sexta-feira, 21 de novembro de 2014
O fim do sonho
O Grêmio perdeu por 2 x 1 para o Cruzeiro, de virada, ontem, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. No primeiro tempo, o Grêmio foi quase brilhante, repetindo as boas atuações contra Inter e Criciúma. Fez seu gol aos 12 minutos, e perdeu mais uma grande chance, numa cabeçada de Barcos que bateu na trave e correu sobre a linha. Ramiro e Luan também tiveram boas chances, mas concluíram mal. Com isso, o Grêmio poderia ter definido o jogo ainda no primeiro tempo. No segundo, Barcos perdeu um gol feito, na pequena área, num momento em que o Cruzeiro já era melhor em campo. Desde os primeiros movimentos, assim que o jogo foi reiniciado, após o intervalo, percebia-se que o Cruzeiro retornara modificado em termos táticos e anímicos. O time que fora inteiramente envolvido pelo Grêmio, voltou mantendo a posse de bola e dando as cartas no jogo. O técnico do Grêmio, Felipão, não soube reagir ás mudanças propostas pelo Cruzeiro, e só fez modificações no time quando a derrota já era inevitável. Felipão tem inúmeros méritos na montagem de times, mas parece ter enormes dificuldades em fazer a leitura de um jogo durante o seu desenrolar. A consequência, para o Grêmio, foi a pior possível. A derrota de ontem encaminha o fim do sonho da classificação para a Libertadores. As chances matemáticas persistem, mas, na prática, o objetivo tornou-se quase inalcançável.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Os 45 anos de um gol histórico
Hoje, um gol histórico completa 45 anos. Em 19 de novembro de 1969, no então gigantesco Maracanã, Pelé marcava, num jogo contra o Vasco, o seu milésimo gol. Não foi um gol particularmente bonito, pois resultou de uma cobrança de pênalti. Porém, era uma marca incrível, jamais atingida antes nem depois. Pelé ainda marcaria mais de 200 gols no restante de sua carreira, numa demonstração inequívoca de que foi o maior jogador de futebol de todos os tempos. Na ocasião em que marcou seu milésimo gol, Pelé fez um apelo em favor das crianças do Brasil, até hoje visto com desdém por muitos. Não importa. Aquela foi uma noite que entrou para a história, e não podia ter ocorrido num local mais adequado do que o Maracanã. Pelé parou há quarenta anos, quando de sua primeira despedida, no Santos, ou 37, se levarmos em conta sua volta aos campos pelo Cosmos, mas, mesmo depois de tanto tempo, continua sem ser superado como o maior jogador de todos os tempos. Entre tantos feitos e jogadas espetaculares, o milésimo gol ficou como um marco de uma carreira excepcional e única. Um feito incrível, que deve ser lembrado por todos aqueles que ousam cogitar de que outros jogadores possam ter sido melhores que Pelé. Ele é insuperável. Ninguém fez tantos gols, nem ganhou três Copas do Mundo em quatro disputadas. Fora do campo, Pelé não tem o mesmo brilho. Criou uma lei, que leva seu nome, nociva ao futebol. Costuma atrapalhar-se com as palavras. Dentro de campo, no entanto, foi o maior de todos, e, há 45 anos, com o milésimo gol, isso ficou claro como nunca.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Campanha invicta
A Seleção Brasileira venceu por 2 x 1 a Áustria, hoje, no estádio Ernst Happel, em Viena. Foi a sexta vitória da Seleção em seis jogos desde que Dunga reassumiu o cargo de técnico da equipe. O gol sofrido hoje, de pênalti, foi o único tomado pela Seleção nessas seis partidas. Dunga tem muito a provar como técnico de futebol, mas é inegável que, sob seu comando, nesse período logo após a Copa do Mundo, a Seleção mostra disposição e bom futebol, o que não se via quando Mano Menezes, com uma carreira muito mais afirmada, assumiu, em agosto de 2010. Com Mano Menezes, a Seleção acumulava atuações ruins e displicentes, com Dunga mostra atitude e bom desempenho técnico. O trabalho só está começando, os jogos, até agora, foram apenas amistosos, mas a campanha invicta incute confiança numa Seleção que viveu a hecatombe de ser eliminada de uma Copa, em, sua própria casa, com uma humilhante goleada de 7 x 1 para a Alemanha. Sem fazer terra arrasada, Dunga reconvocou muitos dos jogadores que estiveram na Copa, e acrescentou outros tantos. A mistura tem dado certo, e, aos poucos, a Seleção e o torcedor vão recompondo a sua autoestima.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Petrolão
Depois de anos bombardeados pelas notícias do mensalão, os brasileiros recebem, agora, um volume imenso de informações sobre o chamado "petrolão". O novo escândalo, inclusive, já roubou do anterior, por parte da imprensa, o título de "o maior da história do país". Os fatos ocorridos na Petrobrás são, mesmo, de extrema gravidade. Devem ser investigados a fundo, e isso está ocorrendo. Os culpados tem de ser punidos, o que significa enviá-los para a prisão. Porém, não sejamos ingênuos, a cobertura massiva da grande imprensa sobre o assunto tem o objetivo primordial de desgastar a imagem do governo federal. A mesma tática havia sido empregada com o já referido mensalão, sem sucesso. A eclosão do escândalo se deu em 2005, o que não impediu que o PT vencesse as três eleições presidenciais seguintes, a última delas há pouco mais de um mês, quando o petrolão também já havia ganho as manchetes. A carga em torno do assunto não diminuiu nem com o término das eleições. Se antes o objetivo era impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a nova meta é inviabilizar seu governo. Há uma absurda pretensão dos setores conservadores da sociedade de estabelecer um "terceiro turno" eleitoral, o que é uma atitude antidemocrática. Para voltar ao poder, tudo o que a oposição precisa é conseguir um bom candidato, que estimule o eleitorado a se decidir pela alternância. Escândalos como o petrolão, ainda que tenham ramificações políticas, são assuntos, essencialmente, da esfera policial. A Polícia Federal tem feito um bom trabalho nesse caso. Deixem-na cumprir com a sua tarefa, e respeitem o resultado da eleição.
domingo, 16 de novembro de 2014
Bicicleta
O Inter ganhou do Goiás por 1 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi chato, e se arrastava em 0 x 0, até Paulão fazer um gol de bicicleta e definir o placar. Um gol inusitado, pois foi o segundo de Paulão em dois jogos sucessivos, e uma jogada de alta técnica feita por um jogador tosco. Afora isso, Paulão é reserva. Só jogou contra o São Paulo porque o técnico do Inter, Abel Braga, escalou o Inter com três zagueiros naquela partida, e, hoje, entrou em campo depois que Alan Costa saiu lesionado. A sorte parece, mais uma vez, sorrir para o Inter numa hora decisiva. Não bastassem os gols surpreendentes de Paulão, o Inter jogou contra um adversário, o Goiás, que nada mais aspira no Brasileirão. Seu próximo adversário, o Atlético Mineiro, em casa, deverá vir com um time reserva, poupando os titulares para o segundo jogo da decisão da Copa do Brasil. Seus dois últimos jogos, diante do Palmeiras, em casa, e do Figueirense, fora, serão contra clubes que, até lá, já deverão estar livres do risco de rebaixamento. Portanto, o Inter está com a faca e o queijo na mão para obter sua classificação para a Libertadores. O caminho para chegar lá não poderia ser mais propício.
sábado, 15 de novembro de 2014
Outra goleada
O Grêmio goleou o Criciúma por 3 x 0, hoje, no Heriberto Hülse, pelo Campeonato Brasileiro. Portanto, é a segunda goleada consecutiva de um time que tinha enorme dificuldade de marcar gols. Para se ter uma ideia da intensidade da mudança, basta dizer que, nos últimos dois jogos, o Grêmio marcou 20% dos seus gols no Brasileirão. Antes, em 32 jogos, havia marcado apenas 27 gols, uma media de 0,8 por partida. Com os sete gols marcados contra Inter e Criciúma o Grêmio obteve, nesses dois jogos, uma media de 3,5 por partida. Melhor do que isso, mais uma vez, o time como um todo jogou bem. Marcelo Grohe não foi exigido, Pará teve falhas mas chegou a chutar uma bola no travessão, Geromel esteve impecável, Rhodolfo mostrou eficiência, Zé Roberto prossegue em sua boa fase, Walace se firma a cada jogo, Ramiro voltou a marcar um belo gol, Felipe Bastos teve uma atuação segura, Luan mostrou sua boa técnica, Dudu brilhou com um gol e um lindo lançamento, e Barcos, afora colocar uma bola nas redes, se multiplicou em campo. Se tivesse atingido seu atual nível um pouco antes, o Grêmio ainda poderia brigar pelo título da competição. O próximo jogo do Grêmio, quinta-feira, contra o Cruzeiro, deverá lotar a Arena. Uma vitória encaminhará de maneira mais sólida a classificação para a Libertadores. Os jogos que restam ao Grêmio são difíceis, e há vários clubes lutando pelo mesmo objetivo, no entanto, se antes havia dúvidas sobre se a meta seria alcançada, agora sobra confiança. Se outros disputantes acusam cansaço na reta decisiva, o Grêmio parece estar atingindo o seu melhor momento. O final de ano dos gremistas tem tudo para ser risonho.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Resposta
A realização, em São Paulo, de uma passeata contra a direita e pelos direitos, comandada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, é uma resposta. Mostra que os setores conservadores não vão impor sua agenda para o país. A manifestação reuniu 10 mil participantes, bem mais que os 2.500 que, também em São Paulo, saíram às ruas para pedir o impeachment de uma presidente legitimamente reeleita e clamar pela volta dos militares. O Brasil mudou, já não é o país da "Marcha com Deus e a Família pela Liberdade", que apoiou um espúrio golpe militar. A ofensiva da direita, violenta durante a campanha, continua intensa após as eleições. Há uma tentativa clara de inviabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff. Os noticiários adotam um tom catastrofista, despejando projeções pessimistas sobre a opinião pública. Antes, essa postura era adotada com mais ênfase na proximidade das eleições. Agora, tornou-se permanente. Depois de usar o "mensalão" como forma de desacreditar o governo federal, surge em seu lugar o "petrolão", que também herda do primeiro a pecha de "o maior escândalo político da história do país". A incessante espetacularização de uma pretensa crise no governo afeta os mais sensíveis e desavisados, mas não engana o conjunto da sociedade. A democracia brasileira ainda é jovem, mas já é sólida. Muitos lutaram e morreram para que ela fosse alcançada. Não serão jornais e revistas tendenciosos, a serviço das elites predatórias, que irão ameaçá-la. O governo Dilma tem duros desafios pela frente, mas irá enfrentá-los respaldado pela legitimidade que lhe foi conferida pelas urnas. A democracia é o regime da maioria, e Dilma teve mais votos que seu oponente, Aécio Neves. Ainda que Aécio tenha tido uma grande votação, a de Dilma foi maior. Mesmo que o número de descontentes com o governo seja alto, o dos que o aprovam ainda é superior. Se ao final do próximo mandato de Dilma o eleitor entender que é a hora de mudar os ocupantes do poder, optando pela saída do PT, isso se dará normalmente, pelo processo democrático, que é a única maneira aceitável de fazê-lo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
A arte de Paul McCartney
Paul McCartney está de volta ao Brasil, o que é sempre muito bom, mas essa não é a única notícia envolvendo seu nome nos últimos dias. O disco "The Art of Paul McCartney" está disponível na internet desde ontem, e terá o lançamento de sua edição física no próximo dia 18. "The Art of Paul McCartney" é uma homenagem à obra de Paul, com 34 composições dele, interpretadas por grandes nomes do meio musical. As músicas escolhidas são tanto do tempo dos Beatles quanto de sua carreia solo. Entre outros, se fazem presentes no disco Bob Dylan (Things We Say Today"), Billy Joel ("Maybe I'm Amazed"/ Live and Let Die"), Brian Wilson ("Wanderlust"), Willie Nelson ("Yesterday"), Barry Gibb ("When I'm Sixty Four"), Kiss ("Venus and Mars/Rock Show"), Roger Daltrey ("Helter Skelter"), Smokey Robinson ("So Bad"), Alice Cooper ("Eleanor Rigby"), B.B. King ("On the Way"), Corinne Bailey Rae ("Bluebird"). A versão física da obra terá apenas mil cópias, acompanhadas de um livro em capa dura, um documentário com o makking off do disco, e um encarte com arte assinada por Alan Aldridge. Na mesma data de 18 de novembro estará disponível, também uma versão de luxo com oito faixas adicionais, incluindo covers feitos pelo próprio Paul McCartney de músicas de Alice Cooper, Robert Smith e Ronnie Spector. Uma obra tão extensa e qualificada como a de Paul McCartney merece sempre ser revisitada. Poucos terão a oportunidade de adquirir a edição física do disco, mas a disponibilização gratuita de seu conteúdo na internet permitirá sua fruição por um grande público. Uma oportunidade imperdível de ouvir clássicos de Paul na voz de outros astros da música.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Erro decisivo
O Inter empatou com o São Paulo em 1 x 1, hoje à noite, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. A grande atuação do goleiro do Inter, Alisson, e a produção muito abaixo do esperado do São Paulo contribuíram para o resultado, mas o fator decisivo foi um erro grosseiro de arbitragem. O gol do Inter foi irregular, pois Paulão estava impedido ao desviar a bola para as redes. Esse fato foi determinante para o desenrolar do jogo. Ao sair perdendo, de forma injusta, uma partida na qual era franco favorito, o São Paulo perturbou-se e não conseguiu repetir o desempenho dos últimos jogos. Mesmo alcançando o empate logo no início do segundo tempo, o São Paulo não encontrou forças para obter a virada. Com esse empate, o São Paulo perdeu uma chance irrecuperável de aproximar-se do Cruzeiro, na tentativa de ainda lutar pelo título do Brasileirão. Por sua vez, o Inter ganhou fôlego na sua busca de classificação para a Libertadores, pois terá, agora, três jogos consecutivos no Beira-Rio.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
O futebol não é uma ilha
O futebol brasileiro evoluiu bastante em relação a um passado, nem tão distante, marcado por viradas de mesa e campeonatos com fórmulas absurdas. Porém, num país caracterizado, historicamente, por atos de corrupção, o futebol não é uma ilha. O Ministério Público concluiu que dirigentes e funcionários da Portuguesa receberam dinheiro para que o jogador Héverton, que estava suspenso, fosse escalado na partida contra o Grêmio, pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, o que ocasionou a perda de quatro pontos pelo clube, e o seu rebaixamento para a Segunda Divisão. Beneficiado pelo ocorrido com a Portuguesa, o Fluminense, que havia sido rebaixado, permaneceu na Primeira Divisão. O fato, se provado, é gravíssimo. Em consequência de sua queda, a Portuguesa sofreu uma grande desestruturação, e, em 2014, foi rebaixada para a Terceira Divisão, estando com o seu futuro ameaçado. O Fluminense, pela terceira vez em sua história, beneficiou-se de uma situação extracampo para fugir de um rebaixamento. Caso se confirmem as suspeitas do Ministério Público, a punição aos envolvidos terá de ser exemplar. O futebol brasileiro já vive uma fase de grande declínio técnico. Se a isso se juntar a impunidade em tão grave fato, perderá, também, a sua credibilidade. O futebol não é uma ilha, mas terá, nesse caso, uma excelente oportunidade de dar em exemplo positivo para o país, punindo a corrupção com rigor.
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