de hoje que o futebol tornou-se uma atividade milionária. Os principais clubes do mundo possuem orçamentos altíssimos, que lhes permitem gastar fortunas na aquisição de jogadores e no pagamento de seus salários. Porém, está mais do que clara a necessidade de se colocar um freio nessa situação, por extrapolar qualquer limite que se considere razoável. A renovação de contrato do galês Bale com o Real Madrid é uma evidência disso. Bale estendeu seu contrato com o clube espanhol até o ano de 2022. Pelo novo contrato, Bale irá ganhar um salário equivalente a 1,3 milhão reais por semana. Convenhamos, quantias assim é o que se pode classificar de cifras escandalosas. Bale é um bom jogador, mas está longe de ser um gênio e, portanto, não tem cabimento que se torne o detentor do maior salário do futebol mundial. Diante de tamanhas quantias, é natural que se pense que o futebol está sendo usado para lavagem de dinheiro. Algo precisa ser feito para mudar esse quadro. Soa ofensivo para o cidadão comum tomar conhecimento de que se paguem salários astronômicos como o de Bale. O futebol é um grande espetáculo, e é natural que seus maiores astros sejam bem remunerados. Salários como o do novo contrato de Bale, no entanto, agridem o bom senso. Nenhum jogador, por mais extraordinário que seja, nem mesmo Messi, mereceria ganhar uma quantia tão alta. Cabe á comunidade futebolística, no mundo inteiro, se mobilizar contra essa aberração. O mais popular dos esportes deve transmitir aos seus torcedores uma imagem de dignidade. As quantias cada vez mais altas que circulam no futebol apontam no sentido contrário, e o tornam uma atividade cheia de suspeições.
domingo, 30 de outubro de 2016
Confirmação
O segundo turno da eleição para prefeito de Porto Alegre não apresentou surpresa. Nélson Marchezan Júnior (PSDB) venceu o pleito, numa confirmação do que as pesquisas indicavam. Ainda mergulhado numa irracional onda antiesquerdista movida pela imprensa conservadora, o eleitorado resolveu eleger a raposa para cuidar do galinheiro. Ao escolher Marchezan Júnior, o eleitor entrega a administração da cidade ao herdeiro de uma figura proeminente da Arena, partido de sustentação do regime militar, o falecido Nélson Marchezan. Mais do que isso, Marchezan Júnior é um neoliberal e privatista. Os próximos quatro anos tendem a ser desalentadores para Porto Alegre. Diante desse quadro, o incompreensível é que nem mesmo a catastrófica escolha de José Ivo Sartori para governador do Rio Grande do Sul, em 2014, serviu de alerta. O eleitor gaúcho parece tomado por um impulso de autoflagelação. Resta esperar que nas eleições de 2018 essa tendência autodestrutiva tenha sido superada, e o eleitor volte a votar com consciência, concedendo o poder a quem tem compromisso com as demandas sociais.
sábado, 29 de outubro de 2016
Tropeço inesperado
Ninguém poderia imaginar a hipótese do Inter não vencer o Santa Cruz, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O empate em 1 x 1 foi um tropeço inesperado, e que pode complicar muito a vida do Inter na reta final do Brasileirão. O Inter abriu o placar logo aos seis minutos do primeiro tempo, o que reforçou a ideia de que ganharia com facilidade. O tempo, no entanto, foi transcorrendo, os outros gols não vieram. Para piorar, o Santa Cruz empatou, e o volante Eduardo Henrique, do Inter, foi expulso. A partir daí, mesmo tendo boa parte do primeiro tempo, e todo o segundo, para vencer o jogo, o Inter não conseguiu o desempate. A fuga do rebaixamento, que parecia tranquila após vencer o Flamengo e empatar com o Grêmio, voltou a ficar dramática para o Inter. A agonia da luta para não cair talvez se estenda até a última rodada.
Empate chocho
Um jogo de muito baixo nível técnico, com poucas emoções, foi o que se viu em Figueirense 0 x 0 Grêmio, hoje, no Orlando Scarpelli, pelo Campeonato Brasileiro. Um empate chocho entre um clube que luta para fugir do rebaixamento e outro que foi para o campo com os reservas. Para quem tenta escapar de um rebaixamento cada vez mais provável, o Figueirense mostrou pouco, seja porque o time é fraco ou por não acreditar mais na possibilidade de evitar a queda para a Segunda Divisão. O Grêmio, jogando, mais uma vez, com um time reserva fora de casa, tornou a empatar, mas sem mostrar a mesma boa atuação da partida contra o Santos. Foi um jogo que se arrastou até o final. O resultado não foi bom para ninguém. O Figueirense continuou afundado na zona de rebaixamento, e o Grêmio não conseguiu ingressar na faixa de classificação para a Libertadores.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Uma lista sem pé nem cabeça
A revista inglesa "Four Four Two" elaborou uma lista com, no seu entender, os 50 melhores times de futebol de todos os tempos. Embora relacione grandes equipes da história do futebol, é uma lista sem pé nem cabeça. O primeiro, e fundamental, erro da lista, é misturar clubes e seleções. São elementos absolutamente distintos, não podem ser comparados. O que já começa errado não poderia ter um bom resultado. A colocação das equipes na lista é risível, para dizer o mínimo. O primeiro lugar da lista é ocupado pelo time do Ajax, da Holanda, liderado por Cruyff, que foi tricampeão da Europa em 1971/1972/1973. A Seleção Brasileira de 1970 aparece em segundo lugar. Convenhamos, essa avaliação é absurda. A Seleção de 70 é apontada como a melhor equipe da história do futebol pela maioria dos rankings feitos no mundo inteiro. A lista sequer inclui a Seleção Brasileira de 1958, tão boa ou melhor que a de 1970. No entanto, a Seleção Brasileira de 1982, uma grande equipe, mas muito inferior á de 1958, foi colocada no trigésimo-oitavo lugar. O time do Flamengo de Zico, campeão mundial em 1981, ficou oito posições acima, em trigésimo lugar, em outra avaliação aberrante, pois embora sua inegável qualidade não pode ser considerado superior a uma Seleção de tão alto nível. Por outro lado, a maravilhosa seleção da Hungria de Puskas ficou num modesto décimo lugar. Entre os times de clubes são poucos os que, no mundo inteiro, não consideram o Santos de Pelé o melhor de todos os tempos. Porém, na lista em questão, ele aparece em nono lugar. O Real Madrid de Di Stefano ficou em quarto. Definitivamente, o ranking da revista inglesa não pode ser levado a sério. Num levantamento criterioso, seleções e clubes teriam de ser avaliados separadamente. Caso isso fosse feito, uma das listas teria o seu primeiro lugar disputado pelas seleções brasileiras de 1958 e 1970. No levantamento de clubes, o Santos de Pelé viria em primeiro lugar, e, logo a seguir, estaria o Real Madrid de Di Stefano. Toda a lista do gênero envolve um certo grau de subjetividade, mas a da revista inglesa contraria o bom senso de maneira irremediável.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Alienação
Causou muito má impressão o fato de que dentre os atuais jogadores da Seleção Brasileira só Gabriel Jesus tenha usado as redes sociais para fazer referência a morte de Carlos Alberto, um dos grandes mitos do futebol brasileiro, falecido anteontem. Os demais jogadores não se manifestaram. Eis aí o retrato da alienação e do egocentrismo dos jogadores de futebol na atualidade. Com a independência financeira conquistada ainda muito cedo, tornam-se mimados e autocentrados. O maior nome da Seleção Brasileira nos dias de hoje, Neymar, é um exemplo disso. Neymar não é mais um menino, tem 24 anos, e até já é pai de um garotinho. Porém, se comporta como um eterno adolescente. Deslumbrado com o que o dinheiro pode proporcionar, usufrui uma vida de festas, carrões e mulheres bonitas. Não se posiciona sobre temas polêmicos, nem revela preferências políticas. Seu estilo de vida é claramente hedonista, voltado para a satisfação dos próprios prazeres. Gabriel Jesus tem apenas 19 anos, não viu Carlos Alberto jogar, mas, por estar bem informado sobre quem ele foi, ou tendo sido bem orientado pelos seus assessores, portou-se adequadamente diante da perda de um ícone do futebol brasileiro. Os demais jogadores da Seleção Brasileira, por desinformação ou desinteresse, hipóteses igualmente execráveis, nada referiram sobre a morte de Carlos Alberto. O futebol não é uma ilha. Ele é um microcosmo de uma sociedade mergulhada na vacuidade e no individualismo exacerbado. Uma sociedade frívola e consumista, onde impera o imediatismo e se despreza a memória. A tarefa de recuperar a combalida imagem da Seleção Brasileira não se resume ao futebol dentro do campo. Será preciso reformar a postura de seus jogadores como cidadãos.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Resultado lógico
Recuperado em sua autoestima, pelos bons resultados que vem alcançando em seus últimos jogos, o Inter conseguiu, mesmo com um time reserva, fazer um bom enfrentamento com o Atlético Mineiro, hoje, no Beira-Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil, mas perdeu por 2 x 1. O Atlético abriu o placar logo aos dois minutos do primeiro tempo. O Inter só obteve o empate no segundo tempo, com um gol de pênalti, e esbarrou no goleiro Victor, que fez grandes defesas. Porém, no momento em que buscava o gol de desempate, o Inter sofreu um contra-ataque mortífero, e o Atlético venceu o jogo. Embora o Inter também pudesse ter ganho a partida, foi um resultado lógico. O Atlético Mineiro era o favorito no confronto, e ao vencer o primeiro jogo fora de casa ampliou ainda mais essa condição.
Atuação brilhante
Os defensores do futebol de resultados sustentam que o importante é vencer, não importa como. O Grêmio, no entanto, não seguiu essa linha de pensamento, hoje, e venceu o Cruzeiro por 2 x 0, no Mineirão, pelas semifinais da Copa do Brasil, com uma atuação brilhante. O desempenho do Grêmio chegou quase ao nível da perfeição, mantendo o controle do jogo durante todo o tempo, não permitindo nenhuma oportunidade concreta para o adversário, explorando bem os contra-ataques, e, principalmente, fazendo dois belos gols. Belo Horizonte parece fazer bem ao Grêmio. Algumas de suas melhores atuações tem ocorrido na capital de Minas Gerais. Foi assim, por exemplo, quando venceu o Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro de 2015 por 2 x 0, e na atual edição da competição, quando goleou o mesmo adversário por 3 x 0. No jogo de hoje, nenhum jogador do Grêmio esteve mal. O jogo coletivo, em função disso, atingiu uma grande desenvoltura. Com o resultado obtido no Mineirão, o Grêmio está com a faca e o queijo na mão para voltar a disputar uma decisão de Copa do Brasil, e, finalmente, acabar com o seu jejum de títulos.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Carlos Alberto
O Brasil perdeu, hoje, Carlos Alberto, um dos grandes mitos do seu futebol. Carlos Alberto era o lateral direito e, principalmente, o capitão da magnífica Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, a maior equipe já formada na história do futebol. Curiosamente, embora tenha jogado 59 partidas com a camisa da Seleção, foi a única Copa do Mundo de que ele participou. Em sua exitosa carreira, jogou no Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo e New York Cosmos. Como técnico, foi campeão brasileiro pelo Flamengo, e da Copa Conmebol, pelo Botafogo. Nos últimos anos, participava como comentarista no canal a cabo SporTV. Também integrava um grupo formado pela CBF para sugerir mudanças estruturais no futebol brasileiro. Tecnicamente brilhante, e com uma capacidade de liderança que o levou á condição de capitão da Seleção, Carlos Alberto pertence ao panteão dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Entre os seus pares, em especial os seus companheiros de Seleção, ele era o "Capita". Por toda a sua trajetória, obteve respeito e admiração por onde esteve. Autor do último gol da Copa de 70, e um dos mais célebres da história da competição pela beleza de sua construção coletiva, Carlos Alberto será sempre lembrado pelos amantes do futebol, nos quais deixa, desde já, uma imensa saudade.
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