quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Virada surpreendente

O Inter venceu o Corinthians por 2 x 1, de virada, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma virada surpreendente, pois o Corinthians, invicto há 17 jogos, estava completo, e ostentava a condição de favorito. O Corinthians saiu na frente no placar, o que confirmava as previsões, mas cedeu o empate logo a seguir. No segundo tempo, numa conexão entre e time e torcida, ambos motivadíssimos, o Inter obteve a vitória. Mesmo com um público que ocupou menos da metade da capacidade do estádio, o que não faltou foi empolgação. Perseguindo a vitória obstinadamente, o Inter conseguiu alcançá-la. O resultado melhora as chances do Inter de ainda buscar uma perspectiva melhor na competição. O efeito colateral da vitória, no entanto, não deve ter agradado muito aos torcedores do Inter, pois ela beneficiou o Grêmio na busca pelo título. Porém, o mais importante foi que o Inter manteve o seu direito de sonhar com uma situação melhor na disputa. Não é pouco.

Vitória fundamental

O Grêmio venceu o Atlético Paranaense por 2 x 1, hoje, no Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória fundamental para o clube no Brasileirão, pois era preciso uma reação imediata após a derrota para o São Paulo, na Arena. Não fossem os últimos minutos de jogo, se poderia dizer que foi uma partida tranquila para o Grêmio. O time teve o controle do jogo durante quase todo o tempo, e até poderia ter ampliado o placar, mas sofreu um gol aos 31 minutos do segundo tempo, numa falha da defesa e do goleiro Tiago, que a cada partida confirma sua insuficiência técnica para vestir a camisa do Grêmio. Com isso, o Atlético Paranaense começou a pressionar em busca do empate, transformando o final do jogo num teste para os nervos dos torcedores do Grêmio. O resultado, no entanto, foi mantido, e, combinado com as derrotas de Corinthians e Atlético Mineiro, deixam o Grêmio cada vez mais vivo na luta pelo título. Luan, que esteve muito apagado contra o São Paulo, foi o grande nome do Grêmio no jogo. Edinho recebeu o terceiro cartão amarelo, e não jogará contra o Palmeiras, sábado, no Allianz Parque, o que faz da volta de Maicon uma necessidade, pois não há outras alternativas qualificadas para a posição. Marcelo Grohe, que sentiu uma lesão durante o jogo e precisou sair, é outro que precisa se recuperar a tempo para a partida contra o Palmeiras. Não haveria maior problema na sua ausência se o técnico do Grêmio, Róger Machado, escalasse Bruno Grassi como seu substituto. Porém, Róger insiste em prestigiar Tiago, que transforma todos os jogos de que participa em filmes de terror para o torcedor. Seja como for, a rodada foi muito benéfica para o Grêmio, e isso é o que importa.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Decisão absurda

O governo do Japão está pedindo às universidades do país para que cancelem cursos nas áreas de ciências humanas e se voltem para outras que atendam às necessidades da sociedade. Confesso que nunca pensei que tomaria conhecimento de uma decisão absurda como essa. Ainda mais vinda de um país com o nível civilizatório do Japão. O que pretende o governo do Japão? Uma sociedade de tecnocratas? Eis uma medida que terá de ser melhor explicada. A formação em ciências exatas e nas áreas técnicas é indispensável para qualquer país, é claro, mas a vida não se esgota nas atividades práticas, na mera execução de atividades. Os humanos são seres pensantes, e essa é a característica que os torna singulares na natureza. A análise e compreensão da realidade que os cerca é uma tarefa fundamental. Seres humanos não são robôs, que agem de forma mecanizada. Refletir, questionar, denunciar, protestar, são atitudes decorrentes do esforço intelectual propiciado pelas ciências humanas. O pedido do governo do Japão é um incentivo ao obscurantismo absolutamente incompreensível. Ainda bem que muitas universidades já revelaram que não pretendem atender à solicitação. Espero que, dentro de pouco tempo, essa notícia tenha se tornado apenas mais uma bizarrice originada por governos, sem nenhuma consequência prática.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

No caminho do Oscar

O Brasil tem uma produção cinematográfica quantitativamente expressiva, mas poucos são os filmes que conseguem alcançar relevância internacional. O filme "Que horas ela volta"?, atualmente em cartaz, atingiu essa condição, e já foi escolhido para ser o concorrente brasileiro a uma possível indicação para a categoria de melhor filme estrangeiro na próxima edição do Oscar. A acolhida da crítica, em vários veículos de comunicação do exterior, tem sido muito positiva para "Que horas ela volta", que foi muito bem recebido nos festivais de cinema dos quais participou. A atuação de Regina Casé como Val, a protagonista do filme tem sido muito elogiada. A boa repercussão do filme é merecida, pois é uma obra de roteiro simples e objetivo, que enfoca situações típicas das relações entre patrões e empregados no Brasil, em nível doméstico. O apartheid social brasileiro, a separação entre "casa grande" e "senzala", persiste em pleno século 21 e o filme demonstra isso muito bem ao mostrar a história de Val, uma empregada doméstica de origem nordestina que mora no emprego, numa mansão no refinado bairro do Morumbi, em São Paulo. Val dedica-se intensamente à família dos patrões, mas ocupa, na residência, um quartinho minúsculo e abafado, com a janela voltada para uma parede. A chegada de sua filha, que não via há dez anos, com o propósito de fazer vestibular, leva Val a repensar a sua vida. Uma história comum a muitos nordestinos que migraram para São Paulo em busca de uma vida melhor, e que permanece atual, num país no qual a segregação social resiste ao tempo. Um filme que merece ser visto, e que já está no caminho do Oscar. Tomara que consiga ficar entre os cinco filmes estrangeiros que concorrerão ao prêmio da categoria.

domingo, 13 de setembro de 2015

Limitações

O Grêmio perdeu por 2 x 1 para o São Paulo, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi a primeira derrota do Grêmio jogando em casa no Brasileirão, e não poderia ter vindo em pior hora. A distância para o líder Corinthians e o segundo colocado Atlético Mineiro aumentou para nove e quatro pontos, respectivamente. Não há reparo a se fazer à vitória do São Paulo, que foi justa. O que o resultado demonstrou é que, por vezes, não é possível superar algumas limitações. A ausência de Geromel, por exemplo, não teve como ser compensada. Rafael Thyére teve uma atuação muito fraca, e, para piorar, o outro zagueiro, Erazo, também não esteve nada bem. Galhardo falhou nos dois gols do São Paulo. O coletivo, como um todo, não funcionou bem, o que ocasionou vários fracassos individuais. Giuliano e Douglas tiveram atuações modestíssimas, e Luan tornou a ser irritante com seus erros de passes e ausência de objetividade. O São Paulo soube neutralizar os principais jogadores do Grêmio e foi superior durante toda a partida. Afora o distanciamento em relação aos dois primeiros colocados, o Grêmio viu encurtar a diferença para os clubes que estão logo abaixo na tabela. O Flamengo e o próprio São Paulo ficaram apenas quatro pontos atrás do Grêmio. Para agravar ainda mais esse quadro, no meio de semana, enquanto o Flamengo enfrentará o Coritiba no Maracanã, e o São Paulo terá por oponente a Chapecoense, no Morumbi, partidas relativamente tranquilas, o Grêmio irá jogar com o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada, e no sábado enfrentará o Palmeiras, no Allianz Parque. Como se vê, a derrota de hoje colocou o Grêmio num momento crítico dentro da competição. O técnico Róger Machado, de trabalho tão merecidamente elogiado até agora, passará pela sua prova de fogo. O título, que já estava difícil, ficou ainda mais distante, e a classificação para a Libertadores, que parecia garantida, já se vê ameaçada. Roger Machado e seus jogadores terão, a partir de agora, o desafio de confirmar todo o bom trabalho realizado até aqui, e não permitir uma reversão de expectativa.

sábado, 12 de setembro de 2015

Apito amigo

O Inter venceu o Coritiba por 1 x 0, hoje, no Antônio Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um jogo de baixíssimo nível técnico, em que o Coritiba concluiu muito mais do que o Inter, mas saiu derrotado. O único gol do jogo, marcado por Vitinho, aconteceu aos 48 minutos do primeiro tempo, após uma terrível falha do sistema defensivo do Coritiba. Afora a imperícia dos jogadores do Coritiba nas conclusões ao gol, o "apito amigo" foi outro fator preponderante para o resultado. Como já é de costume ao longo de sua história, o Inter foi beneficiado por "erros" da arbitragem, que deixou de marcar dois pênaltis claros sobre Kléber Gladiador, um em cada tempo de jogo. Com duas vitórias em sequência, o Inter voltou para a primeira metade da tabela, e, agora se encontra em 9º lugar, o que, certamente, fará com que a "isenta" imprensa esportiva do Rio Grande do Sul projete a possibilidade de o clube ingressar na zona de classificação para a Libertadores. O futebol mostrado nos dois últimos jogos, no entanto, mesmo com a obtenção de vitórias, desautoriza tais devaneios.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Bom demais para ser verdade

A CBF pretende pedir autorização à Fifa para implantar a análise eletrônica de arbitragem, ou seja, a verificação, pelas imagens de vídeo, das marcações envolvendo lances capitais do jogo. Essa providência já era para ter sido tomada há anos. Chega a parecer bom demais para ser verdade. Não há justificativa para que se continue a conviver passivamente com tantos erros absurdos de arbitragem, que fraudam resultados de jogos e competições. Não faltam aqueles que colocam uma série de restrições à iniciativa, duvidando de sua operacionalidade, mas isso sempre ocorre diante de propostas revolucionárias. O primeiro passo está sendo dado, e, a partir dele, se poderá evoluir para a implantação da forma mais adequada possível desse recurso. Os ex-árbitros Arnaldo César Coelho, Renato Marsiglia e Leonardo Gaciba já se colocaram contra a ideia, citando uma série de pretensos problemas que a tornariam inviável. Essa postura não passa de uma reação corporativista, de quem deseja que os árbitros sejam plenipotenciários dentro de campo. O excesso de autonomia dos árbitros, no entanto, só interessa aos próprios, mas é um fator lesivo ao futebol. Particularmente, considero que não há nada mais ignóbil e aviltante no futebol do que os erros de arbitragem. A certeza da lisura quanto ao resultado é uma condição básica de qualquer competição. Com os modernos recursos de vídeo atualmente existentes, e com um grande número de câmeras utilizadas para a transmissão dos jogos, é injustificável que os lances capitais de uma partida não sejam submetidos à verificação eletrônica. Tomara que a ideia vá adiante, e que a Fifa, futuramente, venha a encampá-la, aplicando-a no mundo inteiro, o que tornaria o futebol um esporte com muito maior credibilidade quanto à correção dos seus resultados.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A solução de sempre

O Brasil e o Rio Grande do Sul vivem um momento de crise econômica..Embora tenham governantes de partidos e linhas ideológicas diferentes, ambas as administrações apresentam a mesma velha e surrada "solução" para o problema, ou seja, o aumento de impostos. No caso do governo federal, essa medida contraria o receituário econômico do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Porém, na ânsia de "acalmar o mercado", a presidente nomeou Joaquim Levy para ministro da Fazenda. Levy é um neoliberal convicto, e, portanto, suas proposições para resolver crises econômicas seguem a heterodoxia da direita. No Rio Grande do Sul, não há qualquer conflito de teor programático. O governador José Ivo Sartori é, sabidamente, um adepto do neoliberalismo, e, entre seus planos está, também, o da realização das execráveis privatizações. Como é de amplo conhecimento, o Brasil tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. O brasileiro trabalha cinco meses do ano apenas para pagar impostos. O pior é que não há contrapartida para esses impostos escorchantes. Os serviços de saúde, segurança e educação, deveres dos governos, são, historicamente, de má qualidade. No caso específico do Rio Grande do Sul, a situação atual é revoltante. Como forma de coagir a Assembleia Legislativa a aprovar o seu abominável pacote de impostos, o governo resolveu promover o caos social. Os setores de saúde, educação e segurança foram deliberadamente sucateados, gerando o desespero na sociedade, na tentativa de forçar a aceitação de novos impostos para resolver o problema. No governo federal, o já referido ministro da Fazenda acenou com a possibilidade de aumentar as alíquotas do Imposto de Renda. Como se vê, a solução proposta pelos governos para a crise econômica é a mesma de sempre, isto é, avançar no bolso da já combalida classe média. Por que ninguém se propõe a combater a sonegação fiscal por parte de grandes empresas? Por que não se aprova a taxação das grandes fortunas e o imposto sobre heranças? A razão parece clara. Os governos não podem contrariar os interesses dos poderosos que lhes servem de financiadores de campanhas. Assim, cada vez que a crise se apresenta, a população é chamada a bancar uma conta que não fez.  Paga com o seu empobrecimento por crises pelas quais não tem responsabilidade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Grande jogo

O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Corinthians, hoje á noite, no Itaquerão, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um grande jogo, que correspondeu à expectativa que se tinha sobre ele. Mesmo desfalcados de vários titulares, os dois times fizeram um jogo de grande intensidade e muita aplicação tática. Durante a partida, novas perdas ocorreram. Geromel, do Grêmio, e Guilherme Arana, do Corinthians, tiveram de sair de campo, por lesão, ainda no primeiro tempo. No caso de Geromel, quem entrou para substitui-lo foi Rafael Thyére, um garoto, que fez apenas sua segunda aparição no Brasileirão. Mesmo diante da imensa responsabilidade de entrar em meio a um jogo tão importante e tenso, ele não tremeu. Mais uma vez, o Grêmio teve uma grande atuação coletiva, que favoreceu a que alguns jogadores se destacassem individualmente. Bobô comprovou, novamente, o acerto de sua contratação, fazendo o gol do Grêmio e movimentando-se bem. Galhardo voltou a fazer uma partida de boa qualidade. Pedro Rocha foi um atacante perigoso, e teve duas boas chances para marcar gols. Marcelo Oliveira, depois de algumas más atuações, tornou a ter um bom desempenho, e deu o passe para o gol de Bobô. Os destaques negativos foram Bressan, um zagueiro atabalhoado e inseguro, e o goleiro Tiago, que, de novo, falhou numa saída de gol, o que resultou no empate do adversário. Analisando-se o jogo como um todo, o Grêmio foi melhor a maior parte do tempo. Mereceria vencer, mas o resultado não chegou a ser injusto. No gol do Corinthians, a dupla de zaga, e o goleiro Tiago falharam, e, com isso, o Grêmio manteve por muito pouco tempo a sua vitória parcial. Ganhar seria muito importante para o Grêmio, para que pudesse encurtar sua diferença de seis pontos a menos em relação ao Corinthians. Com o empate, ela se manteve. Porém, pior seria a derrota, que praticamente retiraria do Grêmio a chance de ser campeão. O título continua em aberto, nada está decidido.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O baixo nível da oposição

Num regime democrático, uma oposição de alto nível é quase tão importante quanto um bom governo. Uma oposição séria e vigilante é a garantia de que o governo será devidamente cobrado para que cumpra adequadamente com os seus deveres. No Brasil, lamentavelmente, a atual oposição é de baixo nível. As forças que se opõem ao governo não tem propostas para o país. Sua preocupação maior parece ser a de encontrar meios para determinar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Articulações nesse sentido continuam sendo feitas no Congresso Nacional. Eminentes juristas, e até vozes menos raivosas da direita, já declararam que não há elementos que sustentem essa pretensão, mas isso não tem impedido que a ideia continue sendo acalentada por parlamentares. O pior de tudo é que, caso a intenção de derrubar a presidente se concretizasse, o Brasil não teria nenhuma melhora, pois a oposição, como já ocorre há muitos anos, não tem um projeto para o país. Seu propósito é meramente revanchista, por não ter assimilado uma derrota sofrida nas urnas. Como até mesmo o ultraconservador Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, reconheceu, as instituições brasileiras estão sólidas, a crise do Brasil é política, não estrutural, e não há, portanto, razão para o impeachment. Em vez de fomentar o ódio e estimular o golpismo, a oposição deveria buscar as causas de estar há tanto tempo fora do poder, e apresentar um candidato a presidente capaz de obter a preferência dos eleitores, tarefa na qual falhou nos quatro últimos pleitos. A superação de uma crise se dá com a colaboração de todas as forças políticas, tendo em vista os interesses maiores do país. Ao agir voltada apenas para ações mesquinhas e eleitoreiras, a oposição demonstra que continua tão desqualificada quanto antes, e que não constitui uma alternativa para o eleitorado.