domingo, 28 de dezembro de 2014
Solidariedade
Os jogos beneficentes de ontem, no Maracanã e Beira-Rio, foram demonstrações de solidariedade de jogadores e do público. Afinal, essa é uma época de festas e de férias. No Maracanã, nem mesmo o forte calor e o apelo das belas praias do Rio de Janeiro afastaram a presença de uma numerosa plateia. No Beira-Rio, a instabilidade do tempo também não demoveu as pessoas de prestigiarem a promoção. Em ambos os casos, bem como em todos os jogos do gênero, o que menos interessa é o resultado da partida, que é festiva. O que importa é a ajuda aos mais necessitados, especialmente num período do ano marcado por celebrações. O futebol atrai o público mesmo quando está oficialmente em recesso. Somando-se a isso o estímulo à solidariedade, temos estádios com grande presença de espectadores e muitas pessoas carentes beneficiadas. Um atitude meritória de jogadores atuais e do passado, devidamente correspondida pelos que estiveram nos estádios.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Discoteca básica
O livro "Discoteca Básica", recentemente lançado, de autoria de Zé Antônio Algodoal, diretor de programas de tv e músico, trata de saber quais os dez discos preferidos de 100 personalidades, nacionais e estrangeiras. Esse tipo de lista é algo que sempre interessa ás pessoas. Em geral, todos gostamos de rankings e classificações. Escolher dez grandes discos é uma tarefa difícil, tantos são eles. O gosto de cada um é algo muito pessoal, portanto as preferências são as mais variadas. Na minha lista constariam discos como "Revolver", "Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band" e "Abbey Road", todos eles dos Beatles, "All Things Must Pass", de George Harrison, "Brothers in the Arms", do Dire Straits, "Eric Clapton Acoustic MTV", a trilha sonora do filme "Saturday Night Fever", "Gal Canta Caymmi", "As canções que você fez pra mim", com Maria Bethânia interpretando clássicos de Roberto Carlos, "Rita Lee" (1980), "Erasmo Carlos Convida - Vol. 1(1980)". Esses são apenas alguns dos muitos discos de que gosto. Poderia citar vários outros, mas foram os primeiros de que lembrei na tentativa de fazer uma lista. Faça a sua também, é um modo de recordarmos de discos e músicas que marcaram nossas vidas.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
A descaracterização do Natal
Mesmo para quem não é religioso, como é o meu caso, chama a atenção a descaracterização do Natal. Uma festividade essencialmente religiosa, afinal celebra o nascimento de Jesus Cristo, o Natal transformou-se, tão somente, numa data comercial. Aqueles que acompanharam com atenção os meios de comunicação nos últimos dias devem ter percebido que a quase totalidade das referências ao Natal era em relação à busca pela compra dos presentes, o movimento alucinante de pessoas em lojas e shoppings centers, enfim, à dimensão consumista da data. Ontem, isso ficou ainda mais claro numa matéria levada ao ar pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo. Ao chamar a reportagem, a apresentadora diz :"Hoje, ele foi o grande assunto no mundo". Pensei, imediatamente, tratar-se de Jesus, devido ao Natal, mas o foco da matéria era o Papai Noel! Em 2014, talvez como em nenhum outro ano, o Natal está sendo a festa do Papai Noel. Praticamente não se vêem referências de cunho religioso em relação à data. O conteúdo da celebração foi deixado de lado, e o Natal torna-se, assim, apenas um pretexto para incitar o consumo, como outras datas ao longo do ano que visam manter o comércio aquecido. Se perguntarmos para muitas crianças, fascinadas pelos presentes que acabaram de ganhar, o que se comemora no Natal, muitas delas não saberão responder. O capitalismo é um sistema implacável. Nada sobrevive à sua sanha de incentivo ao consumismo. O Natal, como acontecimento religioso,. só é cultuado, ainda, por pessoas de uma fé mais arraigada, boa parte delas mais idosas. Para a maioria da população e, particularmente, os mais jovens, é apenas uma festa consumista e motivo para se aproveitar um feriadão.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Perfil conservador
A presidente Dilma Rousseff apresentou, hoje, o nome de mais 13 ministros para o seu segundo mandato. O que chama a atenção é o perfil demasiadamente conservador de muitos dos escolhidos. Depois da indicação de Joaquim Levy para presidente do Banco Central, nomes como Kátia Abreu, Gilberto Kassab e Armando Monteiro, para os ministérios, respectivamente, da Agricultura, das Cidades, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, dão ao governo uma face pouco compatível com uma orientação de esquerda. Não se trata, propriamente, de uma novidade, mas, sim, de uma tendência que se acentuou em nome da "governabilidade". A necessidade de obter apoio no Congresso Nacional faz o governo adotar uma ampla política de alianças, reunindo partidos que nada tem em comum em termos programáticos, mas que sempre estão interessados em obter a sua fatia de poder, traduzida em cargos e verbas. Porém, alguns nomes, mesmo nessa perspectiva, são difíceis de aceitar num governo comandado pelo PT. A senadora Kátia Abreu, uma das maiores lideranças do "agronegócio", defende ideias incompatíveis com um governo de matriz de esquerda. Hélder Barbalho, que assumirá o posto de ministro da Pesca e Aquicultura, afora ser pouco conhecido, é filho do ex-governador do Pará, Jáder Barbalho, um dos políticos de biografia mais comprometedora do país. Menos mal que para o cargo de secretário geral da Presidência da República está sendo cogitado o nome de Miguel Rosseto. A presença de Rosseto, num cargo de tamanha importância dentro do governo, ajudaria a equilibras a balança, impedindo um avanço ainda maior das forças conservadoras. Tendo obtido uma vitória por margem pequena na eleição, a presidente Dilma parece buscar atrair a simpatia de quem, costumeiramente, lhe faz oposição. O risco que se corre, em situações como essa, é não se obter as vantagens pretendidas e ainda perder o apoio dos colaboradores mais fiéis. Governar, é, também, contrariar interesses. Não dá para agradar a todos. Por isso, o mais indicado é apostar na coerência das propostas, dando ao governo uma identidade clara, sem demasiadas concessões. Pode parecer algo exageradamente idealista, mas é a única saída para a política não ser, apenas, uma troca de favores e interesses.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Joe Cocker
O rock e o blues perderam, hoje, uma de suas maiores figuras. Joe Cocker morreu, vítima de câncer, aos 70 anos. Em 50 anos de carreira, Cocker gravou 40 discos. Participou do lendário festival de Woodstock, onde fez uma interpretação histórica de "With a Litttle Help From My Friends", de John Lennon e Paul McCartney. Em 1983, ganhou o Grammy por "Up Where We Belong", música que gravou em dueto com Jennifer Warner. Outros de seus sucessos foram "You Are So Beatiful" e "Unchain My Heart". Em 2007 tornou-se "sir", ou seja, Cavaleiro do Império Britãnico. Cocker é, sem favor, um astro da música. Seu estilo era único, não deixa sucessores.
Contratações
Grêmio e Inter anunciaram, nas últimas horas, contratações que estão longe de entusiasmar seus torcedores. No sábado, o Grêmio apresentou Marcelo Oliveira, de 27 anos, vindo do Palmeiras. Marcelo Oliveira, ao que se diz, veio para ser o lateral esquerdo do Grêmio, no entanto, joga também em diversas outras posições. Na lateral esquerda, não joga desde 2013. Porém, isso nem é o mais importante. O que inquieta o torcedor é que ele é um jogador apenas mediano, e estava no Palmeiras, que fez péssima campanha no Campeonato Brasileiro. As duas contratações feitas pelo Grêmio até agora, a outra foi o meia Douglas, que estava no Vasco e retorna ao clube, apontam para perspectivas nada animadoras em 2015. Hoje, foi a vez do Inter anunciar uma contratação, a do seu tão esperado novo técnico. O escolhido foi o uruguaio Diego Aguirre, ex-jogador do clube. Aguirre foi vice-campeão da Libertadores de 2011 como técnico do Peñarol, e, na ocasião, eliminou o Inter nas oitavas de final, em pleno Beira-Rio. Perdeu, na decisão, para o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Afora isso, sua trajetória não apresenta grandes feitos, mas pesam a seu favor a identificação que possui com o Inter e o conhecimento que tem da Libertadores, competição prioritária do clube em 2015. Não há como ignorar, todavia, que, para quem sonhou com Tite, e cogitou nomes como os de Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes, ou mesmo a continuidade de Abel Braga, Diego Aguirre representa um anticlímax, sem contar que sua contratação contraria uma das declarações do novo presidente do Inter, Vitório Píffero, de que não traria um técnico estrangeiro.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Visão equivocada
Uma nota na seção "Radar" da revista "Veja", em sua mais recente edição, chama a atenção por expor uma visão equivocada sobre a tentativa dos meios de comunicação de se manterem em sintonia com o "futuro" e de agradarem ao público jovem. A nota refere-se ao fato de que a Rede Globo, que completará 50 anos em 2015, pretende comemorar a data com "cuidado". A Globo teme parecer apegada ao passado e, por isso, não quer rechear a programação com um tom de nostalgia, pois entende que isso afugenta o telespectador mais jovem. A ideia central da comemoração é falar de futuro o tempo todo, conforme "Veja". Entendo que há erros conceituais nessa postura. Primeiramente, 50 anos é uma data redonda, e muito expressiva quando se trata da história de uma empresa. Em tão largo espaço de tempo, são muitos os feitos a serem exaltados. Portanto, o recurso à nostalgia não seria nenhuma impropriedade. Em segundo lugar, a preocupação em agradar o público jovem já levou a própria Globo a cometer erros. Recentemente, ela levou ao ar a novela "Geração Brasil" com uma história de muitos personagens jovens e calcada na onipresença da informática nos dias de hoje. A novela foi um fracasso. A busca obsessiva pela audiência faz com que os veículos de comunicação tentem identificar o que os jovens querem e que busquem antecipar tendências para o futuro. A ideia de que o passado deva ser desprezado e de que só o novo tem vez é um absurdo. Ao abolirmos as citações ao passado, estamos nos condenando a ausência de referências. A trajetória de uma empresa, e mesmo a vida de uma pessoa, é uma construção ao longo do tempo. Não se pode ignorar a importância do passado nessa caminhada. O futuro é importante, mas é uma abstração. O passado, por já estar consolidado, merece ser lembrado, e, no caso de uma história vitoriosa como a da Globo, receber o devido destaque.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Formalidade
O título de campeão mundial de Clubes conquistado, hoje, pelo Real Madrid com uma vitória de 2 x 0 sobre o San Lorenzo, em Marrakesh, foi o cumprimento de uma formalidade. A distância técnica entre os dois times é imensa, em favor do Real Madrid. O San Lorenzo portou-se com o brio próprio dos argentinos, o que lhe proporcionou uma derrota digna, e mais do que isso não poderias obter. O clube argentino livrou-se, assim, de um vexame como o do Santos, que em 2011 foi goleado pelo Barcelona por 4 x 0. O único senão foi o frango tomado pelo goleiro Torrico no segundo gol do Real Madrid, logo no início do tempo final de jogo. Não fosse ele, o San Lorenzo poderia ter dado mais trabalho para o Real Madrid. Ainda assim, não haveria como impedir que o clube espanhol ficasse com o título. Mesmo com um Cristiano Ronaldo discreto, a exemplo do que já acontecera na partida pelas semifinais, contra o Cruz Azul, o Real Madrid impôs sua maior qualidade, com jogadores como Benzema, Beale e Isco. Escolhido como o maior clube do século 20, o Real Madrid possui 10 títulos da Champions League e, hoje, venceu o Mundial de Clubes pela quarta vez. Com seu time atual, cheio de astros, tem tudo para continuar ampliando essa galeria de conquistas.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Título mundial
O que era aguardado com muita expectativa nos últimos dias, finalmente, foi alcançado. Gabriel Medina conquistou o primeiro título de campeão mundial de surfe para o Brasil. Um feito histórico, sem dúvida. O que surpreende aos mais leigos nesse esporte é como um país de litoral tão extenso, e com tantos praticantes do surfe, ainda não tivesse um campeão mundial dessa modalidade. Multicampeão em esportes coletivos, o Brasil tem resultados mais modestos nos individuais. Com sua conquista, Gabriel Medina se junta a um grupo restrito, de nomes ilustres como Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna, no automobilismo, Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten, no tênis, César Cielo, na natação, Adhemar Ferreira da Silva e Joaquim Cruz, no atletismo, Éder Jofre e Miguel de Oliveira, no boxe, Aurélio Miguel e Rogério Sampaio, no judô, todos ganhadores de competições individuais internacionais. Como costuma ocorrer quando surge um novo campeão, o número de praticantes do surfe deverá aumentar significativamente no país. Tomara que o feito de Medina não seja algo episódico, e que ele e outros praticantes desse esporte de tanto apelo visual possam obter novas conquistas para o país.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Vacuidade
Vivemos num mundo frívolo e superficial, e a produção cultural reflete isso, pois é de uma terrível pobreza. Numa época dominada pelo consumismo, a forma é exaltada, e o conteúdo é desprezado. O avanço acelerado da tecnologia e da informática impactam a vida de todos e as relações entre as pessoas. Hoje, quase todos estão "conectados". Se não estão, sentem-se excluídos. A era digital caminha a passos largos. As transformações sociais se dão de forma tão rápida e acentuada que torna-se difícil assimilá-las. Com isso, há quem se preocupe em se antecipar às "novas tendências", em identificar para onde sopram os ventos. Com base em tais intenções, o grupo de comunicação RBS, do Rio Grande do Sul, promoveu, na terça-feira, um evento intitulado "Vox 2014". Conforme o título da matéria de um dos jornais do grupo sobre o acontecimento, o mesmo visava à "escuta das vozes do futuro". O evento, que deverá ter edições anuais, constou da realização de palestras durante todo o dia, que puderam ser assistidas por 400 pessoas no local em que se realizavam ou por televisão e internet pelos demais interessados. Os palestrantes, em grande número, eram pessoas dos setores mais diversos. Nesse grupo tão heterogêneo havia uma chefe de cozinha, jornalistas, músicos, humorista, apresentador de televisão. Tentei, de todas as formas, encontrar um eixo nesse evento, um fio condutor. Não consegui. O "Vox 2014" foi elaborado a partir de um estudo realizado pela cineasta Flávia Moraes sob encomenda do Grupo RBS. De acordo com a promotora do encontro, o trabalho de Flávia enumera "valores vitais para quem produz ou consome informação na nova era". Toda essa argumentação não consegue esconder uma enorme vacuidade nesse tipo de evento. Desde que a presidência do grupo mudou de mãos, chegando à terceira geração da família que o fundou, a preocupação em ser "moderna" e preparada para os "desafios dos novos tempos" tem sido uma marca da RBS. No entanto, no terreno prático, nada tem se constatado. Seu principal jornal, "Zero Hora", por exemplo, passou, recentemente, por uma reforma que empobreceu seu conteúdo e sua apresentação visual. O jornalismo, que deveria ser o cartão de visitas do grupo, sofre com constantes levas de demissões. A busca de "modernidade" da empresa carece de foco e de precisão, é difusa e inconsistente. Reflete o seu atual comando, que é um repositório de intenções vagas e sem método de como enfrentar os desafios do que "está por vir". No fundo, não passa de uma ladainha modernosa sem nenhum sentido.
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