sábado, 18 de julho de 2015

Limitações

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Flamengo, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. A derrota não foi vexatória, o gol foi circunstancial, mas as limitações do Grêmio como time ficaram, mais do que nunca, escancaradas. O time teve mais posse de bola, foi melhor do que o Flamengo na maior parte do jogo, mas a falta de um finalizador eficiente cobra um preço muito alto. O toque de bola constante acaba se mostrando improdutivo, pela falta de quem conclua com eficiência para o gol. A ausência de um armador mais qualificado e de maior fôlego do que Douglas é outro ponto nevrálgico a comprometer ambições maiores por parte do Grêmio. Afora isso, especificamente na partida de hoje, alguns jogadores estiveram muito apagados. Foi o caso de Giuliano e, especialmente, de Luan, que errou em, praticamente, todas as suas intervenções. Giuliano, aliás, na média de suas atuações, ainda está devendo, e Luan é um projeto de grande jogador que não se consuma. Com o resultado negativo, o Grêmio já tem três derrotas nos últimos quatro jogos que realizou, somando-se Brasileirão e Copa do Brasil. Se amanhã houver um vencedor no jogo Sport x São Paulo, o Grêmio sairá fora da zona de classificação para a Libertadores. Na terça-feira, será o segundo jogo contra o Criciúma, pela Copa do Brasil, quando o Grêmio terá de tentar reverter, no Heriberto Hülse, a derrota sofrida na Arena. Uma tarefa extremamente árdua. Depois do entusiasmo com uma série de cinco vitórias consecutivas, o Grêmio começa a sofrer as consequências de um grupo de jogadores reduzido e com graves lacunas na sua formação. Lesões e suspensões começam a se avolumar, sem que haja reposição à altura. Porém, o mais imperdoável de tudo é a ausência de um centroavante goleador. Não há política de contenção de custos que justifique a não contratação de um jogador para a posição. Essa negligência por parte da diretoria do clube tira do Grêmio qualquer possibilidade de buscar um título em 2015.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Rompimento

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou o seu rompimento com o governo federal. Cunha acrescentou, no entanto, que o rompimento é pessoal, e não interferirá na governabilidade do país. A declaração de Cunha enseja duas considerações imediatas. A primeira é a de que o rompimento será até positivo para o governo, pois com aliados desse tipo ninguém precisa de inimigos. A segunda é a de que a busca da "governabilidade" gerou um monstrengo que, agora, se mostra, praticamente, incontrolável. As alianças entre partidos, visando alcançar a maioria parlamentar que permita aos governos aprovarem suas propostas, faz com que siglas de diferentes matizes ideológicos, e interesses também os mais diversos, realizem uniões estapafúrdias, que, mais cedo ou mais cedo, cobrarão um alto preço para o país. A parceria  entre PT e PMDB é um exemplo claro disso. Ela reúne partidos muito distintos nas suas origens e proposições. A rigor, faz muito tempo que o PMDB deixou de ser um partido, na acepção da palavra. Seu único objetivo é manter-se no poder a todo custo, aliando-se com qualquer governo, a fim de obter cargos. A justificativa apresentada por Cunha para o seu rompimento com o governo demonstra bem o quanto é exótica essa união. Cunha se mostra revoltado por estar sendo alvo das investigações da Operação Lava-Jato, e acusa o governo de ter se aliado ao procurador geral da República, Rodrigo Janot, para persegui-lo. Como forma de retaliação, Cunha estaria disposto a instalar CPI's potencialmente prejudiciais ao governo. Diante de toda essa baixaria política, só o que se pode concluir, em relação ao governo, é que, como expressa o ditado, antes só do que mal acompanhado. Por outro lado, Eduardo Cunha está, com sua atitude, acusando o golpe, pois as investigações da Operação Lava-Jato dão conta de que ele exigiu propina de uma empresa. Cunha, como se vê, é um santo do pau oco, que haverá de ser vitimado por suas próprias ações. Não irá tardar o tempo em que tão infecta figura verá ruir o seu projeto mitômano de poder. Para o bem do Brasil.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Coincidência espantosa

Ghiggia, o autor do gol que deu ao Uruguai o título da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, contra a Seleção Brasileira, faleceu, hoje, aos 88 anos. Numa coincidência espantosa, Ghiggia morreu no dia exato em que seu grande feito completou 65 anos. Poucas vezes uma vida esteve tão atrelada a uma data. O dia 16 de julho de 1950 foi o passaporte de Ghiggia para a posteridade. O gol que marcou, inundando de tristeza 200 mil pessoas no Maracanã e causando um trauma histórico no futebol brasileiro, transformou-o numa celebridade. O jogo ficou conhecido como o Maracanazo, pois a Seleção Brasileira precisava apenas do empate para ser campeã, saiu na frente no placar, e sofreu a virada. Até à vergonhosa derrota de 7 x 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, o Maracanazo era o maior trauma do futebol brasileiro. Se Ghiggia transformou-se num herói uruguaio, Barbosa, o goleiro da Seleção naquele dia tornou-se o vilão oficial do episódio, sendo injustamente marcado para o resto da vida. Ghiggia, o "carrasco" da Seleção na Copa de 50, era um senhor afável e simpático, que gostava do Brasil e sempre foi muito bem recebido pelos brasileiros. Era o último jogador que restava vivo da Seleção do Uruguai que disputou a competição. Dentro de campo, deixou seu nome marcado na história do futebol. Fora dele, mostrou-se um grande ser humano. Merece ser lembrado para sempre.

O fim da reeleição

Ao que parece, o fim da reeleição para cargos executivos é um item da chamada "reforma política" que não sera modificado. Algumas medidas, como a mudança na duração dos mandatos, foram alteradas, e voltaram ao que eram anteriormente, ou seja, as modificações caíram por terra. Porém, a manutenção da reeleição foi rejeitada. Considero esse fato um grande erro, e um casuísmo político. A reeleição ainda é recente entre nós. Foi instituída no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em proveito próprio. Aliás, esse dado é sempre desprezado pela imprensa conservadora, como se fosse normal uma alteração desse tipo vir em benefício do seu proponente. Fernando Henrique até poderia ser o mentor da mudança, mas só visando futuros governos, nunca a sua própria administração. Afora isso, o ex-presidente valeu-se de pagamento de propina para cerca de 200 parlamentares, a fim de obter a maioria necessária para a aprovação da medida, sem que a grande imprensa, sempre tão "zelosa" pela ética na política, qualificasse o fato de "escândalo", que é do que, efetivamente, se tratou. Considerações à parte, o fato é que a reeleição foi implantada e, passadas apenas duas décadas de sua entrada em ação, já se decide extingui-la. Essa decisão caracteriza um casuísmo político, que visa atender interesses menores, e não os do país. O  mais espantoso é que a direita brasileira, notória admiradora de tudo o que se refere aos Estados Unidos, agiu para revogar um instrumento do ordenamento político americano, que é, justamente, o instituto da reeleição. A extinção da reeleição, no Brasil, até poderia vir a ocorrer, no futuro, se fosse o caso, mas nunca com tão pouco tempo de aplicação. Não há nenhum benefício para o país com tal medida, só oportunismo político.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Vantagem escassa

O Inter venceu o Tigres por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelas semifinais da Libertadores. O resultado representa uma vantagem escassa do Inter para o segundo jogo, em Monterrey (MÉX), na próxima quarta-feira, já que uma vitória simples por 1 x 0 dará a classificação para o Tigres. O jogo de hoje apresentou muitas alternâncias. No começo da partida, o Inter foi avassalador, fazendo dois gols em dez minutos. Porém, depois do susto inicial, o Tigres conseguiu se assentar, diminuiu o placar e chegou a ser superior em campo. Ainda no primeiro tempo, o goleiro Alisson, do Inter, fez duas grandes defesas que impediram o Tigres de alterar o rumo do jogo. Afora isso, um pênalti claro em favor do Tigres não foi marcado. No segundo tempo, o Tigres continuou bem, e só não obteve um melhor resultado devido a expulsão de Ayala. A inferioridade numérica fez com que o Tigres tivesse de recuar para manter o placar, já que, mesmo com a derrota, o gol marcado fora lhe permite alcançar a classificação, no segundo jogo, com uma vitória simples, de 1 x 0. Os destaques individuais da partida, foram, no Inter,  Alisson e Rodrigo Dourado. No Tigres, Gicnac  e Aquino. Agora, na segunda partida, o Inter jogará por qualquer empate ou por derrotas por um gol de diferença, a partir de 3 x 2. A vantagem existe, mas é bem menor do que o Inter esperava.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Derrota indigesta

O Grêmio perdeu para o Criciúma por 1 x 0, hoje, na Arena, pela Copa do Brasil. Nenhuma derrota é satisfatória, obviamente, mas essa foi, particularmente, indigesta. Afinal, o Grêmio não perdia desde fevereiro em seu estádio, num total de 16 jogos. O técnico do Grêmio, Róger Machado, havia ganho todos os cinco jogos em que treinara o time na Arena. A quebra de tabus se deu contra um adversário modesto, que ocupa, no momento, um pálido 13º lugar no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. O resultado poderia ter sido diferente, não fosse o fato de que o Grêmio teve um gol injustamente anulado, quando o jogo ainda estava empatado em 0 x 0. Ainda assim, não há justificativa para o revés sofrido pelo Grêmio pois havia tempo suficiente para obter uma vitória, mesmo depois de sofrer o gol. Ficou clara, mais uma vez, a necessidade de o Grêmio contratar um centroavante goleador. Sem essa figura, o time, no ataque, excede-se em toques de um lado para o outro na tentativa de abrir a defesa adversária. Ao contrário de outros jogos, o Grêmio não teve um grande desempenho coletivo, nem destaques individuais. A derrota compromete as chances do Grêmio na competição, pois, agora, será preciso buscar a classificação fora de casa, e qualquer empate servirá para o Criciúma. Para o Grêmio, será necessário vencer por dois gols de diferença, ou por um gol, a partir de 2 x 1. Não é impossível a classificação do Grêmio, é claro, mas ficou bastante complicada.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Contratação emblemática

A contratação de Ronaldinho pelo Fluminense é o que se pode definir como emblemática em relação ao atual momento do futebol brasileiro. Num cenário desolador, em que muitos ainda tentam encontrar explicações para a derrota de 7 x 1 sofrida pela Seleção Brasileira para a Alemanha, um grande clube resolve repatriar um jogador de 35 anos que, há muito tempo, deixou de encarar a sua atividade de modo profissional. O mais espantoso é que o Fluminense é o atual vice-líder do Campeonato Brasileiro, com um time em que se destacam vários jovens jogadores formados no clube. Porque, então, contratar um veterano mais interessado nos prazeres extracampo, e por um salário altíssimo? Não é à toa que o futebol brasileiro caminha, cada vez mais, para o fundo do poço. Enquanto os europeus levam nossas revelações ainda no nascedouro, e até jogadores medianos e mais maduros, aos clubes brasileiros tem restado repatriar os que fracassam lá fora, ou os que, pela idade muito avançada, já não interessam a outros mercados. O Fluminense não precisa de Ronaldinho. Sua contratação é muito mais uma ação de marketing do que uma escolha técnica, ou seja, é fruto de quem encara o futebol como um circo, e não um esporte.

domingo, 12 de julho de 2015

Desafogo

O Inter venceu o Joinville por 2 x 0, hoje à tarde, na Arena Joinville, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória que trouxe uma sensação de desafogo, pois, com os resultados de sábado, o Inter dormira na zona de rebaixamento. Ao vencer, hoje, no entanto, o Inter interrompeu uma série de três derrotas consecutivas, e subiu cinco posições na tabela. O fato ganha em importância porque, na quarta-feira, o Inter jogará a primeira partida das semifinais da Libertadores contra o Tigres, e fazê-lo pressionado por maus resultados não seria bom do ponto de vista psicológico. O que se viu em campo só confirmou a extrema fragilidade técnica do Joinville, lanterna do Brasileirão. Mesmo jogando com um time de reservas, o Inter não encontrou maior resistência por parte do Joinville. Ainda que jogasse em casa, o Joinville pouco pressionou o Inter. Afora a pouca qualidade do adversário, o Inter ainda contou com o auxílio da arbitragem. O pênalti que originou o seu segundo gol não existiu, o que causou grande revolta nos torcedores do Joinville, que, a partir daí, passaram a hostilizar o árbitro. Agora, para o Inter, tudo é Libertadores. O clube jogou todas as suas fichas nessa competição. Se conseguir vencê-la, tudo o que tenha sido feito de errado será desconsiderado. Caso contrário, se o título não vier, a frustração será enorme, e poderá resultar numa crise de grandes proporções.

sábado, 11 de julho de 2015

Recuperação imediata

O Grêmio venceu o Vasco por 2 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, obteve uma recuperação imediata no Brasileirão, poi vinha de uma derrota, por 1 x 0, para a Chapecoense, fora de casa. A torcida mostrou estar animada com a campanha e o desempenho do time, comparecendo em grande número ao estádio. Próximo ao final do jogo, os torcedores começaram a gritar, em coro, o nome do técnico Roger Machado, numa demonstração do entusiasmo que já começam a ter com o trabalho por ele desenvolvido. Em campo, o Grêmio não encontrou soluções, no primeiro tempo, para furar o sistema de marcação do Vasco. Todas as tentativas de incursões pelo meio eram neutralizadas. Na saída para o intervalo, os jogadores destacavam o fato e diziam ser necessário abrir o jogo pelos lados. Roger Machado também apercebeu-se disso, e, mesmo mantendo a escalação do time para o segundo tempo, modificou sua postura. Os lados do campo passaram a ser explorados com mais constância. O placar foi aberto, justamente, por um chute cruzado de Galhardo do flanco direito que resultou num gol contra de Anderson Salles. O gol trouxe a tranquilidade que o time e a torcida esperavam, e o Grêmio ainda fez mais um, num lançamento primoroso de Giuliano para Pedro Rocha chutar para as redes. Por sinal, Pedro Rocha, de atuação apagadíssima contra a Chapecoense, foi um dos grandes destaques do Grêmio no jogo, junto com Galhardo, Geromel e Luan. A vitória levou o Grêmio de volta para o segundo lugar na tabela até amanhã, quando o Fluminense jogará com o Atlético Paranaense, na Arena da Baixada. Para o Grêmio manter a posição, é preciso que o Fluminense não vença. Agora, o Grêmio desviará sua atenção, momentaneamente, para a Copa do Brasil, competição que retomará, depois de uma longa interrupção, na terça-feira, contra o Criciúma, na Arena. A perspectiva é de que a fase positiva continue, com o Grêmio mantendo campanhas exitosas nas duas competições.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Desgoverno

O Rio Grande do Sul vive um dos piores momentos de sua história. Há caos na saúde e na segurança pública, e grande insatisfação do funcionalismo. O Estado está entregue a um desgoverno. Sim, o Rio Grande do Sul está com um governo acéfalo, resultado da escolha insensata da maioria dos eleitores, que colocaram no poder um homem inepto e despreparado. A intensa campanha midiática contra o ex-governador Tarso Genro, que buscava a reeleição, levou o eleitorado a devolver o maior cargo do Estado aos partidos de extração conservadora, cujas políticas, é bem sabido, são sempre demofóbicas. O tão alardeado déficit financeiro do Estado é verdadeiro, ninguém contesta. A situação financeira do Rio Grande do Sul é crítica há décadas, atravessando vários governos, de diferentes correntes ideológicas. A diferença está em como encarar o problema. O governo anterior tinha o entendimento, correto, de que o enfrentamento da dívida não pode se dar com o atraso no pagamento do funcionalismo e o sucateamento dos serviços públicos fundamentais. O atual governador do Estado, José Ivo Sartori, é adepto da solução única do corte de gastos. Tudo o que resultou de concreto dessa postura foi a absoluta precarização da saúde e da segurança pública, cujos serviços são um dever do Estado para com os cidadãos e contribuintes. O governo de Sartori apenas cumpriu o seu primeiro semestre. Há, ainda, mais três anos e meio pela frente, até o seu encerramento. Os que votaram em massa num candidato tão incapaz, devem estar profundamente arrependidos. Tomara que aprendam com a experiência mal sucedida, e votem com mais consciência em eleições futuras, sem se deixar influenciar pela imprensa conservadora. Porém, solução imediata não existe. Será preciso aguentar um longo período de sofrimento até o final dessa administração ruinosa. Um duro preço a ser pago por todos, inclusive pelos que não votaram no atual governador.