terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Emoção na última rodada
O sorteio dos grupos da Libertadores de 2015, realizado hoje à noite, tornou os jogos de sábado pelo Campeonato Brasileiro carregados de emoção. Os jogos Figueirense x Inter e Corinthians x Criciúma definirão quem irá para a pré-Libertadores, e quem já entrará diretamente na fase de grupos. Pelo sorteio, o clube brasileiro que disputar a pré-Libertadores, caso consiga ir adiante, entrará no chamado "grupo da morte", junto com São Paulo, San Lorenzo, atual campeão da competição e Danúbio, do Uruguai. O clube que entrar direto na fase de grupos enfrentará o Emelec (EQU), um clube chileno e o vencedor de Monarcas Morelia (MÉX)) x The Strongest (BOL), na pré-Libertadores. Portanto, afora ter uma pré-temporada mais longa, o clube que for direto para a fase de grupos pegará adversários bem mais fáceis. Por isso mesmo, Inter e Corinthians deverão estar extremamente motivados para buscar o terceiro lugar no Brasileirão, e a consequente fuga da fase prévia da Libertadores. O Inter tem a vantagem de jogar por resultados iguais ao do Corinthians para manter essa colocação. Essa definição já poderia ter ocorrido em favor do Corinthians, bastava um simples empate do clube paulista com o Fluminense, que não pretendia mais nada na competição. No entanto, embora tendo saído na frente no placar, o Corinthians foi goleado pelo Fluminense por 5 x 2. Com isso, não depende mais apenas de suas forças para obter a classificação direta, pois, ainda que tenha o mesmo número de pontos do Inter, soma duas vitórias a menos. Por outro lado, o Inter estará bastante desfalcado para o jogo contra o Figueirense. Será um sábado de fortes emoções, comprovando que um campeonato por pontos corridos não perde o interesse mesmo depois de ser conhecido o seu campeão.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Direitos
Uma das causas de conflito na convivência em sociedade é a interpretação do que seriam os direitos de cada parte, individuais ou de grupos. A sociedade brasileira passa, no momento, por um processo visível de "caretização", uma explosão de neoconservadorismo. Os setores mais reacionários e conservadores da coletividade estão tentando impor seus conceitos. Como argumento, há a busca da segurança ou a defesa do "sossego público". Os administradores públicos tem se curvado às pressões desses grupos. Em nome da "segurança", os estádios de futebol, um esporte popularíssimo, encolheram e aumentaram estratosfericamente os preços de seus ingressos. Dessa forma, os pobres ficam sem condições de frequentá-los, o que garantiria, pretensamente, a não ocorrência de tumultos, já que os atos de selvageria são sempre relacionados à condição econômica das pessoas, numa odiosa prática de apartheid social. Outra arma dos reacionários, como foi citado, é a defesa do "sossego público". Em nome dela, bares da Cidade Baixa, atualmente o bairro mais boêmio de Porto Alegre, estão sendo interditados. A proposta da prefeitura e da Brigada Militar é de transferir as aglomerações do bairro para o Anfiteatro Pôr-do-Sol, que não é cercado por moradias. Poucas vezes vi uma proposta tão estúpida! Com razão, um grupo de frequentadores do bairro protestou, no sábado, contra essa estapafúrdia intenção. O protesto, organizado por meio do Facebook, contou com o apoio de 4.800 pessoas. Um dos organizadores do ato, Ramiro Castro, disse que as interdições de bares do bairro são um "ataque à juventude". Tem toda a razão. Esse ataque, por sinal, não podia ficar sem resposta. A sociedade vive uma clara queda-de-braço entre os que defendem a liberdade e os arautos da repressão. Um aspecto, em particular, chama a atenção. Em todos esses episódios, há a presença, dando seus palpites, das polícias militares. Elas querem determinar a capacidade máxima de pessoas que um estádio pode receber, quantos torcedores do clube visitante se farão presentes, entre outras medidas que fogem da sua alçada. Os administradores públicos e os clubes, covardemente, se dobram diante de tais abusos. Agora, a Brigada Militar quer remover frequentadores de um bairro boêmio de uma cidade. Tudo para prevenir "desordens", no caso dos estádios, e garantir a "tranquilidade" de moradores, no que se refere aos bares. Policiais militares são servidores públicos, cabe-lhes cumprir ordens, não assumir o protagonismo em tais situações. A porção sadia da sociedade não deve se dobrar. Abaixo à repressão!
domingo, 30 de novembro de 2014
Atuação vergonhosa
O Grêmio perdeu para o Bahia por 1 x 0, hoje, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma atuação vergonhosa, de um time que entrou em campo sabendo que o Corinthians havia sido goleado pelo Fluminense por 5 x 2, o que mantinha suas chances de se classificar para a Libertadores, desde que ganhasse do Bahia. O desempenho do Grêmio em campo, no entanto, em nada refletiu isso. O primeiro tempo do time foi de uma incrível apatia, e de um péssimo futebol. As grandes defesas de Marcelo Grohe, e a ruindade do adversário faziam com que o placar se arrastasse em 0 x 0, até que, já no final do primeiro tempo, Geromel fez uma falta violentíssima em Henrique, e foi merecidamente expulso. Na cobrança, Galhardo fez 1 x 0 para o Bahia. No segundo tempo, mesmo com um jogador a menos, o Grêmio reagiu e criou oportunidades de gol, mas não conseguiu marcar nenhum. Um final de campeonato melancólico, que transforma o último jogo do Grêmio no Brasileirão, contra o Flamengo, no próximo domingo, na Arena, num amistoso para ser assistido por poucas testemunhas. O trabalho do técnico Felipão, tido como muito bom por alguns, não classificou o Grêmio para a Libertadores, o que Vanderlei Luxemburgo e Renato, nos dois anos anteriores, conseguiram. Como se não bastasse, ainda hoje, foi revelado que o Grêmio dispensou Alan Ruiz, o grande nome na goleada de 4 x 1 sobre o Inter. O ano de 2015 para o Grêmio já se prenuncia sombrio. A derrota para o Bahia evidenciou as fragilidades técnicas e anímicas do time. Com a perspectiva de ter somente o Campeonato Gaúcho para disputar durante quase todo o primeiro semestre, os investimentos serão poucos, e o time a ser formado tende a ser ainda mais modesto. O sofrimento do torcedor gremista parece não ter fim.
sábado, 29 de novembro de 2014
Vitória previsível
O Inter venceu o Palmeiras por 3 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. A vitória, altamente previsível, classificou o Inter para a Libertadores, restando saber se de forma direta ou para a fase prévia da competição.O Palmeiras luta para não ser rebaixado, e vinha de quatro derrotas consecutivas, todas por 2 x 0. Seu time é fraquíssimo, e contra um adversário que buscava a classificação para a Libertadores e era apoiado pela quase totalidade do público de 41 mil pessoas, não havia como esperar que opusesse resistência. O primeiro tempo terminou empatado em 1 x 1, uma pequena surpresa, mas era óbvio que o Palmeiras não resistiria no segundo. A vitória veio ao natural. Menos mal, para o Palmeiras, que o Vitória foi goleado por 4 x 0 pelo Flamengo, o que faz com que só dependa das suas próprias forças para que, na última rodada, contra o Atlético Parananense, em casa, possa evitar o rebaixamento. Por sua vez, o Inter, depois dois anos de ausência voltará à Libertadores. Erros grotescos de arbitragem, uma tabela que lhe reservou três jogos consecutivos em casa na reta final do Brasileirão e uma sorte descomunal em alguns momentos, proporcionaram a classificação de um time que, ao longo da disputa, cometeu "façanhas" como a derrota por 3 x 2, de virada, para o Figueirense, em pleno Beira-Rio, e a goleada de 5 x 0 que sofreu para a Chapecoense. Esse "brilhante" desempenho foi premiado com a ida à Libertadores. O futebol, muitas vezes, é desconcertante.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Aposentadoria adiada
A decisão do goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, hoje anunciada, de assinar um novo contrato até agosto de 2015, mostra o quanto é difícil saber o momento adequado de encerrar uma carreira. Com uma trajetória exitosa no São Paulo, seu único clube, muitos consideram Rogério o maior jogador da história da instituição. Marcou, até hoje, mais de 100 gols, todos em cobranças de faltas e pênaltis, um feito único para um jogador da sua posição. No entanto, Rogério já está próximo de completar 42 anos. Ele já havia prometido encerrar a carreira em 2013. Porém, acabou decidindo continuar jogando por mais um ano. Em abril último, declarou que 2014 era, decididamente, o seu derradeiro ano de carreira. Agora, voltou atrás novamente. Penso ser uma escolha equivocada. O fato de ter tido um bom desempenho esse ano, somado à classificação do São Paulo para a Libertadores, influiu na atitude de Rogério, mas ela é mais emocional do que racional. Seria muito mais conveniente parar num bom momento, preservando integralmente sua imagem de ídolo, do que sujeitar-se a um súbito decréscimo técnico, o que é sempre uma hipótese para um jogador de idade tão avançada. Não é fácil tomar a decisão de encerrar a carreira para quem alcançou a fama e a fortuna. Sair do foco dos holofotes, deixar de fazer novos contratos milionários, são perspectivas que atormentam os grandes jogadores. Porém, ao contrário de outras profissões, a de jogador de futebol depende de um físico jovem e de grande vitalidade, e Rogério já é um veterano. Com seus sucessivos adiamentos do final de carreira, Rogério corre o risco de vir a fazê-lo num momento menos favorável, empanando uma trajetória tão bem sucedida, e dificulta a sua própria adaptação a um novo projeto profissional, o que, mais cedo ou mais tarde, terá de acontecer.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Tribunal imoral
A absolvição do Corinthians no caso Petros, pelo STJD, expõe, mais uma vez, a condição que caracteriza esse tribunal. O STJD é um orgão imoral. Suas decisões atropelam a legislação esportiva e são dadas de acordo com o poderio maior ou menor dos clubes envolvidos. Em casos análogos ao do Corinthians, o Novo Hamburgo foi eliminado da Copa do Brasil depois de ter obtido, dentro de campo, a classificação para uma fase da competição, e o América Mineiro perdeu seis pontos no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. Os três clubes escalaram jogadores que estavam com inscrição irregular. Porque só o Corinthians não foi punido? O clube deveria, segundo a legislação esportiva, perder quatro pontos no Campeonato Brasileiro por ter escalado irregularmente o volante Petros num jogo contra o Coritiba. Com a perda dos pontos, o Corinthians estaria praticamente fora da Libertadores, o que favoreceria Grêmio e Inter, que ampliariam suas chances de se classificar para a competição continental. Por isso mesmo, os dois clubes, tradicionais rivais, atuaram juntos no julgamento. O Corinthians, após a decisão que lhe foi favorável, tripudiou sobre Grêmio e Inter nas redes sociais, numa atitude típica dos que se sentem acima do bem e do mal. A condição espúria do tribunal já havia sido demonstrada quando da injusta e absurda punição do Grêmio no caso Aranha. Grêmio e Inter cogitam de, em última instância, recorrer à Fifa. Não deverá adiantar nada, mas é importante que o façam. Diante de tamanha iniquidade, é preciso protestar fortemente, para marcar posição e atrair os holofotes sobre o descalabro da "justiça" esportiva brasileira. Com isso, quem sabe, um dia se possa ter, no Brasil, um tribunal esportivo com credibilidade.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Confirmação
A vitória do Atlético Mineiro sobre o Cruzeiro por 1 x 0, hoje, no Mineirão, com a consequente conquista do título da Copa do Brasil, foi a confirmação de uma expectativa. Ao ganhar o primeiro jogo da decisão por 2 x 0, no Independência, o Atlético encaminhara a obtenção do título. Ainda vivendo a ressaca da conquista do Campeonato Brasileiro, no domingo, o Cruzeiro não teve forças para construir um placar largo que lhe permitisse reverter a tendência favorável ao Atlético. Com o gol que sofreu já nos acréscimos do primeiro tempo, a tarefa do Cruzeiro ficou, praticamente, impossível, e a consumação do título para o Atlético tornou-se, apenas, uma questão de tempo. Foi um título mais do que justo. Com duas viradas épicas nas quartas de final e semifinais sobre, respectivamente, Corinthians e Flamengo, quando perdeu o primeiro jogo por 2 x 0 e goleou no segundo por 4 x 1, ninguém merecia mais o título da Copa do Brasil do que o Atlético, que, aliás, o conquista pela primeira vez, enquanto o Cruzeiro divide com o Grêmio a condição de maior vencedor da competição, que já ganhou por 4 vezes. O Atlético Mineiro prossegue, assim, com a sua fase de grandes títulos, iniciada, em 2013, com a Libertadores, e que continuou, já em 2014, com a Recopa Sul-Americana. Depois de longos anos de jejum de títulos expressivos, o Atlético Mineiro retoma uma trajetória digna do seu tamanho como clube. Parabéns, Atlético Mineiro!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Fora do padrão global
A Rede Globo se orgulha, com razão, do alto nível das suas produções e de sua liderança absoluta em termos de audiência. Ranços ideológicos à parte, não há como deixar de reconhecer que o chamado "padrão global" é mesmo muito alto. Na área de teledramaturgia, por exemplo, a Globo atingiu um grau de excelência que faz com que exporte suas produções para vários países. Agora mesmo, a novela "Jóia Rara", que foi levada ao ar no horário das 18 horas, ganhou o prêmio Emmy. O complexo do Projac, no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, é uma enorme e portentosa estrutura, uma verdadeira "fábrica dos sonhos", onde são realizadas novelas, minisséries e seriados. A Rede Globo também se faz presente na tv paga, onde possui vários canais, e é aí que entra o objeto desse texto. Na noite de hoje, um desses canais, o Multishow, apresentava o show de Paul McCartney, direto do novo estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, quando, em meio a interpretação da música "Live and Let Die", a transmissão foi interrompida abruptamente. Entrou no ar, então, uma sequência de comerciais e, logo após, começou a exibição de um outro programa. Uma atitude totalmente fora do "padrão global", e uma desconsideração inominável para com os assinantes, pois o serviço de tv paga não é nada barato. Como usuário do serviço me senti extremamente lesado, e tenho certeza que muitas outras pessoas também. Espero que o fato não passe batido e que a Globo tenha, pelo menos, a decência de explicar o porquê do ocorrido ao seu público.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Teses fajutas
Os inimigos dos campeonatos de pontos corridos vivem desfiando uma série de razões pelas quais preferem o "mata-mata". Suas teses, no entanto, se mostram cada vez mais fajutas. A principal alegação é de que os campeonatos de pontos corridos tem pouca emoção, que se um clube dispara em direção ao título isso desestimula os torcedores dos demais participantes da competição, e que, muito cedo, os postulantes à taça ficam reduzidos a poucos disputantes. Nada disso é verdade. Nesse tipo de campeonato, ao contrário do execrável formulismo, todos os jogos são decisivos, pois os pontos são cumulativos. Não há falta de emoção. Mesmo que um clube se encaminhe para o título com muita antecedência, há as buscas de classificação para a Libertadores e para evitar o rebaixamento, que empolgam os torcedores até as últimas rodadas. Os jogos desse fim de semana pelo Campeonato Brasileiro provaram que os pontos corridos já foram assimilados pelo torcedor. A média de público da rodada foi de mais de 27 mil pessoas por jogo. O Mineirão recebeu 56 mil pessoas para ver o Cruzeiro confirmar a conquista do título, mas não foi só. No Beira-Rio, 38 mil pessoas compareceram para ver o Inter na luta pela classificação para a Libertadores. No Itaquerão, pelo mesmo motivo, mais de 35 mil pessoas estiveram no estádio para assistir Corinthians x Grêmio. Na Arena Pernambuco, num jogo que pouco valia para o mandante, um grande público se fez presente para ver Sport x Fluminense. Na Série B, o Vasco, que não tinha mais chances de ganhar o título, levou 56 mil pessoas ao Maracanã para vê-lo confirmar a volta para a Primeira Divisão. Os pontos corridos são a forma mais justa de se apurar um campeão e os classificados para outras competições. Todos os campeonatos relevantes do mundo, como os da Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França, por exemplo, adotam essa fórmula. Porque só o Brasil seria o soldadinho de passo certo optando pela involução da volta ao formulismo? O torcedor já aprovou os pontos corridos. Falta uma parcela teimosa e obtusa da imprensa esportiva fazer o mesmo.
domingo, 23 de novembro de 2014
Morte anunciada
O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Corinthians, hoje, no Itaquerão, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, praticamente, faz o Grêmio se despedir da possibilidade de uma classificação para a Libertadores. Nenhuma surpresa. Era uma morte anunciada. A derrota para o Cruzeiro, em plena Arena, depois de um vitória parcial no primeiro tempo, indicavam o fim do sonho. No Itaquerão, a atuação do Grêmio nem de longe lembrou as apresentações contra Inter e Criciúma e o primeiro tempo diante do Cruzeiro. Afora suas próprias falhas, o Grêmio sofre com erros de arbitragem. Hoje, um pênalti deixou de ser marcado em seu favor. Enquanto isso, seu maior rival, o Inter, com quem disputa diretamente a classificação para a Libertadores, foi beneficiado por um gol em impedimento contra o São Paulo e pela não marcação de um pênalti escandaloso em favor do Atlético Mineiro. A soma das suas próprias limitações com tantos erros de arbitragem contra si e em favor de seus adversários acabaram por tirar a chance do Grêmio de ir para a Libertadores. A possibilidade ainda existe, mas é meramente matemática. Ao contrário dos dois últimos anos, o torcedor gremista não terá sequer esse consolo, depois de mais um ano sem títulos. O sofrimento gremista parece mesmo não ter fim.
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