quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Vitória suada

O Grêmio venceu o Corinthians por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Os dois times mostraram extremos cuidados defensivos, e o primeiro tempo acabou num previsível 0 x 0. Na volta do intervalo, o técnico do Grêmio, Renato, fez uma substituição que acabaria sendo decisiva. Mudou o esquema do 3-5-2 para o 4-4-2, trocando um zagueiro, Bressan, por um meia, Máxi Rodriguez. A mudança trouxe ao Grêmio uma presença ofensiva e uma retenção de bola de que o time não dispusera até então. Máxi Rodriguez passou a preocupar a defesa do Corinthians com penetrações insinuantes, passes e lançamentos. O lance que decidiu o jogo foi de sua autoria, um passe magnífico para Barcos, que matou no peito e fez um golaço, quebrando um jejum de mais de um mês sem marcar gols. A vitória manteve o Grêmio 10 pontos atrás do Cruzeiro, líder do Brasileirão, que também ganhou hoje. Se o Botafogo tropeçar amanhã, jogando contra o Vitória, no Barradão, o Grêmio voltará a ser vice-líder isolado da competição. A sucessão de jogos difíceis, no entanto, continuará para o Grêmio. A próxima partida pelo Campeonato Brasileiro será contra o Inter, domingo, no Francisco Stédile. Na quarta-feira da semana que vem, seu adversário será o Corinthians, novamente na Arena, pela Copa do Brasil, num jogo em que será decidido quem irá para as semifinaus. O jogo de hoje não foi muito diferente dos anteriores para o Grêmio. Mais uma vez, o time marcou apenas um gol. A diferença é que, dessa vez, ele lhe valeu a vitória, ao contrário das duas últimas partidas, em que havia sofrido uma derrota e amargado um empate no final. O retorno das vitórias consolida o Grêmio na zona de classificação para a Libertadores e aumenta a confiança do time para as partidas difíceis que tem pela frente. Com seu futebol de pouco brilho e muita aplicação, o Grêmio segue muito vivo nas duas competições que disputa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Definições

A Seleção Brasileira venceu a de Zâmbia por 2 x 0, em amistoso realizado, hoje, em Pequim. Apesar da pouca expressão do adversário, que jamais participou de uma Copa do Mundo, o jogo serviu para o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, encaminhar a formação definitiva do grupo que irá disputar a Copa do Mundo de 2014. Afinal, serão apenas mais três amistosos até a lista final de convocados para a Copa. Três jogadores foram sacados da equipe no intervalo, Lucas, Alexandre Pato e Ramires. No caso de Ramires isso não deve indicar um corte, pois ele já tem um currículo respeitável a serviço da Seleção, mas Lucas e Alexandre Pato dificilmente serão chamados novamente. Lucas vive uma prolongada má fase, tanto na Seleção quanto em seu clube, o Paris Saint Germain, e Alexandre Pato continua sem confirmar as expectativas que foram depositadas nele desde o começo de sua carreira. Sua atuação, hoje, foi, mais uma vez opaca, e o mesmo vem acontecendo no Corinthians. Mais cara contratação da história do futebol brasileiro, tendo custado R$ 40 milhões aos cofres do clube paulista, até hoje não se firmou como titular, e parece mais empenhado em levar uma vida de superstar fora de campo. Dentre os que ainda buscam cavar um lugar no grupo, Dedé, certamente, ganhou pontos junto a Felipão. Marcou um dos gols e chorou emocionado, mostrando a importância que dá à Seleção. Maxwell é outro que deverá confirmar sua participação na Copa, pois, dentre os jogadores testados para a reserva de Marcelo, foi o que deu a melhor resposta. A Seleção Brasileira está com sua formação para a Copa encaminhada. As poucas dúvidas existentes começam a ser dirimidas. A fase não é mais de testes em série de jogadores, mas de definições. A Copa do Mundo se aproxima, e a Seleção já está quase pronta para a busca do sexto título mundial.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Favoritismo

A ansiedade da imprensa conservadora brasileira em desalojar o PT do poder levou-a a tirar conclusões precipitadas sobre os protestos de junho nas ruas de várias cidades do país. Os movimentos foram interpretados como uma rejeição ao governo, abrindo a possibilidade de uma mudança nos ocupantes do poder. Algumas pesquisas, feitas pouco tempo depois dos protestos, ajudaram a fazer crescer essas especulações. Nelas, a popularidade da presidente Dilma Rousseff sofria sensíveis quedas. Houve até quem, em face de tais números, aventasse a hipótese do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva assumir a candidatura, para evitar a derrota de seu partido. Agora, quatro meses depois das manifestações de rua, uma pesquisa do Instituto Datafolha revela que a popularidade de Dilma Rousseff voltou a subir, e que, caso seus adversários na eleição sejam Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a presidente deverá ganhar no primeiro turno. Muitos devem ter se surpreendido com tais dados. Eu não. Sempre achei que a possibilidade de uma derrota de Dilma era muito remota. Por mais que a imprensa se esforce em divulgar escândalos e povoar a mente da população com fantasmas como o da volta da inflação, a maioria do eleitorado brasileiro continua a apoiar o governo. Não se trata de algo casual ou irrefletido, mas de uma escolha consciente. O eleitor age assim porque é capaz de constatar os benefícios concretos que obteve na atual administração. Por isso, concedeu dois mandatos sucessivos para Lula, e deverá fazer o mesmo com Dilma. Os programas sociais, as políticas de cotas, e tantas outras iniciativas de afirmação da cidadania, fazem com que o eleitor mantenha a sua preferência pelo atual governo. Não serão denúncias em série ou previsões catastrofistas que mudarão esse quadro. Para que haja uma troca no poder, é preciso que quem está na oposição proponha algo melhor para o eleitorado. Isso, até hoje, não aconteceu, e o PT deverá seguir governando o país por muito tempo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Efetivação

O Inter goleou o Náutico por 4 x 1, hoje à tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiiro. O time não chegou a fazer uma grande atuação, mas, diante da fragilidade do adversário, lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, não teve dificuldade em construir o placar dilatado. O Náutico chegou a fazer um razoável primeiro tempo. Depois de D'Alessandro marcar um belo gol, o time pernambucano ainda conseguiu empatar. Porém, numa jogada em que Otavinho ficou desmarcado e pode ajeitar a bola para o chute, e em que o goleiro estava adiantado, o Inter desempatou. No segundo tempo, o jogo seguia com o mesmo placar do primeiro até o árbitro expulsar um jogador do Náutico. A partir daí, as coisas se tornaram fáceis e o Inter marcou mais dois gols. Após o jogo, um dos diretores de futebol do Inter, Marcelo Medeiros, anunciou que Clemer deixou de ser técnico interino, e está efetivado no cargo até o final do ano. Uma decisão acertada. Nenhum grande técnico está disposto a assumir no Inter antes de janeiro. Clemer conhece o grupo e o clube, e tem amplo apoio da torcida. Em termos salariais, também sai bem mais barato do que um "figurão". Se era a chance que Clemer precisava, ou se ainda é muito cedo para esse desafio, só o tempo irá dizer, mas, diante das circunstâncias, não havia alternativa melhor.

sábado, 12 de outubro de 2013

Duro castigo

O Grêmio empatou com o Fluminense em 1 x 1, hoje, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um resultado com sabor de derrota, pois o Grêmio vencia o jogo e sofreu o gol de empate aos 45 minutos do segundo tempo. Mais uma vez, o Grêmio sofreu um terrível prejuízo da arbitragem, que marcou um impedimento de Kléber quando ele ainda estava no campo de defesa, agravado pelo fato de que Gum, do Fluminense, lhe dava condição de jogo. Kléber ficaria de frente com o goleiro, se o lance não fosse paralisado. Na sequência, o Fluminense marcou o seu gol. Porém, ainda que o erro de arbitragem tenha sido "gravíssimo" e "sem explicação", conforme consideraram, respectivamente, Róger Flores e Edinho, comentaristas do Sportv, o resultado não deixou de ser um duro castigo pela postura do Grêmio em campo. Novamente, como havia ocorrido uma semana antes contra o Botafogo, o Grêmio realizou um jogo de muita marcação e fez um gol ainda no primeiro tempo e, também da mesma forma, abdicou de jogar no segundo, tentando, apenas, manter o placar. Contra o Botafogo deu certo, mas, como a comprovar que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, hoje o Grêmio sofreu o gol de empate no final do jogo, com poucas chances para tentar reagir. O esquema com três zagueiros e três volantes já comprovou sua eficiência, mas o Grêmio não pode jogar como fez no segundo tempo de hoje, apenas dando chutões e concedendo a posse de bola para o adversário. Tanta chance deu para o azar que acabou vitimado. O erro crasso de arbitragem que antecedeu o gol só dá um toque ainda mais cruel para o desfecho do jogo, mas não exime o Grêmio de culpa. Clube grande não pode ter uma postura tão covarde como a do Grêmio na partida de hoje. Tomara que o técnico do Grêmio, Renato, tenha humildade suficiente para perceber isso, e não permitir que se repita.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vício autoritário

O Brasil, infelizmente, é um país que padece de um vício autoritario. A democracia ainda é algo raro e exótico no país. O período de continuidade democrática iniciado em 1985 e que vem até os dias de hoje é o maior da história do Brasil. Antes disso, só um outro, muito breve, entre 1946 e 1964. Afora isso, tudo o que se teve no país foram regimes autoritários ou simulacros de democracia. A consequência disso é que o conservadorismo, o apreço pela censura e a simpatia pelas soluções de força se enraizaram no íntimo dos brasileiros. Muitos acham que só uma ditadura é capaz de colocar o país nos eixos, outros clamam por censura aos meios de comunicação, em nome da moral e dos bons costumes. Essa visão tacanha e retrógrada por parte de muitos brasileiros não é novidade, o chocante é quando figuras que encarnaram ideais de rebeldia e contestação adotam um discurso semelhante. Há, atualmente, no Brasil, um movimento de personalidades do meio artístico que tenta inibir a produção de biografias não autorizadas. O grupo, que entre outros tem Caetano Veloso, Djavan, Jorge Mautner e Paula Lavigne, quer que os biografados tenham acesso prévio ao texto da obra e, também, a uma porcentagem do faturamento. Trata-se de uma proposta censória, por um lado, e argentária, por outro. Biografias são obras de grande interesse para a memória de um país. Se submetidas a uma verificação prévia de seu texto, tendem a se tornar insossas ou laudatórias, excluindo partes que, justamente por serem mais impactantes e polêmicas, são as que mais despertam o interesse do leitor. Ah, dirão alguns, mas é justamente isso o que se quer evitar, ou seja, a exposição de fatos de sua intimidade que o biografado não queira trazer a público. Porém, uma personalidade pública não pode querer reger a sua vida pelos parâmetros de um cidadão comum. As noções de privacidade que se aplicam aos mortais comuns não se estendem às pessoas de sucesso. Sua vida, ao contrário da dos anônimos, desperta grande interesse. Tudo o que a elas se refira, e não apenas a sua obra em si, chama a atenção do grande público. Ressalvados os casos de exploração sensacionalista ou de difusão de inverdades e calúnias, facilmente enquadráveis pela legislação já existente, não há razão para se cercear a elaboração de biografias. Esse é o lado censório do movimento. O outro lado, é o argentário. Não há justificativa para que os biografados recebam porcentagens do faturamento das biografias. No Brasil, as tiragens de livros são baixas, ninguém enriquecerá escrevendo biografias. Essa não é a primeira vez que artistas se voltam contra obras do gênero. Roberto Carlos conseguiu tirar de circulação um livro sobre sua vida que em nada o comprometia ou prejudicava e, posteriormente, entrou na Justiça para impedir o lançamento de uma obra sobre a Jovem Guarda. O que os artistas precisam entender é que, a partir do momento em que se tornam figuras públicas, eles ganham fama e dinheiro, mas perdem o direito á privacidade. Suas vidas, pelo interesse que despertam, não mais lhes pertencem. Excetuadas as abordagens escandalosas ou inverídicas, as biografias são obras de grande interesse para a memória cultural de um país. Sua produção deveria ser, cada vez mais, incentivada, nunca desestimulada.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Açodamento

O Inter perdeu por 2 x 1 para o Flamengo, hoje à noite, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Foi a quinta derrota do Inter nos últimos seis jogos. Em meio a elas, uma única vitória, contra o Fluminense, na estreia de Clemer como técnico interino. Foi o que bastou para que muitos defendessem sua efetivação. O fato de a vitória ter sido por apenas 1 x 0, contra um adversário com somente três titulares, foi solenemente ignorado. Projeções otimistas começaram a ser feitas. O jogo de hoje mostrou que tais análises foram marcadas pelo açodamento. A derrota para o Flamengo mostrou um Inter com os mesmos problemas do tempo de Dunga. Uma defesa velha e vulnerável, volantes limitados, um goleiro em fase instável. Leandro Damião, festejado pelo gol contra o Fluminense, depois de 12 jogos sem marcar, voltou a jogar pouco. Diante de um Flamengo esforçado mas limitado, o Inter não teve forças para se impor, Chegou a estar perdendo por 2 x 0, e só depois de marcar um gol é que foi com maior insistência para o ataque, mas o jogo já estava próximo do final e o Flamengo conseguiu manter o resultado. Bastou uma nova derrota para que o otimismo desse lugar ao desencanto e a ideia de que, em vez de efetivar Clemer, o Inter tem de trazer um novo técnico efetivo. Assim, na ciclotimia própria do futebol, o Inter navega ao sabor dos resultados. Olhando os fatos com rigor, entretanto, o que se vê é uma campanha muito fraca do Inter, muito abaixo das expectativas. Se a possibilidade de rebaixamento é muito remota, a de título inexiste há muito tempo e a de classificação para a Libertadores é reduzida. Decididamente, ainda que o clube permaneça com chances na Copa do Brasil, 2013 se encaminha para ser uma página virada para o Inter. Está na hora de começar a projetar 2014.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Resultado desastroso

O Grêmio perdeu para o Criciúma por 2 x 1, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Sabia-se que era um jogo traiçoeiro, por ser contra um adversário que está na zona de rebaixamento. Depois de enfrentamentos contra concorrentes diretos às primeiras posições do Brasileirão, Atlético Paranaense e Botafogo, é natural que se encare o Criciúma sem a mesma condição anímica. Afora isso, o Grêmio estava muito desfalcado, e o técnico Renato, em vez de manter o desenho tático, alterou-o. Escalou apenas dois zagueiros, em lugar dos habituais três, e recolocou no time Elano e Zé Roberto. Assim, o Grêmio, que vinha jogando sem nenhum meia, teve três, pois Máxi Rodriguez também entrou no time, e um volante a menos. Não foi à toa que o Grêmio, depois de ficar quatro jogos sem tomar gols, sofreu dois numa única partida. Com um zagueiro e um volante a menos, o sistema defensivo ficou mais frágil. Mais lógico teria sido escalar Saimon na zaga, mantendo os três zagueiros, e colocar Mateus Biteco junto com Adriano e Souza, conservando um trio de volantes. Barcos foi o único atacante de ofício a sair jogando, e foi, disparadamente, o pior homem em campo. Como se não bastasse o árbitro Elmo Alves Resende Cunha (GO), deixou de marcar um pênalti claro de Fábio Ferreira sobre Zé Roberto, aos 16 minutos do primeiro tempo, quando o jogo ainda estava 0 x 0. Cunha paralisou vários ataques do Grêmio injustificadamente, com marcações absurdas, e deu apenas três minutos de acréscimos, ignorando a enorme cera feita pelo Criciúma. Com tantos fatores pesando contra, a derrota foi uma consequência quase natural. Um resultado desastroso, dado o fato de que o jogo foi em casa contra um adversário fraco. Perder os dois jogos da competição para o Criciúma é inaceitável para um clube com pretensões ao título. O Inter, por exemplo, que faz campanha muito inferior à do Grêmio, ganhou suas duas partidas contra o clube catarinense. Para tornar o resultado ainda mais doloroso para o torcedor gremista, o Cruzeiro perdeu em casa para o São Paulo, e, caso o Grêmio tivesse vencido, a distância entre os dois teria caído para oito pontos. Agora, o Grêmio já sente a aproximação de Botafogo e Atlético Parananense, dos quais tinha se afastado. O próximo jogo será contra o Fluminense, no Maracanã. Um jogo difícil, mas no qual a recuperação é obrigatória, para que os objetivos do Grêmio na competição não fiquem seriamente ameaçados.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Os 25 anos da Constituição Cidadã

O tempo passa muito rapidamente. A Constituição de 1988 está completando 25 anos. Depois de uma longa elaboração, que durou mais de um ano, ela se apresentou ao país denominada de "Constituição Cidadã". Setores conservadores da sociedade brasileira até hoje a criticam, por entenderem que ela refere-se mais a direitos do que a deveres, e por determinar benefícios sem identificar as fontes de recursos para viabilizá-los. Ainda que grande parte de seus dispositivos não tenha sido, até hoje, regulamentada, e que alguns itens, como a fixação da taxa de juros, soe como algo inaplicável, a Constituição de 1988 tem mais méritos do que defeitos. Seu texto refletiu a necessidade do país, sufocado por uma ditadura militar ignóbil que durou 21 anos, avançar no caminho das liberdades civis e da afirmação das ações de cidadania. Se é verdade que, a exemplo de outras constituições brasileiras, ela é exageradamente extensa, abarcando itens que não deveriam constar de uma carta magna, seu conteúdo é, predominantemente, progressista, buscando romper com o entulho autoritário deixado pelo regime militar. Não foi uma obra de lunáticos ou alienados, como gostam de insinuar os pragmáticos defensores da economia de mercado. Uma constituição elaborada após o fim de uma longa e execrável ditadura teria de, necessariamente, priorizar as questões referentes à cidadania, às liberdades individuais, à diminuição das desigualdades. Era mais do que natural que ela se concentrasse muito mais em direitos do que em deveres. Afinal, os direitos dos cidadãos são sempre suprimidos em períodos autoritários. O Brasil é um país absurdamente injusto e desigual. A Constituição Cidadã foi uma sinalização em sentido contrário. Claro, sozinha ela não teria o poder de mudar essa situação. Porém, apontou o caminho. Seus 25 anos, portanto, merecem ser festejados por todos os brasileiros.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O fator Marina Silva

Faltando um ano para a eleição presidencial, eis que surge uma novidade capaz de romper com o marasmo. A filiação de Marina Silva ao PSB para, provavelmente, fazer uma "dobradinha" como o pré-candidato do partido a presidente, Eduardo Campos, traz novas emoções a um pleito que se encaminhava para uma tranquila reeleição de Dilma Rousseff. Marina Silva recebeu 20 milhões de votos na eleição anterior para presidente. Ao contrário de Aécio Neves, que tem a simpatia da direita mas cujos índices de intenção de voto ainda são tímidos, e do próprio Campos, que não decolou nas pesquisas, Marina aparece sempre em segundo lugar nas sondagens, constituindo-se, assim, na única ameça concreta à continuidade do PT no poder. A atitude de Marina em se filiar ao PSB foi uma resposta à negativa do Tribunal Superior Eleitoral em autorizar a criação do seu partido, a Rede Sustentabilidade. Seria preciso muita ingenuidade para não imaginar que o governo "mexeu seus pauzinhos" para que o tribunal negasse registro para a Rede. Afinal, o PT sabe que Marina Silva, dentre os presidenciáveis, é a única ameaça concreta à sua permanência no poder. Marina, por ter conhecimento disso, preferiu correr o risco de sofrer críticas por se filiar a um outro partido, rompendo com o seu discurso de propor algo novo, e partiu para a briga, mostrando para o PT que não está disposta a sair da raia. A grande dúvida que fica é se Marina, como já foi especulado, será a candidata a vice-presidente na chapa de Campos, ou se eles inverterão as posições. Dado o potencial eleitoral de ambos, o mais lógico seria Marina ficar com a cabeça de chapa. Seja como for, a eleição presidencial de 2014, com o fator Marina Silva, ganha novos contornos. Dilma ainda é a favorita, mas sua vitória já não é algo líquido e certo.