segunda-feira, 10 de março de 2014
Implantes dentários
Os políticos são inesgotáveis na capacidade de produzir fatos que desgastem ainda mais a sua imagem, já tão deteriorada, perante a sociedade. Agora, veio a público que senadores gastaram até 70 mil reais cada um em implantes dentários, pagos com verba do Senado, ou seja com dinheiro público. Entre os que adotaram o procedimento, está o senador Pedro Simon (PMDB-RS), tido como uma das figuras de maior respeitabilidade no Congresso Nacional. Simon disse que não pagou pelos implantes porque não tinha dinheiro, já que vive do salário, e, como sempre, alegou que não fez nada fora da lei. O salário de um senador é de 26 mil reais. Será que essa quantia não permite pagar implantes dentários com recursos próprios? Ademais, a velha argumentação de ter agido dentro do que a lei faculta não serve como desculpa. Acima da lei está a ética e a consciência de cada um. O plano de saúde dos senadores é vitalício, extensivo a dependentes, e para ter direito a ele os parlamentares não precisam fazer nenhuma contribuição. Basta exercer o cargo por, pelo menos 180 dias. Enquanto isso, em Porto Alegre, um mutirão de cirurgias de cataratas do SUS submeteu as pessoas operadas, pobres e, na maioria, idosas, a mais de dez horas de espera para a liberação, sem receberem alimentação. A desfaçatez dos políticos brasileiros não tem limites, e o fosso entre classes no Brasil, também não. Uma triste realidade, que insiste em não se modificar.
domingo, 9 de março de 2014
Dever cumprido
Grêmio e Inter fizeram o que deles se espera quando enfrentam clubes pequenos pelo Campeonato Gaúcho. Venceram seus jogos. O Inter jogou primeiro, com seu time reserva, contra o Aimoré, no Cristo Rei, e saiu perdendo, num golaço de Marcelo Ramos. Porém, ainda no primeiro tempo, obteve o empate, com Eduardo Sasha. No segundo tempo, Wellington Paulista, num frango do goleiro Rafael, do Aimoré, fez 2 x 1, estabelecendo a virada. Mesmo com seu adversário perdendo várias chances de gol, o Inter manteve o resultado até o final, contando, para isso, com grandes defesas de Muriel. Nos 14 jogos que fez até agora, no Gauchão, o Inter utilizou o seu time reserva em oito partidas e, ainda assim, lidera a classificação geral, com 35 pontos. Mais tarde, o Grêmio, com seus titulares, venceu o Passo Fundo, na Arena, por 3 x 1. Embora o placar final folgado, o Grêmio levou um susto, pois o Passo Fundo saiu ganhando, aos dois minutos do primeiro tempo, com um gol de Bruninho. No entanto, logo aos seis minutos, Barcos empatou. Mesmo com muito tempo pela frente o resultado se manteve assim até o intervalo. No segundo tempo, Barcos, novamente, e Luan, num golaço, deram a vitória ao Grêmio. O resultado garantiu ao Grêmio o primeiro lugar do seu grupo, mas ele está nove pontos atrás do Inter na classificação geral, e pode ser ultrapassado pelo Brasil, de Pelotas, que tem apenas um ponto a menos e um jogo a mais por fazer. Foram partidas, enfim, que serviram para observações de alternativas de escalação, no caso do Inter, e como um aquecimento para o importantíssimo jogo contra o Newell's Old Boys, pela Libertadores, em se tratando do Grêmio. Ao contrário das últimas rodadas do campeonato estadual, dessa vez, ambos cumpriram com o seu dever.
sábado, 8 de março de 2014
Punição
O Brasil parece ter um problema crônico em relação à penalização de delitos, sejam eles quais forem. Se não opta pela impunidade, aplica sanções descabidas ou desproporcionais ao crime cometido. Anteontem, nesse espaço, enfoquei as recorrentes manifestações de racismo nos estádios de futebol, manifestando que, por se tratar de um crime, seus praticantes devem ir para a cadeia. Hoje, fiquei sabendo que o efeito prático quanto aos insultos racistas sofridos pelo árbitro Márcio Chagas da Silva no jogo Esportivo x Veranópolis, em Bento Gonçalves, poderá ser o rebaixamento do clube mandante, proprietário do estádio Montanha dos Vinhedos, onde a partida foi realizada. Não são poucos os que apoiam a medida, julgando que ações rigorosas como essa é que vão brecar as manifestações racistas. Nada mais despropositado! Se for rebaixado, o Esportivo terá enorme prejuízo técnico e financeiro, sem que isso implique numa punição às pessoas que praticaram os infames atos racistas. Em que a punição ao clube irá dissuadir os criminosos de cometerem novas atrocidades? Como sempre, a forte repercussão social de um fato, inspira soluções equivocadas, cujo único intuito parece ser o de dar uma satisfação para a opinião pública, mostrando que as "autoridades competentes" não fogem às suas responsabilidades. O ocorrido com Márcio Chagas da Silva não pode ficar impune. A penalização, no entanto, não deve se dar na esfera esportiva, e sim na criminal. A ideia, tão disseminada ultimamente, de que os clubes devem responder pelos atos de seus torcedores, é fascista e injustificada. Torcedores são indivíduos, como quaisquer outros. Se cometem crimes, cabe somente a eles responderem pelos seus atos.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Empate injustificável
A absurda tabela do Campeonato Gaúcho, que lhe impôs a disputa de quatro jogos num espaço de oito dias, forçou o Grêmio a colocar um time de reservas para jogar contra o São Luiz, hoje á noite, no 19 de Outubro. Ainda assim, o empate em 2 x 2 é injustificável para o Grêmio. O São Luiz é o lanterna absoluto do Gauchão e, em seu jogo anterior, foi goleado pelo Passo Fundo, fora de casa, por 4 x 1. Com qualquer time que colocasse em campo, o Grêmio tinha a obrigação de conseguir a vitória. Tudo parecia, inclusive, se encaminhar para isso, pois, com um minuto de jogo no primeiro tempo, Saimon fez 1 x 0 para o Grêmio. O jogo estava dominado pelo Grêmio, até que seu goleiro, Busatto, tomou um "frango". Esse gol desestabilizou o time, que, então, permitiu o crescimento do São Luiz em campo. Porém, ainda no primeiro tempo, mesmo sem jogar bem, o Grêmio fez 2 x 1, gol de Yuri Mamute. O segundo tempo transcorria tranquilo, com superioridade do Grêmio, quando, aos 42 minutos, Geromel marcou um gol contra. Não deu tempo para conseguir o gol da vitória. Com isso, o Grêmio, nas últimas três partidas pelo campeonato estadual, e jogando com os titulares em duas delas, conseguiu apenas dois pontos. Isso é inadmissível! Esse comportamento desleixado na competição fará com que o Grêmio, caso venha a decidi-la com o Inter, como tudo indica, tenha de realizar o segundo jogo na casa do adversário. O jogo de hoje, serviu, no entanto, para mostrar algumas situações muito claramente, e deixar interrogações quanto a outras. Jogadores como Léo Gago e Lucas Coelho não tem a menor condição de jogar no Grêmio. Yuri Mamute, mesmo tendo feito um gol, ainda não mostrou um futebol que justifique ser aproveitado no grupo. Busatto teve uma atuação horrorosa e deixou dúvidas sobre a sua capacidade. Por outro lado, Jean Deretti, de tão boas partidas no início do ano, tornou-se, inexplicavelmente, suplente do time reserva. Para um clube que carece de títulos, o desempenho do Grêmio não inspira confiança. A Libertadores é prioridade, claro, mas um clube que não ganha o campeonato do seu Estado há quatro anos, não pode tratá-lo com desdém.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Racismo
O racismo no futebol atingiu um estágio em que não pode mais ser tratado com desdém. Na Europa, é uma prática antiga e recorrente. Porém, o fenômeno está se disseminando pelo mundo. Manifestações racistas são, sempre, repugnantes, mas em alguns países, mais do que isso, são um contrassenso. Esse é o caso do Peru, onde, há algumas semanas, o jogador Tinga, do Cruzeiro, foi alvo de insultos racistas por parte da torcida do Real Garcilaso, e do Brasil, onde fatos semelhantes tem se repetido com frequência. Só entre ontem e hoje, foram dois, envolvendo o árbitro Márcio Chagas da Silva, no jogo Esportivo x Veranópolis, em Bento Gonçalves (RS), e o volante Arouca, do Santos, em partida contra o Mogi-Mirim, no município homônimo, no estado de São Paulo. O Peru é um país onde grande parte da população tem ascendência indígena. O Brasil é, essencialmente, mestiço, com uma expressiva porcentagem de negros entre os seus habitantes. Urge que se tomem providências céleres visando eliminar essa nódoa do futebol. Nesse sentido, é deplorável a declaração do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, de que o órgão que dirige nada pode fazer para resolver o problema. Aliás, para que servem a referida federação e seu inepto presidente? Racismo é crime e, por sinal, inafiançável. Lugar de criminoso é na cadeia.
quarta-feira, 5 de março de 2014
O revolucionário Paulo Barros
A Unidos da Tijuca é a campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, em 2014. Esse é o seu terceiro título nos últimos cinco anos, um feito extraordinário para uma escola de samba considerada pequena e que, antes dessas conquistas, só havia sido campeã em 1936. Por trás desse três títulos, um mesmo nome, o do carnavalesco Paulo Barros. Ele foi o responsável pela segunda grande revolução dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. A primeira, em meados dos anos 70, foi feita por Joãosinho Trinta, que colocou o luxo na avenida, em contraste com as fantasias e alegorias modestas de até então, obtendo um tricampeonato para a Beija-Flor, uma escola de samba que ainda era praticamente desconhecida e que, a partir dali, tornou-se uma das grandes. Paulo Barros fez a segunda revolução do Carnaval ao introduzir a tecnologia aliada à criatividade. Com isso, mais do que nunca, o Carnaval do sambódromo da Marquês de Sapucaí tornou-se um espetáculo na acepção da palavra, não apenas um desfile de alas. As comissões de frente, particularmente, se tornaram um enorme atrativo para o público, pois a cada ano, ficam mais criativas e surpreendentes. Joãosinho Trinta obrigou as demais escolas a aderirem ao luxo. Paulo Barros fez o mesmo quanto aos efeitos especiais e à inventividade. Assim como no caso da Beija-Flor, a Unidos da Tijuca, a partir do trabalho de um carnavalesco revolucionário, deverá passar, definitivamente, a ser considerada uma grande escola de samba.
Obrigação cumprida
Não se podia esperar outra coisa da Seleção Brasileira, hoje, no amistoso contra a África do Sul, no Soccer City, que não fosse a vitória, e ela veio. Portanto, a obrigação foi cumprida. Mais do que vencer, a Seleção goleou, o que nunca havia acontecido contra esse adversário. Até hoje, as vitórias da Seleção sobre a África do Sul haviam sido por um gol de diferença. O placar de 5 x 0 começou a ser construído cedo, com um gol de Oscar. No final do primeiro tempo, Neymar aumentou. Logo no início do segundo tempo, Neymar estabeleceu a goleada. Ela foi ampliada com um golaço de Fernandinho. No final, mais um gol de Neymar. Ainda que a África do Sul seja uma equipe modesta, e não vá participar da Copa do Mundo, foi uma vitória afirmativa, e que mostrou, para quem ainda duvida, que, sim, a Seleção tem um jogador capaz de fazer a diferença a seu favor, e ele se chama Neymar.
Empates
Mesmo jogando contra adversários modestos, Grêmio e Inter apenas empataram, hoje, pelo Campeonato Gaúcho. O Inter jogou primeiro, como mandante, no Estádio do Vale, e ficou no 1 x 1 com o São José. O primeiro tempo terminou com a vitória parcial do São José por 1 x 0, com um gol que o Inter alega ter resultado de um lance em impedimento. Somente aos 32 minutos do segundo tempo, com um belo gol de Rafael Moura, o Inter obteve o empate. Ainda que dispusesse de um tempo razoável para alcançar a virada, o Inter não a conseguiu. Se é verdade que o Inter está disparado na pontuação do Gauchão, e o resultado, portanto, não lhe traz maiores prejuízos, um empate, jogando com o seu time titular, contra um adversário frágil, justifica preocupações. Afinal, para atingir o objetivo a que se propõe no ano, o de ganhar uma competição nacional, o Inter terá de enfrentar oponentes bem mais qualificados. Mais tarde, foi a vez do Grêmio jogar contra um adversário de escasso potencial. O empate em 0 x 0 com o Cruzeiro, no Vieirão, em Gravataí, não pode ser aceito de modo algum. O Grêmio vinha de derrota, o que exigia uma reabilitação. Ainda que o Grêmio tenha criado muitas oportunidades de gol, não conseguiu marcar um sequer. Nos últimos seis pontos disputados, o Grêmio só obteve um, contra clubes pequenos. Em ambos, jogou com seu time titular, à exceção de Werley, no primeiro, e Riveros, hoje. Afora isso, nos jogos fora de casa no campeonato estadual, o Grêmio tem vencido pouco. Para um clube que diz querer vencer a competição e que deseja, também, o título da Libertadores, é muito pouco. Os resultados dessa noite ligaram o sinal de alerta para Grêmio e Inter. Será preciso muita mais futebol e aplicação para os dois, ou 2014 será um ano de frustrações para ambos.
terça-feira, 4 de março de 2014
O anticlímax da Copa
Nem nas minhas projeções mais pessimistas eu poderia esperar algo como o que se vê hoje, quando faltam apenas 100 dias para o início da Copa do Mundo, no Brasil. O clima de entusiasmo em relação à competição, praticamente, inexiste, e vive-se um anticlímax. As críticas feitas pela imprensa à escolha do Brasil como sede da competição, que imaginei que refluiíssem quando sua realização se aproximasse, permaneceram candentes. Os protestos continuam ocorrendo em todo o país, na linha do "Não vai ter Copa", "Nós queremos hospitais padrão Fifa", e outros. Sim, é verdade que as obras, como se esperava, foram, e muito, superfaturadas, que o atraso na conclusão dos estádios é vergonhoso, e que as construções de mobilidade urbana, em sua maioria, não ficarão prontas antes da Copa. Porém, mesmo se levando tudo isso em conta, é preciso lembrar que o Brasil vai sediar, pela segunda vez em sua história, a maior competição do futebol mundial. A primeira Copa realizada no Brasil foi há 64 anos, logo, assistir a competição em seu país será uma experiência inédita para a maioria dos brasileiros. Pela primeira vez, todos os campeões da história da Copa do Mundo estarão presentes numa mesma edição da competição. Só isso já serve para fazer da Copa de 2014 um espetáculo singular. Faltando, apenas, 100 dias para o início da disputa, os críticos sistemáticos e os ranzinzas de plantão bem poderiam mudar seu comportamento, para que todos nos empenhássemos em fazer da Copa de 2014 um acontecimento exitoso. Sediar uma Copa é um privilégio, não um castigo.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Espetáculo fascinante
Muitas pessoas torcem o nariz para o Carnaval. Entendem ser uma festa alienante e licenciosa. Não vejo assim. Ainda que o Carnaval já não seja tão integrado à população como no passado, permanece como um elemento cultural importante no Brasil. Nesse contexto, fascina-me, particularmente, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. A cada ano, é um espetáculo que parece superar-se em beleza e grandiosidade. Tive a oportunidade de assisti-lo ao vivo e me encantei com tudo o que envolve o desfile. Mesmo pela televisão, no entanto, sem a experiência insubstituível de testemunhar epidermicamente o festival de cores, luzes, ritmo e animação, o prazer diante do que os olhos veem é intenso. Para os que acham que, no Brasil, nada se faz que tenha um nível de excelência, o Carnaval do sambódromo do Rio de Janeiro é um desmentido enfático. Ele é uma prova da capacidade de trabalho e organização do povo brasileiro. Não é à toa que o Carnaval da Marquês de Sapucaí atrai turistas de todas as partes do mundo, muitos deles desfilando. Numa época em que o futebol mostra tanta desorganização e improvisação em relação à Copa do Mundo, para qual o país teve sete anos para se preparar, o Carnaval mostra o que é possível fazer de um ano para o outro, num trabalho cansativo e exigente, mas cujo resultado final é sempre empolgante. Se você ainda, não viu, não sabe o que está está perdendo. Deixe o mau humor e o preconceito de lado, e entregue-se à magia desse espetáculo único e fascinante.
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