sábado, 19 de outubro de 2013

Os 100 anos de Vinícius de Moraes

O dia de hoje marca a passagem dos 100 anos de nascimento de Vinícius de Moraes. Vinícius foi diplomata, poeta e compositor. Nestas duas últimas atividades, está entre os maiores do Brasil em todos os tempos. Foi um dos pais da Bossa Nova, movimento musical que mudou a face da música popular brasileira. Junto com Tom  Jobim, compôs "Garota de Ipanema", a segunda música mais tocada de todos os tempos, atrás, apenas, de "Yesterday", dos Beatles. Vinícius foi múltiplo e intenso. Na vida pessoal, teve nove casamentos e muitos filhos. Amava a boemia e as mulheres. Compôs, também, para crianças. Afora Tom Jobim, teve vários parceiros, como Carlinhos Lyra, Baden Powell, Chico Buarque de Holanda, Toquinho. Com eles, compôs obras-primas da música brasileira, criações inesquecíveis e atemporais. Poucos souberam falar tão bem sobre o amor. Sua poesia não tem o tom academicista, fala direto ao coração, sem escalas. Vinícius é, sem dúvida, um patrimônio cultural brasileiro. A data de hoje merece ser reverenciada. O Brasil é um país com muitos talentos nos campos artístico e cultural, dos quais Vinícius é uma das maiores expressões. O centenário de nascimento de Vinícius de Moraes é uma ótima oportunidade para que os mais jovens possam tomar contato com a sua obra. Discos, livros, programas de televisão, matérias em jornais e internet, estão revivendo a trajetória pessoal e a obra de Vinícius. Para os que já apreciam Vinícius, um motivo para revisitá-lo. Para os que ainda não o conhecem a fundo, uma chance de fazê-lo que não deve ser desperdiçada.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Anistia injusta

O novo procurador geral da República, Rodrigo Janot, em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, observa que a anistia brasileira deve se submeter às convenções internacionais que tratam do assunto. De acordo com tais convenções, tortura e morte de opositores políticos são crimes contra a humanidade, e, consequentemente, imprescritíveis. Portanto, ao contrário da interpretação em vigor no Brasil, militares e agentes que violaram direitos humanos na ditadura não podem ser beneficiados pela Lei de Anistia. Sem dúvida, é reconfortante que alguém que ocupe um cargo dessa relevância tenha esse discernimento. O ocupante anterior da função, Roberto Gurgel, tinha um entendimento contrário sobre o assunto. Por várias vezes, neste espaço, firmei minha posição de inconformidade com a anistia a quem praticou crimes tão hediondos. O argumento de que a anistia de 1979 era para os dois lados que se enfrentaram durante a ditadura militar é cínico, igualando desiguais. Coloca na mesma balança os que foram perseguidos por defender o país e a democracia e os seus algozes, que perpetraram torturas e assassinatos covardes. Países como Uruguai e Argentina também passaram por ditaduras ferozes, mas, depois de se livrarem delas, puniram com severidade os seus agentes. A manifestação de Janot vem, em muito boa hora, reavivar o debate em torno da questão. A imprensa conservadora e a elite brasileira insistem em dizer que a anistia foi para ambos os lados e que não se deve remexer mais nessas feridas, que o país precisa livrar-se desse esqueleto. Trata-se de uma interpretação muito conveniente para os interesses de tais grupos, mas que não serve ao país. O Brasil precisa, de uma vez por todas, virar essa página de sua história, mas não pela via do esquecimento, e sim da justa e devida punição aos torturadores e assassinos da espúria ditadura militar. Só assim o Brasil poderá seguir em frente, livre de amarras do passado. Varrer a sujeira para baixo do tapete não é solução, é perpetuação de uma abominável impunidade..

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Censura

Há poucos dias, escrevi sobre a tentativa de um grupo de artistas de impedir a publicação de biografias não autorizadas. O grupo denomina-se "Procure Saber", e é integrado, entre outros, por Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque de Holanda. Retorno ao assunto porque a polêmica em torno dele ampliou-se nos meios de comunicação. Não se pense que estamos diante de um tema que opõe a classe artística de um lado e biógrafos e editoras de outro. Entre os que condenam a posição do "Procure Saber" estão nomes como Fágner, Alceu Valença e Ivan Lins. Biografias autorizadas ou submetidas a verificação prévia são de pouco ou nenhum interesse para o leitor, pois a tendência é que sejam "chapa-branca", isto é, só relatem o que é favorável ou elogioso ao biografado. A liberdade de expressão é um pilar de qualquer sociedade que se pretenda democrática. Em nome da preservação da privacidade o que se está tentando fazer é, simplesmente, censura. O mais chocante é que quem está propondo tal medida já sofreu na carne o peso da repressão. Os revezes, no entanto, não tardaram. Após dizer que não havia concedido entrevista para o autor da biografia de Roberto Carlos, Paulo César de Araújo, e ser confrontado com a comprovação de que ela ocorreu, Chico Buarque de Holanda lhe pediu desculpas públicas. A imagem, antes imaculada, de Chico, Caetano e outros integrantes do grupo como baluartes da luta contra o autoritarismo e o obscurantismo sofreu um enorme arranhão. Os supostos prejuízos que pudessem vir a sofrer com a publicação de alguma biografia que considerassem inconveniente seriam, certamente, muito menores do que o desgaste que tiveram em suas imagens de heróis da cultura brasileira. Antes ícones, agora serão vistos como ídolos caídos do pedestal. Em nome de interesses mesquinhos e de uma ação censória injustificável, feriram o seu maior patrimônio, o conceito público amplamente favorável de que, até agora, gozavam. Decididamente, o movimento por eles lançado foi um tiro que saiu pela culatra.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Tabu mantido

O Inter empatou em 0 x 0 com o Santos, hoje, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. O tabu de jamais ter vencido o Santos na Vila Belmiro prossegue para o Inter. O Inter chegou a ser superior no primeiro tempo, mas não traduziu esse fato em vantagem no placar. No segundo tempo, diminuiu o seu ímpeto, parecendo resignar-se com o empate. A campanha do clube segue insatisfatória, muito abaixo das expectativas. Afinal, o Inter está 21 pontos atrás do líder do Brasileirão, o Cruzeiro, e 11 de seu maior rival, o Grêmio. Domingo, por sinal, irá jogar contra o Grêmio, no Francisco Stédile. O mando de campo talvez seja sua única vantagem para a partida. O momento do Grêmio é melhor, e não é nenhum exagero lhe atribuir o favoritismo para a partida. As ambições dos dois clubes, dentro da competição, nesse momento, são muito desiguais. Enquanto o Inter tentará, apenas, atrapalhar a caminhada do seu adversário, o Grêmio buscará consolidar sua classificação direta para a Libertadores e manter suas esperanças, ainda que remotas, de conquistar o título. Ganhar o Gre-Nal poderia dar ao Inter uma motivação maior para tentar eliminar o Atlético Paranaense, na Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, no Durival de Brito, o que, hoje, parece pouco provável, dado o momento dos dois times. Em um Gre-Nal tudo pode acontecer, mas enquanto o Grêmio mostra grande mobilização, o Inter dá a impressão de apenas cumprir tabela.

Vitória suada

O Grêmio venceu o Corinthians por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Os dois times mostraram extremos cuidados defensivos, e o primeiro tempo acabou num previsível 0 x 0. Na volta do intervalo, o técnico do Grêmio, Renato, fez uma substituição que acabaria sendo decisiva. Mudou o esquema do 3-5-2 para o 4-4-2, trocando um zagueiro, Bressan, por um meia, Máxi Rodriguez. A mudança trouxe ao Grêmio uma presença ofensiva e uma retenção de bola de que o time não dispusera até então. Máxi Rodriguez passou a preocupar a defesa do Corinthians com penetrações insinuantes, passes e lançamentos. O lance que decidiu o jogo foi de sua autoria, um passe magnífico para Barcos, que matou no peito e fez um golaço, quebrando um jejum de mais de um mês sem marcar gols. A vitória manteve o Grêmio 10 pontos atrás do Cruzeiro, líder do Brasileirão, que também ganhou hoje. Se o Botafogo tropeçar amanhã, jogando contra o Vitória, no Barradão, o Grêmio voltará a ser vice-líder isolado da competição. A sucessão de jogos difíceis, no entanto, continuará para o Grêmio. A próxima partida pelo Campeonato Brasileiro será contra o Inter, domingo, no Francisco Stédile. Na quarta-feira da semana que vem, seu adversário será o Corinthians, novamente na Arena, pela Copa do Brasil, num jogo em que será decidido quem irá para as semifinaus. O jogo de hoje não foi muito diferente dos anteriores para o Grêmio. Mais uma vez, o time marcou apenas um gol. A diferença é que, dessa vez, ele lhe valeu a vitória, ao contrário das duas últimas partidas, em que havia sofrido uma derrota e amargado um empate no final. O retorno das vitórias consolida o Grêmio na zona de classificação para a Libertadores e aumenta a confiança do time para as partidas difíceis que tem pela frente. Com seu futebol de pouco brilho e muita aplicação, o Grêmio segue muito vivo nas duas competições que disputa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Definições

A Seleção Brasileira venceu a de Zâmbia por 2 x 0, em amistoso realizado, hoje, em Pequim. Apesar da pouca expressão do adversário, que jamais participou de uma Copa do Mundo, o jogo serviu para o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, encaminhar a formação definitiva do grupo que irá disputar a Copa do Mundo de 2014. Afinal, serão apenas mais três amistosos até a lista final de convocados para a Copa. Três jogadores foram sacados da equipe no intervalo, Lucas, Alexandre Pato e Ramires. No caso de Ramires isso não deve indicar um corte, pois ele já tem um currículo respeitável a serviço da Seleção, mas Lucas e Alexandre Pato dificilmente serão chamados novamente. Lucas vive uma prolongada má fase, tanto na Seleção quanto em seu clube, o Paris Saint Germain, e Alexandre Pato continua sem confirmar as expectativas que foram depositadas nele desde o começo de sua carreira. Sua atuação, hoje, foi, mais uma vez opaca, e o mesmo vem acontecendo no Corinthians. Mais cara contratação da história do futebol brasileiro, tendo custado R$ 40 milhões aos cofres do clube paulista, até hoje não se firmou como titular, e parece mais empenhado em levar uma vida de superstar fora de campo. Dentre os que ainda buscam cavar um lugar no grupo, Dedé, certamente, ganhou pontos junto a Felipão. Marcou um dos gols e chorou emocionado, mostrando a importância que dá à Seleção. Maxwell é outro que deverá confirmar sua participação na Copa, pois, dentre os jogadores testados para a reserva de Marcelo, foi o que deu a melhor resposta. A Seleção Brasileira está com sua formação para a Copa encaminhada. As poucas dúvidas existentes começam a ser dirimidas. A fase não é mais de testes em série de jogadores, mas de definições. A Copa do Mundo se aproxima, e a Seleção já está quase pronta para a busca do sexto título mundial.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Favoritismo

A ansiedade da imprensa conservadora brasileira em desalojar o PT do poder levou-a a tirar conclusões precipitadas sobre os protestos de junho nas ruas de várias cidades do país. Os movimentos foram interpretados como uma rejeição ao governo, abrindo a possibilidade de uma mudança nos ocupantes do poder. Algumas pesquisas, feitas pouco tempo depois dos protestos, ajudaram a fazer crescer essas especulações. Nelas, a popularidade da presidente Dilma Rousseff sofria sensíveis quedas. Houve até quem, em face de tais números, aventasse a hipótese do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva assumir a candidatura, para evitar a derrota de seu partido. Agora, quatro meses depois das manifestações de rua, uma pesquisa do Instituto Datafolha revela que a popularidade de Dilma Rousseff voltou a subir, e que, caso seus adversários na eleição sejam Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a presidente deverá ganhar no primeiro turno. Muitos devem ter se surpreendido com tais dados. Eu não. Sempre achei que a possibilidade de uma derrota de Dilma era muito remota. Por mais que a imprensa se esforce em divulgar escândalos e povoar a mente da população com fantasmas como o da volta da inflação, a maioria do eleitorado brasileiro continua a apoiar o governo. Não se trata de algo casual ou irrefletido, mas de uma escolha consciente. O eleitor age assim porque é capaz de constatar os benefícios concretos que obteve na atual administração. Por isso, concedeu dois mandatos sucessivos para Lula, e deverá fazer o mesmo com Dilma. Os programas sociais, as políticas de cotas, e tantas outras iniciativas de afirmação da cidadania, fazem com que o eleitor mantenha a sua preferência pelo atual governo. Não serão denúncias em série ou previsões catastrofistas que mudarão esse quadro. Para que haja uma troca no poder, é preciso que quem está na oposição proponha algo melhor para o eleitorado. Isso, até hoje, não aconteceu, e o PT deverá seguir governando o país por muito tempo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Efetivação

O Inter goleou o Náutico por 4 x 1, hoje à tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiiro. O time não chegou a fazer uma grande atuação, mas, diante da fragilidade do adversário, lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, não teve dificuldade em construir o placar dilatado. O Náutico chegou a fazer um razoável primeiro tempo. Depois de D'Alessandro marcar um belo gol, o time pernambucano ainda conseguiu empatar. Porém, numa jogada em que Otavinho ficou desmarcado e pode ajeitar a bola para o chute, e em que o goleiro estava adiantado, o Inter desempatou. No segundo tempo, o jogo seguia com o mesmo placar do primeiro até o árbitro expulsar um jogador do Náutico. A partir daí, as coisas se tornaram fáceis e o Inter marcou mais dois gols. Após o jogo, um dos diretores de futebol do Inter, Marcelo Medeiros, anunciou que Clemer deixou de ser técnico interino, e está efetivado no cargo até o final do ano. Uma decisão acertada. Nenhum grande técnico está disposto a assumir no Inter antes de janeiro. Clemer conhece o grupo e o clube, e tem amplo apoio da torcida. Em termos salariais, também sai bem mais barato do que um "figurão". Se era a chance que Clemer precisava, ou se ainda é muito cedo para esse desafio, só o tempo irá dizer, mas, diante das circunstâncias, não havia alternativa melhor.

sábado, 12 de outubro de 2013

Duro castigo

O Grêmio empatou com o Fluminense em 1 x 1, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um resultado com sabor de derrota, pois o Grêmio vencia o jogo e sofreu o gol de empate aos 45 minutos do segundo tempo. Mais uma vez, o Grêmio sofreu um terrível prejuízo da arbitragem, que marcou um impedimento de Kléber quando ele ainda estava no campo de defesa, agravado pelo fato de que Gum, do Fluminense, lhe dava condição de jogo. Kléber ficaria de frente com o goleiro, se o lance não fosse paralisado. Na sequência, o Fluminense marcou o seu gol. Porém, ainda que o erro de arbitragem tenha sido "gravíssimo" e "sem explicação", conforme consideraram, respectivamente, Róger Flores e Edinho, comentaristas do Sportv, o resultado não deixou de ser um duro castigo pela postura do Grêmio em campo. Novamente, como havia ocorrido uma semana antes contra o Botafogo, o Grêmio realizou um jogo de muita marcação e fez um gol ainda no primeiro tempo e, também da mesma forma, abdicou de jogar no segundo, tentando, apenas, manter o placar. Contra o Botafogo deu certo, mas, como a comprovar que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, hoje o Grêmio sofreu o gol de empate no final do jogo, com poucas chances para tentar reagir. O esquema com três zagueiros e três volantes já comprovou sua eficiência, mas o Grêmio não pode jogar como fez no segundo tempo de hoje, apenas dando chutões e concedendo a posse de bola para o adversário. Tanta chance deu para o azar que acabou vitimado. O erro crasso de arbitragem que antecedeu o gol só dá um toque ainda mais cruel para o desfecho do jogo, mas não exime o Grêmio de culpa. Clube grande não pode ter uma postura tão covarde como a do Grêmio na partida de hoje. Tomara que o técnico do Grêmio, Renato, tenha humildade suficiente para perceber isso, e não permitir que se repita.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vício autoritário

O Brasil, infelizmente, é um país que padece de um vício autoritario. A democracia ainda é algo raro e exótico no país. O período de continuidade democrática iniciado em 1985 e que vem até os dias de hoje é o maior da história do Brasil. Antes disso, só um outro, muito breve, entre 1946 e 1964. Afora isso, tudo o que se teve no país foram regimes autoritários ou simulacros de democracia. A consequência disso é que o conservadorismo, o apreço pela censura e a simpatia pelas soluções de força se enraizaram no íntimo dos brasileiros. Muitos acham que só uma ditadura é capaz de colocar o país nos eixos, outros clamam por censura aos meios de comunicação, em nome da moral e dos bons costumes. Essa visão tacanha e retrógrada por parte de muitos brasileiros não é novidade, o chocante é quando figuras que encarnaram ideais de rebeldia e contestação adotam um discurso semelhante. Há, atualmente, no Brasil, um movimento de personalidades do meio artístico que tenta inibir a produção de biografias não autorizadas. O grupo, que entre outros tem Caetano Veloso, Djavan, Jorge Mautner e Paula Lavigne, quer que os biografados tenham acesso prévio ao texto da obra e, também, a uma porcentagem do faturamento. Trata-se de uma proposta censória, por um lado, e argentária, por outro. Biografias são obras de grande interesse para a memória de um país. Se submetidas a uma verificação prévia de seu texto, tendem a se tornar insossas ou laudatórias, excluindo partes que, justamente por serem mais impactantes e polêmicas, são as que mais despertam o interesse do leitor. Ah, dirão alguns, mas é justamente isso o que se quer evitar, ou seja, a exposição de fatos de sua intimidade que o biografado não queira trazer a público. Porém, uma personalidade pública não pode querer reger a sua vida pelos parâmetros de um cidadão comum. As noções de privacidade que se aplicam aos mortais comuns não se estendem às pessoas de sucesso. Sua vida, ao contrário da dos anônimos, desperta grande interesse. Tudo o que a elas se refira, e não apenas a sua obra em si, chama a atenção do grande público. Ressalvados os casos de exploração sensacionalista ou de difusão de inverdades e calúnias, facilmente enquadráveis pela legislação já existente, não há razão para se cercear a elaboração de biografias. Esse é o lado censório do movimento. O outro lado, é o argentário. Não há justificativa para que os biografados recebam porcentagens do faturamento das biografias. No Brasil, as tiragens de livros são baixas, ninguém enriquecerá escrevendo biografias. Essa não é a primeira vez que artistas se voltam contra obras do gênero. Roberto Carlos conseguiu tirar de circulação um livro sobre sua vida que em nada o comprometia ou prejudicava e, posteriormente, entrou na Justiça para impedir o lançamento de uma obra sobre a Jovem Guarda. O que os artistas precisam entender é que, a partir do momento em que se tornam figuras públicas, eles ganham fama e dinheiro, mas perdem o direito á privacidade. Suas vidas, pelo interesse que despertam, não mais lhes pertencem. Excetuadas as abordagens escandalosas ou inverídicas, as biografias são obras de grande interesse para a memória cultural de um país. Sua produção deveria ser, cada vez mais, incentivada, nunca desestimulada.