segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Contratações

Grêmio e Inter anunciaram, nas últimas horas, contratações que estão longe de entusiasmar seus torcedores. No sábado, o Grêmio apresentou Marcelo Oliveira, de 27 anos, vindo do Palmeiras. Marcelo Oliveira, ao que se diz, veio para ser o lateral esquerdo do Grêmio, no entanto, joga também em diversas outras posições. Na lateral esquerda, não joga desde  2013. Porém, isso nem é o mais importante. O que inquieta o torcedor é que ele é um jogador apenas mediano, e estava no Palmeiras, que fez péssima campanha no Campeonato Brasileiro. As duas contratações feitas pelo Grêmio até agora, a outra foi o meia Douglas, que estava no Vasco e retorna ao clube, apontam  para perspectivas nada animadoras em 2015. Hoje, foi a vez do Inter anunciar uma contratação, a do seu tão esperado novo técnico. O escolhido foi o uruguaio Diego Aguirre, ex-jogador do clube. Aguirre foi vice-campeão da Libertadores de 2011 como técnico do Peñarol, e, na ocasião, eliminou o Inter nas oitavas de final, em pleno Beira-Rio. Perdeu, na decisão, para o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso. Afora isso, sua trajetória não apresenta grandes feitos, mas pesam a seu favor a identificação que possui com o Inter e o conhecimento que tem da Libertadores, competição prioritária do clube em 2015. Não há como ignorar, todavia, que, para quem sonhou com Tite, e cogitou nomes como os de Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes, ou mesmo a continuidade de Abel Braga, Diego Aguirre representa um anticlímax, sem contar que sua contratação contraria uma das declarações do novo presidente do Inter, Vitório Píffero, de que não traria um técnico estrangeiro.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Visão equivocada

Uma nota na seção "Radar" da revista "Veja", em sua mais recente edição, chama a atenção por expor uma visão equivocada sobre a tentativa dos meios de comunicação de se manterem em sintonia com o "futuro" e de agradarem ao público jovem. A nota refere-se ao fato de que a Rede Globo, que completará 50 anos em 2015, pretende comemorar a data com "cuidado". A Globo teme parecer apegada ao passado e, por isso, não quer rechear a programação com um tom de nostalgia, pois entende que isso afugenta o telespectador mais jovem. A ideia central da comemoração é falar de futuro o tempo todo, conforme "Veja". Entendo que há erros conceituais nessa postura. Primeiramente, 50 anos é uma data redonda, e muito expressiva quando se trata da história de uma empresa. Em tão largo espaço de tempo, são muitos os feitos a serem exaltados. Portanto, o recurso à nostalgia não seria nenhuma impropriedade. Em segundo lugar, a preocupação em agradar o público jovem já levou a própria Globo a cometer erros. Recentemente, ela levou ao ar a novela "Geração Brasil" com uma história de muitos personagens jovens e calcada na onipresença da informática nos dias de hoje. A novela foi um fracasso. A busca obsessiva pela audiência faz com que os veículos de comunicação tentem identificar o que os jovens querem e que busquem antecipar tendências para o futuro. A ideia de que o passado deva ser desprezado e de que só o novo tem vez é um absurdo. Ao abolirmos as citações ao passado, estamos nos condenando a ausência de referências. A trajetória de uma empresa, e mesmo a vida de uma pessoa, é uma construção ao longo do tempo. Não se pode ignorar a importância do passado nessa caminhada. O futuro é importante, mas é uma abstração. O passado, por já estar consolidado, merece ser lembrado, e, no caso de uma história vitoriosa como a da Globo, receber o devido destaque.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Formalidade

O título de campeão mundial de Clubes conquistado, hoje, pelo Real Madrid com uma vitória de 2 x 0 sobre o San Lorenzo, em Marrakesh, foi o cumprimento de uma formalidade. A distância técnica entre os dois times é imensa, em favor do Real Madrid. O San Lorenzo portou-se com o brio próprio dos argentinos, o que lhe proporcionou uma derrota digna, e mais do que isso não poderias obter. O clube argentino livrou-se, assim, de um vexame como o do Santos, que em 2011 foi goleado pelo Barcelona por 4 x 0. O único senão foi o frango tomado pelo goleiro Torrico no segundo gol do Real Madrid, logo no início do tempo final de jogo. Não fosse ele, o San Lorenzo poderia ter dado mais trabalho para o Real Madrid. Ainda assim, não haveria como impedir que o clube espanhol ficasse com o título. Mesmo com um Cristiano Ronaldo discreto, a exemplo do que já acontecera na partida pelas semifinais, contra o Cruz Azul, o Real Madrid impôs sua maior qualidade, com jogadores como Benzema, Beale e Isco. Escolhido como o maior clube do século 20, o Real Madrid possui 10 títulos da Champions League e, hoje, venceu o Mundial de Clubes pela quarta vez. Com seu time atual, cheio de astros, tem tudo para continuar ampliando essa galeria de conquistas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Título mundial

O que era aguardado com muita expectativa nos últimos dias, finalmente, foi alcançado. Gabriel Medina conquistou o primeiro título de campeão mundial de surfe para o Brasil. Um feito histórico, sem dúvida. O que surpreende aos mais leigos nesse esporte é como um país de litoral tão extenso, e com tantos praticantes do surfe, ainda não tivesse um campeão mundial dessa modalidade. Multicampeão em esportes coletivos, o Brasil tem resultados mais modestos nos individuais. Com sua conquista, Gabriel Medina se junta a um grupo restrito, de nomes ilustres como Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna, no automobilismo, Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten, no tênis, César Cielo, na natação, Adhemar Ferreira da Silva e Joaquim Cruz, no atletismo, Éder Jofre e Miguel de Oliveira, no boxe, Aurélio Miguel e Rogério Sampaio, no judô, todos ganhadores de competições individuais internacionais. Como costuma ocorrer quando surge um novo campeão, o número de praticantes do surfe deverá aumentar significativamente no país. Tomara que o feito de Medina não seja algo episódico, e que ele e outros praticantes desse esporte de tanto apelo visual possam obter novas conquistas para o país.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Vacuidade

Vivemos num mundo frívolo e superficial, e a produção cultural reflete isso, pois é de uma terrível pobreza. Numa época dominada pelo consumismo, a forma é exaltada, e o conteúdo é desprezado. O avanço acelerado da tecnologia e da informática impactam a vida de todos e as relações entre as pessoas. Hoje, quase todos estão "conectados". Se não estão, sentem-se excluídos. A era digital caminha a passos largos. As transformações sociais se dão de forma tão rápida e acentuada que torna-se difícil assimilá-las. Com isso, há quem se preocupe em se antecipar às "novas tendências", em identificar para onde sopram os ventos. Com base em tais intenções, o grupo de comunicação RBS, do Rio Grande do Sul, promoveu,  na terça-feira, um evento intitulado "Vox 2014". Conforme o título da matéria de um dos jornais do grupo sobre o acontecimento, o mesmo visava à "escuta das vozes do futuro". O evento, que deverá ter edições anuais, constou da realização de palestras durante todo o dia, que puderam ser assistidas por 400 pessoas no local em que se realizavam ou por televisão e internet pelos demais interessados. Os palestrantes, em grande número, eram pessoas dos setores mais diversos. Nesse grupo tão heterogêneo havia uma chefe de cozinha, jornalistas, músicos, humorista, apresentador de televisão. Tentei, de todas as formas, encontrar um eixo nesse evento, um fio condutor. Não consegui. O "Vox 2014" foi elaborado a partir de um estudo realizado pela cineasta Flávia Moraes sob encomenda do Grupo RBS. De acordo com a promotora do encontro, o trabalho de Flávia enumera "valores vitais para quem produz ou consome informação na nova era". Toda essa argumentação não consegue esconder uma enorme vacuidade nesse tipo de evento. Desde que a presidência do grupo mudou de mãos, chegando à terceira geração da família que o fundou, a preocupação em ser "moderna" e preparada para os "desafios dos novos tempos" tem sido uma marca da RBS. No entanto, no terreno prático, nada tem se constatado. Seu principal jornal, "Zero Hora", por exemplo, passou, recentemente, por uma reforma que empobreceu seu conteúdo e sua apresentação visual. O jornalismo, que deveria ser o cartão de visitas do grupo, sofre com constantes levas de demissões. A busca de "modernidade" da empresa carece de foco e de precisão, é difusa e inconsistente. Reflete o seu atual comando, que é um repositório de intenções vagas e sem método de como enfrentar os desafios do que "está por vir". No fundo, não passa de uma ladainha modernosa sem nenhum sentido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Anúncio histórico

O anúncio, feito, hoje, do restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, é um fato histórico. O embargo comercial dos EUA à Cuba prosseguirá, pois depende do Congresso para ser derrubado, mas o passo que foi dado é muito grande. O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou, também outras medidas, como facilitar viagens de americanos à Cuba, e a autorização de vendas e exposições de bens e serviços para o país caribenho. Obama divulgou, também, a autorização para americanos importarem bens de até US$ 400 de Cuba e o início de novos esforços para melhorar o acesso do país a telecomunicações e internet. As medidas mais práticas foram o restabelecimento da embaixada dos EUA em Cuba e a revisão da designação dada pelos americanos ao país de Estado que patrocina o terrorismo. Pronunciando-se a respeito da decisão histórica, Barack Obama disse: "A mudança é ainda mais difícil quando nós carregamos a carga pesada da história nos nossos ombros. Mas, hoje, nós estamos fazendo essas mudanças porque é a coisa certa a fazer". O presidente de Cuba, Raul Castro, declarou: "Devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com nossas diferenças". Sábias palavras de ambos. Os republicanos do Congresso americano já criticaram Obama pelas decisões tomadas, o que mostra o quanto será difícil levantar o embargo. Porém, como disse Obama, era o certo a se fazer. Raul Castro reconheceu haver muitas diferenças entre os dois países sobre diversas questões como soberania e direitos humanos, mas manifestou confiança de que eles possam estabelecer um entendimento a esse respeito. Muito ainda há a avançar na relação entre Estados Unidos e Cuba, mas as medidas anunciadas hoje já possuem um enorme significado. A Guerra Fria, finalmente, está acabando de vez.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Presidente boquirroto

Há um ditado que expressa que o peixe morre pela boca. Ele parece se encaixar com perfeição no novo presidente do Inter, Vitório Píffero, eleito no sábado. Píffero baseou sua campanha na promessa de grandes contratações. Em relação ao técnico, Píffero, desde o início, fixou-se no nome de Tite. Logo após o anúncio de sua vitória nas urnas, chegou a dizer que fora o único técnico com que mantivera contato. Anteriormente, numa entrevista concedida dois dias antes da eleição, Píffero fez severas críticas ao trabalho de Abel Braga em 2014, e declarou que embora considere Mano Menezes um bom técnico não o acha adequado para esse momento do Inter. Mais tarde, também afastou a hipótese de contratar Celso Roth. Ontem, começaram as complicações para Píffero. Tite, o técnico dos seus sonhos, foi contratado pelo Corinthians. Antes do acerto de Tite com o clube paulista, ocorrido á noite, Abel, no início da tarde, em entrevista para a Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, afirmou que não ficaria no Inter. Numa última busca de um  técnico de renome, o Inter, hoje, tentou o nome de Vanderlei Luxemburgo, que recusou. À tarde, ao apresentar o vice-presidente de futebol, Luís Fernando Costa, Píffero tentou minimizar os efeitos das notícias negativas. Disse que Tite já estava acertado com o Corinthians há cerca de 20 dias, de que não tentara a contratação de Luxemburgo, e que o atual técnico do Flamengo é que, em diversas oportunidades, teria lhe revelado o desejo de treinar o Inter. Afora isso, admitiu recuar nos vetos aos nomes de Mano Menezes e Celso Roth e deixou circular a hipótese de uma reaproximação com Abel. Vitório Píffero é um dirigente bem sucedido, mas sempre foi dado a falar demais. O Inter já está pagando o preço por ter um presidente boquirroto. Píffero prometeu muito, e, mesmo antes de tomar posse oficialmente, seus planos não estão se concretizando. Faltando dois meses para começar a disputa de mais uma Libertadores, o Inter sequer tem o seu técnico definido. O trocadilho, nessa hora, é inevitável. O começo de administração do presidente do Inter está sendo pífio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Rolling Stones em Porto Alegre

Os Rolling Stones se apresentarão em Porto Alegre em 10 de novembro de 2015. A notícia, espetacular, confirma o que já havia sido informado há algum tempo, sem que, no entanto, existisse uma data marcada. Ainda falta quase um ano, mas a expectativa dos muitos fãs do grupo, por certo, já está nas alturas. Porto Alegre já recebeu shows de mitos como Paul McCartney, Ringo Starr, Bob Dylan, Eric Clapton, Roger Waters, Madonna, Deep Purple, e faltava acrescentar os Rolling Stones a esse seleto grupo. Com mais de 50 anos de carreira e integrado por setentões, o grupo ainda emociona as plateias em todos os lugares por onde passa. Seu set list é uma coleção de clássicos. Músicas como "Satisfaction", "Let's Spend the Night Togheter", "Under My Thumb" "It's Only Rock'n Roll", "Brown Sugar", "Angie", "Start Me Up", "Waiting on a Friend", entre tantas outras, atravessam gerações e levam os fãs ao êxtase em seus shows. Será uma apresentação histórica, e inesquecível para os que a ela comparecerem. Não será um show gratuito, como o que levou 1,5 milhão de pessoas a ocuparem as areias da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2006. Os ingressos não deverão ser baratos, mas valerão cada centavo cobrado. Para os amantes da música, a partir da definição da data do show, começa uma contagem regressiva cercada de ansiedade. Não será fácil esperar por tão grande momento.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Estranho fenômeno

A música, em décadas passadas, já teve um espaço nobre na televisão brasileira. Vários programas e os célebres festivais, faziam da música uma grande atração televisiva. Com o tempo, a música foi encolhendo a sua participação na televisão e sendo relegada a horários pouco atrativos. Porém, agora, um outro fato negativo aparece nessa relação. Os poucos espaços televisivos para a música ainda existentes estão sendo ocupados, de maneira majoritária, pelos artistas ditos "sertanejos". Esse gênero musical, em tempos idos uma manifestação autêntica de origem "caipira", hoje deu lugar ao chamado "sertanejo universitário". Duplas dedicadas a essa "vertente musical" brotam aos magotes, como ervas daninhas. Em comum, apresentam melodias pobres e letras rasas, cheias de pieguices e lugares comuns. Não há como entender esse estranho fenômeno de popularidade de "artistas" tão desprovidos de talento. O Brasil tem, na música, uma das suas grandes riquezas culturais, reconhecida no mundo inteiro. Tom Jobim, por exemplo, cuja morte completou 20 anos há poucos dias, compôs, junto com Vinícius de Moraes, "Garota de Ipanema", a segunda música com maior número de execuções em todos os tempos. Um país que possui nomes como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, entre outros, não pode ter, como gênero dominante de uma época, algo tão simplório como a música sertaneja, seja no estilo "universitário" ou não. Até porquê, somos um país onde a maioria esmagadora da população vive nas cidades, sem contar que temos um vasto e lindo litoral. Seria mais lógico vivermos a explosão de uma música praieira do que reverenciar composições que fazem alusões à peões, rodeios, estradas de chão e romances tendo o campo por cenário, o que pouco tem a ver com a realidade brasileira.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Vitória esmagadora

Como já era esperado, o candidato de oposição, Vitório Píffero, ganhou a eleição para presidente do Inter, realizada hoje. A vitória de Píffero foi esmagadora, com 15.051 votos, enquanto o candidato da situação, Marcelo Medeiros, fez 5.927. O resultado comprova o que já se sabia, isto é, que para o torcedor, a hegemonia no Campeonato Gaúcho não basta. Giovanni Luigi, o presidente que sai, ganhou os quatro gauchões que disputou, mas não conquistou títulos mais relevantes e viu, nesse período, o Grêmio participar mais vezes da Libertadores que o seu clube. Píffero, por sua vez, ocupou o cargo de vice-presidente de futebol quando das conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2006. Como presidente, foi campeão da Libertadores de 2010. A tarefa de Medeiros como candidato da situação, portanto, era ingrata. Os associados optaram pela perspectiva da retomada dos grandes títulos, e, tanto antes como depois de eleito, Píffero tem sustentado um discurso ambicioso, prometendo a contratação de um técnico e de jogadores de alto nível para que o Inter conquiste a Libertadores pela terceira vez. A expectativa em torno da administração de Píffero é muito alta. Resta saber se ele vai corresponder a ela.