domingo, 8 de dezembro de 2013

Encerramento melancólico

O Campeonato Brasileiro de 2013 se encerrou nesse fim de semana, de maneira melancólica. Os jogos mostraram o baixo nível técnico observado durante toda a competição. Faltou futebol, e, para piorar, um jogo chamou mais a atenção pela violência chocante fora de campo, do que pelo que ocorreu dentro dele. No sábado, Flamengo e Cruzeiro fizeram um jogo com dois times cheios de reservas para um surpreendente público de 41 mil pessoas no Maracanã, numa partida que nada valia para a tabela. Dentro de campo, aconteceu o mais lógico, um empate em 1 x 1, que contentou a todos. Ainda no sábado, o Corinthians encerrou sua medíocre participação no Brasileirão perdendo para o Náutico, lanterna absoluto, por 1 x 0, na Arena Pernambuco. Uma triste despedida para o Corinthians, que não se encontrou durante o campeonato. O resultado permitiu ao Náutico manter em poder do América-RN a condição de pior campanha na história dos Campeonatos Brasileiros. Um modesto consolo. Hoje, ocorreram todos os demais jogos, que definiam classificações para a Libertadores e rebaixamentos. Como era de se esperar, Portuguesa e Grêmio, no Canindé, não saíram do empate. Afinal, o resultado garantia o vice-campeonato para o Grêmio, e a permanência da Portuguesa na primeira divisão. No final, 0 x 0, com o Grêmio tendo várias chances claras de gol, mas todos terminando o jogo satisfeitos. O Inter, para "coroar" um desempenho abaixo da crítica na competição, apenas empatou em 0 x 0 com o time reserva da Ponte Preta, que foi treinada pelos auxiliares do técnico Jorginho, que não veio para o jogo no Francisco Stédile. A torcida do Inter vaiou o time. Nos demais jogos, o Goiás, confirmando a fama de "cavalo paraguaio", ficou fora da Libertadores ao ser goleado, em casa, pelo Santos, que não aspirava mais nada no campeonato. O Coritiba aproveitou-se do desinteresse do São Paulo, outro clube que apenas cumpria tabela, venceu-o por 1 x 0, no estádio Novelli Júnior, em Itu (SP), e se manteve na primeira divisão. O Botafogo goleou o Criciúma por 3 x 0, no Maracanã, e com a derrota do Goiás, entrou na zona de classificação para a Libertadores, da qual só sairá se a Ponte Preta ganhar a Copa Sul-Americana. O Criciúma, mesmo tendo perdido, não foi rebaixado, pois foi ajudado pelos resultados paralelos. O Vitória, que ainda sonhava com uma remota chance de classificação para a Libertadores, chegou a fazer 2 x 0 no Atlético Mineiro, no Independência, mas acabou cedendo o empate em 2 x 2. Chegamos então aos dois jogos de mais tristes consequências. O Fluminense ganhou de virada do Bahia, por 2 x 1, na Arena Fonte Nova, mas, com a vitória do Coritiba, acabou rebaixado. Um fato inédito e vexatório é que o Fluminense é o primeiro clube a ser campeão brasileiro num ano e rebaixado no seguinte. O Vasco não só caiu para a segunda divisão, na Arena Joinville, como foi goleado pelo Atlético Parananense por 5 x 1. Depois de sair perdendo por 1 x 0, o Vasco chegou a empatar, mas foi vitimado por uma atuação defensiva desastrosa, especialmente do zagueiro Cris. Porém, o principal acontecimento desse jogo não foi a partida em si. Aos 16 minutos do primeiro tempo, quando o Atlético Paranaense vencia por 1 x 0, uma briga feroz entre as duas torcidas paralisou o jogo por mais de uma hora, deixou um saldo de quatro feridos, e abalou o país e o mundo com as imagens transmitidas pela televisão. Um triste acontecimento que, somado ao futebol pobre mostrado na rodada, fez o Campeonato Brasileiro terminar sem deixar saudade.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Candidato próprio

O que já vinha sendo especulado se confirmou, e o PDT terá candidato próprio a governador do Rio Grande do Sul em 2014. O candidato escolhido também é o que estava sendo aventado, o deputado federal Vieira da Cunha. Com isso, mais um partido abandona a base de sustentação do governo Tarso Genro. O primeiro a fazê-lo foi o PSB, para engajar-se na candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a presidente. Em princípio, é saudável que os partidos lancem candidatos próprios aos cargos majoritários. Isso fortalece a sigla perante o eleitor. Porém, nem sempre um partido possui entre seus quadros nomes com a devida densidade eleitoral. Para concorrer com chances numa pleito majoritário é preciso um potencial de votos muito maior do que para uma eleição proporcional. Vieira da Cunha já provou sua capacidade de eleger-se para a Assembléia e Câmara dos Deputados, mas não parece ter condições suficientes para vencer uma eleição em que estarão concorrendo o atual governador, Tarso Genro, do PT, e a senadora Ana Amélia Lemos, do PP. Um dos trunfos do PDT será, sem dúvida, o seu candidato a senador, o jornalista Lasier Martins,de grande popularidade. Ainda assim, isso não parece suficiente, pois o voto não é vinculado e nada impede que um eleitor de Lasier vote em Tarso ou Ana Amélia para governador. O PDT, na verdade, sempre careceu de grandes nomes. Sua maior expressão no Rio Grande do Sul ainda é Alceu Collares, que, não por acaso, elegeu-se prefeito de Porto Alegre e governador pelo partido. Collares, no entanto, já está com 85 anos, o que o afasta dos embates eleitorais. O pleito de 2014 servirá para que o PDT mostre uma condição de protagonismo junto ao eleitorado, não sendo apenas um integrante de uma ampla coligação chefiada por outro partido, mas não será dessa vez que conseguirá eleger, novamente, o governador do Estado.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Grupo fácil

Hoje foi o dia, tão esperado, do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014. O Brasil pegou um grupo fácil, com Croácia, Camarões e México. Com exceção da Croácia, a Seleção Brasileira não deverá enfrentar maiores dificuldades nos jogos da primeira fase. A partir daí, no entanto, o grau de exigência aumentará. Nas oitavas de final, a Seleção deverá enfrentar a Holanda, ou, até mesmo, a Espanha, atual campeã mundial. Se chegar até às quartas de final, enfrentará, possivelmente, a Inglaterra, e nas semifinais, a Alemanha. Se chegar até à decisão, terá pela frente Argentina, Espanha (caso ela tenha sido campeã do seu grupo na primeira fase} ou Itália. Como se vê, após um início ameno, o caminho da Seleção até o título não será fácil. Porém, com uma equipe definida, um técnico que já foi campeão da competição e contando com o fator local que representa ter sempre a quase totalidade do público presente ao estádios em seus jogos torcendo a seu favor, a Seleção tem tudo para conquistar a Copa e exorcizar de vez a derrota para o Uruguai em 1950. Como é de costume, a primeira fase da Copa terá um "grupo da morte". Será o Grupo D, composto de Itália, Uruguai, Inglaterra e Costa Rica. Um grupo que soma sete títulos de Copa do Mundo! O mais fraco dos grupos é o C, com Colômbia, Costa do Marfim, Grécia e Japão. O que mais importa, contudo, é a convicção de que a Copa de 2014 tem tudo para ser a melhor de todos os tempos. Afinal, ela vai reunir todas as oito seleções que já ganharam a competição. Agora, é só começar a contagem regressiva para que o Brasil sedie, pela segunda vez, a mais importante disputa do futebol mundial.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nélson Mandela

O mundo perdeu hoje uma figura histórica: Nélson Mandela. Uma daquelas pessoas que despertam a admiração de todos, fascinadas pelo exemplo de vida, por uma existência marcada pela integridade e honradez. Um defensor permanente da paz e da conciliação que, mesmo tendo passado mais de 20 anos preso, não buscou vingança contra seus detratores. Lutou contra o apartheid, a terrível segregação racial da África do Sul, e colheu a vitória. Ao tornar-se o primeiro presidente negro do país, marcou a superação de um período vergonhoso não só para a África do Sul, mas para a humanidade. Buscou sempre o entendimento, não o confronto. Sua imagem era a de um homem paternal, transmitia bondade e acolhimento. Um líder pelo exemplo, não por rompantes e bravatas. Uma prova de que a brandura não significa fraqueza. Mandela foi, e continuará sendo, um símbolo, não só para seu país, mas para o mundo inteiro. Um símbolo da tolerância, do entendimento, da superação de conflitos, da busca da eliminação das barreiras que dividem os seres humanos. Não foi um político, mas um estadista. Um ícone, uma personalidade atemporal de uma existência longa e profícua. Como ele próprio dissera, a morte é inevitável, e ela chegou para Mandela na provecta idade de 95 anos. Certamente, morreu em paz, com a consciência tranquila de quem soube, como poucos, fazer a sua parte.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Mau resultado

A Ponte Preta começou mal a disputa do título da Copa Sul-Americana, contra o Lanus (ARG). Hoje, no Pacaembu, apenas empatou  em 1 x 1. O Lanus saiu na frente, já no segundo tempo, e a Ponte Preta conseguiu igualar o placar quando o jogo já se aproximava do final. Ambos os gols foram de falta, e muito bonitos. No primeiro tempo, Santiago Silva, centroavante do Lanus, conhecido por suas limitações técnicas, perdeu um gol incrível. Foi um mau resultado para a Ponte Preta, pois, como era a mandante do primeiro jogo, era importante que vencesse para poder enfrentar com mais chances a segunda e decisiva partida, na casa do adversário. Um novo empate, por qualquer placar, levará a decisão para os tiros livres da marca do pênalti. A esperança da Ponte Preta é que, nas fases anteriores da competição, ela venceu o Criciúma, o Velez Sarsfield e o São Paulo nos jogos fora de casa. Nada está perdido, portanto, mas o Lanus ficou com o favoritismo para o título.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Castigado por viver mais

A expectativa média de vida continua crescendo no Brasil. Ela já chega a 74,6 anos. Em média, as mulheres já vivem mais de 78 anos, e os homens 70 anos e 11 meses. Isso deveria ser motivo de satisfação, pelo que revela de avanço da medicina e das condições gerais de saúde da população, mas também tem a sua face perversa. Os brasileiros estão sendo punidos por viverem mais, pois quem está em vias de se aposentar, a partir dos novos dados de expectativa de vida revelados pelo IBGE, terá de trabalhar por um tempo a mais do que o planejado, e seus ganhos serão reduzidos. Portanto, mais uma vez os aposentados estão sendo tungados. Os apologistas da necessidade de "salvar" a Previdência Social há tempos insistem que ela apresenta déficits crescentes e que essa situação tem de ser equacionada. Com base nesse argumento, o governo Fernando Henrique Cardoso criou o famigerado fator previdenciário e desvinculou o reajuste dos benefícios do aumento do salário mínimo, o que levou os aposentados a uma condição de crescente defasagem de seus ganhos. Estamos, então, diante de um mecanismo perverso, em que quanto mais a longevidade dos brasileiros se expandir, mais eles estarão expostos a miserabilidade na fase de suas vidas em que mais necessitam de recursos. No Brasil, ter uma vida longa parece ser uma afronta, e os aposentados é que são punidos por isso. Incrivelmente, o brasileiro está sendo castigado por viver mais.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pedro Rocha

Um dia antes de completar 71 anos, faleceu, hoje, o ex-jogador uruguaio Pedro Rocha. Ele foi vítima de uma doença degenerativa, a atrofia do mesencéfalo, contra a qual lutava há vários anos, que lhe comprometera a fala e os movimentos. Pedro Rocha foi o único jogador uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo. Pelé o considera um dos cinco maiores jogadores de todos os tempos. No Peñarol, ganhou oito campeonatos uruguaios, três Libertadores da América, e dois Campeonatos Mundiais de Clubes. Pelo São Paulo, jogou de 1971 a 1977, fez 324 partidas e marcou 119 gols, conquistou dois campeonatos paulistas e um brasileiro. No Brasil, jogou, ainda, por Coritiba, Palmeiras e Bangu, e encerrou sua carreira no Al Nassr, da Arábia Saudita, em 1980. Também foi técnico, sem  muito êxito, e, entre outros, clubes, treinou o Inter, onde teve uma passagem rápida e apagada. Porém, como jogador, sua qualidade era indiscutível. Um craque de uma época de ouro do futebol. Apenas quatro dias depois de Nílton Santos, outro craque que esteve em quatro Copas do Mundo, é mais um artista da bola que nos deixa.

Entusiasmo arrefecido

Desde que o argentino Jorge Bergoglio foi escolhido como o novo papa, que adotou por nome Francisco, a revista "Veja" brindou-lhe com toda a sorte de elogios e referências positivas. Francisco foi apontado pela revista como o homem que viera para salvar a Igreja, dar-lhe uma nova face, limpá-la da presença de pedófilos e homossexuais entre seus membros, conter a perda de fiéis para outras religiões, entre muitas outras tarefas. Sua bondade, carisma, simpatia e acessibilidade eram saudadas pela publicação. Porém, ao divulgar o primeiro documento de relevo de seu papado, a exortação apostólica "Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho), Francisco sofreu as primeiras críticas da revista que tanto o exaltava, indicando que o entusiasmo da publicação pela sua figura pode estar arrefecendo. Tudo porque, numa análise percuciente e praticamente irrebatível, Francisco condenou o livre mercado e criticou o capitalismo. Num trecho particularmente inspirado, Francisco escreveu o seguinte: "Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum". Essas verdades, incontestáveis à luz da razão, não foram, é claro, assimiladas por "Veja". A revista argumentou que o "legítimo" direito de acumular riqueza nasceu das próprias costelas trincadas da Igreja pela Reforma Protestante, no século XVI, que segundo o filósofo alemão Max Weber, tirou dos cristãos os dilemas éticos e morais que os impediam de obter lucro. "Veja" considerou, também, que se o papa olhasse com atenção o governo "antidemocrático" da Argentina da presidente Cristina Kirchner, perceberia que a solução é menos, e não mais, Estado. Por fim, a publicação afirma que ao transformar uma solução, o livre mercado, em problema, Francisco pode estar se encaminhando para pregar no deserto. Nada mais falso. Francisco acertou na "mosca". Suas palavras vão ao encontro do que sentem na carne os desvalidos e do que tem consciência as mentes mais lúcidas e esclarecidas. Ter sofrido críticas de uma publicação tão repugnantemente conservadora e neoliberal como "Veja" é um sinal inequívoco do acerto do que escreveu.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Melhor do que a encomenda

O Grêmio ganhou do Goiás por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma vitória como tantas outras do Grêmio no Brasileirão, sem jogar bem, marcando apenas um gol, abusando dos chutões, concedendo posse de bola ao adversário, sofrendo até o apito final. Porém, a rodada não poderia ter sido melhor para o Grêmio, pois, afora vencer um concorrente direto pela classificação da Libertadores, viu outros dois clubes com o mesmo objetivo, Atlético Paranaense e Botafogo, serem derrotados. Com isso, o Grêmio voltou a ser o vice-líder da competição, posição que só perderá se, na última rodada, for derrotado pela Portuguesa e o Atlético Paranaense vencer o Vasco. Portanto, o Grêmio está com o vice-campeonato encaminhado, o que lhe dará a classificação direta para a Libertadores. Os resultados de hoje, no entanto, já garantiram o Grêmio, pelo menos na pré-Libertadores, pois não há mais hipótese de o clube terminar o campeonato abaixo do terceiro lugar. Foi uma rodada melhor do que a encomenda para o Grêmio, que fez a sua parte e foi ajudado pelos resultados paralelos. Agora, resta confirmar o vice-campeonato, na última rodada e, depois, tratar de montar um time que possa dar a perspectiva concreta de ganhar a Libertadores novamente.

sábado, 30 de novembro de 2013

Pelada

O Inter empatou com o Corinthians em 0 x 0, hoje, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Poucas vezes o resultado de um jogo foi tão previsível. O Corinthians tem enorme dificuldades para marcar gols, e está totalmente desmotivado, por não aspirar mais nada no Brasileirão. Nem mesmo a despedida do técnico Tite em jogos do Corinthians como mandante, que levou 35 mil pessoas ao estádio, foi capaz de tornar o time menos letárgico. Para o Inter, o empate interessava, pois era o ponto que faltava para afastar de vez a hipótese, que já era remota, de rebaixamento. A consequência foi uma partida fraquíssima, uma autêntica pelada, em que os dois times poderiam ficar jogando durante dias que, ainda assim, não marcariam gols. Nem mesmo o fato de ter ficado com um jogador a mais em campo desde os oito minutos do segundo tempo, quando Williams foi expulso, fez o Corinthians crescer em campo. O futebol praticado pelos dois times foi horroroso, incompatível com a tradição dos dois clubes, mas que espelha fielmente o que foram as suas campanhas na competição.. Em resumo, um jogo para ser esquecido.