sexta-feira, 29 de maio de 2015

O inimigo público número um

Expressão que era usada com frequência, no passado, para designar pessoas ou situações de caráter vilanesco e atentatório ao interesse público, a frase do título acima cai como uma luva para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem nenhuma dúvida, Eduardo Cunha é, hoje, o inimigo público número um da democracia e da moralidade na política. Com uma manobra sórdida, conseguiu que, depois de rejeitado, o financiamento empresarial de campanhas fosse incluído na reforma política. Cunha está a serviço das piores causas, sempre em favor das elites predatórias e dos arautos do obscurantismo. Não é à toa que uma das figuras mais execráveis da imprensa brasileira, Reinaldo Azevedo, já tenha saído em sua defesa, escrevendo que quem odeia Cunha tem o mesmo sentimento em relação à democracia. O Brasil vive dias sombrios. Aproveitando-se das dificuldades conjunturais que atravessa o governo, Cunha e a direita tentam impor ao país uma agenda retrógrada, impedindo a aprovação de medidas importantes, como a taxação das grandes fortunas, e barrando a votação de questões polêmicas que se contraponham aos conceitos medievais dos evangélicos. Momentaneamente enfraquecido, o governo tem engolido as provocações e atitudes de Cunha. Porém, por mais que pareça estar com o controle da situação, Cunha precisa ter seu poder neutralizado. Não por ser um adversário do governo, mas porque, com sua abjeta conduta, é o maior inimigo dos que querem um Brasil mais digno e justo, que contemple o interesse de todos os cidadãos, e não apenas de privilegiados.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O escândalo da Fifa

O escândalo causado pela prisão, por parte de agentes do FBI, de altos dirigentes da Fifa, escancara o que de há muito se sabia, isto é, o de que a instituição que comanda o futebol mundial é um ninho de corrupção. A partir da chegada do brasileiro João Havelange ao cargo de presidente da Fifa, em 1974, o futebol se tornou, cada vez mais, um grande negócio, e foi perdendo o seu lado romântico. Enquanto os torcedores continuam a encarar o futebol com paixão, alguns o vêem como um meio de enriquecimento ilícito, com o recebimento de propinas. A retirada do nome de José Maria Marin da fachada da sede da CBF, no Rio de Janeiro, logo após a prisão do dirigente, é, ao mesmo tempo, um gesto patético e uma confissão de culpa. Aliás, a CBF é exemplar no que se refere aos novos tempos do futebol. Durante décadas, sua sede foi num prédio modesto no centro do Rio de Janeiro, junto ao Saara, zona de comércio popular da cidade. A sede acanhada da confederação não impediu que, nesse período, a Seleção Brasileira ganhasse cinco Copas do Mundo. Em pouco mais de 10 anos, no entanto, a CBF já trocou duas vezes de sede, sempre em instalações luxuosas no refinado bairro da Barra da Tijuca. Por sinal, curiosamente, a partir daí, a Seleção só colheu fracassos nas Copas. Tomara que as prisões anunciadas ontem não acabem em "pizza". Há muito tempo, o futebol, tanto na esfera mundial quanto no Brasil, precisa receber uma faxina nas suas instituições.. Pode ter chegado a hora tão esperada. Espera-se que não seja uma expectativa frustrada.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Classificação suada

Foi mais difícil do que muitos esperavam, mas o Inter venceu o Independiente Santa Fé por 2 x 0, hoje à noite, no Beira-Rio, e está classificado para as semifinais da Libertadores. Foi uma classificação suada. O primeiro gol, marcado logo aos dois minutos de jogo, fez com que muitos pensassem que a vitória seria fácil, talvez com uma goleada, mas o tempo passava e a partida foi ficando equilibrada, e o placar permaneceu sem ser alterado até a ida para o intervalo. No segundo tempo, o Inter voltou com maior ímpeto, tentando emparedar o adversário. O Independiente Santa Fé não conseguiu reagir à pressão, permanecendo em seu campo e apenas se defendendo, dando a entender que gostaria de manter o resultado e decidir tudo nos tiros livres da marca do pênalti. Ainda assim, o gol do alívio para o Inter só veio no final do jogo, depois que o adversário teve dois jogadores expulsos. O gol foi marcado por Rafael Moura, que entrara pouco antes na partida, e é um jogador considerado descartável por boa parte da torcida e da imprensa, numa prova de que o Inter vive uma maré de sorte. Agora, a Libertadores para, e só retornará daqui há um mês e meio, depois da Copa América. Nas semifinais, o Inter irá jogar contra o Tigres, com dois fatores adversos, já que a segunda partida será fora de casa e implicará numa longa viagem até Monterrey, no México. Porém, por enquanto, a caminhada do Inter na competição segue sendo risonha.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Boa escolha

Exatamente uma semana após a saída de Felipão, o Grêmio anunciou a contratação do seu novo técnico: Róger Machado. Foi uma boa escolha. Róger foi um dos mais vitoriosos jogadores do clube, e sempre teve um comportamento profissional exemplar. Desde cedo, mostrou interesse pelas questões técnicas e táticas do futebol, indicando que abraçaria, no futuro, a carreira de técnico, o que acabou se confirmando. Auxiliar técnico no Grêmio durante alguns anos, decidiu sair do clube ao perceber que a chance tão esperada para treinar o time principal não vinha. Foi para o Juventude, onde fez um trabalho irregular e, mais tarde, para o Novo Hamburgo. Nas duas últimas edições do Campeonato Gaúcho, chegou até as quartas de final, com o Juventude, em 2014, e o Novo Hamburgo, em 2015, e, em ambas as oportunidades, foi eliminado pelo Grêmio, na Arena. Como técnico interino do Grêmio, tem duas vitórias em Grenais, o que sempre é muito valorizado pelo torcedor. Róger conhece tudo dentro do Grêmio, é cria do clube. Vive com o Grêmio uma relação de afeto recíproco, e é muito estimado pela torcida. Ninguém tem condições de garantir que ele dará certo no cargo, mas isso também não poderia ser feito caso o técnico escolhido fosse um "medalhão". Afinal, nesses muitos anos de insucessos, o Grêmio já teve técnicos de renome como Paulo Autuori, Vanderlei Luxemburgo e Felipão, e nenhum deles alcançou os títulos tão esperados. Róger tem um grande potencial para vencer como técnico, e agora recebeu a chance que precisava para mostrar tudo o que sabe. Desejo-lhe muito boa sorte.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A presença de um intelectual notável

A noite de hoje reserva um privilégio para Porto Alegre e o Rio Grande do Sul. Para proferir a conferência de abertura do ciclo "Fronteiras do Pensamento", edição de 2015, no auditório Araújo Vianna, estará presente o biólogo inglês Richard Dawkins, intelectual verdadeiramente notável, um dos maiores da atualidade. Dawkins tornou-se internacionalmente célebre com seu best-seller "Deus, um Delírio", de 2006, que se constituiu num livro basilar do movimento ateísta. Defensor ferrenho do darwinismo, Dawkins é um ateu convicto, que vê a religião como retrógrada, contra o progresso da ciência e manipuladora de corações e mentes. O biólogo é incisivo na sua oposição à religião, e não ameniza nas suas colocações. Para Dawkins, a Teologia é um não assunto, que carece de conteúdo. A vida, para o cientista inglês, já tem complexidade suficiente. Não é necessário importar o que chama de complexidade manufaturada e inventada da Teologia. Richard Dawkins afirma que debater o "significado" da Trindade e da transubstanciação é perder tempo com balelas vazias. O biólogo é assertivo quanto ao conceito de que religião e ciência são inteiramente incompatíveis. Um cientista que acredite num Deus pessoal, declara Dawkins, só consegue realizar essa proeza erguendo barreiras mentais entre áreas impossíveis de serem compatibilizadas. Por suas posições, Dawkins está sempre cercado por polêmicas. Em 2014, ao ser perguntado por uma mulher o que deveria fazer se estivesse grávida de um feto com síndrome de Down, Dawkins respondeu: "Aborte e tente de novo. Seria imoral trazer o feto ao mundo se você tem escolha". Não faltou, obviamente, quem dissesse que Dawkins defende que se matem as crianças nascidas com Síndrome de Down, o que, como destaca o cientista, é uma acusação caluniosa. Para qualquer pessoa medianamente inteligente, fica evidente que Dawkins sustenta que, quando um exame durante a gravidez revelar que o feto é portador da Síndrome de Down, o aborto seria o mais indicado. Com posições firmes e claras, que batem de frente com o obscurantismo religioso, Dawkins é um sopro de lucidez em meio ao arcaísmo e ao atraso mental de tantas pessoas no mundo. Poder desfrutar de sua presença e de seu conhecimento é um privilégio raro que terão os que assistirem ao ciclo de conferências.

domingo, 24 de maio de 2015

A frente de esquerda

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, está empenhado em criar uma frente de esquerda para atuar nas eleições municipais de 2016. A frente seria integrada por partidos como PT, PSOL e PC do B, e é uma forma de neutralizar a crescente influência do PMDB junto ao governo. A proposta foi criticada pelo presidente do PT do Rio de Janeiro, e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que considera fundamental a manutenção da aliança com o PMDB no seu Estado, mas conta com o apoio de outras importantes lideranças locais do partido, como o senador Lindbergh Farias e o deputado federal Alessandro Molon. Para levar adiante a ideia da formação da frente, Tarso Genro mudou-se para o Rio de Janeiro. A iniciativa é oportuna e reveladora da estatura política de Tarso Genro. A esquerda não pode se deixar acuar pela atual situação política, em que a direita posa de solução para a "escalada da corrupção que assola o país". A direita nunca foi, não é, e jamais será solução para nada. Grande intelectual, notável pensador de esquerda, Tarso Genro, que não pretende mais concorrer a cargos eletivos, dá, com essa iniciativa, uma enorme contribuição para a política no país. A esquerda não tem de sair de cena, como alardeia a direita. Pelo contrário, o PT precisa retornar às suas origens, livrar-se da má companhia do PMDB, e voltar a firmar parcerias com os partidos com os quais tem afinidade ideológica e programática. Livre das amarras da condição de candidato em eleições, Tarso Genro empresta sua vasta cultura política para a criação de uma frente que faça a esquerda brasileira retornar ao seu leito natural. O Brasil não pode por a perder as grandes conquistas sociais que obteve nos últimos anos. Fortalecer a esquerda nacional é uma garantia de manter o país no rumo da justiça social.

sábado, 23 de maio de 2015

Vitória

O Grêmio venceu o Figueirense por 1 x 0, hoje à noite, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, num jogo em que a vitória era inadiável. Não foi um grande desempenho do Grêmio, mas a atuação foi segura, levando a um resultado merecido. Com um técnico interino, James Freitas, e em meio a uma crise no clube, o Grêmio conseguiu uma vitória indispensável, que irá acalmar seu ambiente. Marcelo Oliveira foi o melhor jogador em campo e, por mais incrível que pareça, Braian Rodríguez foi o autor do gol. A vitória fez o Grêmio subir para o oitavo lugar, posição provisória antes das partidas de amanhã. Agora, o Grêmio irá jogar contra o Goiás, no Serra Dourada, onde seu retrospecto não é favorável. A dúvida que se coloca é se, até lá, o Grêmio já terá contratado um novo técnico. Espera-se que sim, e que, principalmente, a escolha seja criteriosa.

Empate

O Inter empatou em 1 x 1 com o Vasco, hoje, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado até pode ser considerado bom, pois o Inter jogou com seu time reserva, mas, como saiu na frente no placar, ficou um certo gosto de frustração. O autor do gol do Inter foi Nilmar, o único titular escalado, de muito boa atuação, o que prova que a maior qualidade sempre faz a diferença e nunca há equivalência entre os integrantes do time principal e do reserva. O gol do Vasco só surgiu após o Inter ter Alan Ruschel expulso. Foi o quarto empate consecutivo do Vasco, sendo três deles em casa. Embora esforçado, o time do Vasco é muito limitado, e se não se reforçar, é candidato ao rebaixamento.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sem rumo

A cada dia, firma-se mais a impressão de que o Grêmio é um clube sem rumo. Tudo é indefinição no clube. O técnico Felipão teve sua saída anunciada na terça-feira, e até hoje não foi contratado um substituto. Fala-se que o Grêmio terá um vice-presidente de futebol, mas segue a indefinição quanto ao ocupante do cargo. Não bastasse o mau início no Campeonato Brasileiro, um empate em casa e uma derrota fora, o Grêmio irá jogar na Arena, amanhã, contra o Figueirense, com um técnico interino, e mergulhado em incertezas. Afora o corte de gastos, o presidente Romildo Bolzan Júnior parece não ter nenhuma outra proposta para conduzir o clube. O mentor de sua candidatura, o ex-presidente Fábio Koff, está muito doente, e não pode auxiliá-lo. Sem vivência no clube e no futebol, Romildo mostra-se errático em suas ações, e os resultados de campo refletem isso. Em apenas cinco meses do presidente no cargo, o Grêmio já perdeu um Campeonato Gaúcho e está na zona de rebaixamento do Brasileirão. Essa situação faz o torcedor temer pelo pior, que seria uma terceira queda para a Segunda Divisão. O Grêmio vive uma prolongada agonia, e nada indica que o alívio ocorra em breve. No Grêmio atual, o que é ruim sempre pode ficar pior.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A reação do presidente

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, revoltou-se com o teor da coluna assinada pelo jornalista Leonardo Meneghetti na edição de ontem do jornal "Metro/RS". A reação de Romildo foi decidir não conceder mais entrevistas para os veículos do Grupo Bandeirantes, do qual o "Metro/RS" faz parte, por ter considerado que o texto do colunista era um ataque pessoal contra ele. Ao saber da atitude do presidente, busquei tomar conhecimento do conteúdo do comentário, pois não o havia lido. Antes de fazê-lo, pensei que o mesmo pudesse ser um texto faccioso, dada a condição de torcedor do Inter confessada pelo colunista, no mesmo espaço, na semana anterior. Porém, é forçoso que se reconheça, o conteúdo do que li não traz nenhuma acusação infundada ou agressão gratuita contra Bolzan Júnior. O título do comentário, provocativo, pergunta quando Romildo Bolzan Júnior irá tomar posse. Provocativo, mas não descabido. Ao longo do texto, Meneghetti arrola todas as ações desastradas da administração de Romildo, que são consequência da total falta de um projeto para o clube. Sinto-me a vontade para discorrer sobre isso, pois, quando da constituição da chapa que acabou eleita para administrar o Grêmio, frisei o fato de que Bolzan Júnior não tinha uma história no clube que legitimasse sua candidatura. Na verdade, sua eleição se deu tão somente pela condição de candidato apoiado pelo ex-presidente Fábio Koff, que é um ícone para os gremistas. Romildo preside o Grêmio ao sabor dos ventos, sem um projeto definido de administração. Seu "samba de uma nota só" é a necessidade de cortar gastos. Em função dessa intenção, prometeu juvenilizar o time. Em apenas cinco meses, essa ideia foi deixada de lado, e o time titular atual só tem dois jogadores formados no clube, os demais são "cascudos", ou seja, nomes rodados. O Campeonato Gaúcho, que o goleiro Marcelo Grohe definiu como sendo uma "Copa do Mundo" para o Grêmio, foi perdido, mais uma vez. No Campeonato Brasileiro, em apenas duas rodadas, o Grêmio já ocupa a zona de rebaixamento. O clube não tem técnico, o time exibe terríveis lacunas, o discurso oficial é de que não há dinheiro para grandes contratações,  a "compra" da Arena foi apenas um factóide eleitoral, pois o assunto segue em aberto, o desalento do torcedor é imenso. Diante desse quadro, Bolzan Júnior não tem o direito de se sentir ofendido com críticas. A única maneira de neutralizá-las é fazer o que não realizou até agora, isto é, ser um presidente a altura da grandeza do Grêmio.