terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Calote

O que se prenunciava como ruim, mostrou-se muito pior. O novo governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), adotou o calote como medida de "austeridade". Os governos conservadores tem obsessão por cortar gastos, como forma de atingir o "equilíbrio" nas contas. Em função disso, Sartori congelou, por seis meses, pagamentos a fornecedores e prestadores de serviço. Não foi especificado, no entanto, quais os pagamentos que serão suspensos. O nome que se dá a isso é um só: calote. O que será que diria a grande imprensa se essa medida fosse tomada por um governo do PT? Certamente, choveriam críticas. A medida, lamentável e ineficaz para a saúde das contas públicas, é um retrato fiel das administrações conservadoras, cujo único remédio econômico conhecido é o "corte de gastos". Como, de forma brilhante e certeira, declarou o ex-governador Tarso Genro (PT), em todos os lugares onde políticas de austeridade foram aplicadas, os médios e pobres pioraram de vida, e os ricos aumentaram o seu patrimônio. Como diria Aparício Torelly, o "Barão de Itararé", célebre humorista brasileiro, de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Sartori, com sua primeira e desastrada medida de impacto, apenas confirma as expectativas de qualquer pessoa dotada de mediana lucidez, ou seja, a de que fará um mau governo. O despreparo e a falta de conteúdo demonstrados por Sartori durante a campanha não deixam nenhuma margem para a hipótese contrária.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Primeiro desencontro

O primeiro desencontro de posturas entre a presidente reeleita, Dilma Rousseff, e um dos membros da sua equipe de governo, o ministro do Planejamento, Nélson Barbosa, não me parece algo negativo. Barbosa, já no primeiro dia de efetivo trabalho do novo governo, declarou que haveriam modificações na fórmula de reajuste do salário mínimo para os anos de 2016 a 2019. A presidente não gostou da fala do ministro e pediu que ele emitisse uma nota retificadora, o que foi feito. Os eternos críticos do governo viram nisso um mau sinal, um indício de que a nova equipe econômica, tão admirada por eles por seu viés neoliberal, não terá a autonomia necessária. Vejo o fato de outra forma. Com sua atitude, Dilma Rousseff pôs os pingos nos "is", mostrando quem é a autoridade maior no governo. Várias vezes já foi dito, em tom de crítica, de que Dilma é a verdadeira ministra da Fazenda, seja quem for o ocupante do cargo, pois ela não abriria mão de impor suas ideias no campo econômico. Não acho isso ruim. A responsabilidade maior na administração é do presidente. Se os defensores do mercado achavam que, com a escolha de uma equipe econômica mais conservadora, Dilma daria um cheque em branco para que a mesma adotasse seus postulados, estão muito enganados. A nova equipe econômica é que vai ter de adaptar-se às exigências da presidente, não o contrário, pois é assim que deve ser. Para o bem do governo, e desconsolo dos neoliberais.

Retorno

Por razões logísticas, o blog ficou sem postagens durante uma semana. Agora, faz-se o retorno às suas publicações regulares.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Solidariedade

Os jogos beneficentes de ontem, no Maracanã e Beira-Rio, foram demonstrações de solidariedade de jogadores e do público. Afinal, essa é uma época de festas e de férias. No Maracanã, nem mesmo o forte calor e o apelo das belas praias do Rio de Janeiro afastaram a presença de uma numerosa plateia. No Beira-Rio, a instabilidade do tempo também não demoveu as pessoas de prestigiarem a promoção. Em ambos os casos, bem como em todos os jogos do gênero, o que menos interessa é o resultado da partida, que é festiva. O que importa é a ajuda aos mais necessitados, especialmente num período do ano marcado por celebrações. O futebol atrai o público mesmo quando está oficialmente em recesso. Somando-se a isso o estímulo à solidariedade, temos estádios com grande presença de espectadores e muitas pessoas carentes beneficiadas. Um atitude meritória de jogadores atuais e do passado, devidamente correspondida pelos que estiveram nos estádios.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Discoteca básica

O livro "Discoteca Básica", recentemente lançado, de autoria de Zé Antônio Algodoal, diretor de programas de tv e músico, trata de saber quais os dez discos preferidos de 100 personalidades, nacionais e estrangeiras. Esse tipo de lista é algo que sempre interessa ás pessoas. Em geral, todos gostamos de rankings e classificações. Escolher dez grandes discos é uma tarefa difícil, tantos são eles. O gosto de cada um é algo muito pessoal, portanto as preferências são as mais variadas. Na minha lista constariam discos como "Revolver", "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band" e "Abbey Road", todos eles dos Beatles, "All Things Must Pass",  de George Harrison, "Brothers in the Arms", do Dire Straits, "Eric Clapton Acoustic MTV", a trilha sonora do filme "Saturday Night Fever", "Gal Canta Caymmi", "As canções que você fez pra mim", com Maria Bethânia interpretando clássicos de Roberto Carlos, "Rita Lee" (1980), "Erasmo Carlos Convida - Vol. 1(1980)". Esses são apenas alguns dos muitos discos de que gosto. Poderia citar vários outros, mas foram os primeiros de que lembrei na tentativa de fazer uma lista. Faça a sua também, é um modo de recordarmos de discos e músicas que marcaram nossas vidas.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A descaracterização do Natal

Mesmo para quem não é religioso, como é o meu caso, chama a atenção a descaracterização do Natal. Uma festividade essencialmente religiosa, afinal celebra o nascimento de Jesus Cristo, o Natal transformou-se, tão somente, numa data comercial. Aqueles que acompanharam com atenção os meios de comunicação nos últimos dias devem ter percebido que a quase totalidade das referências ao Natal era em relação à busca pela compra dos presentes, o movimento alucinante de pessoas em lojas e shoppings centers, enfim, à dimensão consumista da data. Ontem, isso ficou ainda mais claro numa matéria levada ao ar pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo. Ao chamar a reportagem, a apresentadora diz :"Hoje, ele foi o grande assunto no mundo". Pensei, imediatamente, tratar-se de Jesus, devido ao Natal, mas o foco da matéria era o Papai Noel! Em 2014, talvez como em nenhum outro ano, o Natal está sendo a festa do Papai Noel. Praticamente não se vêem referências de cunho religioso em relação à data. O conteúdo da celebração foi deixado de lado, e o Natal torna-se, assim, apenas um pretexto para incitar o consumo, como outras datas ao longo do ano que visam manter o comércio aquecido. Se perguntarmos para muitas crianças, fascinadas pelos presentes que acabaram de ganhar, o que se comemora no Natal, muitas delas não saberão responder. O capitalismo é um sistema implacável. Nada sobrevive à sua sanha de incentivo ao consumismo. O Natal, como acontecimento religioso,. só é cultuado, ainda, por pessoas de uma fé mais arraigada, boa parte delas mais idosas. Para a maioria da população e, particularmente, os mais jovens, é apenas uma festa consumista e motivo para se aproveitar um feriadão.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Perfil conservador

A presidente Dilma Rousseff apresentou, hoje, o nome de mais 13 ministros para o seu segundo mandato. O que chama a atenção é o perfil demasiadamente conservador de muitos dos escolhidos. Depois da indicação de Joaquim Levy para presidente do Banco Central, nomes como Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Armando Monteiro, para os ministérios, respectivamente, da Agricultura, das Cidades, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, dão ao governo uma face pouco compatível com uma orientação de esquerda. Não se trata, propriamente, de uma novidade, mas, sim, de uma tendência que se acentuou em nome da "governabilidade". A necessidade de obter apoio no Congresso Nacional faz o governo adotar uma ampla política de alianças, reunindo partidos que nada tem em comum em termos programáticos, mas que sempre estão interessados em obter a sua fatia de poder, traduzida em cargos e verbas. Porém, alguns nomes, mesmo nessa perspectiva, são difíceis de aceitar num governo comandado pelo PT. A senadora Kátia Abreu, uma das maiores lideranças do "agronegócio", defende ideias incompatíveis com um governo de matriz de esquerda. Hélder Barbalho, que assumirá o posto de  ministro da Pesca e Aquicultura, afora ser pouco conhecido, é filho do ex-governador do Pará, Jáder Barbalho, um dos políticos de biografia mais comprometedora do país. Menos mal que para o cargo de secretário geral da Presidência da República está sendo cogitado o nome de Miguel Rosseto. A presença de Rosseto, num cargo de tamanha importância dentro do governo, ajudaria a equilibras a balança, impedindo um avanço ainda maior das forças conservadoras. Tendo obtido uma vitória por margem pequena na eleição, a presidente Dilma parece buscar atrair a simpatia de quem, costumeiramente, lhe faz oposição. O risco que se corre, em situações como essa, é não se obter as vantagens pretendidas e ainda perder o apoio dos colaboradores mais fiéis. Governar, é, também, contrariar interesses. Não dá para agradar a todos. Por isso, o mais indicado é apostar na coerência das propostas, dando ao governo uma identidade clara, sem demasiadas concessões. Pode parecer algo exageradamente idealista, mas é a única saída para a política não ser, apenas, uma troca de favores e interesses.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Joe Cocker

O rock e o blues perderam, hoje, uma de suas maiores figuras. Joe Cocker morreu, vítima de câncer, aos 70 anos. Em 50 anos de carreira, Cocker gravou 40 discos. Participou do lendário festival de Woodstock, onde fez uma interpretação histórica de "With a Litttle Help From My Friends", de John Lennon e Paul McCartney. Em 1983, ganhou o Grammy por "Up Where We Belong", música que gravou em dueto com Jennifer Warner. Outros de seus sucessos foram "You Are So Beatiful" e "Unchain My Heart". Em 2007 tornou-se "sir", ou seja, Cavaleiro do Império Britãnico. Cocker é, sem favor, um astro da música. Seu estilo era único, não deixa sucessores.

Contratações

Grêmio e Inter anunciaram, nas últimas horas, contratações que estão longe de entusiasmar seus torcedores. No sábado, o Grêmio apresentou Marcelo Oliveira, de 27 anos, vindo do Palmeiras. Marcelo Oliveira, ao que se diz, veio para ser o lateral esquerdo do Grêmio, no entanto, joga também em diversas outras posições. Na lateral esquerda, não joga desde  2013. Porém, isso nem é o mais importante. O que inquieta o torcedor é que ele é um jogador apenas mediano, e estava no Palmeiras, que fez péssima campanha no Campeonato Brasileiro. As duas contratações feitas pelo Grêmio até agora, a outra foi o meia Douglas, que estava no Vasco e retorna ao clube, apontam  para perspectivas nada animadoras em 2015. Hoje, foi a vez do Inter anunciar uma contratação, a do seu tão esperado novo técnico. O escolhido foi o uruguaio Diego Aguirre, ex-jogador do clube. Aguirre foi vice-campeão da Libertadores de 2011 como técnico do Peñarol, e, na ocasião, eliminou o Inter nas oitavas de final, em pleno Beira-Rio. Perdeu, na decisão, para o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Afora isso, sua trajetória não apresenta grandes feitos, mas pesam a seu favor a identificação que possui com o Inter e o conhecimento que tem da Libertadores, competição prioritária do clube em 2015. Não há como ignorar, todavia, que, para quem sonhou com Tite, e cogitou nomes como os de Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes, ou mesmo a continuidade de Abel Braga, Diego Aguirre representa um anticlímax, sem contar que sua contratação contraria uma das declarações do novo presidente do Inter, Vitório Píffero, de que não traria um técnico estrangeiro.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Visão equivocada

Uma nota na seção "Radar" da revista "Veja", em sua mais recente edição, chama a atenção por expor uma visão equivocada sobre a tentativa dos meios de comunicação de se manterem em sintonia com o "futuro" e de agradarem ao público jovem. A nota refere-se ao fato de que a Rede Globo, que completará 50 anos em 2015, pretende comemorar a data com "cuidado". A Globo teme parecer apegada ao passado e, por isso, não quer rechear a programação com um tom de nostalgia, pois entende que isso afugenta o telespectador mais jovem. A ideia central da comemoração é falar de futuro o tempo todo, conforme "Veja". Entendo que há erros conceituais nessa postura. Primeiramente, 50 anos é uma data redonda, e muito expressiva quando se trata da história de uma empresa. Em tão largo espaço de tempo, são muitos os feitos a serem exaltados. Portanto, o recurso à nostalgia não seria nenhuma impropriedade. Em segundo lugar, a preocupação em agradar o público jovem já levou a própria Globo a cometer erros. Recentemente, ela levou ao ar a novela "Geração Brasil" com uma história de muitos personagens jovens e calcada na onipresença da informática nos dias de hoje. A novela foi um fracasso. A busca obsessiva pela audiência faz com que os veículos de comunicação tentem identificar o que os jovens querem e que busquem antecipar tendências para o futuro. A ideia de que o passado deva ser desprezado e de que só o novo tem vez é um absurdo. Ao abolirmos as citações ao passado, estamos nos condenando a ausência de referências. A trajetória de uma empresa, e mesmo a vida de uma pessoa, é uma construção ao longo do tempo. Não se pode ignorar a importância do passado nessa caminhada. O futuro é importante, mas é uma abstração. O passado, por já estar consolidado, merece ser lembrado, e, no caso de uma história vitoriosa como a da Globo, receber o devido destaque.