quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Erro decisivo

O Inter empatou com o São Paulo em 1 x 1, hoje à noite, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. A grande atuação do goleiro do Inter, Alisson, e a produção muito abaixo do esperado do São Paulo contribuíram para o resultado, mas o fator decisivo foi um erro grosseiro de arbitragem. O gol do Inter foi irregular, pois Paulão estava impedido ao desviar a bola para as redes. Esse fato foi determinante para o desenrolar do jogo. Ao sair perdendo, de forma injusta, uma partida na qual era franco favorito, o São Paulo perturbou-se e não conseguiu repetir o desempenho dos últimos jogos. Mesmo alcançando o empate logo no início do segundo tempo, o São Paulo não encontrou forças para obter a virada. Com esse empate, o São Paulo perdeu uma chance irrecuperável de aproximar-se do Cruzeiro, na tentativa de ainda lutar pelo título do Brasileirão. Por sua vez, o Inter ganhou fôlego na sua busca de classificação para a Libertadores, pois terá, agora, três jogos consecutivos no Beira-Rio.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O futebol não é uma ilha

O futebol brasileiro evoluiu bastante em relação a um passado, nem tão distante, marcado por viradas de mesa e campeonatos com fórmulas absurdas. Porém, num país caracterizado, historicamente, por atos de corrupção, o futebol não é uma ilha. O Ministério Público concluiu que dirigentes e funcionários da Portuguesa receberam dinheiro para que o jogador Héverton, que estava suspenso, fosse escalado na partida contra o Grêmio, pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, o que ocasionou a perda de quatro pontos pelo clube, e o seu rebaixamento para a Segunda Divisão. Beneficiado pelo ocorrido com a Portuguesa, o Fluminense, que havia sido rebaixado, permaneceu na Primeira Divisão. O fato, se provado, é gravíssimo. Em consequência de sua queda, a Portuguesa sofreu uma grande desestruturação, e, em 2014, foi rebaixada para a Terceira Divisão, estando com o seu futuro ameaçado. O Fluminense, pela terceira vez em sua história, beneficiou-se de uma situação extracampo para fugir de um rebaixamento. Caso se confirmem as suspeitas do Ministério Público, a punição aos envolvidos terá de ser exemplar. O futebol brasileiro já vive uma fase de grande declínio técnico. Se a isso se juntar a impunidade em tão grave fato, perderá, também, a sua credibilidade. O futebol não é uma ilha, mas terá, nesse caso, uma excelente oportunidade de dar em exemplo positivo para o país, punindo a corrupção com rigor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lucidez

O coordenador digital da campanha de Aécio Neves para a eleição presidencial, Xico Graziano, ex-deputado federal pelo PSDB, foi responsável por um raro momento de lucidez no cenário político brasileiro. Graziano foi hostilizado nas redes sociais por ter repudiado as passeatas que pediam o impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff e a volta dos militares. Ele foi chamado, entre outros termos, de "linha auxiliar do PT" e "esquerdopata". Sem se intimidar, Graziano postou um texto em que reafirmou sua posição e fez considerações precisas sobre o quadro político brasileiro. Lembrou que a direita, no Brasil, está sem um partido que a represente, que defenda suas ideias. Assim, foi procurar abrigo no PSDB. Porém, como bem lembra Graziano, o partido traz em seu nome a expressão "social democracia" e teve sua origem no antigo MDB, uma frente que lutou contra o regime militar. Portanto, argumenta Graziano, sua inspiração é de centro-esquerda. Ele conclui seu arrazoado de forma certeira, ao expressar que não é ele que está no lugar errado, e que os radicais de direita é que devem deixar o PSDB. A polarização política entre PT e PSDB acabou por gerar esse efeito perverso. Como os partidos mais à direita do espectro político,  PP e Dem, perderam expressão, os antipetistas pousaram no PSDB na busca de alcançarem o poder. No entanto, o PSDB, embora seja um partido de feição burguesa, marcadamente de classe média, não é de inspiração direitista. Por conveniência eleitoral, os partidos aceitam toda a espécie de adesões, o que contribui para descaracterizá-los. A partir do episódio envolvendo Graziano, talvez a cena política brasileira fique menos confusa. O PSDB tem todo o direito de lutar para chegar ao poder, é para isso que existem os partidos. No entanto, deveria fazê-lo sem dar guarida aos inimigos da democracia, e sendo fiel aos fundamentos que levaram à sua criação.

domingo, 9 de novembro de 2014

Goleada

O Grêmio goleou o Inter por 4 x 1, hoje à tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um resultado melhor do que a expectativa do torcedor mais otimista. Sete meses depois de ser goleado pelo Inter na decisão do Campeonato Gaúcho, o Grêmio devolveu o placar ao seu maior rival. Para um time que tem enorme dificuldade em marcar gols, o fato é quase uma façanha. Foi o que os torcedores costumam chamar de um "chocolate". A superioridade do Grêmio foi do primeiro ao último minuto. O gol do Inter, pouco depois do segundo do Grêmio, deu para alguns a impressão de que o jogo pudesse ficar mais equilibrado. Não ficou, e a goleada aconteceu, ao natural. A rigor, ninguém jogou mal no Grêmio, mas alguns nomes se destacaram mais. Geromel, mais uma vez, teve uma grande atuação. Rhodolfo, que voltava ao time, manteve seu padrão de bons desempenhos. Luan e Dudu envolveram a defesa do Inter em vários lances. Porém, o maior destaque foi Alan Ruiz. Ele entrou no segundo tempo, marcou dois gols em 12 minutos, e saiu para evitar uma possível expulsão. Poucas vezes um jogador fez tanto em tão pouco tempo. Foram os gols de Alan Ruiz que transformaram uma simples vitória num resultado acachapante. O segundo gol marcado por ele, o quarto do Grêmio, valeu a subida para o terceiro lugar no Brasileirão, ultrapassando o Atlético Mineiro pelo saldo de gols. Por outro lado, o Inter caiu para o sexto lugar, pois a vitória do Corinthians sobre o Santos o fez descer mais uma posição. A semana começa, portanto, com o Grêmio dentro da zona de classificação para a Libertadores, e o Inter fora. Para agravar a situação do Inter, seu próximo jogo, na quarta-feira, será contra o São Paulo, no Morumbi. O campeonato caminha para a sua definição, faltando apenas cinco rodadas para o seu final, e as perspectivas do Grêmio parecem bem mais risonhas que a do seu maior adversário.

sábado, 8 de novembro de 2014

A aposta no pior

A imprensa conservadora, ainda revoltada pela quarta derrota consecutiva dos candidatos por ela apoiados em eleições presidenciais, resolveu fazer a aposta no pior. A presidente reeleita Dilma Rousseff nem começou o seu segundo mandato e jornais e revistas conservadores já traçam um cenário terrível para o país. Conforme esses arautos do desastre, Dilma está isolada e não sabe o que fazer na economia, o país está na iminência de um apagão energético, e os brasileiros arcarão com "tarifaços" em 2015. Paralelamente a isso, o candidato derrotado, Aécio Neves, de volta a sua cadeira de senador, é exaltado como um líder em crescimento e já se lança numa campanha midiática visando à eleição de 2018. Na ânsia de, finalmente, desalojarem o PT do poder, os conservadores escolhem o "quanto pior, melhor". Desejam que o país seja tomado pelo caos administrativo, ainda que isso afete a todos os brasileiros. Colocam seu antipetismo acima dos interesses dos cidadãos. Estabeleceram um "terceiro turno", em vez de acatar o resultado das urnas, como recomenda a democracia. Estimulam até, absurdamente, a ideia do impeachment de uma presidente legitimamente reeleita. O eleitor brasileiro já demonstrou que atingiu um considerável grau de maturidade, o que pode ser constatado pelas quatro vitórias consecutivas do PT em eleições presidenciais, mesmo com todo o bombardeamento contrário por parte da imprensa. Com o correr dos dias, os brasileiros perceberão que todo esse cenário de terror não tem conexão com a realidade. Os órgãos de imprensa que se prestam a esse triste papel apenas corroem a sua credibilidade. Terminada uma eleição, o vencedor governará a todos, os que votaram nele, os que optaram por outros candidatos, e, também, os que se sequer foram às urnas. Ele precisa, portanto, contar com o apoio de todos. Apostar no fracasso de um governo é agir contra os interesses do país. Uma imprensa consciente jamais agiria dessa forma. Esse comportamento apenas ressalta a necessidade, inadiável, de se fazer uma nova regulação de mídia no Brasil, democratizando a comunicação no país.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pretensão equivocada

Os emocionantes jogos de quarta-feira pela Copa do Brasil fizeram com que os inimigos do Campeonato Brasileiro de pontos corridos voltassem a defender o retorno do execrável formulismo na mais importante competição do futebol do país. Trata-se de uma pretensão equivocada, baseada em falsas premissas ou numa pura e simples má vontade gerada pela mais absoluta irreflexão. O campeonato em pontos corridos, com todos os clubes se enfrentando em turno e returno, é o único que apura um vencedor com total legitimidade. Ele privilegia quem tem mais qualidade e está melhor preparado. Os que dizem que é uma fórmula sem emoção mentem descaradamente, pois nos pontos corridos, todos os jogos, rigorosamente, são importantes, já que a pontuação é cumulativa. No formulismo, há uma série de jogos classificatórios desimportantes e enfadonhos, até que se chegue na fase decisiva. Afora isso, o formulismo não garante um calendário completo para todos, pois os clubes que não se classificam para a fase decisiva tem de encerrar o ano mais cedo, o que redunda em perda de arrecadação e dificuldade para honrar os compromissos financeiros. A Copa do Brasil, com sua fórmula de mata-mata, sem dúvida, é muito emocionante, mas por ser disputada em fases estanques, sem levar em conta o retrospecto dos participantes, nivela competidores desiguais, o que explica que clubes como Criciúma, Juventude, Santo André, e Paulista já tenham alcançado o título. Num Brasileirão de pontos corridos esses clubes jamais aspirariam ao título. Todos os campeonatos nacionais importantes do mundo, como o Italiano, Francês, Espanhol, Alemão e Inglês, sempre foram disputados em pontos corridos. O Brasil corrigiu essa distorção em 2003. Voltar atrás seria algo deplorável, e faria da principal competição futebolística brasileira algo único, como a jabuticaba, uma fruta que só existe no Brasil. Tomara que as autoridades esportivas brasileiras não cometam essa estupidez.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Decisão mineira

O futebol mineiro está em alta. Em 2013, o Atlético Mineiro foi campeão da Libertadores e o Cruzeiro ganhou o Campeonato Brasileiro. Agora, o Cruzeiro caminha, célere, para o bicampeonato brasileiro, e os dois clubes disputarão uma decisão mineira da Copa do Brasil. A classificação do Atlético, particularmente, foi épica, e repetiu a mesma façanha das semifinais, isto é, depois de ser derrotado no primeiro jogo por 2 x 0, e sair perdendo na segunda partida,  goleou o Flamengo por 4 x 1, exatamente como fizera com o Corinthians. Mais uma vez, o Atlético soube transformar o Mineirão num caldeirão, com sua torcida gritando "eu acredito". Seu maior rival, o Cruzeiro, também obteve a classificação de maneira admirável. Depois de estar perdendo por 3 x 1 para o Santos, na Vila Belmiro, resultado que o eliminava, buscou o empate em 3 x 3. Será uma decisão de altíssimo nível entre os dois maiores clubes de Minas Gerais, um sonho que os gaúchos ainda não conseguiram realizar com Grêmio e Inter. Para o Atlético, será a disputa de um título inédito. O Cruzeiro, se for o campeão, conquistará o seu quinto título, tornando-se o clube mais vezes vencedor da competição. Serão dois jogos emocionantes, com estádios lotados. Espetáculos imperdíveis para quem gosta de futebol.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A declaração de um canalha

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, mais uma vez, botou suas garras de fora. Mendes é uma das mais deploráveis figuras que já passaram pelo Supremo, talvez a pior de todas. Defende os interesses dos poderosos, dos grandes grupos econômicos. O banqueiro Daniel Dantas, por exemplo, foi protegido por ele de sofrer qualquer sanção por seus crimes de colarinho branco. Foi Mendes, também, quem extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, uma antiga aspiração dos grandes grupos de comunicação do país. Na ocasião, comparou o ofício de jornalista com o de cozinheiro. Agora, Mendes vem a público dizer do seu temor de que o Supremo se transforme numa corte "bolivariana", já que a presidente Dilma Rousseff deverá nomear mais seis integrantes do tribunal. Por sinal, Mendes é o único ministro da atual composição do Supremo Tribunal Federal que foi indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Suas decisões e declarações demonstram, claramente, sua falta de isenção, seu comprometimento ideológico. A declaração sobre o temor em relação à composição do Supremo é típica de um canalha. Os ministros do Supremo tem de possuir reputação ilibada e notável saber jurídico. Pelo menos, deveria ser assim. Gilmar Mendes talvez tenha um considerável conhecimento jurídico, mas, certamente, não tem uma reputação ilibada.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A inconformidade dos derrotados

A vitória apertada de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves, com uma diferença de pouco mais de 3 milhões de votos, fez com que a inconformidade dos derrotados se mostrasse como nunca após a eleição para presidente. Em algumas capitais brasileiras, manifestantes foram às ruas para pedir o impeachment da presidente Dilma e a intervenção dos militares. Em comum, todas essas manifestações tiveram um número pouco expressivo de participantes. Paralelamente a isso, a revista "Veja", sempre ela, enumera "ameaças" que a continuidade do poder nas mãos do PT pode trazer ao país. O entrevistado das páginas amarelas da revista, na edição dessa semana, o jornalista venezuelano Miguel Henrique Otero, diz ver semelhanças do quadro político brasileiro com o do seu país, e, entre outros temores, diz que Dilma poderá, ao fim de seu novo mandato, alterar a Constituição para se candidatar novamente. Trata-se de um terrorismo político já praticado por "Veja" em relação ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.  A publicação dava como certo que Lula mudaria a Constituição para poder obter um terceiro mandato. Ressalte-se que, se quisesse, Lula conseguiria essa mudança com facilidade. Ainda assim, ele respeitou a Constituição e fez de Dilma Rousseff a sua candidata, que acabou eleita e, agora, foi reconduzida para mais um mandato. As manifestações de rua e as ameaças acenadas pela revista "Veja" apenas demonstram que há um grupo de brasileiros, pequeno mas muito radical, que não assimila bem as derrotas eleitorais. A presidente Dilma Rousseff não será deposta, e o cenário de horrores previsto por "Veja" não se confirmará. O  Brasil tem uma democracia sólida. Aliás, em 2015, o país completará 30 anos de restituição da democracia, o que tem de ser muito festejado por todos os brasileiros. Os perdedores de uma eleição devem aceitar o resultado das urnas e se prepararem para a próxima. Essa é a única maneira legítima de alcançar o poder. Pedir a destituição de uma presidente eleita pelo voto e sua substituição por militares é uma demonstração de intolerância política incompatível com a realidade do país, e só expõe seus proponentes ao ridículo.

domingo, 2 de novembro de 2014

Vitória presenteada

O Inter venceu o Santos por 2 x 1, hoje à tarde, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória histórica, pois o Inter jamais havia vencido o Santos na Vila Belmiro. Como é característico da história do clube, a sorte falou mais alto num momento decisivo na busca pela classificação para a Libertadores. Afinal, depois de fazer 1 x 0 no primeiro tempo, o Inter sofreu o gol de empate no segundo e viu o Santos tomar conta do jogo, até que, aos 35 minutos, o goleiro Aranha cometeu um erro inadmissível, pegando com as mãos uma bola que lhe fora atrasada. Na cobrança da falta, o Inter fez o gol de desempate, que acabou por lhe dar a vitória, que, portanto, lhe foi presenteada. Com isso, o Gre-Nal do próximo domingo, na Arena, tornou-se ainda mais explosivo, pois o Inter vai para o jogo dois pontos na frente de seu maior rival, o que tornaria uma derrota quase fatal para o Grêmio. Tanto pelo fato de estar na frente na tabela, como por não perder para o Grêmio há dois anos, o Inter é favorito para o Gre-Nal. Mais uma vez, percebe-se que o Grêmio encara o jogo de maneira tímida, evitando assumir a responsabilidade de vencê-lo. Isso é o caminho mais curto para a derrota. Ganhar o Gre-Nal é fundamental para o Grêmio, em função de seus objetivos de classificação para a Libertadores, e pelo retrospecto altamente negativo dos últimos anos no confronto com o Inter. Se não houver alguma grande surpresa, o Inter ganha o Gre-Nal e se credencia a permanecer entre os primeiros colocados da competição, enquanto o Grêmio terá o seu final de ano antecipado, apenas cumprindo tabela nos jogos restantes.