sábado, 8 de agosto de 2015
Sem credibilidade
O episódio do falso extrato do banco suíço BSI atribuído ao senador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) como sendo de uma conta sua não declarada, é a confirmação de que a revista "Veja" é uma publicação sem credibilidade. A linha editorial praticada por "Veja" é o que pode haver de pior no jornalismo. Panfletária, reacionária, entreguista, demofóbica. Confrontada com a falsidade do conteúdo que publicara,"Veja" reconheceu seu erro e pediu desculpas ao senador, mas a própria revista admitiu que isso não é o suficiente para dar o caso por encerrado. "Veja" revelou que está revisando o processo que resultou na publicação do extrato e se cercando de cuidados para que esse tipo de erro nunca mais se repita, e alegou ter agido sem "nenhuma má-fé". Ressaltou que seus repórteres continuarão tentando descobrir de que maneira e com que objetivo o extrato do banco foi adulterado e que as autoridades suíças serão de grande valia nessa tarefa. As consequências práticas do mau jornalismo praticado por "Veja" nesse episódio, no entanto, não irão tardar. Tanto o BSI quanto Romário deverão acionar a revista judicialmente. Como a própria "Veja" admitiu, o reconhecimento do erro e o pedido de desculpas não são suficientes para dar o assunto por encerrado. Dessa vez, espera-se,"Veja" terá de responder pela sua conduta irresponsável. Está mais do que na hora. Liberdade de expressão não é sinônimo de leviandade.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A volta da Copa Sul-Minas
Há algumas semanas, vem sendo discutida a volta da Copa Sul-Minas, competição de breve mas exitosa existência no início da década passada, que foi extinta após a "bancada da bola" salvar a pele do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, então alvo de uma CPI, o que resultou em novo incentivo aos anacrônicos campeonatos estaduais, que rumavam para o desaparecimento. Várias reuniões já foram feitas sobre o assunto, e outras ainda serão realizadas, mas tudo parece bem encaminhado. A partir do próximo encontro, talvez já se tenha uma definição mais clara sobre número de participantes e de datas e demais detalhes estruturais da competição. Embora o nome de Copa Sul-Minas, o torneio contará com dois clubes cariocas, Flamengo e Fluminense. Particularmente, acho que o ideal seria que o Campeonato Brasileiro, que tem o mesmo número de participantes e de rodadas do que o Inglês, o Francês, o Espanhol e o Italiano, fosse realizado, a exemplo dessas disputas, durante nove meses, e não em seis e meio, como ocorre atualmente, o que obriga a que se façam vários jogos em meios de semana. Para isso, os campeonatos estaduais, de baixíssimo nível técnico e sem atratividade, deveriam ser extintos. Na ausência da solução ideal, a Copa Sul-Minas surge como uma interessante alternativa. Nesse caso, os estaduais prosseguiriam com sua existência, mas os grandes clubes que estivessem na Sul-Minas se fariam representar neles por times sub-23. Os campeonatos estaduais, tais como hoje se apresentam, só servem aos interesses dos presidentes de federações e de seus puxa-sacos na imprensa. Os clubes grandes fazem muito bem em tentar livrar-se desse estorvo.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A queda de Diego Aguirre
A notícia de que Diego Aguirre não era mais o técnico do Inter caiu como uma bomba no final da manhã de hoje. Ninguém esperava por isso três dias antes de um Gre-Nal. Sabia-se que, após a eliminação na Libertadores, Diego Aguirre não teria vida longa no Inter. A ocasião escolhida para a sua saída, no entanto, é que causa espanto. Por que, por exemplo, a demissão não se deu após o empate em 0 x 0 com a Chapecoense, no último domingo, em pleno Beira-Rio? O que teria acontecido para que, em meio a uma semana de Gre-Nal, o Inter decidisse dispensar Diego Aguirre e colocar um técnico interino para treinar o time contra o seu maior rival? Por mais que muitos não aceitem essa hipótese, a goleada do River Plate sobre o Tigres, ontem à noite, pode ter sido a gota que faltava para transbordar o copo da insatisfação do Inter com o trabalho de Diego Aguirre. Afinal, nos dois jogos da decisão da Libertadores, o River Plate não foi incomodado pelo Tigres, conduzindo as partidas de acordo com os seus interesses e conquistando o título. Caiu por terra, portanto, o argumento de que o Inter fora desclassificado pelo Tigres, nas semifinais, por ter se deparado com um adversário superior. Diante do River Plate, um time tecnicamente inferior ao Inter, o Tigres foi incapaz de se impor como mandante, não saindo de um empate em 0 x 0, e, na condição de visitante, foi goleado por 3 x 0.. O jogo de ontem demonstrou que as razões do fracasso estavam muito mais no próprio Inter do que em grandes méritos do Tigres. Nos dois jogos, o Inter cometeu erros de escalação e apresentou um preparo físico deficiente. Na segunda partida, acrescentou a um quadro já preocupante uma inexplicável apatia. Pelo que se viu nos empates contra a Ponte Preta e a Chapecoense, estava mais do que claro que Diego Aguirre não conseguiria dar a volta por cima. Ele vinha se mostrando inseguro, como alguém que não sabia porque perdera, e que, por isso mesmo, não tinha ideia de qual era o caminho a ser seguido para obter o retorno das vitórias. Com a queda de Diego Aguirre, fica, agora, a expectativa pelo nome do novo técnico. Mano Menezes e Oswaldo de Oliveira aparecem como os mais cotados, o que é coerente com a linha seguida pelo grupo político que comanda o Inter, que é a de apostar em técnicos e jogadores com nome no mercado.. Por outro lado, a responsabilidade do Grêmio ficou aumentada para o Gre-Nal. O fato de jogar no seu estádio, com maioria de torcida, contra um adversário em crise e com um técnico interino, coloca nos ombros do Grêmio todo o peso da busca por uma vitória. Ao Inter, caberá o papel de franco atirador, o que, num momento conturbado como o que está sendo vivido pelo clube, pode ser extremamente conveniente.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
O peso da tradição
A conquista do título da Libertadores pelo River Plate, obtida hoje à noite com uma goleada de 3 x 0 sobre o Tigres, é uma prova de que a tradição ainda pesa no futebol. Na fase de grupos da competição, o Tigres fez o dobro do número de pontos do River Plate, 14 contra 7. Aliás, os dois estavam no mesmo grupo. Com isso, o clube mexicano teve a segunda melhor campanha entre os 16 classificados para as oitavas de final, e o argentino, a pior. No entanto, como, a partir daí, os confrontos, até à decisão, eram eliminatórios, o retrospecto não teve maior peso. Nas semifinais, o Tigres confirmou a qualidade do seu time, eliminando o Inter, e dando a ideia, para alguns, de que seria favorito diante do River Plate. Porém, o River Plate foi crescendo ao longo da competição, e soube ser pragmático, pois, tanto nas semifinais, contra o Guarani (PAR), quanto na decisão, diante do Tigres, empatou jogando como visitante e ganhou quando foi o mandante. O River Plate não tem um grande time, mas a força da sua tradição e a proverbial garra do futebol argentino fizeram a diferença em seu favor. Pela terceira vez um clube mexicano decidiu a Libertadores, mas o título ainda não veio. Por sua vez, o River Plate conquistou o seu terceiro título da competição, abrilhantando ainda mais uma trajetória histórica gloriosa.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Sorteio
O sorteio dos confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil, realizado hoje pela manhã, mostrou, mais uma vez que, em matéria de sorte, é difícil superar o Inter. Coube-lhe, simplesmente, o mais fraco entre todos os 16 clubes remanescentes na competição, o Ituano. Para se ter uma ideia da fragilidade do Ituano, basta dizer que ele é o único a não disputar, no momento, nenhum dos campeonatos brasileiros das quatro divisões existentes. A única desvantagem do Inter será fazer o segundo jogo do confronto fora de casa, mas, dada a distância técnica dos dois times, isso não deverá ter maior significado. Por sua vez, o Grêmio enfrentará o Coritiba. Embora muitos considerem que o Grêmio é amplo favorito, já que faz boa campanha no Campeonato Brasileiro enquanto o Coritiba está na zona de rebaixamento, o retrospecto recente desmente essa ideia. Nos três últimos jogos disputados entre os dois clubes, válidos pelo Brasileirão, o Grêmio perdeu todos. Como vantagem, o Grêmio tem o fato de que irá jogar a segunda partida em casa. Nos demais confrontos, há maior equilíbrio em três: Cruzeiro x Palmeiras, Flamengo x Vasco, Corinthians x Santos. Atlético Mineiro, São Paulo e Fluminense, que enfrentarão, respectivamente, Figueirense, Ceará e Paysandu, são grandes favoritos. Em 2015, há uma interessante novidade no regulamento, a de que também as quartas de final serão definidas por sorteio, sem confrontos cruzados pré-estabelecidos, como ocorria até então. Pelos jogos definidos hoje, três grandes clubes, pelo menos, já serão eliminados na próxima fase, o que torna a disputa mais emocionante e atrativa. Destaque-se, ainda, que dos clubes que permanecem na Copa do Brasil, só Paysandu e Ituano nunca disputaram uma decisão da competição. Para quem gosta de futebol, portanto, vem aí um prato cheio.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
A aposta no pior
O ambiente político no Brasil está tenso e deteriorado. Ocupantes de importantes cargos, como é o caso do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), veículos de imprensa, e frequentadores de redes sociais, flertam, abertamente, com o golpismo. Muitos defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, num claro desrespeito à decisão das urnas. A apuração de crimes de corrupção é necessária, evidentemente, mas a interminável Operação Lava Jato mantém o país mergulhado num rol imenso de denúncias, suposições, acusações, delações, revelações, que ocupam a maior parte do noticiário. Enquanto isso, o país parece em segundo plano. Diante do quadro que está colocado, tentemos imaginar a situação na sua face mais radical. O que aconteceria se Dilma Rousseff fosse deposta de seu cargo? A atual oposição assumiria o poder, ganhando no "tapetão" o mandato que as urnas lhe negaram? Caso isso ocorra, com o país vivendo uma forte contração econômica, os novos ocupantes do poder seriam capazes de levá-lo a um novo estágio de prosperidade, de modo imediato? Tudo se resolveria como numa mágica? Obviamente, não. A defesa do golpismo é fruto de um modo deturpado de se fazer política, onde interesses pessoais e paroquiais se sobrepõem às mais altas aspirações da cidadania. O governo precisa se fortificar, não pode permanecer cerceado, mas mesmo que, na pior das hipóteses, se arrastasse enfraquecido até o final do mandato de Dilma, isso seria melhor do que a ruptura causada por um impeachment. O golpe não serve à ninguém, nem mesmo aos que o defendem. O melhor a se fazer é respeitar a normalidade institucional, com a continuidade do governo. Mudança de governo se dá é pelo voto. A aposta no pior, agravando um quadro difícil para se adonar do poder, é irresponsável. Na tentativa de beneficiar alguns, acaba por vitimar a todos.
domingo, 2 de agosto de 2015
Repetição
O Inter empatou em 0 x 0 com a Chapecoense, hoje à tarde, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi uma repetição da partida anterior, contra a Ponte Preta. O mesmo resultado, chances de gol para os dois lados, mas em número maior para o adversário, e o goleiro do Inter, Alisson, como melhor jogador em campo. Se no jogo do Moisés Lucarelli havia a desculpa de o trauma da desclassificação na Libertadores ser muito recente, na partida de hoje o argumento não é mais aceitável. O agravante em mais essa atuação insatisfatória é que, dessa vez, o jogo foi no Beira-Rio. Nem mesmo jogando diante de sua torcida, contra um adversário modesto, ainda que bem ajustado, o Inter foi capaz de superar-se. O time não encontra soluções em campo. A entrevista do técnico do Inter, Diego Aguirre, após a partida, revelou uma análise equivocada do que aconteceu em campo, pois ele considerou que o time teve uma boa atuação, o que não aconteceu. Diego Aguirre dá a impressão de estar inseguro, sem saber quais as soluções que poderá encontrar para que o Inter jogue um bom futebol. Com mais esse resultado insatisfatório, ele deverá ter sua continuidade no cargo condicionada ao Gre-Nal, na Arena, no próximo domingo. Se perder o jogo, sua permanência será, praticamente, insustentável.
sábado, 1 de agosto de 2015
Momento preocupante
O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Fluminense, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro A derrota revela um momento preocupante do time. As vitórias começaram a escassear, os resultados negativos estão se tornando incomodamente frequentes. Se é verdade que o Grêmio tinha desfalques, pois não contou com Marcelo Grohe e Giuliano, o Fluminense estava sem seu melhor jogador, Fred. A partida transcorreu equilibrada, com o Grêmio até tendo um controle maior das ações. Porém, defeitos crônicos do time voltaram a aparecer. O principal deles, a excessiva troca de passes sem que haja conclusões ao gol. A falta de um centroavante goleador fica mais exasperante a cada jogo. Afora isso, o técnico Roger Machado, de grande contribuição ao time até agora, começa a deixar evidentes algumas limitações. Roger escala mal e substitui ainda pior. Sua escolha por Tiago como reserva imediato de Marcelo Grohe, em detrimento de Bruno Grassi, foi um equívoco cujos efeitos negativos se aprofundam a cada jogo. Tiago foi o responsável direto pelo gol de empate do Sport, em plena Arena, que roubou pontos preciosos do Grêmio, e, hoje, teve outra atuação desastrada e insegura. A substituição de Luan por Braian Rodriguez, no segundo tempo, só pode ser fruto do desespero, pois não tem nenhuma justificativa lógica. Mesmo com todos os senões, no entanto, o Grêmio poderia ter evitado a derrota. No final da partida, Pedro Rocha, de péssima atuação, perdeu um gol feito. No mesmo lance, Edinho sofreu um pênalti claríssimo de Wellington Paulista, que, como acontece historicamente com o Grêmio, não foi marcado. A tabela, nessa reta final de primeiro turno do Brasileirão é extremamente ingrata com o Grêmio. Seus próximos adversários serão o Inter, na Arena, e o Atlético Mineiro, no Mineirão. Com os recentes tropeços, o Grêmio já caiu para o 7º lugar na classificação. A necessidade de reação é imediata, pois, caso contrário, as primeiras colocações se tornarão, apenas, uma miragem.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
As vítimas de sempre
O governo do Rio Grande do Sul, anunciou, hoje pela manhã, o parcelamento dos salários de uma parte do funcionalismo público estadual. Os salários de julho serão pagos em três parcelas. Fiel ao seu figurino neoliberal, em que as vítimas escolhidas para ações de "saneamento financeiro" sempre são os trabalhadores, o atual governo do Estado sacrifica a parte mais frágil e indefesa da sociedade, enquanto mimoseia os mais poderosos, aos quais acena com as execráveis privatizações de patrimônio público. O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), sequer se dignou a comparecer à entrevista de anúncio das medidas, delegando a tarefa ao seu secretário da Fazenda, Giovani Feltes. Sartori apenas fez um pronunciamento, nas redes sociais, em que nada diz de objetivo, apenas repete clichês e pede a união de todos para superar um momento difícil. O filme de terror não irá parar por aí, e um pacote de impostos enviados pelo governo deverá ser votado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Esse quadro deplorável poderia ter sido evitado, bastava que a maior parte do eleitorado tivesse o discernimento de não se deixar influenciar por campanhas da grande imprensa e percebesse que todos os governos anteriores do PMDB foram muito ruins. O resultado desse desatino foi que todos, os que votaram em Sartori e os que preferiram outros candidatos, sofrem as mesmas e terríveis consequências com os desmandos do mais inepto governador do Rio Grande do Sul em todos os tempos. Despreparado, sem qualificação para o alto cargo que obteve nas urnas, Sartori só aprofunda a crise que o Estado vive. Ressalte-se, no entanto, que muitos dos que agora reclamam das medidas de Sartori, deram a ele o seu voto. Desavisados, deixaram-se manipular pela imprensa conservadora, e estão pagando o preço. Para eles, vale o conselho de irem chorar na cama, que é lugar quente, como expressa o ditado. Afinal, de acordo com outro ditado, quem corre por gosto não cansa.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Mercadorias humanas
Esporte que apaixona multidões, o futebol, com o tempo, transformou-se num negócio milionário. O público se depara com a revelação de somas astronômicas despendidas na aquisição de jogadores, aos quais são pagos salários altíssimos. Essa situação mostrou-se, particularmente, muito interessante, financeiramente, para os chamados "empresários", que representam os jogadores junto aos clubes. No Brasil, especialmente, desde a entrada em vigor da malfadada Lei Pelé. A partir dela, os tais "empresários" dão as cartas no futebol. Ávidos pela prospecção de bons negócios para seus representados, pois recebem uma generosa fatia a cada transação fechada, sua única preocupação é com os cifrões. Para eles, os jogadores são mercadorias humanas, cuja vontade não conta, pois o que importa é ganhar muito dinheiro. Duas entrevistas, nas últimas horas, deixaram isso bem claro, ambas envolvendo a negociação de jogadores do Inter. Ontem, em declaração prestada ao jornal "Diário Gaúcho", o executivo do Grupo DIS, que detém parte dos direitos do volante Aránguiz, Roberto Moreno, diante do fato de que três clubes europeus apresentaram propostas pelo jogador, disse que não há chance de que o desejo dele prevaleça na transferência. Aránguiz interessa ao Bayer Leverkusen, da Alemanha, ao Olympique de Marselha, da França, e ao Leicester, da Inglaterra. O jogador prefere ir para o clube alemão, mas os valores oferecidos pelo Leicester são os maiores em relação aos três pretendentes. Para o Inter e o Grupo DIS, é mais interessante que o negócio seja fechado com o clube inglês. Conforme Moreno, para o jogador a ida para o Leicester também é vantajosa, pois ele receberá em libras, que valem muito mais. Moreno acrescenta que, caso Aránguiz não queira ir para o Leicester ou outro clube que fizer a melhor proposta, ficará no Inter, pois o grupo para o qual trabalha não irá perder dinheiro. Outra entrevista, nessa mesma linha, foi dada, hoje, pelo empresário do atacante Nilmar, Orlando da Hora, para a Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre. Conhecido pelo seu gosto pelo "vil metal", Orlando da Hora revelou que foi contra o retorno de Nilmar ao Inter. Para voltar ao Inter, Nilmar abriu mão de 7 milhões de euros que tinha direito a receber do clube onde jogava, no Catar, e aceitou um salário bem menor do que ganhava até então. Ele teria feito isso, segundo o empresário, por "amor ao clube", contrariando frontalmente a vontade de Orlando da Hora. Em ambas as entrevistas, fica claro que os jogadores são desconsiderados no seu aspecto humano. Moreno não admite que a vontade de Aránguiz possa fazer o seu grupo perder dinheiro. Orlando da Hora, argumentando que está pensando no futuro do jogador que representa, mostra inconformidade com quem abre mão de um dinheiro a que tem direito. Nenhum dos dois leva em conta o que os jogadores possam preferir para as suas vidas, um clube melhor estruturado, uma cidade em que lhes agrade mais viver, ou algo assim. Para figuras como eles, jogadores são máquinas de fazer dinheiro. A crise moral do futebol, como se vê, não se resume aos desmandos da Fifa. Ela é muito mais profunda, e ameaça diminuir o encantamento que esse magnífico esporte proporciona para as pessoas.
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