sábado, 5 de abril de 2014
José Wilker
O Brasil perdeu, hoje, José Wilker, um dos nomes mais representativos das suas artes cênicas. Wilker atuou em 30 novelas, mais de cinquenta filmes, e nunca abandonou o teatro, meio pelo qual começou a sua carreira. Extremamente devotado ao seu ofício, foi, também, diretor na televisão e autor de peças teatrais, boa parte delas ainda inédita. Era, também, um apaixonado por cinema e, há vários anos, comentava a cerimônia do Oscar para a Rede Globo. Tinha um humor peculiar, com um forte acento irônico. Wilker morreu cedo para os padrões de hoje, com 66 anos, de um enfarte fulminante. Teria, portanto, muito ainda a realizar. Porém, sua já longa trajetória profissional lhe garantirá um lugar permanente na memória do público, seja como o Zelito, de "Bandeira Dois" (1971), o Mundinho Falcão, de Gabriela (1975), o Rodrigo, de "Anjo Mau" (1976), o Roque Santeiro, da novela homônima (1985), entre tantos outros personagens. Wilker marcou presença, também, em minisséries como "Anjos Rebeldes" (1992), e JK (2006), na qual fez o papel-título. No cinema, participou do filme brasileiro de maior bilheteria no país, "Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), que teve 12 milhões de espectadores. Também estrelou outro marco do cinema nacional, "Bye, Bye, Brasil" (1979). José Wilker venceu na profissão não porque fosse um talento fulgurante, mas por que era um trabalhador incansável e se interessava por tudo que dizia respeito à arte da representação. Vai fazer muita falta.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Arranhões
Roberto Carlos é um cantor e compositor de imenso prestígio, o artista mais popular da música brasileira. No entanto, sua imagem começa a sofrer alguns arranhões. Recentemente, Roberto Carlos estrelou um comercial de tv para uma marca de carne industrializada. Até então, a informação que se tinha era de que o artista era vegetariano. A justificativa dada foi a de que Roberto, depois de 30 anos sem fazê-lo, teria voltado a comer carne. O cachê do comercial, ainda que não haja confirmação oficial, teria sido de R$ 25 milhões. O alto valor foi visto por muitos como a razão que levaria Roberto a fazer o comercial, mesmo que continue a não comer carne. Agora, uma reportagem da revista "Época" revela relações estreitas do cantor com a ditadura militar. Roberto obteve, em sociedade com o produtor Cayon Gadia, a concessão de uma emissora de rádio, em 1979, durante o governo do general João Figueiredo. Foi contratado pelo Exército para shows em homenagem à "revolução", nome que os militares davam ao espúrio golpe que perpetraramk contra o país. Em 1973, havia recebido a medalha do pacificador, concedida aos que colaboram com o Exército. Em 1975, cantou num programa de televisão comemorativo ao 11º aniversário do golpe militar, transmitido em cadeia nacional. No ano seguinte, recebeu, das mãos de Ernesto Geisel, a Ordem do Rio Branco. Roberto Carlos nunca foi um ativista ou propagandista do regime militar, embora os detentores do poder na época tentassem atrai-lo para essa condição. O cantor manteve uma postura apolítica no período, o que, por si só, beneficiava a ditadura, já que se tratava do artista mais popular entre os brasileiros. Por isso mesmo, o historiador Carlos Fico entende que houve ingenuidade política por parte de Roberto Carlos. Seja como for, há de ser decepcionante para muitos verificar que Roberto Carlos faz anúncio de algo que não consome, tão somente por causa de um alentado cachê, logo ele que, milionário que é, não precisa se dobrar ao dinheiro. Igualmente, há de causar decepção as várias vezes em que, de uma forma ou de outra, apareceu ligado ao regime militar.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O anti-professor
Os arautos do atraso, que levaram o Brasil a mergulhar nas trevas de uma ditadura militar espúria por 21 anos, ainda continuam a botar suas manguinhas de fora, mesmo após 29 anos da redemocratização do país. Na segunda-feira, dia 31 de março, data em que se completavam 50 anos do golpe militar, o professor de direito administrativo da USP, Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, distribuiu um texto para alunos do 3º ano em que tratava o nefando golpe por "revolução" e o defendia abertamente. O argumento central é o de sempre, ou seja, a "ameaça comunista" que pairava sobre o Brasil. Em protesto, um coletivo de alunos, apoiado pelo Centro Acadêmico 11 de agosto, organizou um "escracho" em sala de aula, que gerou irada reação de Gualazzi e de seus monitores. Em seu texto, Gualazzi traça, também, o que definiu de seu "perfil de personalidade", uma "opção íntima" que teria feito na infância-adolescência. Esse perfil se sustenta nos seguintes itens: a) aristocratrismo; b) burguesismo; c) capitalismo; d) direitismo; e) euro-brasilidade; f) família; g) individualismo; h) liberalismo; i) música erudita; j) panamericanismo; k) propriedade privada; l) tradição judaico-cristã. Por tudo o que foi descrito até aqui, não há como definir Gualazzi de outra forma que não seja como o anti-professor. Um professor ensina, orienta, educa, aponta caminhos. Gualazzi é a antítese de tudo isso. Apóia o que é indefensável, e traça um perfil de si próprio que vai na contramão do humanismo. Assume ser sectário e preconceituoso ao definir-se como aristocrático, burguês, capitalista, direitista, individualista e defensor de uma "euro-brasilidade", o que denota uma visão eugenista e racista. Gualazzi reúne alguns dos piores sentimentos que podem habitar um ser humano. Não está habilitado a ensinar nada para ninguém, ainda mais num curso tão nobre, do ponto de vista humanístico, como é o de Direito. Sua presença em sala de aula é um acinte num país cujas feridas do período ditatorial ainda estão longe de cicatrizar. Se, valendo-se da liberdade de expressão que a democracia assegura a todos, Gualazzi quiser continuar defendendo suas execráveis ideias, que o faça por meio de artigos ou livros. Na sala de aula, não. Ela é um espaço para educar, não para transmitir um conceito de sociedade excludente e discriminatório.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Classificado
O Grêmio está classificado para as oitavas de final da Libertadores. A vitória por 2 x 0 sobre o Nacional, de Medellin, hoje à noite, no Atanázio Girardot, foi melhor do que a encomenda. Um empate era considerado de bom tamanho pelo Grêmio, pois, assim, a classificação já estaria garantida. Com a vitória, o Grêmio também está com o primeiro lugar de seu grupo praticamente assegurado. Afora isso, se ganhar do Nacional, do Uruguai, na Arena, como tudo indica que vá acontecer, o Grêmio poderá, até mesmo, ser o primeiro colocado geral da fase de grupos da Libertadores, auferindo a vantagem de sempre decidir os confrontos eliminatórios na sua casa. No primeiro tempo, o Grêmio não jogou bem. Esteve muito recuado, permitindo que o adversário permanecesse quase todo o tempo com a bola. Ainda assim, não foi ameaçado pelo Nacional, e perdeu, pelo menos, uma grande chance de gol, com Dudu. Nessa fase da partida, só Riveros jogou bem. No segundo tempo, o Grêmio voltou mais insinuante. Luan, de má atuação, até então, cresceu de produção. Dudu também melhorou de desempenho. A pressão do Nacional resultou numa série de escanteios, mas que em nada redundaram. O Nacional criou chances de gol, mas parou nas defesas extraordinárias de Marcelo Grohe, que vive excelente fase. Para completar as boas notícias da noite, depois de Dudu ter aberto o placar, Barcos marcou seu primeiro gol na Libertadores de 2014, o que certamente vai lhe tirar um peso das costas. Após o jogo, com a confiança reconquistada, jogadores e dirigentes do Grêmio faziam questão de frisar que nada está perdido no Campeonato Gaúcho. A partir do que se viu hoje à noite, essa afirmação tem tudo para ser mais do que uma simples colocação retórica.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Campanha aberta
A imprensa conservadora brasileira não se preocupa mais em disfarçar suas preferências, e está em campanha aberta contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A revista "Veja", líder desse segmento editorial, estampa na capa de sua edição dessa semana a seguinte chamada: "Porque quando Dilma cai a Bolsa sobe". A frase faz referência ao fato de que quando Dilma perde em popularidade nas pesquisas, as ações da Petrobrás sobem na Bolsa de Valores. A reportagem sobre o assunto, que traça um panorama trágico da Petrobrás por culpa do governo, assume um tom vergonhosamente parcial em determinados trechos, abandonando as regras do fazer jornalístico e enveredando pelo panfletarismo. Vejam-se alguns excertos: "... em outubro estarão em julgamento pelas urnas os resultados sofríveis da gestão estatizante e intervencionista do governo Dilma e as propostas mais modernas e arejadas do mineiro Aécio Neves e do pernambucano Eduardo Campos"; "Como governadores de seus estados, Aécio e Campos fizeram tudo ao contrário de Dilma, obtendo não apenas aprovação popular, mas um estoque vistoso e irrefutável de políticas públicas da mais alta qualidade"; "O eleitor será apresentado pela oposição na campanha presidencial a resultados obtidos com transparência e meritocracia e que apontam para a revalorização das agências reguladoras, o fim do intervencionismo na economia, a volta do planejamento e das parcerias com o setor privado"; "Enfim, a oposição vai se abastecer dos equívocos e escândalos dos doze anos de governo ideológico e assistencialista, de política externa subalterna aos interesses de Argentina, Venezuela e Cuba". Poucas vezes se viu um exemplo tão gritante de mau jornalismo. Para começar, um dos fundamentos básicos do bom jornalismo é evitar adjetivos em reportagens, eles são cabíveis em textos opinativos, como artigos, crônicas e colunas assinadas. Numa reportagem, ainda que assinada, como é o caso, devem prevalecer a objetividade e a isenção. Os autores da mesma, Róbson Bonin e Malu Gaspar, deixaram de lado essas regras basilares do jornalismo e rechearam seu texto com expressões como "estoque vistoso e irrefutável", e "governo ideológico e assistencialista". Afora ser parcial e panfletário, o texto é de uma estultice alarmante. Como poderia um governo deixar de ser ideológico e assistencialista? A ideia de que as ideologias estão superadas só é passível de ser aceita por um anencéfalo. Somos seres pensantes, logo, ideológicos. Uma vida ou ação política destituída de ideologia é,.simplesmente, impossível. O assistencialismo, sempre criticado pelos defensores da "lei de mercado", é uma tarefa inescapável do Estado, pois cabe a ele auxiliar os desfavorecidos e socialmente marginalizados. Para o bem do país, no entanto, todo esse esforço dos setores conservadores, mais uma vez, vai dar em nada. O governo não irá mudar de mãos.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Os 50 anos de um golpe
O dia de hoje, 31 de março, marca a passagem dos 50 anos de um golpe militar espúrio, uma ação liberticida, em que a ordem constitucional e democrática foi pisoteada, e um presidente legitimamente eleito, João Goulart, foi deposto, sendo substituído por quem tomou o poder pelas armas, sem receber um único voto. Foi um acontecimento trágico na história do Brasil. Os 21 anos de duração da execrável ditadura militar geraram efeitos perversos que ainda não se dissiparam de todo, mesmo após 29 anos da restituição da democracia. Os promotores e apoiadores da quartelada justificam suas ações como tendo sido para defender o país da "ameaça comunista". Conversa fiada. Essa "ameaça" nunca existiu. João Goulart não era comunista. O que ele pretendia era fazer as reformas de base que tornassem o Brasil uma país mais justo, menos desigual. A natureza golpista das Forças Armadas, e seu insuflamento pelas elites temerosas de perder seus privilégios, levaram o país a mergulhar nas trevas de uma ditadura militar assassina. Políticos foram arbitrariamente cassados, professores perderam suas cátedras, militantes de esquerda foram torturados e assassinados, a imprensa e as artes foram censuradas. Ao contrário do que sustentam simpatizantes do golpe, o governo deposto gozava de grande popularidade, e a sociedade, em sua maioria, apoiava as reformas de base. João Goulart caiu por suas virtudes, e não pelos supostos defeitos que seus detratores lhe imputam. Alguns celerados resolveram reeditar, há poucos dias, as famigeradas "Marchas pela família". As tais marchas, realizadas em algumas capitais, foram um absoluto fracasso. Uma prova de que, passados 50 anos, a consciência política dos brasileiros é muito maior, e eles não se deixam mais manipular tão facilmente. A data de hoje deve ser lembrada, sim, mas para que possamos deixar claro que um fato semelhante jamais voltará a ocorrer no país. Nunca mais.
domingo, 30 de março de 2014
Fracasso rotundo
A derrota do Grêmio para o Inter, por 2 x 1, de virada, hoje, na Arena, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Gaúcho, é daquelas que deixam marcas indeléveis. Um fracasso rotundo. Afinal, era um jogo pleno de significados. Foi o Gre-Nal de número 400 na história. O primeiro da Arena a ter um vencedor. Com o resultado, o Inter abriu 25 vitórias de vantagem no cômputo geral dos grenais. Como se vê, um revés terrível para o Grêmio. Porém, o Grêmio não fez por merecer melhor sorte, pois, tendo começado superior e feito 1 x 0 aos 14 minutos do primeiro tempo, recuou inexplicavelmente, dando campo ao adversário, situação que persistiu até o final do jogo. No intervalo, o técnico do Inter, Abel Braga, tomou uma providência que se revelaria decisiva, ao substituir Jorge Henrique, de fraca atuação, por Alan Patrick. O Inter passou a dominar inteiramente o jogo, sem que o técnico do Grêmio, Enderson Moreira, esboçasse qualquer reação. Só quando o Grêmio já havia sofrido o gol de empate é que ele começou a realizar trocas no time, mas já era tarde. O Grêmio já havia se mostrado vacilante contra o Brasil, de Pelotas, quando, após fazer 2 x 0, caiu de rendimento e proporcionou um gol para o adversário, no final, que, por pouco não deu contornos dramáticos a uma vitória que, até então, era tranquila. As grandes decepções do Grêmio, hoje, foram Dudu e Luan. Dudu mais pareceu um peladeiro, correndo para todos os lados sem objetividade. Luan, talvez convencido de ser um craque, abusou do individualismo, tentando driblar todos os que via pela frente, e sendo, quase sempre, desarmado. O título do Gauchão, dessa forma, está, praticamente, perdido para o Grêmio. Se vier a conquistar a competição, como tudo indica, o Inter será tetracampeão gaúcho, e abrirá uma vantagem de sete títulos estaduais sobre o Grêmio. Para piorar o quadro, o Grêmio terá um jogo importante pela Libertadores, quarta-feira, fora de casa, contra o Nacional, de Medellin, e terá a dura tarefa de impedir que a derrota no Gre-Nal abata o seu ânimo. Convenhamos, uma intenção que não será nada fácil de alcançar.
sábado, 29 de março de 2014
Gre-Nal 400
As datas e acontecimentos com números "redondos" sempre foram festejadas e exaltadas. Os cinquenta anos de união de um casal, o centenário de fundação de um município, por exemplo. Dessa forma, o Gre-Nal de amanhã, na Arena, terá um elemento adicional a enobrecer um clássico que já é tão pleno de significados. O Gre-Nal, tido até por pessoas fora do Rio Grande do Sul como o maior clássico brasileiro, dada a singular rivalidade entre os dois clubes rivais, Grêmio e Inter, será jogado pela 400ª vez! Uma história que começou há 105 anos, em 1909, de um confronto que, desde então, só fez crescer em empolgação e grandiosidade. Particularmente, já assisti, no estádio, mais de uma centena de grenais. Um jogo fascinante e emocionante como poucos. Embora no cômputo geral do enfrentamento o Grêmio esteja em desvantagem, o clube ainda está invicto nos grenais "redondos". No Gre-Nal 100, em 1948, no estádio da Timbaúva, houve empate em 0 x 0, e, com o resultado, o Grêmio ganhou, de forma invicta, o título do Torneio Extra. No Gre-Nal 200, em 1971, no Beira-Rio, o Grêmio venceu por 3 x 1. O Gre-Nal 300, em 1989, no Olímpico, na decisão do Campeonato Gaúcho, teve novo empate em 0 x 0, com o Grêmio vencendo por 4 x 3 nos tiros livres da marca do pênalti e tornando-se pentacampeão estadual. Portanto, para os supersticiosos, mais um fator a ser levado em consideração no jogo de amanhã, o primeiro da decisão do Gauchão de 2014. O Grêmio, por jogar em casa e ter um time mais testado, tem um leve favoritismo para a partida, mas num Gre-Nal tudo pode acontecer. Um jogo que já começa histórico, por alcançar uma marca tão expressiva, e que tem tudo para vir a ser lembrado e discutido muito tempo depois da sua realização, como grande parte dos grenais. Afinal, o Gre-Nal não combina com a banalidade, ele é, por natureza, um acontecimento notável. Resta esperar que, mais do que do esses apelos, o Gre-Nal 400 nos brinde com um grande jogo.
sexta-feira, 28 de março de 2014
A lista
A revista inglesa "World Soccer", em uma edição especial, apresenta uma lista com os 50 maiores jogadores da história das Copas do Mundo. Conforme os editores da revista, os critérios para a elaboração da lista são estatísticas diretas, prêmios por participação em Copas, papel decisivo em partidas, impacto em sua equipe, e legado deixado na história da competição. Listas desse tipo sempre são polêmicas, e com a da "World Soccer" não é diferente. Nos quatro primeiros lugares, a escolha parece bastante criteriosa, apresentando Pelé, Maradona, Beckenbauer e Garrincha, respectivamente. Porém, daí por diante, algumas posições são muito excêntricas. O quinto colocado, por exemplo, é Gerd Müller que, assim, ficou na frente de Ronaldo (6º), Cruyff (7º), e Zidane (8º). Gerd Müller foi um grande centroavante, tendo feito 14 gols nas duas Copas de que participou, mas colocá-lo a frente de Ronaldo e Romário é uma demasia. Romário, por sinal, aparece apenas em 13° lugar, uma posição atrás de Roberto Baggio. Isso soa como um contrassenso, já que, na Copa do Mundo de 1994, Romário foi a mais importante figura da Seleção Brasileira na conquista do título, e Baggio errou a cobrança de tiro livre da marca do pênalti que determinou o resultado da competição. Há jogadores que estão em posições absurdas. Puskas está em 11º lugar, quando, na verdade, teria de ficar abaixo, apenas, dos quatro primeiros. O 10º colocado, Mathaüs, teve o grande mérito de ter jogado cinco Copas do Mundo e disputado 25 jogos, recorde na história da competição, mas não era um grande craque. Didi, que é listado em 31º lugar, deveria estar entre os 10 primeiros. Platini, 18º colocado, também deveria estar entre os dez primeiros. Por outro lado, Cafu, 16º lugar, nem deveria integrar a lista. Buffon em 14º lugar também é uma demasia, ainda mais com Yashin estando apenas em 23º Os absurdos ficam por conta de Donovan, 48º, e Salenko, 49º. Afora os quatro primeiros colocados, indiscutíveis, a lista mais erra do que acerta, omitindo grandes jogadores, e incluindo nomes obscuros. Os mais jovens, não devem tomá-la como referência.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Machismo renitente
Uma pesquisa que acaba de ser divulgada dá conta de que 65% das pessoas consultadas concordam com a afirmação de que mulheres que usam roupas sensuais ou provocantes são responsáveis pela ocorrência de estupros. A ideia dos que pensam assim é a de que se as mulheres se vestirem de maneira mais comportada estarão evitando a hipótese de serem atacadas sexualmente. Afora ser uma visão absurdamente machista, traz nas suas entrelinhas o entendimento de que os homens não são capazes de refrear seus instintos, cabendo à mulher, então, não despertá-los. Num mundo que viveu a chamada revolução sexual há 50 anos, e que vem tendo aceleradas mudanças no campo comportamental, é estarrecedor constatar que ainda existam tantas pessoas com uma postura tão tacanha e conservadora. Isso só demonstra que, ao contrário de uma sociedade libertina e dissoluta como sustentam muitos, o que temos no Brasil é um moralismo anacrônico. Não faz tanto tempo assim, ainda aceitávamos que homens "lavassem sua honra" com sangue, assassinando suas mulheres, caso fossem traídos por elas, sendo absolvidos nos tribunais. O machismo é renitente no país, que insiste em não se livrar de conceitos obscurantistas. O caminho a percorrer para que tenhamos uma sociedade evoluída, como se pode constatar a partir do resultado de pesquisas como esta, é, ainda, muito longo.
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