quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Um poço sem fundo
A Seleção Brasileira perdeu por 2 x 0 para o Chile, hoje à noite, no Estádio Nacional, em Santiago, na sua estreia nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. O temor de muitas pessoas de que a Seleção fique de fora de uma Copa pela primeira vez na história, que parecia exagerado, ficou reforçado. A impressão que se tem é que a Seleção entrou num poço sem fundo, já que os fracassos se sucedem, com goleadas de 7 x 1 para a Alemanha e 3 x 0 para a Holanda, na Copa do Mundo de 2014, eliminação nas quartas de final da Copa América de 2015 para o Paraguai, e a desastrada estreia de hoje nas Eliminatórias. A troca de técnico em nada ajudou para a evolução da equipe. A escolha de Dunga foi um equívoco absoluto. Ele já havia passado pelo cargo, sem êxito, anteriormente. Começou seu trabalho como técnico exatamente na Seleção, não tinha nenhuma experiência anterior. Só teve um outro trabalho entre as duas passagens pela Seleção, no Inter, onde foi demitido antes do final de seu contrato. Com a saída de Felipão, logo que a Copa de 2014 terminou, havia o entendimento quase unânime de que Tite seria o novo técnico da Seleção. Ao contrário de Dunga, Tite tem um currículo sólido, com títulos em todos os níveis, estaduais, nacionais, continental e mundial, por grandes clubes brasileiros. O panorama atual da Seleção Brasileira é desolador. Pela primeira vez na história a Seleção foi derrotada numa estreia de Eliminatórias. A equipe só tem um jogador fora de série, Neymar, que, por estar suspenso, não pôde jogar contra o Chile e também ficará de fora da partida contra a Venezuela, terça-feira, em Fortaleza. Mesmo com tantos fatos negativos, a Seleção deverá se classificar para a Copa, pois é quase impensável que não consiga ficar pelo menos num quinto lugar nas Eliminatórias que lhe levaria para uma repescagem contra o representante da Oceania. Porém, para a Seleção retomar sua trajetória vitoriosa, e ter chances de título em 2018, a troca de técnico é imperiosa.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Temor inusitado
As Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, começarão amanhã, e, junto com elas, surge o temor inusitado de que, pela primeira vez na história, a Seleção Brasileira fique de fora da maior competição do futebol mundial. São dez seleções na disputa, classificam-se para a Copa as quatro primeiras colocadas, e a quinta ainda vai para uma repescagem contra o representante da Oceania. Fica difícil imaginar que, nessas condições, a Seleção Brasileira não conseguisse obter sua classificação, mas, ainda assim, há quem tema essa possibilidade. Esse sentimento, mesmo que possa parecer exagerado, não surgiu do nada. Ele é fruto do choque proporcionado pela goleada de 7 x 1 que a Alemanha impôs à Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014, e aos rumos adotados para a recuperação do futebol do país desde então. A volta de Dunga ao cargo de técnico da Seleção Brasileira foi um anticlímax para o torcedor. Dunga já havia passado pelo posto, e não deixara saudade. A "bola da vez" era Tite, atual técnico do Corinthians, reconhecido pela maioria como o melhor do Brasil no momento. A Seleção Brasileira é um patrimônio moral e afetivo dos brasileiros que está se desgastando a cada dia. A identificação dos brasileiros com o que antes era um orgulho do país diminui progressivamente. Urge recuperar a Seleção como um ícone da identidade brasileira. Mais que bons resultados de campo, para isso é necessário uma condução transparente dos assuntos da equipe, e a escolha de um técnico que transmita confiança aos torcedores por seu currículo e capacidade, o que Dunga não possui. A Seleção deverá, de uma forma ou de outra, se classificar para a Copa do Mundo de 2018, mas o resgate de sua imagem é uma tarefa bem mais árdua, que demandará grande esforço, e não se fará num curto espaço de tempo.
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Figura emblemática
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) é uma figura emblemática da política brasileira, e traduz como poucos a filosofia adotada há muitos anos por seu partido. Jucá atuou como líder do governo no Senado nas administrações de Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Em entrevista às páginas amarelas da edição dessa semana da revista "Veja", Jucá defende o rompimento do PMDB com o governo Dilma. O senador entende que o seu partido é o único capaz de protagonizar a transição em caso de impeachment, e já desenha cenários para um Brasil sem Dilma. Como se vê, Jucá é a cara do PMDB, um partido que, há muito tempo, desistiu de lançar candidatos a presidente, contentando-se em aliar-se ao detentor do poder de momento. Esse é um meio mais cômodo de se chegar ao poder, pois não é preciso ganhá-lo pelo voto. Agora, o PMDB prepara-se para tentar chegar ao ápice nesse seu "pragmatismo" político, isto é, obter o cargo de presidente para si sem passar pelas urnas, pela via do impeachment. Romero Jucá é uma figura do mesmo nível ético de Eduardo Cunha e de Renan Calheiros. Não por acaso, todos se abrigam no mesmo partido, o PMDB. Assim como Cunha e Calheiros, Jucá soma uma série de acusações contra si. No seu caso específico, elas consistem em desvio de verbas, compra de votos, uso de funcionários públicos em campanha eleitoral e abuso do poder econômico. Enquanto os cargos mais relevantes do Congresso Nacional continuarem a ser ocupados por figuras dessa extração, o Brasil não avançará no campo político.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Uma crise de civilidade
A principal crise por que passa o Brasil, ao contrário do que possa parecer, não é a econômica. O país atravessa uma crise de civilidade, gerada pelo clima de radicalização política. Durante o transcurso do velório do ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte, cartazes com frases como "Petista bom é petista morto" foram jogados em frente ao local onde a cerimônia fúnebre se realizava. Também em frente ao local, um homem e duas mulheres gritavam palavras de ordem contra o PT. O respeito aos mortos sempre esteve presente em todas as culturas. Regozijar-se com a morte de alguém por causa de sua filiação partidária, e utilizar o seu velório para atacar sua sigla, é algo abjeto e repugnante. Esse tipo de atitude revela o grau de imbecilidade que caracteriza a direita. Os adeptos dessa visão política são fascistas, demofóbicos, defensores do arbítrio e da violência. Escondem sua torpeza por baixo de uma capa de moralidade. Nada justifica atos desse tipo num local em que um corpo está sendo velado. O morto, seus parentes e amigos merecem ser tratados com o devido respeito numa hora como essa. A instabilidade política que o país vive está trazendo à superfície o esgoto da sociedade brasileira. São pessoas assim que sonham com a volta da ditadura, e apoiam energúmenos como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ). Antes de se tornar plenamente desenvolvido, o Brasil tem de obter a condição de um país civilizado. Atos como os ocorridos no velório de José Eduardo Dutra mostram que esse estágio ainda está longe de ser alcançado.
domingo, 4 de outubro de 2015
Empate insosso
O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Cruzeiro, hoje, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um empate insosso. Nenhum dos times realizou um grande jogo. As chances de gol foram escassas. Mesmo que tenha acertado a trave em duas oportunidades, o Cruzeiro não somou méritos para vencer a partida, o empate foi o resultado mais justo. No Grêmio, o grande destaque foi Geromel. Ausente dos últimos seis jogos do Grêmio, por lesão, voltou como se nada tivesse acontecido, e teve uma grande atuação. Se tivesse retornado ao time quatro dias antes, contra o Fluminense, na Copa do Brasil, a sorte do clube na competição poderia ter sido outra. Por outro lado, Luan e Douglas tiveram péssimas atuações, e foram substituídos no segundo tempo. Pedro Rocha esteve apagadíssimo, e também foi substituído. Em termos de classificação, o resultado permite diferentes leituras. Por um lado, foi ruim, pois a distância para o líder, o Corinthians, se manteve em nove pontos, e para o segundo colocado, o Atlético Mineiro, aumentou para quatro. Porém, o empate de hoje também foi bom, ao consolidar o Grêmio em terceiro lugar, a uma confortável distância de seis pontos para o quarto colocado. Por sinal, o quarto colocado, agora, é o Santos, que é o próximo adversário do Grêmio, na Arena. Caso vença o Santos, o Grêmio abriria nove pontos de vantagem sobre ele, e ficariam faltando apenas mais oito rodadas para o final da disputa. Outro aspecto a ser destacado é que, tendo sofrido o baque da eliminação na Copa do Brasil, era importante para o Grêmio não perder, e isso foi alcançado. O título, para o Grêmio, é cada vez mais improvável, mas a classificação para a Libertadores está, praticamente, garantida.
sábado, 3 de outubro de 2015
Vitória para manter a esperança
O Inter venceu o Sport por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória essencial para manter a esperança de obter uma improvável classificação para a Libertadores. Pelos cálculos do próprio técnico do Inter, Argel Fucks, seriam necessárias sete vitórias nos últimos dez jogos para o objetivo ser alcançado. A primeira já aconteceu, portanto, faltam, agora, seis vitórias em nove jogos. Porém, se há esperança, não existem razões para otimismo. A vitória de hoje foi obtida com um escasso futebol e um gol polêmico. O primeiro tempo terminou empatado em 0 x 0, frustrando a expectativa da torcida de um resultado afirmativo. Não havia imposição técnica do Inter sobre o Sport. O segundo tempo ia na mesma toada até que Lisandro López marcou um gol que gerou muita reclamação do Sport, que alega que o jogador tocou com a mão na bola. O Sport conseguiu o empate já próximo do final do jogo, mas descuidou-se e permitiu que o Inter fizesse um gol dois minutos depois, o que acabou sendo decisivo para o resultado final. Afora o parco futebol mostrado pelo Inter, outro fator que desestimula uma empolgação maior é a tabela de jogos que o clube terá pela frente. No retorno da paralisação do Brasileirão para os jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, o Inter fará duas partidas seguidas fora de casa, contra Atlético Mineiro e Flamengo. O retrospecto do Inter fora de casa na competição é desalentador, e as chances de que seja bem sucedido nesses jogos é bem escassa. Na verdade, ao que tudo indica, o Inter só está adiando o inevitável, ou seja, a constatação de que não irá se classificar para a Libertadores.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Reforma ministerial
A reforma ministerial que há tanto tempo era anunciada, finalmente foi divulgada, hoje, pela presidente Dilma Rousseff. A demora entre a intenção e a efetivação da medida, que chegou a sofrer adiamentos, revelam a dificuldade de se realizar uma ação desse tipo, tantas são as "costuras" necessárias. Ao contrário do que possa parecer para alguém desavisado, uma reforma do ministério não é um ato de vontade do presidente. Tendo em vista a tão propalada governabilidade, é preciso acomodar interesses de vários partidos, conceder agrados a potenciais opositores, entre outras atitudes próprias do jogo político. O país não sai necessariamente ganhando com mudanças dessa ordem. Com os aspectos políticos colocados em primeiro plano, nem sempre os ministros indicados tem a qualidade desejável para o exercício do cargo. O caso do Ministério da Educação é emblemático. Numa área tão importante para qualquer país, e que há muito tempo não é tratada com a importância que merece, ter Renato Janine Ribeiro como ministro era um alento, dada a sua indiscutível qualificação técnica e intelectual. Porém, Janine acabou tendo uma passagem meteórica pelo governo, sem que pudesse deixar uma marca forte de sua administração. Foi substituído por Aloízio Mercadante, uma figura de peso do PT, mas que estava tendo problemas como ministro-chefe da Casa Civil, por ser considerado um negociador pouco hábil pelos demais partidos. Para o lugar de Mercadante foi nomeado Jacques Wagner, tido como um interlocutor mais flexível. Mercadante, no entanto, pelo peso que possui no partido, não poderia ficar de fora do ministério, e foi para a pasta da Educação. Esse caso específico mostra como as injunções políticas se sobrepõem, muitas vezes, aos interesses maiores do país. Não é culpa do governo. A estruturação política brasileira não permite um cenário muito diferente. Com a reforma, o PT tem, agora, nove ministérios, o PMDB, sete, um a mais do que antes da reforma, e outros partidos, tem um cada. Oito ministros não tem partido. Afora isso, oito ministérios foram extintos. Menos mal, para quem se preocupa com a descaracterização do perfil de esquerda do governo, que a presença de nomes como Miguel Rosseto e Ricardo Berzoíni em cargos relevantes mantém essa inclinação. Miguel Rosseto será o ministro do Trabalho e Assistência Social, áreas extremamente sensíveis para a população menos privilegiada, e Berzoíni assumirá a poderosa função de secretário-geral de governo. Tomara que, a partir dessa reforma, o governo possa navegar em águas menos turbulentas.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Reflexão necessária
A eliminação conjunta de Grêmio e Inter nas quartas de final da Copa do Brasil mostra que uma reflexão se faz necessária. Afinal, porque os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul não conseguem mais vencer competições nacionais? O Grêmio tem quatro títulos da Copa do Brasil, mas o último foi ganho há 14 anos. A última vez que conquistou o título do Campeonato Brasileiro foi há 19 anos. O Inter foi campeão da Copa do Brasil uma única vez, 23 anos atrás. Seu jejum de títulos do Brasileirão já soma espantosos 36 anos. Depois que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos, alguns cronistas disseram que, com essa fórmula, jamais Grêmio e Inter serão campeões novamente, já que o valor maior das cotas de televisão pagas para Flamengo e Corinthians, por exemplo, tornaria a disputa desigual. Bobagem. O Cruzeiro, que não é um clube do eixo Rio-São Paulo e não ganha cotas de televisão tão polpudas, já foi campeão três vezes no sistema de pontos corridos. A Copa do Brasil é disputada em confrontos eliminatórios, tão ao gosto de uma certa parte da imprensa, mas Grêmio e Inter não tem obtido sucesso nessa disputa. O baixo investimento financeiro do Grêmio em 2015 também não serve como desculpa. Em outros anos, o Grêmio gastou fortunas para montar times fortes, e também fracassou. Por sua vez, o Inter continua gastador, e formando times que, a cada ano, fazem com que ele seja apontado como um dos principais candidatos a ganhar o Brasileirão. Porém, ao final da competição, resta, apenas, a frustração por mais um insucesso. Procurar a razão da secura de títulos nacionais em fatores como o valor das cotas de televisão e arbitragens mal intencionadas é uma forma de "tapar o sol com a peneira". Grêmio e Inter são motivo de orgulho para o Estado. Juntos, somam quatro títulos de Libertadores e dois mundias. No entanto, precisam retomar as conquistas nacionais. Em 2014, os dois maiores clubes de Minas Gerais, Atlético Mineiro e Cruzeiro, fizeram a decisão da Copa do Brasil. Por que Grêmio e Inter não conseguem o mesmo? Buscar a resposta para essa pergunta é uma tarefa inadiável.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Reação infrutífera
O Inter perdeu por 3 x 2 para o Palmeiras, hoje, no Allianz Parque, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Depois de sair perdendo por 2 x 0, o Inter alcançou o empate, resultado que lhe classificaria para as semifinais da competição. Porém, a notável reação foi infrutífera, já que um minuto após o placar chegar ao 2 x 2, o Palmeiras fez o gol da vitória. Mesmo com a derrota, que em verdade era esperada por quase todos, o Inter teve notícias boas durante o jogo. Anderson fez uma boa partida e até marcou um gol. O time mostrou disposição para a luta e não se abateu quando o Palmeiras fez 2 x 0. A derrota digna poderá fazer com que o time ganhe mais confiança para buscar o objetivo que ainda lhe resta no ano, ou seja, alcançar a classificação para a Libertadores pela via do Campeonato Brasileiro. No entanto, a probabilidade disso acontecer é pequena. Para o Inter, ao que tudo indica, já é hora do planejamento para 2016.
Nova frustração
O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Fluminense, hoje, na Arena, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Como o primeiro jogo, no Maracanã, terminou com um empate em 0 x 0, o Grêmio foi eliminado da competição, pelo saldo qualificado. Com isso, o Grêmio soma uma nova frustração a um rol que parece interminável. Em junho de 2016, o Grêmio completará 15 anos sem ganhar um título de expressão. No jogo de hoje, a exemplo do que havia ocorrido na derrota para o São Paulo, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, o Grêmio foi neutralizado pelo Fluminense, que se impôs taticamente e anulou seus jogadores de criação. Giuliano não repetiu sua grande atuação contra o Avaí, Douglas esteve muito apagado, e Luan foi um dos piores jogadores em campo. Afora isso, Pedro Rocha, cuja volta ao time era defendida por muitos, teve um desempenho muito pálido. Fernandinho e Máxi Rodriguez, que entraram durante o jogo, deram uma outra dinâmica para o time e, no caso do uruguaio, ele poderia ter sido colocado no time bem antes. Agora, resta ao Grêmio, até o final do ano, se dedicar ao Brasileirão, onde já quase garantiu a classificação para a Libertadores. No entanto, o título está muito difícil e, assim, o torcedor terá de continuar enfrentando um jejum que se prolonga de forma exasperante.
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