sábado, 15 de agosto de 2015

O drama do Vasco

Um dos grandes clubes brasileiros, com a quarta maior torcida do país, o Vasco se encaminha para mais um rebaixamento no Campeonato Brasileiro, que seria o terceiro num espaço de apenas sete anos. O drama do Vasco se ampliou com a derrota por 1 x 0 para o Coritiba, hoje no Maracanã. Foi o segundo jogo consecutivo do Vasco como mandante contra um intewgrante da zona de rebaixamento, e neles o clube conseguiu apenas um ponto. Por mais que não se queira acreditar na queda do Vasco, a matemática insiste em demonstrar o contrário. Para que se salvasse de uma nova ida para a Segunda Divisão, o Vasco teria de, a partir de agora, fazer uma campanha de recuperação extraordinária, o que é altamente improvável. Para um clube que está retornando à Primeira Divisão em 2015, uma nova queda seria desastrosa. Grande como é, o Vasco não pode virar um clube "iôiô" , alternando subidas e quedas. O título de campeão estadual, ganho este ano depois de 13 de jejum, pode ter iludido o Vasco sobre suas possibilidades numa competição de nível mais elevado. Com a realidade amarga dos maus resultados, vieram a troca de técnico e a contratação de novos reforços que vão se acumulando a cada semana. Hoje, como não poderia deixar de ser diante de tantos resultados negativos acumulados, o técnico Celso Roth, o segundo do clube no Brasileirão, foi demitido. A tarefa para o próximo técnico, seja ele quem for, será hercúlea. Não será fácil salvar o Vasco. Porém, mesmo com tanta tendência de que o pior aconteça, vale torcer para que o clube consiga a façanha de evitar uma nova queda, pois ela não interessa a ninguém. Cada vez que um clube grande cai, o campeonato perde em brilho, pois em seu lugar entrará um de menor expressão. Rivalidades locais à parte, não é bom que o Vasco caia. Caso isso aconteça novamente, o clube mergulharia numa crise sem precedentes. O Fluminense, em 2009, conseguiu salvar-se com uma campanha impecável na reta final. Tomara que o Vasco encontre forças para fazer o mesmo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O desafio de Argel

Conforme vinha sendo especulado, Argel Fucks é o novo técnico do Inter. Os entraves para o acerto entre as partes foram superados, e Argel conseguiu fazer prevalecer sua vontade, assinando contrato até o final de 2016. Argel é uma aposta, e não um nome famoso como pretendia, inicialmente, o presidente do Inter, Vitório Píffero. Embora já trabalhe como técnico há um tempo considerável, o Inter é o seu primeiro clube grande. Será, portanto, uma prova de fogo para Argel, que terá de mostrar se tem condições de dar vôos mais altos em sua carreira. Seu estilo é o do técnico motivador, sanguíneo, como o Inter dizia desejar. Assim, será um contraste com o modo de ser do ex-técnico do Inter, Diego Aguirre, bem mais contido nas suas reações. Seja como for, o futebol exige muito mais do que palavras de ordem e recursos motivacionais. Será necessário que Argel demonstre qualidades no aspecto tático. O novo técnico do Inter terá de provar, também, ser capaz de treinar um grupo com jogadores famosos e caros, algo que, até hoje, não enfrentou em sua carreira. O desafio de Argel, como se vê, não é pequeno, mas, por isso mesmo, é muito estimulante para quem pretende subir na carreira. A chance foi dada, só resta Argel saber aproveitá-la.

Afirmação

A vitória do Grêmio por 2 x 0 sobre o Atlético Mineiro, ontem, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, é a afirmação de um time, um atestado de maioridade. Depois da goleada histórica de 5 x 0 no Gre-Nal, havia dúvidas, por parte de alguns, sobre se havia sido um feito isolado ou se o time era verdadeiramente capaz de manter uma campanha entre os primeiros da tabela. Agora, com uma vitória consistente sobre o clube que liderava o Brasileirão até a rodada anterior, e considerado pela maioria o favorito da competição, o Grêmio se credencia não só para obter uma classificação para a Libertadores, mas, até mesmo, para o título. O Grêmio soube conduzir a partida, marcou seus dois gols em belos contra-ataques muito bem construídos, e mostrou que está com um time encaixado. Mais uma vez, a grande atuação coletiva favoreceu o aparecimento de destaques individuais. Como no Gre-Nal, todos jogaram bem, mas o melhor de todos foi Giuliano. Ele foi o autor dos passes certeiros para os gols. O ceticismo que cercava o Grêmio quanto às suas possibilidades na disputa vai se dissipando. Como o Grêmio terá, agora, uma sequência de jogos contra adversários pequenos e médios, a possibilidade de atingir a liderança deixou de ser uma miragem, e tornou-se palpável. O jogo de ontem deixou claro que o Grêmio já pode se considerar um candidato ao título.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vitória providencial

O Inter venceu o Fluminense por 1 x 0, hoje à noite, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória providencial. Após a goleada histórica de 5 x 0 sofrida para o Grêmio, e da enorme crise que se instalou no clube, uma nova derrota teria efeitos desastrosos. O jogo foi de baixíssimo nível técnico, e o Inter não fez por merecer a vitória, mas, em termos práticos, ter ganho a partida é o que importa. O 0 x 0 seria o resultado mais justo pelo que produziram os dois times, e o gol só saiu próximo ao final da partida, de maneira fortuita, com uma bola que iria para fora, chutada por Vitinho, batendo no rosto do goleiro Diego Cavalieri e tomando o caminho das redes. Colaborou para a vitória do Inter, também, o descritério da arbitragem, que expulsou Marcos Júnior, do Fluminense, por uma falta cometida, e, num lance muito mais violento de Alex, do Inter, minutos depois, não tomou a mesma medida. Seja como for, o Inter venceu, o que ajuda a acalmar o ambiente. Agora, resta a expectativa para saber quem será o seu novo técnico, o que deverá ser definido, provavelmente, amanhã.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Argumentos golpistas

Obcecada com a ideia de retirar o PT do poder, o que tenta há anos sem sucesso, a revista "Veja" traz, em sua mais recente edição, uma entrevista com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014. Tanto as perguntas formuladas pela revista quanto as respostas do senador deixam clara a defesa da ideia do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os argumentos golpistas são disfarçados por uma pretensa defesa da lei e da Constituição. Aécio chega ao ponto de afirmar que golpe é tentar impedir o desfecho do impeachment no âmbito da Constituição. Conversa fiada. Os argumentos de Aécio e de "Veja" são golpistas, inegavelmente. Travestida de seriedade, a entrevista mais parece um fuxico de comadres que desejam derrubar o governo a qualquer custo. Chega-se ao ponto de ser sugerida a adoção do parlamentarismo como uma "saída para a crise", quando a intenção, apenas, é transformar a presidente Dilma numa rainha da Inglaterra, retirando-lhe os poderes. Num dos trechos da entrevista, Aécio declara que o caminho mais curto para diminuir a corrupção é tirar o PT do governo. Na sua última resposta, o senador é mais claro, ainda, sobre suas intenções, e afirma que quem tem condições de tirar o país da crise é o PSDB. Acrescentou que acredita que, em breve, o partido será chamado a assumir sua responsabilidade de tirar o Brasil "desse poço sem fundo em que o PT nos enfiou". "Estamos preparados para isso", concluiu. Pelo visto, Aécio sofre de amnésia, pois esquece que a corrupção é uma prática comum ao seu partido. Afinal, o primeiro "mensalão", até hoje não julgado, foi do PSDB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também do PSDB, como Aécio, comprou parlamentares para obter a aprovação da reeleição para cargos executivos, medida tomada em benefício próprio. Aécio e "Veja" são lobos em pele de cordeiro, fingindo-se de paladinos da ética e da democracia para fomentarem um golpe. Como tantas outras tentativas torpes, praticadas pela revista, de inviabilizar governos legitimamente eleitos, essa também irá fracassar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Metendo os pés pelas mãos

Poucas vezes se viu alguém tão desastrado em suas ações quanto o presidente do Inter, Vitório Píffero. Escudado em feitos do passado, Píffero retornou ao cargo, que já exercera em dois mandatos sucessivos de 2010 a 2013. Nesse período, obteve o segundo título de Libertadores do clube, em 2010. Anteriormente, como vice-presidente de futebol na administração de Fernando Carvalho, foi campeão da América e do Mundial de Clubes em 2006. Essas conquistas criaram no próprio Piffero, e em muitos torcedores, a ideia de um superdirigente, capaz de obter grandes glórias sempre que estivesse no poder. Após Giovanni Luigi, seu sucessor, também ter cumprido dois mandatos consecutivos, Piffero voltou à presidência do Inter com uma consagradora vitória nas urnas, derrotando o candidato da situação, Marcelo Medeiros. Afinal, Luigi só conquistara campeonatos gaúchos, e os torcedores sonhavam com feitos maiores, que Píffero, por suas conquistas anteriores, estaria apto a obter.. A memória das pessoas, nestas horas, costuma ser seletiva, e os que votaram em Píffero certamente esqueceram que ele era o presidente do clube quando, em 2010, o Inter viveu o maior vexame da sua história, sendo derrotado por 2 x 0 pelo Mazembe, do Congo, nas semifinais do Mundial de Clubes. Píffero tem algumas características pouco desejáveis num dirigente, pois é boquirroto e arrogante. Afora isso, sua ideia de como administrar o Inter é fruto de uma visão mitômana, calcada na contratação de técnicos e jogadores de grande fama, o que implica no pagamento de altos salários. Esses traços de personalidade parecem ter se exacerbado e, nessa sua volta ao poder, Píffero vem metendo os pés pelas mãos. Contratou um técnico que não desejava, trouxe jogadores caros, cujo retrospecto recente era ruim, e que acabaram dando lugar a jovens que já pertenciam ao clube. Após a eliminação na Libertadores, competição que elegera como prioritária, decidiu-se pela demissão do técnico Diego Aguirre, de quem jamais gostou, mas fez isso faltando apenas três dias para um Gre-Nal, na casa do adversário. A goleada histórica de 5 x 0 para o Grêmio mostra o tamanho da insensatez de Píffero. Ainda assim, o presidente do Inter não se emenda. Recusa-se, em princípio, a contratar um técnico emergente, ou apenas provisório, até o fim do ano. Píffero quer um técnico famoso. Sua "ficha um", segundo sua própria expressão, Muricy Ramalho, já disse que não voltará ao trabalho em 2015. Mano Menezes, outro nome de impacto, já afirmou que não trabalhará com Píffero, pois ele já havia dito anteriormente que o técnico não lhe agradava. Diante da escassez de outros grandes nomes no mercado brasileiro, Píffero volta-se, agora, para a tentativa de contratar o argentino Jorge Sampaoli, técnico campeão da Copa América pelo Chile. A delicada situação financeira do clube e as perspectivas pouco alentadoras nas competições que ainda restam ao Inter em 2015, recomendariam a contratação de um técnico mais afeito a contornar crises do que um "figurão" de salário alto. Porém, Píffero desconhece o que seja bom senso. O vexatório 5 x 0 de ontem tem tudo para não ser um fato isolado. Com mais um ano e meio de mandato pela frente, Píffero ainda tem muito tempo pela frente para cometer novas trapalhadas, e colher os resultados correspondentes.

domingo, 9 de agosto de 2015

Goleada histórica

O Grêmio goleou o Inter por 5 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Não se trata, apenas, de um chavão, foi, verdadeiramente, uma goleada histórica. Afinal, o Grêmio até já fez placares maiores em Grenais, mas 5 x 0, exatamente, aconteceu pela segunda vez. A outra havia sido em julho de 1910, no segundo Gre-Nal da história. O jogo de hoje, portanto, será lembrado por várias gerações de torcedores dos dois clubes. Foi um passeio do Grêmio, que se deu ao luxo de desperdiçar um pênalti quando a partida ainda estava empatada em 0 x 0. A atuação do time, coletiva e individualmente, foi muito boa. Ninguém jogou mal. Marcelo Grohe não teve maior trabalho. Galhardo não brilhou mas foi eficiente. Geromel manteve seu nível alto de desempenho. Erazo superou as desconfianças sobre o seu futebol e foi impecável. Marcelo Oliveira mostrou o quanto sua ausência pesa para o time, e retornou com muito boa atuação. Edinho, outro que gerava insegurança nos torcedores, cumpriu muito bem o seu papel. Maicon não apareceu aos olhos da torcida, mas teve uma atuação muito segura. Giuliano sofreu o pênalti, cuja cobrança foi desperdiçada por Douglas, e marcou o golaço que deu início à vitória. Douglas, mesmo errando o pênalti, jogou em alto nível. Luan foi o melhor em campo. Pedro Rocha, tecnicamente, foi o jogador mais discreto, mas colaborou com o coletivo. Fernandinho entrou no segundo tempo e teve grande atuação. Maxi Rodriguez e Bobô tiveram pouco tempo para mostrar seu futebol. No Inter, ao contrário, quase ninguém se salvou. Até o ótimo goleiro Alisson esteve abaixo do seu nível habitual, e falhou no segundo gol do Grêmio, marcado por Luan. William parece ter perdido o seu bom futebol em algum lugar. Réver esteve mal, culminando por fazer um gol contra. Juan em nada lembrou o grande jogador de outras partidas. Ernando, mais uma vez improvisado como lateral esquerdo, não produziu bem. Rodrigo Dourado também não foi o mesmo bom jogador de jornadas anteriores. Wellington Martins teve uma atuação modesta. Ânderson foi o pior jogador em campo. Valdívia foi o único que, pelo menos, tentou jogar. Eduardo Sasha e Lisandro López estiveram apagados. Alex entrou no segundo tempo, mas pouco acrescentou, o mesmo acontecendo com Nílton. Vitinho teve pouco tempo para jogar. Foi cinco, e poderia ser seis, não fosse o pênalti cobrado para fora. Com a goleada, o Grêmio reafirma sua condição de maior vencedor de Grenais em Brasileirões. A arbitragem de fora do Rio Grande do Sul muito colabora para isso. Sem os árbitros gaúchos e seus "erros humanos", o Inter não tem vida fácil. Fez bem o Grêmio em solicitar arbitragem inteiramente de fora. A atuação do árbitro Dewson de Freitas, do Pará, foi irrepreensível.

sábado, 8 de agosto de 2015

Sem credibilidade

O episódio do falso extrato do banco suíço BSI atribuído ao senador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) como sendo de uma conta sua não declarada, é a confirmação de que a revista "Veja" é uma publicação sem credibilidade. A linha editorial praticada por "Veja" é o que pode haver de pior no jornalismo. Panfletária, reacionária, entreguista, demofóbica. Confrontada com a falsidade do conteúdo que publicara,"Veja" reconheceu seu erro e pediu desculpas ao senador, mas a própria revista admitiu que isso não é o suficiente para dar o caso por encerrado. "Veja" revelou que está revisando o processo que resultou na publicação do extrato e se cercando de cuidados para que esse tipo de erro nunca mais se repita, e alegou ter agido sem "nenhuma má-fé". Ressaltou que seus repórteres continuarão tentando descobrir de que maneira e com que objetivo o extrato do banco foi adulterado e que as autoridades suíças serão de grande valia nessa tarefa. As consequências práticas do mau jornalismo praticado por "Veja" nesse episódio, no entanto, não irão tardar. Tanto o BSI quanto Romário deverão acionar a revista judicialmente. Como a própria "Veja" admitiu, o reconhecimento do erro e o pedido de desculpas não são suficientes para dar o assunto por encerrado. Dessa vez, espera-se,"Veja" terá de responder pela sua conduta irresponsável. Está mais do que na hora. Liberdade de expressão não é sinônimo de leviandade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A volta da Copa Sul-Minas

Há algumas semanas, vem sendo discutida a volta da Copa Sul-Minas, competição de breve mas exitosa existência no início da década passada, que foi extinta após a "bancada da bola" salvar a pele do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, então alvo de uma CPI, o que resultou em novo incentivo aos anacrônicos campeonatos estaduais, que rumavam para o desaparecimento. Várias reuniões já foram feitas sobre o assunto, e outras ainda serão realizadas, mas tudo parece bem encaminhado. A partir do próximo encontro, talvez já se tenha uma definição mais clara sobre número de participantes e de datas e demais detalhes estruturais da competição. Embora o nome de Copa Sul-Minas, o torneio contará com dois clubes cariocas, Flamengo e Fluminense. Particularmente, acho que o ideal seria que o Campeonato Brasileiro, que tem o mesmo número de participantes e de rodadas do que o Inglês, o Francês, o Espanhol e o Italiano, fosse realizado, a exemplo dessas disputas, durante nove meses, e não em seis e meio, como ocorre atualmente, o que obriga a que se façam vários jogos em meios de semana. Para isso, os campeonatos estaduais, de baixíssimo nível técnico e sem atratividade, deveriam ser extintos. Na ausência da solução ideal, a Copa Sul-Minas surge como uma interessante alternativa. Nesse caso, os estaduais prosseguiriam com sua existência, mas os grandes clubes que estivessem na Sul-Minas se fariam representar neles por times sub-23. Os campeonatos estaduais, tais como hoje se apresentam, só servem aos interesses dos presidentes de federações e de seus puxa-sacos na imprensa. Os clubes grandes fazem muito bem em tentar livrar-se desse estorvo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A queda de Diego Aguirre

A notícia de que Diego Aguirre não era mais o técnico do Inter caiu como uma bomba no final da manhã de hoje. Ninguém esperava por isso três dias antes de um Gre-Nal. Sabia-se que, após a eliminação na Libertadores, Diego Aguirre não teria vida longa no Inter. A ocasião escolhida para a sua saída, no entanto, é que causa espanto. Por que, por exemplo, a demissão não se deu após o empate em 0 x 0 com a Chapecoense, no último domingo, em pleno Beira-Rio? O que teria acontecido para que, em meio a uma semana de Gre-Nal, o Inter decidisse dispensar Diego Aguirre e colocar um técnico interino para treinar o time contra o seu maior rival? Por mais que muitos não aceitem essa hipótese, a goleada do River Plate sobre o Tigres, ontem à noite, pode ter sido a gota que faltava para transbordar o copo da insatisfação do Inter com o trabalho de Diego Aguirre. Afinal, nos dois jogos da decisão da Libertadores, o River Plate não foi incomodado pelo Tigres, conduzindo as partidas de acordo com os seus interesses e conquistando o título. Caiu por terra, portanto, o argumento de que o Inter fora desclassificado pelo Tigres, nas semifinais, por ter se deparado com um adversário superior. Diante do River Plate, um time tecnicamente inferior ao Inter, o Tigres foi incapaz de se impor como mandante, não saindo de um empate em 0 x 0, e, na condição de visitante, foi goleado por 3 x 0.. O jogo de ontem demonstrou que as razões do fracasso estavam muito mais no próprio Inter do que em grandes méritos do Tigres. Nos dois jogos, o Inter cometeu erros de escalação e apresentou um preparo físico deficiente. Na segunda partida, acrescentou a um quadro já preocupante uma inexplicável apatia. Pelo que se viu nos empates contra a Ponte Preta e a Chapecoense, estava mais do que claro que Diego Aguirre não conseguiria dar a volta por cima. Ele vinha se mostrando inseguro, como alguém que não sabia porque perdera, e que, por isso mesmo, não tinha ideia de qual era o caminho a ser seguido para obter o retorno das vitórias. Com a queda de Diego Aguirre, fica, agora, a expectativa pelo nome do novo técnico. Mano Menezes e Oswaldo de Oliveira aparecem como os mais cotados, o que é coerente com a linha seguida pelo grupo político que comanda o Inter, que é a de apostar em técnicos e jogadores com nome no mercado.. Por outro lado, a responsabilidade do Grêmio ficou aumentada para o Gre-Nal. O fato de jogar no seu estádio, com maioria de torcida, contra um adversário em crise e com um técnico interino, coloca nos ombros do Grêmio todo o peso da busca por uma vitória. Ao Inter, caberá o papel de franco atirador, o que, num momento conturbado como o que está sendo vivido pelo clube, pode ser extremamente conveniente.