quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Resultado lógico

O Grêmio empatou com o Corinthians em 0 x 0, hoje, no Pacaembu, pela Copa do Brasil. Um resultado lógico, já que o Corinthians tem o segundo pior ataque do Campeonato Brasileiro, e a melhor defesa, e o Grêmio é um time que chuta pouco ao gol. Nesse aspecto, o do poder ofensivo, o técnico do Grêmio, Renato, até surpreendeu. Impossibilitado de escalar três zagueiros, como é da sua preferência, pois teria, para isso, de lançar o garoto Rafael Thiere, que ainda não jogou pelos profissionais, Renato colocou o Grêmio em campo no 4-3-3, com Vargas, Kléber e Barcos juntos no ataque. Isso, no entanto, pouco adiantou. Kléber é desarmado sucessivamente pela defesa adversária devido à sua crônica falta de velocidade, e Barcos continua muito mal, afastando-se em demasia da área e tendo dificuldade, até mesmo, para dominar a bola. O melhor dos três foi Vargas, que infernizou o lado direito da defesa do Corinthians, deu bons passes para seus companheiros, que foram desperdiçados, e foi o responsável pela maior chance de gol do Grêmio no jogo, batendo uma falta que exigiu uma grande defesa do goleiro Cássio. .A saída de Vargas, por sinal, aos 33 minutos do segundo tempo, substituído por Paulinho, foi totalmente incompreensível. A partir dela, o Grêmio perdeu a retenção de bola no ataque, e passou a ceder terreno, perigosamente para o Corinthians. Porém, o resultado, em si, não deixou de ser bom. Mesmo que o Grêmio seja obrigado a vencer o segundo jogo, pois um novo 0 x 0 levará a decisão da classificação para os tiros livres da marca do pênalti, e qualquer empate com gols beneficiará o Corinthians, o fato de não ter perdido e de a próxima partida ser na Arena, lhe dão um certo favoritismo. Pena que, por culpa de um calendário esdrúxulo, o segundo jogo seja só daqui a um mês. Até lá, o Grêmio tem de somar o maior número possível de pontos no Brasileirão para consolidar-se nas primeiras posições da competição.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Antes tarde do que nunca

O calendário do futebol brasileiro é uma excrecência. Os clubes não conseguem fazer uma pré-temporada adequada e jogam incessantemente duas vezes por semana, o que, praticamente, não permite a realização de treinos. Se, por algum motivo, um jogo é adiado, é ainda pior, pois será recuperado próximo a realização de outras partidas, numa maratona impossível de ser suportada. Recentemente, o Inter teve de jogar quatro partidas pelo Campeonato Brasileiro em apenas oito dias! Isso é um descalabro. A consequência é que, com tantas partidas, o nível técnico do espetáculo despenca, os jogadores são acometidos por lesões, o torcedor se afasta por não ter condição financeira de assistir tantos jogos. Agora, antes tarde do que nunca, apareceu quem se rebele contra essa situação. Os jogadores de futebol brasileiros manifestaram, por parte de alguns de seus nomes mais significativos, sua inconformidade com o calendário de 2014 anunciado pela CBF. Ele torna ainda pior o que já foi ruim em 2013, impedindo que os clubes cumpram com as férias regulares e possam fazer uma pré-temporada. Como principais interessados no assunto, afinal são eles que entram em campo, os jogadores querem se reunir com a CBF para discutir a questão. O problema do calendário do futebol brasileiro reside, fundamentalmente, na insistência da disputa dos campeonatos estaduais, um tipo de competição totalmente anacrônica e defasada. São campeonatos de baixíssimo nível técnico e com excessiva duração. Por causa deles, o Brasileirão, que, em si, é um excelente produto, é disputado em apenas sete meses. Seus congêneres europeus são disputados por nove meses, o que garante a reserva dos meios de semana, apenas, para outras competições. Imediatamente após a nota expedida pelos jogadores expondo sua contrariedade com o calendário, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, atacou a mesma e disse que não há hipótese da fórmula do Campeonato Gaúcho do ano que vem ser alterada. Não é de espantar. Noveletto é um dos grandes responsáveis por esse quadro caótico, pois são as federações, que votam para eleger o presidente da CBF, que dão sustentação a esse quadro lamentável. Noveletto sonha em ser o próximo presidente da CBF, e conta com o apoio explícito de alguns cronistas locais. Um deles chega a caracterizar o trabalho de Noveletto na FGF como excelente, ignorando o fracasso técnico e financeiro do Gauchão. O mesmo cronista, aliás, também era um fã entusiasmado de Carlos Simon, o árbitro dos "erros" mais absurdos e escandalosos da história do futebol brasileiro. Em comum, os três torcem pelo mesmo clube, do qual Noveletto, inclusive, é conselheiro. Menos mal que o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, manifestou apoio a posição dos jogadores. Está mais do que na hora de se fazer alguma coisa para que se tenha um calendário racional no futebol brasileiro. Os jogadores deram o primeiro passo. Tomara que sua iniciativa consiga resultados concretos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Opiniões variáveis

A chamada "grande imprensa" é muito curiosa nas suas análises. Seus conceitos são muito flexíveis, variando conforme os personagens envolvidos. Vejamos o caso do continuísmo político. A imprensa conservadora vocifera quando governantes de esquerda cumprem sucessivos mandatos, ainda que isso resulte da decisão soberana dos eleitores. Para justificar sua contrariedade, tais veículos de comunicação denunciam que o êxito eleitoral, nesses casos, se dá pela perseguição à "imprensa independente" (eufemismo para o jornalismo de direita) e à oposição, uso da máquina do governo, adoção de medidas populistas, entre outros fatores. Se o continuísmo for de um político liberal, no entanto, a análise muda inteiramente de tom. Isso ficou comprovado, mais uma vez, com a conquista da primeira-ministra da Alemanha, Ângela Merkel, de um terceiro mandato sucessivo. Ângela Merkel é uma política de linha conservadora, e comanda a maior economia da Europa. Em todas as apreciações feitas sobre ela, antes e depois das eleições, foi brindada pela grande imprensa brasileira com fartos elogios à sua competência, firmeza nas decisões, defesa dos princípios liberais, seus estilo avesso ao populismo. A mesma imprensa também derramou-se em considerações elogiosas aos onze anos em que a execrável Margareth Thatcher foi primeira-ministra da Inglaterra, nada vendo de inconveniente em tão larga permanência no poder, período que ela utilizou para agredir os interesses da massa trabalhadora e favorecer as elites, sem contar sua explícita amizade com o ditador sanguinário do Chile, Augusto Pinochet. São os mesmos veículos de imprensa que não disfarçavam sua simpatia por boçais como os ex-presidentes dos Estados Unidos, Ronald Reagan e George Walker Bush. Os mesmos veículos, também, que nada viram demais quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comprou 200 parlamentares para aprovar, em benefício próprio, o instituto da reeleição, nunca adotado antes no país, obtendo, assim, um segundo mandato consecutivo, mas que denunciavam, histericamente, que Luís Inácio Lula da Silva faria o mesmo para ter um terceiro período seguido no cargo, o que acabou não se confirmando. Portanto, daqui por diante, o público deve ficar atento para essas diferenciações. Se um político de esquerda ficar por mais de um mandato no cargo, isso é "continuísmo", se for de direita é "estabilidade democrática". Pobre opinião pública brasileira, que tem de se servir de uma imprensa tão facciosa.

domingo, 22 de setembro de 2013

Crise agravada

O Inter perdeu por 1 x 0 para a Portuguesa, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Brasileiro. Nos dois últimos jogos do Inter, foram duas derrotas. Ambas para adversários que lutam, apenas, para não serem rebaixados. O que espanta no Inter é a sua falta de reação anímica. O time foi indolente contra o Bahia no primeiro tempo, cresceu de produção no segundo, mas acabou derrotado. Incrivelmente, hoje, quando jogava em casa, precisando urgentemente marcar pontos para se aproximar da zona de classificação para a Libertadores, o Inter voltou a ser um time sem vibração, que permitiu que o jogo fosse se arrastando num 0 x 0 que só interessava ao seu adversário, e acabou perdendo a partida, depois de ter ficado com um homem a menos, após a expulsão de Índio. O próximo jogo do Inter é contra o Cruzeiro, líder absoluto do Brasileirão, novamente no Estádio do Vale, o que não quer dizer muita coisa, pois não tem colhido bons resultados no local. Para tornar o quadro ainda pior, o Inter não contará, afora Índio, com Aírton, Juan e D'Alessandro, sua principal estrela, que receberam o terceiro cartão amarelo. O técnico do Inter, Dunga, parece perdido. Não consegue definir um time e altera a escalação titular de um jogo para o outro. A diretoria nega, com declarações patéticas e alienadas, que o Inter esteja em crise, e diz que o técnico está garantido em seu cargo. Na verdade, o Inter já estava em crise, e a derrota para a Portuguesa agravou-a ainda mais. Em relação a Dunga, sabe-se que os técnicos dependem de resultados, e com ele não será diferente. Novidades impactantes poderão ocorrer no Inter, muito em breve.

sábado, 21 de setembro de 2013

Erro imperdoável

O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Vitória, hoje, no Barradão, pelo Campeonato Brasileiro.Muito poderia ser dito sobre o jogo, mas um fato se sobrepõe a qualquer outro: o absurdo impedimento marcado aos 36 minutos do primeiro tempo, anulando um gol legítimo do Grêmio. Tem razão o gerente de futebol do Grêmio, Rui Costa, quando disse que, dessa vez, não iria analisar qualquer fator técnico ou tático ocorrido no jogo, mas iria tratar, apenas, da arbitragem. O "erro" de arbitragem foi imperdoável, inaceitável, intolerável, indesculpável. Ele prejudicou de modo decisivo o Grêmio num momento em que o Brasileirão caminha para a definição. Como bem lembrou Rui Costa, pode não ser coincidência que, depois da enorme gritaria no centro do país pela marcação de um pênalti em favor do Grêmio contra a Portuguesa, tenha acontecido o fato de hoje. Sim, eu poderia analisar vários aspectos técnicos e táticos do jogo, principalmente o incrível total de 101 passes errados na partida. Porém, sempre tive a convicção de que o resultado de um jogo só pode ser considerado injusto quando ele for determinado diretamente pela ação da arbitragem. Foi o que aconteceu em Grêmio x Vitória. O "erro" de arbitragem se põe acima de qualquer outro fator. Em linguagem bem direta, o Grêmio foi roubado no Barradão.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mais um 20 de setembro

Hoje é dia 20 de setembro. No Rio Grande do Sul, é feriado, pois comemora-se a Revolução Farroupilha. Trata-se de uma das comemorações mais excêntricas de que se tem notícia. Afinal, a referida revolução, depois de 10 anos de refregas, terminou derrotada. Foi um movimento separatista organizado por estancieiros inconformados com a elevação, por parte do governo imperial, das taxas cobradas sobre o charque, principal produto da economia gaúcha da época. A chamada República Rio-Grandense, portanto, teve uma existência muito curta. Outro fato que deve ser ressaltado é que a capital do Estado, Porto Alegre, e Rio Grande, seu único porto marítimo, rechaçaram todas as tentativas dos revolucionários de ocupá-las. A república gaúcha, em sua breve duração, teve várias capitais, em municípios que, ainda hoje, possuem pouca expressão demográfica e econômica. Depois de 10 anos, os revolucionários entraram em acordo com o Império, pondo fim ao movimento separatista. Uma história que ainda ficou manchada, em seu final, pelo massacre de Porongos, onde os negros escravos que lutaram junto com os farroupilhas foram por eles traídos e entregues ao ataque das forças imperiais. Nada disso impediu que, em torno do episódio farroupilha se criasse toda uma apologia que só faz crescer. A exaltação á "Guerra dos Farrapos", que sempre foi grande, ao ponto da bandeira da extinta república ter sido adotada como pavilhão do Rio Grande do Sul, aumentou ainda mais a partir do surgimento do chamado movimento tradicionalista, encabeçado, entre outros, por Barbosa Lessa e Paixão Cortes, que faz uma defesa apaixonada do que seriam as "raízes culturais" do Estado. O movimento tradicionalista é tentacular, está em todos os lugares. Seu marketing é agressivo e coercitivo, tentando impingir a todos as suas "verdades" e valores. Tornou-se tão forte que ninguém se dispõe a bater com ele de frente. Governantes e meios de comunicação cedem às suas imposições, ajudando a propagar a mentira histórica que faz de um movimento elitista de senhores proprietários de terra uma "revolução" e que ignora a derrota final transformando-o num feito a ser exaltado ao longo do tempo. Muitos são os que sabem ser tudo uma grande empulhação, mas poucos os que se encorajam a enfrentar a colossal máquina de propaganda dos defensores do gauchismo. Assim, a cada ano, são mais atividades, desfiles, programas de televisão e reportagens de jornais tonitruando as façanhas farroupilhas. Em tudo isso, uma grande vítima agoniza diante de todos: a verdade. Ela, no entanto, não serve aos interesses dos que faturam com a ideologia "gaudéria". Todos os que ousam tentar ir, publicamente, na direção contrária, são logo abatidos pela poder de fogo dos tradicionalistas, que querem fazer crer que quem não lê pela sua cartilha não é gaúcho e deve, então, abandonar os "pagos" e cantar em outra freguesia. Nada pode ser mais fascista do que isso.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O retorno da crise

O Inter perdeu por 2 x 0 para o Bahia, hoje, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. O time teve uma atuação muito fraca, especialmente no primeiro tempo. Nem mesmo as quatro bolas na trave ao longo da partida servem como atenuante. O desempenho do time foi decepcionante, determinando a derrota para um adversário limitadíssimo. O primeiro tempo foi de baixíssimo nível técnico. O Bahia não mostrava nenhum poder ofensivo, e errava muitos passes. No segundo tempo, o Bahia voltou mais animado, e abriu o placar. Só então o Inter reagiu e foi para cima, criando várias oportunidades de gol, mas desperdiçando todas. Foi preciso, portanto, que o Inter sofresse um gol para que resolvesse atacar com insistência. Porém, o gol não aconteceu, e, no final do jogo, o Bahia ampliou o placar para 2 x 0. A crise do Inter, que parecia ter sido debelada com a vitória sobre o Criciúma, voltou com toda a força, e a torcida já pede, abertamente, a saída do técnico Dunga. Os próximos dias do Inter serão de grande turbulência.

Desilusão

O Grêmio empatou em 1 x  1 com o Santos, ontem, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Em dois jogos seguidos em casa o Grêmio só obteve um ponto dos seis disputados. O torcedor, contudo, não foi pego de surpresa. Apenas 13 mil pessoas compareceram ao jogo, público de Campeonato Gaúcho. A derrota para o Atlético Mineiro e o afastamento da possibilidade de ganhar o título do Brasileirão já haviam desiludido a torcida. O futebol mostrado pelo time foi decepcionante. A atuação do Grêmio no primeiro tempo foi tão fraca que o atacante Kléber, após o jogo, disse que o time parecia estar "passeando no shopping". O segundo tempo começou no mesmo diapasão, até que, aos 26 minutos, o técnico do Grêmio, Renato, trocou Zé Roberto por Vargas. Um minuto depois, Vargas, em grande jogada, passou para Elano marcar um golaço. A substituição pareceu ter destravado o Grêmio que ganhou em velocidade com Vargas, e se tornou um time mais insinuante. A impressão era de que, após a enorme dificuldade em fazer o primeiro gol, o Grêmio ampliaria o placar. Isso não aconteceu. Estranhamente, o Grêmio se encolheu, na busca de garantir o resultado, permitiu o avanço do Santos e sofreu o empate. Um péssimo resultado, que afasta o clube, definitivamente, da busca pelo título, e ameaça, até mesmo, a classificação para a Libertadores.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grande filme

O filme "Rush - No Limite da Emoção" entrou em cartaz na sexta-feira passada. Retrata a disputa acirrada pelo título do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1976 entre os pilotos James Hunt e Niki Lauda. Merecidamente, vem recebendo uma série de elogios. Para quem é mais jovem, e não conhecia esse período da Fórmula 1, a história retratada no filme, por certo, se revelará fascinante. Para quem como eu, sempre acompanhou as corridas da categoria, e era um adolescente na época, é uma deliciosa rememoração. Parece que foi ontem, mas lá se vão 37 anos! Uma disputa emocionante, entre dois pilotos de perfis antagônicos, mas ambos brilhantes, e marcada por um acidente que quase tirou a vida de Lauda. A fidelidade do filme aos detalhes da história enfocada é primorosa, e passa pela escolha dos dois protagonistas, cuja semelhança física com os verdadeiros Hunt e Lauda é impressionante. Algumas imagens das corridas de 1976 são colocadas em meio às encenadas no filme, enriquecendo o aspecto informativo da obra. O ponto alto do filme, é claro é o acidente de Niki Lauda no Grande Prêmio da Alemanha, em que ele quase morreu. Lauda sofreu gravíssimas queimaduras, que lhe deformaram o rosto para sempre. O mais incrível é que, apenas 42 dias depois, ele estava de volta ás corridas. No período em que Lauda esteve ausente, James Hunt aproveitou para acumular vitórias e pontos. Mesmo ficando fora de vários grandes prêmios, Lauda retornou ainda em condições de ser campeão. Tão espantoso quanto a sua volta em tempo recorde, é o fato de ter obtido o 4º lugar na corrida. Lauda, que buscava o bicampeonato, só não ficou com o título porque, no último grande prêmio do ano, o do Japão, abandonou a prova, por vontade própria, em razão da chuva intensa que caía. Ainda assim, por pouco não foi campeão. Hunt conquistou o título ao conseguir, com extremo esforço, chegar em 3º lugar. Se Hunt chegasse abaixo dessa colocação, Lauda seria o campeão. Ao retratar a emocionante disputa entre os dois nas pistas, e mostrar detalhes de suas vidas pessoais, o filme agrada em cheio ao espectador. Recomendo que, quem puder, vá vê-lo. Com certeza, não irá se arrepender.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A insistência de Serra

José Serra é um político que já exerceu diversos cargos, foi prefeito, governador, ministro da Saúde. Seu grande sonho, porém, é ser presidente. Nada há de errado nisso, é uma aspiração legítima. O problema é que esse é um desejo que, para se concretizar, precisa da concordância do eleitor. Na sua primeira tentativa de se eleger presidente, em 2002, Serra foi derrotado por Luís Inácio Lula da Silva. Em 2006, Lula reelegeu-se, mas concorrendo contra outro candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Porém, em 2010, oito anos depois da primeira tentativa, e, nesse interregno, tendo sido prefeito e governador de São Paulo, Serra voltou a concorrer ao cargo, e perdeu novamente, dessa vez para Dilma Roussef. Apenas dois anos se passaram e, em 2012, voltou a participar de uma eleição, para prefeito de São Paulo, e perdeu para Fernando Haddad. Em todas estas eleições, numa prova da polarização política que se estabeleceu no Brasil, a disputa se deu entre Serra, pelo PSDB, e um candidato do PT. José Serra perdeu todas. Mesmo assim, ele não desiste, embora as evidências de que sua hora já passou. Ele poderá argumentar em contrário, dizendo que Lula, antes de se eleger presidente pela primeira vez, perdeu em três oportunidades, ou ainda, que Fernando Henrique Cardoso foi derrotado por Jânio Quadros numa eleição para prefeito de São Paulo, e isso não o impediu, mais tarde, de se tornar presidente. Porém, há diferenças entre essas situações. O PT, mesmo com três derrotas consecutivas, jamais cogitou lançar outro candiadto que não fosse Lula. Fernando Henrique, depois da derrota para Jânio, foi o ministro da Fazenda que conduziu o Plano Real, o que lhe trouxe grande prestígio. Serra insiste em que o PSDB faça prévias para escolher seu candidato a presidente, mas parece óbvio que o partido já optou pelo senador Aécio Neves. O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, não deixa dúvidas quanto a isso. Ele diz, em entrevista ás páginas amarelas da edição dessa semana da revista "Veja": "O partido deveria ganhar tempo e pôr logo a campanha na rua em vez de se perder em disputas internas. Aécio Neves já conquistou a base e as lideranças do PSDB, Chegou a vez dele". A colunista da revista "Época", Ruth de Aquino, acha que o PSDB deveria transformar Serra, definitivamente, num quadro na parede. Serra deveria poupar sua biografia política de um desfecho tão constrangedor e sair de cena por decisão própria, antes de ser rejeitado publicamente.