terça-feira, 2 de setembro de 2014

Criatividade mantida

Acomodar-se com os louros já conquistados e o êxito alcançado é algo comum no meio musical. Muitos cantores e compositores, depois de uma longa e exitosa carreira, deixam de lançar material novo, voltam-se para o conjunto da sua obra, apenas reverenciando o que já fizeram. Claro, nem todos são assim. Caetano Veloso é um bom exemplo de artista que, já tendo superado a barreira dos 70 anos de idade, continua produtivo, lançando novos trabalhos e com uma intensa agenda de shows. Outro que se mantém na ativa é Erasmo Carlos. Aos 73 anos, e com mais de 50 de carreira, Erasmo lançou três discos de músicas inéditas nos últimos cinco anos. Erasmo confessa que, a essa altura da vida, o corpo não acompanha mais a mente ainda fervilhante, mas continua a realizar muitos shows. Perguntado sobre o porquê de continuar compondo tão febrilmente, Erasmo respondeu que não gostaria de ficar apenas voltado para o que já fez, cantando seus sucessos. Afora isso, Erasmo se considera um compositor, não um cantor, e, por isso, seu trabalho gira em torno daquilo que ele cria. Ele diz ter um imenso prazer em ver algo que criou na intimidade do seu quarto ganhar o mundo, chegar até às pessoas. Ouvindo de tudo, sempre atento ao que se passa no meio musical, Erasmo admite que o panorama atual é desolador, que não há nada de novo, apenas a reciclagem do que já foi feito. Ainda assim, diz que é preciso continuar produzindo, e esperando pelo novo, porque uma hora ele vai chegar. O eterno "Tremendâo" continua em ótima forma artística, com sua criatividade mantida, mesmo com o inevitável peso dos anos. Para satisfação de seus muitos fãs.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O jargão da direita

A direita tem um jargão todo próprio, que se repete, cansativamente, a cada eleição. São palavras aparentemente bonitas, que expressariam conceitos pretensamente positivos, mas que não passam de embalagem vistosa para vender um mau produto. Termos como "modernidade", "competitividade" e "produtividade", recheiam o discurso de todo o candidato de direita. Comecemos pela "modernidade". Os candidatos direitistas se autoproclamam modernos, em contraposição aos adversários mais à esquerda, que, segundo eles, representam o "atraso". Criticam o "inchaço" do Estado, e se propõem a torná-lo mais "ágil e eficiente". Na verdade, são defensores do Estado mínimo e da "supremacia do mercado". Uma vez no poder, colocariam o Estado a serviço dos interesses privados, com iniciativas como a "flexibilização' das leis trabalhistas, e a adoção de "medidas impopulares" para ajustar a economia do país. A "flexibilização" das leis trabalhistas nada mais é do que um meio de facilitar e baratear as demissões. Defender "medidas impopulares", que cortem na carne dos trabalhadores, é fácil para maganos que estão com a vida ganha. A "competitividade" é obtida com a desvalorização da moeda, a fim de aumentar os ganhos dos exportadores. O aumento da "produtividade" se dá com salários mais baixos e facilitação das demissões. Ainda há incautos que se deixam seduzir pelo marquetagem de direita e seus candidatos engomadinhos. No entanto, a maioria já aprendeu que as ideias defendidas por eles levam a vaca para o brejo.. Eles continuam tentando chegar ao poder, mas, mais uma vez, vão ficar na vontade, e morrerão na praia.

domingo, 31 de agosto de 2014

Vitória com mau futebol

O Grêmio ganhou do Bahia por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo valeu pelo resultado, pois o futebol do Grêmio foi de muito má qualidade. A derrota para o Santos, que praticamente eliminou o clube da Copa do Brasil, e os acontecimentos extracampo que envolveram aquele jogo, parece ter afetado o time do Grêmio. O próprio ambiente no estádio não apresentava o entusiasmo habitual. A torcida, em bem menor número do que em outras partidas, parecia acabrunhada. O primeiro tempo foi muito ruim e terminou empatado em 0 x 0, com vaias do torcedor. No segundo tempo, a entrada de Mateus Biteco no lugar de Alan Ruiz melhorou a produção do Grêmio. Ainda que não tenha sido um crescimento extraordinário, foi o suficiente para o Grêmio fazer um gol e garantir a vitória. Uma vitória magra, com mau futebol, mas que levou o Grêmio para o sexto lugar, apenas dois pontos atrás da zona de classificação para a Libertadores. O próximo jogo, contra o Flamengo, que vem em grande ascensão, no Maracanã, deverá ser dificílimo, mas a partida contra o Cruzeiro era ainda mais dura, e o Grêmio atuou muito bem, embora tenha sido derrotado. O futebol demonstrado hoje pelo Grêmio não autoriza nenhum entusiasmo, mas a vitória e a consequente subida na tabela poderá dar ao time uma maior tranquilidade para tentar obter um bom desempenho e alcançar um resultado satisfatório contra o Flamengo.

sábado, 30 de agosto de 2014

Vencendo novamente

O Inter ganhou do Palmeiras por 1 x 0, hoje, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. A vitória veio depois de três derrotas consecutivas, o que deverá servir para estancar a possibilidade de uma crise, que já se avizinhava. A exemplo das vitórias anteriores do Inter no Brasileirão, essa também foi pelo placar mínimo, e, como, igualmente, ocorreu contra Bahia e Goiás, se deveu, em grande parte, à extrema fragilidade técnica do adversário. O Palmeiras, que com seu time completo já não assusta ninguém, jogou com vários desfalques, o que o transformou numa caricatura. Pela sua posição na tabela, e com o grupo fraco de que dispõe, dificilmente o Palmeiras se livrará do rebaixamento pela terceira vez, o que seria deplorável para um clube da sua expressão. Porém, o Inter não tem nada com isso. Vencendo novamente, acalma o seu ambiente e se recoloca em condições de buscar uma classificação para a Libertadores. Para melhorar, ainda mais, esse quadro, o próximo jogo do Inter será contra o Figueirense, no Beira-Rio, o que traz a perspectiva de uma vitória mais ou menos tranquila. Pelo menos por enquanto, os dias de turbulência ficaram para trás no clube.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Racismo

O episódio envolvendo as manifestações racistas contra o goleiro Aranha, do Santos, no jogo de ontem com o Grêmio, na Arena, pela Copa do Brasil, está se prestando para uma série de enfoques absolutamente disparatados e sensacionalistas. O crime de racismo é gravíssimo e deve ser repudiado, mas imputar sanções a um clube por um ato individual cuja autora foi devidamente identificada é um despropósito. Na verdade, muitos dos que posam de paladinos nessa questão o fazem apenas por enxergarem nela um meio de atingir ou prejudicar o Grêmio, por não gostarem do clube. Decididamente, nem o Grêmio, nem qualquer outro clube, tem condições de se responsabilizar pelas atitudes de seus torcedores. Argumentar o contrário é defender uma postura fascista, estimulando uma fúria punitiva descabida e injusta. Tudo o que o clube podia e devia fazer a respeito foi realizado. Expediu uma nota de repúdio ao ato da torcedora e de outros que ofenderam Aranha, e comprometeu-se a, caso as pessoas identificadas fossem sócias do clube, suspendê-las do quadro social e proibir sua entrada no estádio. Punir o clube com perda de pontos, exclusão de competições, rebaixamento de divisão ou multas pesadas seria um descalabro. Os paladinos, sinceros ou não, sustentam que só medidas drásticas porão fim ao problema do racismo, que a impunidade só estimulará a continuidade de tais fatos. Acertam no conceito, mas erram quanto à medida a ser adotada. Atos racistas tem de ser severamente punidos, mas a responsabilização deve alcançar apenas quem os pratica. A punição ao clube dá a entender que ele, em algum grau, é responsável pelo atos de seus torcedores, o que não faz sentido. Argumentar que isso ocorre porque os fatos se deram num estádio de sua propriedade beira o ridículo. Cada um é responsável pelos seus atos, e mais ninguém. A torcedora já foi identificada, e, em consequência, perdeu o emprego e foi suspensa da condição de sócia do Grêmio. Poderá até ser presa, e é justo que assim seja. Porém, imputar sanções esportivas ou pecuniárias ao clube é um absurdo. O episódio de ontem está sendo superdimensionado e permitindo a prática do mau jornalismo. O fato pertence à esfera criminal, não à esportiva. Envolve Aranha e seus ofensores como pessoas físicas. O Grêmio nada tem a ver com isso.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Rotina insuportável

O Grêmio perdeu para o Santos por 2 x 0, hoje à noite, na Arena, pela Copa do Brasil. A estreia do Grêmio na competição, portanto, já encaminhou a despedida, pois precisará golear o Santos, na semana que vem, na Vila Belmiro, para se classificar para a próxima fase. Assim, prossegue a rotina insuportável de fracassos do Grêmio em competições de grande porte, que já dura 13 anos. A torcida do Grêmio, mais uma vez, se fez presente em bom número ao estádio, mas não há apoio que compense tanta falta de qualidade. A exemplo do que ocorreu contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, o Grêmio criou várias chances de gol, mas não concretizou nenhuma, e acabou derrotado. Foram quase 20 escanteios em favor do Grêmio, que em nada resultaram. Alguns jogadores desafiam a paciência até do mais tolerante dos torcedores, como Pará, Werley, Dudu e Barcos. Sabia-se que o Grêmio, ao ser sorteado para enfrentar o Santos, com o segundo jogo na casa do adversário, pegara um desafio muito difícil na Copa do Brasil, mas imaginava-se que, pelo menos, fosse capaz de obter uma vitória na Arena. Porém, o Grêmio não se cansa de surpreender, negativamente, o seu sofrido torcedor. Pelo que se viu hoje em campo, o ano acabou em termos de possibilidade de títulos para o Grêmio. Resta tentar manter um mínimo de rendimento no Brasileirão para fugir da possibilidade, por enquanto distante, de um rebaixamento. Mesmo com nomes vitoriosos como Fábio Koff e Felipão, o Grêmio é, no momento, um barco rumo ao naufrágio.

Avenida da Legalidade e da Democracia

Em meio a tantos fatos negativos que nos atormentam diariamente, vez por outra surgem notícias capazes de elevar o nosso ânimo. Esse é o caso da aprovação, ocorrida ontem, da alteração do nome da principal via de acesso a Porto Alegre, de "Avenida Castelo Branco" para "Avenida da Legalidade e da Democracia". O projeto de autoria dos vereadores Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSol, recebeu 21 votos a favor e cinco contra. Os vereadores dos partidos de direita, e até alguns comunicadores e historiadores, mostraram-se contrários a medida, argumentando que ela busca "apagar a história". O historiador Sérgio da Costa Franco, por exemplo, disse: "Já pensou se diversas ruas começassem a mudar de nome"? Eu responderia ao historiador que não só pensei na ideia, como ela me agradaria muito. Todas as rodovias, avenidas, ruas, praças, parques, escolas, pontes, prédios ou construções de qualquer tipo que levem o nome de agentes da espúria e assassina ditadura militar deveriam ter seus nomes trocados. Não faz sentido "preservar a memória histórica" homenageando ditadores e democraticidas. O projeto ainda precisa ser sancionado pelo prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), mas não se pode imaginar que ele não venha a fazê-lo, dada a sua trajetória pessoal vinculada ao combate à ditadura. O primeiro passo para eliminar as homenagens aos artífices do golpe militar, substituindo-as pela exaltação aos valores mais caros à sociedade, foi dado. Tomara que todo o Brasil o siga.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Outra derrota

O Inter perdeu para o Bahia por 2 x 0, hoje à noite, no Beira-Rio, pela Copa Sul-Americana. Essa é a terceira derrota consecutiva do Inter. O pior é que ela ocorre na estreia do clube em uma competição que pode lhe levar para a Libertadores, afora pagar prêmios expressivos em dinheiro. O fato de ter jogado com um time misto não serve de atenuante, pois o Bahia também poupou vários titulares. Aliás, a opção por não escalar o que tem de melhor é muito discutível por parte do Inter. Ainda que se saiba que o calendário apresenta muitos jogos sucessivos, um clube grande não pode desdenhar de competições como o Inter fez com a Copa do Brasil e, ao que parece, repete com a Copa Sul-Americana. Até porque, com a parada para a Copa do Mundo, os clubes tiveram a oportunidade de ficar 40 dias sem jogar e puderam realizar uma intertemporada, não havendo razão para tanta queixa quanto ao desgaste físico. O desejo do Inter de ganhar o Campeonato Brasileiro, o que não acontece há 35 anos, é plenamente compreensível, mas não se justifica que, em nome dessa intenção, o clube despreze outras competições. O título do Brasileirão, inclusive, ficou distante do Inter depois de duas derrotas seguidas, já que está oito pontos atrás do Cruzeiro, e caiu do segundo para o terceiro lugar na tabela. A série de três derrotas, que ocorre logo após um conjunto de cinco vitórias consecutivas, irá, por certo, gerar grande instabilidade no ambiente do clube. O próximo jogo, contra o Palmeiras, fora de casa, sábado, pelo Campeonato Brasileiro, poderá ser um divisor de águas para o Inter em 2014, pois, se ocorrer um novo insucesso, a crise deverá se instalar de vez no clube, com consequências imprevisíveis.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os cem anos do Palmeiras

O centenário de um dos grandes clubes brasileiros é sempre um fato digno de nota. Boa parte deles já alcançou essa marca histórica, e, hoje, quem completa cem anos de fundação é o Palmeiras. Nascido como Palestra Itália, adotou seu atual nome em 1942, mas tanto antes quanto depois da alteração, sempre foi um clube vencedor. Ao longo desses cem anos, muitos craques vestiram a gloriosa camisa verde. Oberdan Cattani, Chinesinho, Romeu Pelliciari, Julinho Botelho, Mazzola, Valdir de Moraes, Ademir da Guia, Leão, Luís Pereira, Leivinha, Rivaldo, Zinho, Djalminha, Marcos, Edmundo. Outros, ainda que não fossem craques, conquistaram a admiração dos torcedores, por sua dedicação e eficiência, como Valdemar Carabina, Dudu, César Maluco e Evair. O Palmeiras tem uma enorme galeria de títulos. Dentre os de maior expressão só falta o mundial, que lhe escapou em 1999, numa decisão com o Manchester United. Ainda que não viva um bom momento dentro de campo, o Palmeiras será sempre um dos maiores clubes do Brasil,  merecedor do respeito de todos os que amam o futebol. Parabéns, Palmeiras!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Candidaturas nanicas

A cada eleição para cargos majoritários, no Brasil, um fenômeno se repete: as candidaturas nanicas, ou seja, de nomes sem densidade eleitoral, concorrendo por partidos inexpressivos. Sua atuação nas eleições é uma excentricidade bem brasileira, pois, embora não tenham nenhuma representatividade, se fazem presentes, muitas vezes, em debates no rádio e na televisão. Assim, o que poderia ser uma discussão produtiva entre os candidatos melhor situados nas pesquisas, torna-se uma farsa que entedia o eleitor. Afinal, candidatos com reais chances de vitória são forçados a formular perguntas para quem não tem nenhuma chance de se eleger, e tem de responder às suas indagações. Por sua vez, os candidatos nanicos pouco auferem em tais encontros, a não ser a exposição midiática que lhes conferem os tais "quinze minutos de fama" de que falava Andy Warhol. Sim, porque, na quase totalidade dos casos sequer se valem do espaço na mídia para, futuramente, concorrer numa eleição proporcional. Com exceção de José Maria Eymael, eterno candidato a presidente pelo PSDC, que já foi deputado federal, a maioria jamais passou pelo parlamento. Como exemplo da bizarrice desses candidatos, há um concorrente a governador do Rio Grande do Sul, em 2014, que está sempre vestido com a indumentária típica do gaúcho, e que compareceu a um debate de rádio montando um cavalo, em pleno centro de Porto Alegre. Nas eleições presidenciais, a cada quatro anos, nos deparamos com o já citado Eymael, Levy Fidélix (PRTB), José Maria de Almeida (PSTU), e Rui Costa Pimenta (PCO). Eles sabem que não vão ganhar, mas continuam a concorrer. Talvez vejam na eleição para o cargo mais importante do país a chance de divulgar suas ideias e seus partidos, mas, na prática, isso não acontece, dado o pouquíssimo tempo de que dispõem no horário eleitoral gratuito. Dessa forma, a presença de seus partidos nas casas parlamentares continua irrelevante. Afora dar um toque de folclore ao processo eleitoral, não se consegue vislumbrar qualquer outro sentido na presença dos candidatos nanicos nos pleitos.