sábado, 5 de dezembro de 2015

Marília Pêra

O Brasil perdeu hoje uma das suas maiores atrizes, Marília Pêra. Era uma atriz completa, e, por isso, brilhou com igual intensidade na televisão, no cinema e no teatro. Afora interpretar, sabia cantar e dançar, o que lhe permitiu estrelar musicais de grande sucesso no teatro. Muito versátil, Marília era capaz de brilhar tanto no drama quanto na comédia. Muitas de sua personagens em novelas tinham uma acentuada veia cômica, como em "O Cafona", "Brega e Chique" e "Cobras e Lagartos", por exemplo, mas em minisséries como "JK", "O Primo Basílio" e "Os Maias" destacou-se em papéis mais densos. No cinema, teve atuações marcantes em filmes como "Pixote, a Lei do Mais Fraco", "Bar Esperança, o Último que Fecha", e "Central do Brasil". Marília ainda pode ser vista no seriado "Pé na Cova", que a Rede Globo exibe às terças-feiras, e cuja atual temporada já estava inteiramente gravada antes do primeiro episódio ir ao ar. Miguel Falabella, seu grande amigo, e autor de "Pé na Cova", disse que, nos últimos episódios da temporada, Marília já gravava sentada, devido às dores causadas pela doença, mas que jamais falava no assunto. Ele ressaltou que viu as grandes atrizes do mundo atuarem, e que Marília era uma delas. Não se pode sequer quantificar o tempo de carreira de Marília, pois ele se confunde com o da sua própria vida. Afinal, ela começou ainda criança e continuou em atividade até poucos meses antes de falecer. O país não perdeu apenas uma grande atriz. Marília Pêra era um ícone da arte de representar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O partido que faz mal ao Brasil

O PMDB está na raiz dos males que assolam o país, é o partido que faz mal ao Brasil. Suas diversas alas estão voltadas para interesses pessoais e de poder, ignorando os valores mais altos que devem nortear a ação política. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por vingança pessoal, deflagrou a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O Secretário Nacional da Aviação Civil, Eliseu Padilha, raposa felpudíssima da política nacional, e homem de confiança do vice-presidente Michel Temer, pediu demissão do cargo. Ambos são do PMDB. Cunha, atolado em casos de corrupção, acolheu a abertura do processo de impeachment como revanche, pois tomou conhecimento que os três deputados do PT que compõem a Comissão de Ética votariam contra ele no processo a que está sendo submetido. Padilha resolveu sair do governo por, provavelmente, vislumbrar a hipótese da queda de Dilma e da ascensão de Temer ao poder. Essas atitudes são a cara do PMDB, um partido que, desde a volta do pluripartidarismo, perdeu qualquer viés ideológico e se tornou um ajuntamento de políticos em busca de cargos e vantagens. A situação do PMDB é tão singular que, embora seja o partido com maior representação parlamentar, há muito tempo abriu mão de lançar candidato próprio para presidente. Tornou-se um partido que vende o seu apoio a quem estiver no poder, garantindo a "governabilidade" em troca de cargos nos diversões escalões da administração. O PT está pagando, agora, o preço de ter mantido uma aliança com um partido tão espúrio. Seu "aliado" o está apunhalando. Porém, o golpe não será perpetrado. A democracia brasileira é mais forte que os seus detratores.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A aventura do impeachment

O Brasil mergulhou, ontem, na aventura do impeachment. Movido por um sentimento de vingança, já que os três integrantes do PT no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiram votar a favor do andamento do processo contra ele, o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) encaminhou a abertura de uma ação de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A abertura do processo de impeachment, em si, não é garantia de que Dilma vá ser deposta do cargo. Na verdade, é um gesto desesperado de Cunha, cujo futuro político já está selado. Cedo ou tarde, Cunha terá seu mandato cassado. A oposição, é claro, se mostrou animada com a possibilidade de derrubar Dilma. Porém, essa não é uma boa alternativa. Os detratores de Dilma não tem nenhum plano mágico para resolver os problemas do país da noite para o dia. Sua motivação é meramente golpista, tentando obter o poder na marra, depois de não consegui-lo nas urnas, que é a única forma legítima de alcança-lo. Num país com uma classe política tão desclassificada como a é a brasileira, tudo pode acontecer, inclusive o pior, mas o impeachment não deverá se confirmar. Se a ação tresloucada de Cunha ganhar corpo, não será com um desenrolar passivo diante das forças democráticas e dos setores populares. Haverá forte resistência, e o país poderá enfrentar sérios distúrbios. Para o bem do Brasil, o impeachment não deverá passar, e Cunha terá de ser cassado o quanto antes.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Vitória do menos cotado

O título da Copa do Brasil de 2015 é do Palmeiras. Na noite de hoje, num Allianz Parque que bateu o seu recorde de público, com quase 40 mil pessoas presentes, o Palmeiras venceu o Santos por 2 x 1, resultado que levou a decisão para os tiros livres da marca do pênalti. Numa série de cobranças carregada de tensão, o Palmeiras venceu por 4 x 3, e conquistou o título. Foi, inegavelmente, a vitória do menos cotado. O Santos era visto pela maioria das pessoas como o favorito para ser o campeão. Afinal, no Campeonato Brasileiro sua campanha e, principalmente, o seu desempenho técnico, eram superiores em relação ao Palmeiras. Afora isso, o Santos havia ganho o primeiro jogo, na Vila Belmiro, e bastava-lhe um empate na partida de hoje. Porém, o Santos cometeu um erro que acabou por lhe ser fatal, que foi exercer uma ampla superioridade em casa e vencer por apenas 1 x 0. Foram muitos os gols desperdiçados pelo Santos no primeiro jogo, o último deles já nos acréscimos, o que poderia ter mudado a sorte da competição. Em jogos decisivos, tais erros costumam cobrar um preço muito alto. O Santos é um time bem melhor do que o Palmeiras, mas não soube conduzir-se na decisão. Tropeçou, quem sabe, na soberba de considerar-se campeão antecipadamente. Como deixou de lado o Brasileirão nas últimas rodadas para focar na Copa do Brasil, o Santos, que tinha a chance de obter a classificação para a Libertadores nas duas competições, acabou ficando de fora da disputa continental. Para ser campeão, não basta ser o melhor, tem de haver empenho máximo e humildade.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os descaminhos de Jardel

Um dos grandes ídolos da história do Grêmio, Jardel teve uma passagem breve mas exitosa pelo clube. Exímio goleador, foi um dos maiores nomes do time que conquistou o título da Libertadores de 1995, sendo, inclusive, o artilheiro da competição. Valorizado, saiu do Grêmio e foi para a  Europa, onde brilhou no Porto (POR). Porém, tão rápido quanto subiu, Jardel desceu. Teve um final de carreira decadente, e sua vida depois de parar de jogar se mostrou sem rumo. Jardel tornou-se, em dado momento, um viciado em drogas, o que não só abalou a sua carreira como destruiu o seu primeiro casamento. Os descaminhos de Jardel também fizeram com que ele, mesmo tendo feito grandes contratos, viesse a ter graves problemas financeiros. Sua vida prosseguia como um barco à deriva até que, estimulado pelo deputado federal Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), ex-goleiro e seu companheiro de time no Grêmio, concorreu nas eleições de 2014. Com a força da idolatria que desperta nos gremistas, Jardel se elegeu deputado estadual no Rio Grande do Sul, obtendo mais de 40 mil votos. Empossado em janeiro desse ano, em abril Jardel rompeu com Danrlei. Na época, Jardel exonerou todo o seu gabinete e os funcionários da bancada do PSD, e se afastou da Assembleia mediante um atestado médico de que estaria com depressão. Agora, Jardel foi afastado do cargo por 180 dias, pelo Ministério Público. Recaem sobre Jardel as suspeitas de crimes como concussão, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Também é investigada a possibilidade de financiamento ao tráfico de drogas com dinheiro desviado da Assembleia. O que ocorre com Jardel, do ponto de vista humano, é muito triste. Vitorioso no futebol, não soube redirecionar sua vida depois que parou de jogar. Precisa ser ajudado. Porém, sua eleição para deputado estadual mostra, de forma exemplar, a maneira equivocada como a política é conduzida no país, por partidos e eleitores. Os que lhe deram legenda para concorrer sabiam de todos os seus graves problemas, mas privilegiaram sua condição de "puxador de votos". Seus eleitores levaram em conta apenas a sua condição de ídolo, e lhe conferiram um mandato pelo que fez como jogador, não por apostarem na sua capacidade como parlamentar. Se provadas todas as acusações que lhe são imputadas, Jardel terá de responder por seus atos. Tomara que isso não signifique a sua derrocada definitiva, mas, sim, o despertar para um novo rumo na vida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A lucidez de Dorival Júnior

Em entrevista ao programa "Bola da Vez", dos canais ESPN, na semana passada, o técnico do Santos, Dorival Júnior, abordou um tema fundamental, que é negligenciado pela imprensa esportiva e pelo meio futebolístico como um  todo. Dorival referiu-se ao fato de que a Lei Pelé, se por um lado libertou o jogador de uma legislação escravagista, por outro favoreceu demasiadamente a figura do chamado "empresário de futebol". Ele entende que isso precisa ser modificado, e que o poder excessivo dado aos empresários não pode persistir, pois está prejudicando o futebol. Lamentavelmente, a lucidez de Dorival Júnior não é a regra em seu meio de atuação.  A maioria dos que atuam no futebol convive pacificamente com essa situação, que é uma das tantas anomalias criadas pela malfadada "Lei Pelé", que, sob a alegação de "libertar os jogadores da escravidão", gerou um quadro aberrante, tornando os clubes reféns dos "boleiros" e de seus representantes legais. Deixando de lado o ponto específico destacado por Dorival Júnior, entendo que a "Lei Pelé" deveria, simplesmente, ser revogada. Ela é um dos tantos desastres da calamitosa administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Numa hora em que tanto se fala de passar o futebol brasileiro a limpo, alterando toda a sua arcaica e corrupta estrutura, a extinção da "Lei Pelé" não pode ser esquecida. Afinal, ela enfraqueceu terrivelmente os clubes, que são o que há de mais importante no futebol. São eles que movem multidões e enchem estádios. Não podem ser apenas instrumentos dos interesses argentários de jogadores e de seus "empresários", que nada mais fazem do que praticar a gigolagem, disfarçada como defesa das aspirações de seus representados.

domingo, 29 de novembro de 2015

Tentando o vice-campeonato

O Grêmio venceu o Atlético Mineiro por 2 x 1, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, poderá continuar tentando o vice-campeonato. A diferença do Grêmio para o Atlético Mineiro, agora, é de apenas um ponto. Mesmo assim, o objetivo é muito difícil de ser alcançado. Falta somente uma rodada para o final do Brasileirão. Ainda que ganhe do Joinville, fora de casa, o que não chega a ser difícil, o Grêmio terá de torcer para que o Atlético Mineiro não vença a Chapecoense no Independência. Um tropeço do Atlético é altamente improvável, pois, afora jogar em casa, enfrentará, um adversário que apenas cumprirá tabela e estará muito desfalcado. Ainda assim, no jogo de hoje, o Grêmio fez a sua parte. Abriu o placar, sofreu o empate, mas soube buscar a vitória. O Atlético teve um maior volume de jogo, mas no primeiro turno isso já havia acontecido, e o Grêmio também venceu. Bruno Grassi, que entrou durante o primeiro tempo devido a uma lesão de Marcelo Grohe, teve grande atuação, e reafirmou o equívoco que foi sua preterição, como segundo goleiro, em favor de Tiago, que tantos pontos custou ao Grêmio. A classificação para a Libertadores foi definitivamente conquistada, e direto na fase de grupos. Falta jogar mais uma rodada e a disputa do vice-campeonato. Depois será a hora de se preparar para 2016, quando, conforme afirmou o próprio técnico Róger Machado, o Grêmio terá de ganhar um título.

sábado, 28 de novembro de 2015

Na busca do improvável

O Inter empatou em 1 x 1 com  o Fluminense, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, combinado com a incrível vitória do São Paulo sobre o Figueirense por 3 x 2, num jogo com duas viradas e um gol nos últimos segundos dos acréscimos, deixam o Inter na busca do improvável para obter a classificação para a Libertadores. Foi um dia de espantosas reviravoltas. São Paulo e Inter começaram a rodada empatados em pontos e vitórias, com o clube paulista tendo ampla vantagem no saldo de gols. O São Paulo, que jogou antes do Inter, começou a vencer o Figueirense já aos 10 minutos do primeiro tempo, mas permitiu o empate logo a seguir. O resultado era ótimo para o Inter, que se derrotasse o Fluminense ficaria dois pontos na frente do São Paulo e só dependeria de si próprio para, na última rodada, alcançar a almejada classificação. Aos 35 minutos do segundo tempo, tudo ficou ainda melhor para o Inter, pois o Figueirense virou o jogo sobre o São Paulo. Foi aí que o imponderável entrou em cena. Com gols aos 45 e 49 minutos do segundo tempo, o São Paulo estabeleceu nova virada na partida. Foi uma ducha de água fria sobre o Inter, que já comemorava o tropeço do São Paulo. Ainda assim, o Inter entrou em campo, logo após, mandando no jogo, e abrindo o placar já aos três minutos do primeiro tempo, com mais um gol de Vitinho. O Inter tomava conta do campo, diante de um Fluminense que parecia desinteressado do jogo. Ainda no primeiro tempo, o Fluminense ficou com um jogador a menos, em razão da expulsão de Osvaldo. O segundo tempo, portanto, parecia encaminhado para que o Inter ampliasse o placar. Não foi o que se viu. O Fluminense voltou bem mais motivado, e o Inter parecia tentar, apenas, garantir o resultado. Com o passar do tempo, o Fluminense tomou conta do jogo, mesmo com um homem a menos, e seu gol parecia ser questão de tempo, o que acabou se confirmando, com Cícero, em cobrança de pênalti. Ainda ocorreram outras chances de gol em favor do Inter, mas o placar se manteve até o final. Agora, o São Paulo poderá se classificar para a Libertadores com um simples empate diante do Goiás, no Serra Dourada, na última rodada. O Inter terá de vencer o Cruzeiro, no Beira-Rio, e torcer por uma derrota do São Paulo, única combinação que lhe serve. As chances matemáticas ainda existem para o Inter, mas, há de se convir, são muito remotas. Tudo indica que, em 2016, os torcedores do Inter verão a Libertadores somente pela televisão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Os 45 anos de All Things Must Pass

Na data de hoje, há 45 anos, era lançado o álbum triplo "All Things Must Pass", de George Harrison, o seu primeiro trabalho solo após a dissolução dos Beatles, ocorrida sete meses antes. Foi direto para o topo das paradas. Nele, George pode colocar diversas músicas compostas em anos anteriores que não conseguia incluir nos discos dos Beatles, onde só lhe reservavam uma ou duas faixas a cada lançamento. "All Things Must Pass" é uma obra-prima. No livro "1001 um discos para ouvir antes de morrer", ele é classificado como um dos dois ou três melhores discos solo de um beatle. Permito-me discordar. Os integrantes dos Beatles lançaram alguns trabalhos solo muito bons, como "Imagine", de John Lennon, e "Band on the Run", de Paul McCartney, por exemplo, mas nenhum deles, ou qualquer outro, supera "All Things Must Pass" em qualidade. A carreira solo do mais novo dos Beatles teve oscilações, com outros discos muito bons, como "George Harrison", de 1979, e "Cloud Nine", de 1987, e alguns menos inspirados, mas "All Things Must Pass" é de uma qualidade superlativa. Os que o conhecem, por certo, ainda hoje, não se cansam de ouvi-lo. Os mais jovens, se não o escutaram, devem buscar preencher essa lacuna e se deliciar com "I'd Love You Anytime" (parceria de George com Bob Dylan), "My Sweet Lord", "Isn't a Pitty", "Behind of Locked a Door", "Awaiting on you Wall", entre outras pérolas. Um grande disco, que, 45 anos depois do seu lançamento, merece continuar a ser reverenciado.

A declaração de Sartori

Nada é tão ruim que não possa piorar, ensina a sabedoria popular. Essa sentença se ajusta, de forma exemplar, ao governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori. Despreparado e inepto para o cargo que ocupa, Sartori é uma usina de más notícias e de previsões sombrias. Neoliberal, Sartori é do tipo que defende o enxugamento da máquina estatal, a venda de patrimônio público, enfim, a chamada "austeridade". Ontem, essa nefasta figura que eleitores incautos levaram ao poder, declarou que os funcionários públicos deveriam levantar as mãos para o céu por possuírem estabilidade no emprego. A declaração de Sartori deixa claro que, se dependesse apenas da sua vontade, ele demitiria um grande número de funcionários públicos, só não o fazendo por que a lei não permite. A administração de Sartori é um pesadelo para os gaúchos. Seu governo não tem projeto nem plano de ação. Seu único objetivo é o desmonte do Estado, tirando ainda mais dos pobres para dar aos ricos. O pior é que Sartori sequer completou o primeiro ano de mandato. A eleição de Sartori é a demonstração do quanto podem ser desastrosos os efeitos de escolhas irrefletidas de eleitores desinformados, que se deixam seduzir por estratégias de marketing e por uma cobertura de imprensa tendenciosa. As pessoas que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff argumentam, entre outras alegações, que o país não resistirá a mais três anos de um governo que, entendem, está sem rumo. Por essa linha de raciocínio, haveria muito mais razão para que se operasse o impeachment de Sartori, pois, enquanto ele estiver no poder, o Rio Grande do Sul será uma nau à deriva.