sábado, 16 de novembro de 2013
Goleada sobre a violência
A Seleção Brasileira goleou Honduras por 5 x 0, hoje, em amistoso, no estádio Sun Life, em Miami. Ainda que Honduras não seja uma grande equipe, está classificada para a Copa do Mundo de 2014, e tem em seu currículo o feito de ter eliminado a Seleção Brasileira da Copa América de 2001. O jogo terminou o primeiro tempo com vitória da Seleção por 1 x 0. O elástico resultado final se explica porque Honduras esqueceu-se de jogar futebol e apelou para a violência, especialmente sobre Neymar. No futebol atual, parece que o fato de um jogador ser altamente técnico desperta o ódio dos adversários, que se sentem "desrespeitados" quando são vítimas de sua categoria superior. Neymar apanhou o tempo todo em que esteve em campo, sob a absoluta complacência do árbitro. Porém, Neymar e seus companheiros não perderam a cabeça, e responderam com gols e jogadas inspiradas à violência hondurenha. O futebol da Seleção agradou, ainda que se desconte a fragilidade do adversário. O próximo amistoso, contra o Chile, terça-feira, deverá ter um grau de exigência maior.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
As prisões dos réus do mensalão
A imprensa conservadora brasileira está em êxtase. Os réus do mensalão, finalmente, irão para a cadeia. Condenados por vários crimes, eles cumprirão pena por aqueles para os quais não cabe o recurso dos embargos infringentes. Bem, se são culpados, é correto que paguem por seus delitos. Porém, o que não é tolerável é a ideia de que estes réus foram responsáveis pelo "maior escândalo da história do país". Como se pode mensurar escândalos a ponto de se estabelecer uma hierarquia? Num país tão pródigo em malfeitos ao longo de sua história, porque o mensalão ostentaria tal condição? Na verdade, por trás da fúria moralizante da grande imprensa, o que existe é interesse político, uma busca desesperada de colar o escândalo ao governo, deteriorando sua imagem junto ao eleitorado. Isso vem sendo tentado desde 2005, quando da descoberta do mensalão. Sem sucesso. O fato não impediu a reeleição do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, nem que fizesse de Dilma Rousseff a sua substituta. Nada indica que isso venha a mudar. Dilma deverá se reeleger, provavelmente no primeiro turno. O eleitor, por certo, vê como acertada a medida de prender quem cometeu crimes. No entanto, ele sabe que isso não implica em retirar seu apoio a um governo que tem feito muito pelo setores mais desassistidos da sociedade. Programa Bolsa Família, política de cotas nas universidades, ProUni, expansão da classe média, são muitas as ações dos governos Lula e Dilma em favor de uma sociedade mais inclusiva. Isso é o que tem pesado na decisão de voto dos brasileiros, e, tudo indica, prosseguirá prevalecendo. Punir transgressores é uma obrigação, mas isso nada tem a ver com uma mudança nos ocupantes do poder. Para isso, é preciso uma proposta alternativa a de quem está governando, coisa que a oposição continua a não ter.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
A volta para a segunda página
O Inter perdeu para o Atlético Mineiro, por 2 x 1, hoje á noite, no Independência, pelo Campeonato Brasileiro. Num jogo que valia muito pouco, o Inter perdeu mais uma partida. Em todo o segundo turno, até agora, o Inter ainda não conseguiu ganhar dois jogos seguidos. No domingo, após a vitória sobre o Botafogo, um dos diretores de futebol do Inter, Luís César Souto de Moura, destacou a importância do clube ter voltado para a "primeira página da tabela", referindo-se ao fato de que os programas de televisão mostram a tabela de classificação do Brasileirão em duas partes, do 1º ao 10º lugar e do 11º ao 20º. Para Souto de Moura, a chegada ao 10º lugar era motivo de satisfação, por colocar o Inter, novamente, na primeira página. Um pensamento, sem dúvida, muito pequeno para um clube da expressão do Inter. Pois o contentamento de Souto de Moura durou pouco. Com a derrota de hoje, o Inter caiu para o 11º lugar, voltando para a segunda página. Um final de ano melancólico para um clube que tem uma folha de pagamentos altíssima e é sempre apontado como um dos favoritos para o título da competição. O próximo jogo do Inter será contra o Goiás, no Serra Dourada. Historicamente, o Inter não tem um bom retrospecto contra o Goiás jogando como visitante. Afora isso, o clube goiano entrou na zona de classificação para a Libertadores e vive grande fase. Uma vitória do Goiás pode trazer problemas para o Grêmio, que também luta para classificar-se para a Libertadores. Com todos esses fatores somados, fica difícil acreditar num bom resultado do Inter. Para o Inter, os quatro jogos que restam até o fim do campeonato são apenas uma contagem regressiva para as férias.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Uma noite de sorte
O Grêmio ganhou do Vasco por 1 x 0, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Depois de sete jogos sem vitórias, e seis sem marcar gols, o Grêmio voltou a ganhar. O futebol do time não melhorou em nada, mas, pelo menos, a vitória veio. O gol que quebrou com o jejum de resultados positivos foi do zagueiro Rhodolfo. O ataque, como sempre, primou pela ineficiência. Kléber completou 15 jogos sem marcar gols, algo inconcebível para um atacante. Sua atuação segue, invariavelmente, o mesmo padrão. Lento, pesado, longe da área, sem vitória pessoal sobre seus marcadores, tentando cavar faltas. Barcos teve oportunidades para marcar, mas desperdiçou-as. Zé Roberto, afora a cobrança de escanteio que resultou no gol de Rhodolfo, nada fez de útil. Alex Telles foi, simplesmente, desastroso. Suas atuações pioram a cada jogo. Ao longo da partida, a torcida demonstrou, várias vezes, a sua insatisfação. Na saída para o intervalo, com o jogo ainda empatado em 0 x 0, explodiu em vaias. O apoio ao técnico Renato já não é majoritário entre os torcedores. Na verdade, o que ficou de bom do jogo foi a vitória. Para melhorar, os resultados paralelos foram quase todos positivos. Se a vitória do Goiás sobre a Ponte Preta não foi boa para o Grêmio, foi compensada pela derrota do Atlético Paranaense para o Criciúma e o empate do Botafogo com a Portuguesa. Outro resultado favorável foi a derrota do Vitória para o Cruzeiro, que impediu o clube baiano de se aproximar da zona de classificação da Libertadores. Agora, o Grêmio terá mais um jogo em casa, contra o Flamengo, que deverá poupar jogadores pensando no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, na quarta-feira, e poderá se beneficiar do fato de que Botafogo e Atlético Paranaense farão um confronto direto na busca pela classificação para a Libertadores. Se vencer o Flamengo, e o Atlético Paranaense não ganhar do Botafogo, o Grêmio voltará para o segundo lugar no Brasileirão, que garante classificação direta para a Libertadores. Se o futebol continua precário, a sorte começa a sorrir, de novo, para o Grêmio.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
A exumação de João Goulart
A exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, que será realizada a partir de amanhã, é um fato de grande significado para a história do Brasil. Goulart era um presidente legítimo, que foi derrubado do cargo por um espúrio golpe militar, o qual jogou o país numa ditadura assassina que durou 21 anos. A causa oficial da morte de Goulart foi um ataque cardíaco, mas, há muito tempo, existem suspeitas de que ele teria sido envenenado por ordem do regime militar. Com a exumação de seus restos mortais, essa dúvida será dirimida. Isso já poderia ter sido feito há mais tempo. Agora, já se passaram 37 anos da morte de Goulart. Porém, antes tarde do que nunca. Ainda que autoridades como o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, digam que o procedimento não tem conotações políticas, é inegável sua repercussão nesse campo, principalmente se a hipótese de envenenamento for confirmada. O Brasil precisa passar a limpo o período mais trágico da sua história. Pena que, no que tange aos crimes dos agentes da ditadura, continue a vigorar a mais absoluta impunidade, ao contrário do que fizeram nossos vizinhos, Uruguai e Argentina, em relação aos seus governos militares. Ao contrário do que sustenta a imprensa conservadora, o país nada ganha empurrando sua sujeira para debaixo do tapete. Há que se encarar os traumas do passado, em vez de ignorá-los. Com a exumação dos restos mortais de João Goulart o Brasil dá um passo para o acerto de contas com a sua história, o que deve servir de exemplo para ações futuras.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Felipe Massa na Williams
O piloto brasileiro Felipe Massa assinou contrato com a Williams por três anos. Assim, afasta-se a hipótese de que o Brasil ficasse sem um piloto na Fórmula-1, o que seria extremamente lamentável. Massa teve uma calorosa despedida da Ferrari, no autódromo de Mugello, na Itália, na qual compareceram 15 mil pessoas, mesmo abaixo de chuva. Ele ainda fará mais duas corridas pela equipe, os grandes prêmios dos Estados Unidos e do Brasil, que encerrarão o Campeonato Mundial de F-1 de 2013. Massa foi recebido com euforia na Williams, que vem tendo desempenhos modestos nos últimos campeonatos, e que teve em 2013 o seu pior ano na F-1, mas que pretende voltar aos seus melhores tempos a partir de 2014. "Para nós, hoje é Natal", chegou a dizer Cléo Williams, filha do proprietário da equipe, Frank Williams, quando da apresentação oficial de Massa. A Williams tem sete títulos de pilotos e nove de construtores na F-1, e Felipe Massa é o sétimo brasileiro a correr pela equipe. Nélson Piquet, inclusive, conquistou o último de seus três títulos mundiais pela Williams, em 1987. Se levarmos em conta os resultados da Williams nos últimos anos, as perspectivas de Massa lutar por vitórias e títulos não parecem as mais animadoras. Porém, trata-se de uma equipe com grande retrospecto e que fez uma série de outras contratações para o seu corpo técnico visando voltar às grandes conquistas. Afora isso, Massa será o primeiro piloto, sem ficar à sombra de outro, como acontecia na Ferrari, com o espanhol Fernando Alonso. Saudemos, portanto, o fato de que o Brasil continuará sendo representado na F-1, e façamos votos de que Massa e a Williams retornem, juntos, ao tempo em que somavam vitórias.
domingo, 10 de novembro de 2013
Tranquilidade
O Inter ganhou do Botafogo por 2 x 1, hoje à tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, a hipótese de rebaixamento, que já era muito remota, foi totalmente afastada. Os últimos cinco jogos do Brasileirão, portanto, serão de absoluta tranquilidade para o Inter, que apenas cumprirá tabela. Circunstancialmente, a vitória do Inter também beneficiou o Grêmio, pois impediu que o Botafogo o ultrapassasse na classificação. Agora, com o Inter livre de qualquer ameaça de rebaixamento, e sem nenhum objetivo dentro da competição, não faltará quem levante a hipótese dele entregar o jogo que fará contra o Goiás, no Serra Dourada, no próximo final de semana, a fim de prejudicar o Grêmio. Seja como for, o Inter está liberado para projetar o ano de 2014. Com o clube sem ter mais o que buscar até o fim do campeonato, é obrigação dos dirigentes começarem a planejar o próximo ano, se não quiserem repetir o fracasso deste e do anterior.
Agonia
O Grêmio foi goleado pelo Cruzeiro, hoje à tarde, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. A agonia da torcida prossegue, pois o Grêmio não marca um gol há seis jogos! Dessa vez, as chances até apareceram, e as duas maiores foram em chutes de Barcos, um que bateu na trave, outro que foi defendido espetacularmente pelo goleiro Fábio. Assim mesmo, não dá para aceitar as justificativas do técnico do Grêmio, Renato, para o resultado. Renato argumentou que o Grêmio jogou bem e que teve chances de fazer gols, o que só não conseguiu devido às grandes defesas de Fábio. Não é verdade. A atuação do Grêmio foi muito ruim no primeiro tempo, só melhorando, um pouco, no segundo. Mais uma vez, mesmo perdendo o jogo, Renato voltou do intervalo com o mesmo time. Pior, só mexeu no time aos 32 minutos do segundo tempo, quando o Cruzeiro já tinha feito três substituições. A entrevista de Renato, após o jogo, também foi lamentável. Exaltou o fato de que o Grêmio está há 21 semanas no G4, disse que só não assinou a renovação de seu contrato por que não quis, e ainda provocou o Inter, ao declarar que seu clube ainda tem objetivos no Brasileirão, enquanto outros já estão de férias há muito tempo. Renato criou um sistema tático com três zagueiros e três volantes que foi o responsável pela ascensão do Grêmio na competição. Tudo indica, no entanto, que esse esquema já perdeu o seu prazo de validade. Renato tem de buscar uma nova alternativa. O que antes era uma certeza, a classificação para a Libertadores, agora está seriamente ameaçada. O últimos jogos do campeonato eram para ser um tranquilo cumprimento de tabela para o Grêmio, mas transformaram-se num drama sem garantia de um final exitoso.
sábado, 9 de novembro de 2013
Competitividade
O "chefão" da Fórmula-1, Bernie Ecclestone, cogita a ideia de que a categoria mais importante do automobilismo mundial possa, mais uma vez, mudar o seu sistema de pontuação. Dessa vez, a proposta é de que a F-1 adote um sistema semelhante ao do circuito mundial de tênis, em que alguns torneios fornecem mais pontos do que outros para o estabelecimento do ranking. Assim, algumas corridas dariam mais pontos do que outras. A F-1 já realizou mudanças na sua pontuação anteriormente. Durante muitos anos, apenas os seis primeiros colocados pontuavam, e o vencedor recebia 9 pontos. Mais tarde, talvez para optar por um número mais "redondo", o vencedor passou a receber 10 pontos. Há alguns anos, houve uma mudança mais radical, e o vencedor passou a ganhar 25 pontos, com a zona de pontuação se estendendo até o 10º lugar, o que se mantém até hoje. Na verdade, o que há por trás da proposta de Ecclestone é a tentativa de garantir a competitividade da F1. Ele, certamente, está incomodado com a ampla superioridade do atual tetracampeão da categoria, Sebastian Vettel, que caminha para bater todos os recordes da F-1. A F-1 não é apenas um esporte, é, também uma atração transmitida pela televisão, e a previsibilidade atual de suas corridas pode diminuir o interesse do público. A preocupação do dirigente da F-1, portanto, é compreensível. Disputas mais acirradas aumentam o interesse das pessoas pelas competições esportivas. Há, por exemplo, quem não goste da fórmula de campeonatos de futebol em pontos corridos, de há muito implantada na Europa e que só chegou ao Brasil em 2003, por julgá-la pouco competitiva. Em contrapartida, exaltam as competições do tipo "mata-mata", cujo modelo de disputa nivela adversários de potenciais distintos. Particularmente, sou fã dos pontos corridos, por entender que é a mais justa fórmula para se definir um campeão. Os melhores não podem ser punidos pela sua maior qualidade. Ainda que a superioridade de um esportista ou de uma equipe, por vezes, torne algumas competições previsíveis quanto ao seu resultado, esse é o preço a se pagar quando se está diante de um talento, individual ou coletivo, superior. Como expressa o slogan de uma premiação publicitária, nada substitui o talento. Ele tem todo o direito de se mostrar na sua plenitude, e de obter os resultados correspondentes.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Irrelevância
Vivemos em uma época de notáveis avanços científicos e tecnológicos. Em consequência disso, nossa existência é cercada de confortos e recursos inimagináveis para nossos antepassados, e a longevidade humana, beneficiada pelo progresso da medicina, se expande cada vez mais. Tudo isso deveria fazer com que estivéssemos num período luminoso da história, mas não é o que acontece. A vida não se faz só de aspectos objetivos, possui uma grande carga de subjetividade, que envolve valores, expectativas, anseios, necessidades. O aspecto cultural também é importantíssimo. Em tais terrenos, parece que estamos involuindo. A produção cultural, decaiu de qualidade em relação ao passado. O conteúdo de jornais, revistas e internet, e as programações de rádio e televisão são marcadas pelo culto ao descartável, ao insignificante. São inúmeras matérias sobre celebridades, o que elas fazem, o que dizem, que lugares frequentam, que gafes cometem, onde passam suas férias. O padrão "revista Caras" espalhou-se por todos os veículos de comunicação. Enormes espaços são reservados para notícias que nada informam, sobre fatos que, na sua essência, não tem nenhuma importância. Numa sociedade marcada pelo consumo desenfreado e pela descartabilidade, até mesmo o jornalismo e a cultura foram tomados pelo supérfluo. Temos acesso a um volume de informações cada vez maior, mas apenas na quantidade. Tudo o que exige aprofundamento e reflexão foi deixado de lado, a superficialidade se impôs. Devíamos estar experimentando uma etapa grandiosa da história humana, mas, ao contrário, a aridez toma conta de nossas vidas. Em vez de movidos por ideais grandiosos, estamos cercados pela irrelevância.
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