quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mais sorte do que juízo

O Inter empatou em 3 x 3 com o Botafogo, hoje á noite, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Estava perdendo por 3 x 2 e conseguiu empatar aos 48 minutos do segundo tempo. O Botafogo, com o resultado, assumiu a liderança isolada do Brasileirão, mas foi vaiado por sua torcida, após o jogo, pois já poderia ter disparado no primeiro lugar, não fossem os gols que insiste em tomar nos acréscimos. Foi assim contra o Flamengo, o Atlético Mineiro, e no jogo de hoje. Em todas essas partidas, o Botafogo tinha uma atuação superior a de seus adversários, mas deixou a vitória escapar. Tantos pontos desperdiçados podem fazer falta no final da competição. Por sua vez, o Inter, pelo segundo jogo seguido, obteve o empate no final da partida. As circunstâncias em que o resultado de hoje foi obtido, talvez levem o Inter a festejá-lo, mas é preciso olhar o conjunto da obra. Faz quatro jogos que o Inter não ganha. Nessas partidas, sofreu nove gols, e marcou seis. Sua defesa se mostra extremamente vulnerável, e sofre gols em todos os jogos. O clube ocupa, apenas, o 8º lugar na tabela, enquanto seu maior rival, o Grêmio, já está em 4º. Tem um jogo a menos, é verdade, contra o Santos, no qual será o mandante, mas não se pode dar como certo, antecipadamente, que irá ganhar essa partida. A verdade é que, nos dois últimos jogos, o Inter teve mais sorte que juízo, empatando, no final, partidas que deveria ter perdido. Seu próximo jogo é outra parada dura, contra o Atlético Mineiro, no estádio do Vale. Convém ao Inter mostrar mais futebol para poder ambicionar algo melhor na disputa. Afinal, nem sempre a sorte irá ajudar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Os ventos começam a soprar a favor

O Grêmio venceu o Cruzeiro por 3 x 1, hoje à noite, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. A atuação do time foi, mais uma vez, precária, mas é a segunda vitória consecutiva do Grêmio, e marcando três gols. Se o futebol está longe de ser convincente, alguns indícios de que os ventos começam a soprar a favor do Grêmio estão bem presentes. No jogo contra o Bahia, o Grêmio abriu o placar com um gol em que seu autor, Riveros, sofreu uma lesão ao marcá-lo, algo típico da característica heróica que tantos torcedores identificam no clube. Hoje, quando o jogo ainda estava 0 x 0, o Grêmio teve um pênalti contra si, e Dida, finalmente defendeu, fazendo jus a sua fama de especialista nesse tipo de cobrança. Assim como no jogo contra o Bahia, o adversário do Grêmio teve um jogador expulso, o que também favoreceu o encaminhamento de um bom resultado. Barcos desencantou e marcou um belo gol. Kléber também deixou o seu. Werley, que vinha tendo atuações apenas razoáveis, voltou a mostrar seus dotes de zagueiro artilheiro. Como fatos negativos, a comprovação de que Pará não pode ser titular do Grêmio, e de que Bressan, que cometeu o pênalti, também está longe de satisfazer as necessidades do time. A vitória, contudo, colocou o Grêmio no grupo dos quatro primeiros colocados do Brasileirão. Se o futebol do Grêmio ainda está longe de encher os olhos, os resultados começam a demonstrar que a sorte, que parecia tê-lo abandonado, começa a favorecê-lo.

Atuação pífia

A Seleção Brasileira perdeu para a Suiça por 1 x 0, hoje, em Basiléia. Foi o primeiro jogo da Seleção depois da conquista do título da Copa das Confederações com uma consagradora goleada sobre a Espanha. A atuação foi decepcionante. Mesmo em se tratando de um amistoso, sem  a emulação de uma disputa como a da Copa das Confederações, era de se esperar que a equipe brasileira mostrasse bem mais. A Suiça é uma força apenas média no contexto do futebol mundial. O gol da vitória, inclusive, nasceu da ação desastrada de um jogador brasileiro. Daniel Alves, sabidamente o mais fraco dos titulares da Seleção, fez um patético gol contra que acabou determinando a derrota. Porém,.o gol aconteceu aos dois minutos do segundo tempo, ou seja, havia tempo suficiente para uma reação. No entanto, ela não ocorreu. Ao longo de todo o jogo, a Seleção se mostrou burocrática e sem inspiração. A maioria dos jogadores atua na Europa, e estão retornando de férias, o que pode servir de atenuante, mas esse novo tropeço da Seleção abala um pouco a confiança que vinha sendo retomada no futebol da equipe.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O movimento que não aceita críticas

Há certos assuntos que, por vezes, nos vemos inclinados a evitar, não por temermos abordá-los mas pelas condições que possuem de despertarem reações iradas e produzirem polêmica. No Rio Grande do Sul, tudo o que se refira ao chamado "tradicionalismo", é um terreno minado. O Movimento Tradicionalista Gaúcho é uma organização tentacular que procura se fazer onipresente na vida cultural do Estado. Os tradicionalistas estão convencidos de que tem a tarefa de defender a "autêntica" cultura gaúcha, cultuando suas raízes. Durante o ano, vários festivais musicais "nativistas" são realizados em diversos municípios do Estado. No mês de setembro, quando se comemora a "Revolução Farroupilha", são inúmeros os festejos, que tem, como um de seus pontos altos, o Acampamento Farroupilha, montado no Parque da Harmonia, em Porto Alegre. Até nos meses de verão, em que os interesses se voltam para o litoral, os tradicionalistas marcam a sua presença, promovendo cavalgadas, tanto nas praias de mar quanto nas da costa doce. Trata-se de um movimento que não recebe bem nenhum tipo de critica. Seus integrantes hostilizam os que não compartilham de seu apreço pelo gauchismo. Tivemos, agora, mais um exemplo disso. Luiz Cláudio Knierim, diretor-técnico do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, teve de pedir afastamento da Comissão Municipal de Festejos Farroupilhas, por força de uma expressão que usou e que ofendeu os defensores do tradicionalismo. O que Knierim disse de tão grave? Ao referir-se às precárias condições de combate a incêndio no Acampamento Farroupilha, que reúne milhares de pessoas, Knierim classificou-o de "favelão gaudério". Foi o que bastou para que se criasse um grande mal-estar entre os demais participantes da comissão, o que levou Knierim a solicitar seu desligamento. O presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, Rodi Borghetti, concordou com a precariedade das condições de combate a incêndio no acampamento, mas disse que "não era preciso esse esculacho". O Secretário Municipal de Cultura de Porto Alegre, Roque Jacoby, avaliou a colocação de Knierim como "desprezo em relação à cultura gaúcha". A afirmação de Jacoby soa como uma insensatez. Afinal, se Knierim é diretor-técnico do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, certamente tem apreço pela cultura gaúcha. O fato apenas demonstra, pela enésima vez, que o tradicionalismo é um movimento que se coloca  acima do bem e do mal, não tolerando nenhuma crítica. O Rio Grande do Sul tem pago um preço muito alto por esse culto exacerbado ao que seria a sua cultura autêntica, mas isso é assunto para outra ocasião. No momento, já seria extremamente benéfico se as pessoas se dispusessem a refletir de porque não é dado a quem nasce no Rio Grande do Sul o direito de não seguir a cartilha do tradicionalismo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Dois pesos e duas medidas

Os veículos de imprensa deveriam primar pela isenção na análise dos fatos que ocorrem a cada dia. Sabemos, contudo, que não é assim. O destaque maior ou menor que recebe a abordagem de um assunto está diretamente relacionada à linha ideológica e aos interesses dos proprietários dos veículos. Nesse momento, vivemos uma situação que escancara essa realidade. A multinacional Siemens, o maior conglomerado de Engenharia da Europa, denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a formação de um cartel em licitações do metrô e de trens urbanos em São Paulo e em contratos do metrô do distrito federal. A empresa, que obteve as informações dos seus próprios funcionários da subsidiária brasileira, apresentou as denúncias ao Cade beneficiando-se de um acordo de leniência, isto é, que prevê isenção de penalidades para os denunciantes. O prejuízo ao erário pode ter chegado a 450 milhões de reais. No entanto, em que pese a gravidade do fato, a maior revista semanal de informação do país, a "Veja", vem tratando o assunto com visível desinteresse, ao contrário do "mensalão", tachado por ela como o "o maior escândalo da história do Brasil", que, desde 2005, tem recebido uma cobertura massiva e gerado muitas capas. Depois de semanas do fato estar em pauta, sendo coberto por outros veículos, "Veja" dedicou-lhe cinco páginas de sua edição dessa semana, mas sem o estardalhaço que confere a outros escândalos. No período dos contratos denunciados, o PSDB governava o Estado de São Paulo, e o DEM, o Distrito Federal. A revista apressa-se em afirmar que os governadores de São Paulo e Distrito Federal da época, José Serra (PSDB) e José Roberto Arruda (DEM), respectivamente, foaram apenas citados nos milhares de documentos e e-mails apreendidos, e de forma não comprometedora. Conhecendo-se, especialmente, a trajetória política de Arruda, é difícil acreditar nessa hipótese. Assim como ignora o chamado "mensalão mineiro", promovido pelo PSDB, que ocorreu antes do que é atribuído ao PT e ainda não foi julgado, a revista tenta despistar sobre um assunto que expõe, mais uma vez, o alto nível de corrupção de seu partido favorito, o PSDB. A isso se costuma definir como sendo o uso de dois pesos e duas medidas, típico de uma publicação que pratica, despudoradamente, a desonestidade intelectual.

domingo, 11 de agosto de 2013

Resultado inesperado

O Inter empatou em 2 x 2 com o Atlético Paranaense, hoje à tarde, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado foi uma ducha de água fria naqueles que contavam com uma vitória do Inter, pelo fato de ser o mandante do jogo. Aos 36 segundos do primeiro tempo, o Atlético já fazia 1 x 0, mas o Inter não demorou a empatar, aos 14 minutos. O jogo prosseguiu assim até o final do primeiro tempo e boa parte do segundo, quando, então, o Atlético ficou novamente em vantagem no placar. No final da partida, quando tudo parecia indicar que o resultado era definitivo, o Inter, num gol acidental, chegou ao empate. Para os mais atentos, o resultado não foi tão surpreendente assim. O Atlético Paranaense vinha de quatro vitórias consecutivas, enquanto o Inter atingiu, hoje, o seu terceiro jogo seguido sem ganhar. A campanha do Inter no Brasileirão dá indícios de que o time não é tão confiável quanto alguns afirmam. Em seus cinco primeiros jogos, antes da parada para a Copa das Confederações, teve um aproveitamento inferior a 50%. Depois obteve alguns bons resultados, mas sem jamais convencer inteiramente. Tem contra si, também, o fato de ter sido goleado pelo lanterna da competição, o Náutico. O time faz muitos gols, mas também os toma em grande quantidade. Seu próximo jogo é dificílimo, contra o vice-líder Botafogo, no Maracanã. A partir do que acontecer nessa partida, se poderá ter uma ideia mais nítida da perspectiva do Inter na disputa.

Goleada exótica

O Grêmio goleou o Bahia por 3 x 0, hoje à tarde, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. Isso pode dar a ideia, a quem não tenha assistido ao jogo, de que foi uma vitória afirmativa, com uma grande atuação. Nada disso. Pela terceira vez consecutiva, o técnico do Grêmio, Renato, alterou o esquema do time. Dessa vez, entrou em campo adotando o 3-6-1, com apenas Barcos jogando como atacante. Esse povoamento do meio de campo, contudo, não foi tão produtivo assim. Depois de um período breve, no primeiro tempo, em que chegou a ter 62% de posse de bola, o Grêmio foi cedendo terreno e se deixando pressionar pelo Bahia. Para sorte do Grêmio, o Bahia não teve competência para transformar o seu domínio em gols. O segundo tempo começou da mesma forma, com o Grêmio vendo o Bahia comandar as ações. Até que, aos 25 minutos, no rebote de uma bola cabeceada no travessão por Elano, Riveros se jogou ao encontro da bola, espremido entre dois adversários, e fez 1 x 0 para o Grêmio. A ousadia de Riveros lhe custou a saída do jogo, pois foi atingido no rosto pela chuteira de um jogador do Bahia e bateu com a cabeça no chão. A partir daí, o Bahia perturbou-se, e o Grêmio ficou mais à vontade em campo. Minutos mais tarde, Máxi Rodriguez, em sua segunda intervenção no jogo, chutou uma bola sem grande precisão, mas ela desviou em um adversário, enganando o goleiro e determinando 2 x 0 para o Grêmio. Esse gol deixou claro que a vitória estava consolidada. Transtornado, o Bahia, que já tinha sofrido a expulsão de Titi, ainda viu o Grêmio chegar aos 3 x 0, agora sim num gol de bela feitura, em um passe de Mateus Biteco para a conclusão de seu irmão, Guilherme Biteco. Foi uma goleado construída de forma exótica, mas que teve grande significado para o Grêmio. Foi a primeira vitória do Grêmio, fora de casa, no Campeonato Brasileiro. O resultado aproximou o Grêmio do grupo dos primeiros colocados do Brasileirão, e rompe com a sequência de três jogos sem vitória. Tudo isso é muito importante, até porque o Grêmio não terá facilidades nos próximos jogos. Terá, agora, de jogar contra o líder da competição, o Cruzeiro, na Arena, e, logo depois, com o Vasco, em São Januário, e o Flamengo, no Mané Garrincha. Grandes desafios para os quais o Grêmio não dá a confiança de estar devidamente preparado, mas que, a partir da goleada de hoje, deverão ser enfrentados com mais ânimo.

sábado, 10 de agosto de 2013

Lógica capitalista

Para o capitalismo, tudo se reduz a números, a uma relação custo-benefício. Sua palavra-chave é "lucro". O termo que não suporta ouvir é "prejuízo". Essa lógica se estende, até mesmo, às pessoas, vistas, primordialmente, como consumidores. Não há lugar para o humanismo na prática capitalista, e qualquer contestação a esse estado de coisas é tachada, por seus defensores, de "teoria superada", "clichê de esquerda" e outras conceituações do gênero. Discorro sobre isso a propósito da resenha feita pelo jornalista Jerônimo Teixeira, publicada na edição dessa semana da revista "Veja", sobre o livro de seu colega Leandro Narloch, "Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo". Conforme a resenha, em seu livro, Narloch realiza a reabilitação do capitalismo, do imperialismo e, até, dos agrotóxicos! Narloch é ex-repórter de "Veja", e segue à risca o ideário da publicação. São de sua autoria os best-sellers "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil" e "Guia Politicamente Incorreto da América Latina", este último escrito em parceria com Duda Teixeira, editor de "Veja". Segundo Jerônimo Teixeira, em todos os seus livros, Narloch apresenta a história sob uma perspectiva que diverge da "sempre previsível ladainha dos livros didáticos, na qual os culpados são sempre os capitalistas, os imperialistas, as elites". Em seu novo livro, Leandro Narloch, ainda que não negue as atrocidades históricas do colonialismo, atribui a responsabilidade pelas mazelas do continente africano, tais como guerras civis, golpes de estado e conflitos étnicos, aos próprios africanos, principalmente os ditadores que seguiram a "desastrosa cartilha do dirigismo estatal e do isolacionismo econômico". Narloch não poupa nem mesmo o pacifista Mahatma Gandhi, pois afirma que sua insistência na autossuficiência econômica e em modelos improdutivos de agricultura de subsistência, levaria a Índia a miséria depois de sua morte. O Dalai-Lama e a Madre Teresa de Calcutá, duas outras personalidades pacifistas, também sofrem o ataque de Narloch. Para o autor do livro, o que, de fato, combateu a miséria, foi o uso intensivo de agrotóxicos e a Revolução Industrial que, considera, diminuiu, a "longo prazo", a exploração do trabalho infantil. Em sua colocação mais ousada, Narloch faz a defesa da bomba atômica. O jornalista sustenta a ideia, com a qual concordo, de que as armas atômicas, pelo seu alto poder destrutivo, coíbem os países que as possuem de efetivamente entrarem em guerra. O problema não está aí, e sim, no fato de que Narloch considera que as bombas jogadas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasáki, em 1945, salvaram vidas. O argumento de Narloch é que uma invasão militar convencional do Japão custaria a vida de muito mais japoneses do que os 200 mil assassinados pelas bombas de Hiroshima e Nagasáki. Mais uma vez, estamos diante da lógica capitalista que reduz tudo a números, lucros, prejuízos. Nessa visão de mundo, os seres humanos são apenas referências estatísticas, destituídos de qualquer dignidade. Para Narloch, e os que como ele pensam, afirmações em contrário são "clichês politicamente corretos de esquerda".

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os outros

Algumas vezes, nos deparamos com alguns textos cujo conteúdo vai tão ao encontro do que pensamos que temos a impressão de que foram escritos por nós mesmos. Assim se passou comigo ao ler o artigo "Nós, os desordeiros", de João Ubaldo Ribeiro, publicado na edição dessa semana da revista "Veja", o que mostra que, por vezes, essa publicação oferece algo mais do que o lixo ideológico de direita que tenta nos impingir. Em seu artigo, escrito tendo por mote o morticínio brasileiro no trânsito, João Ubaldo destaca a propensão do brasileiro, quando fala mal do Brasil, de fazê-lo referindo-se ao país ou ao seu povo na terceira pessoa. Dizemos que o brasileiro é isso ou aquilo, e que tem esse ou aquele defeito, como se não fôssemos, igualmente, brasileiros. Me identifiquei, particularmente, com a colocação que João Ubaldo faz sobre o tratamento que temos em relação aos políticos. Nos referimos a eles, diz ele, quase como se fossem marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, e não de pessoas nascidas e criadas da mesma forma que nós. Esse trecho mexeu comigo pois penso exatamente o mesmo, e várias vezes usei a mesma exemplificação de João Ubaldo como argumento. João Ubaldo prossegue analisando essa maneira peculiar do brasileiro de encarar a realidade, em que o povo do país é classificado como bom, honesto, pacífico, gentil, entre outras qualidades, sendo apenas observador e vítima de atos de corrupção, desrespeito, má conduta e negligência praticados por outros, genericamente identificados como "eles". Como bem destaca João Ubaldo, não há "nòs" e "eles". Somos todos frutos de uma mesma sociedade, e refletimos seus valores e descaminhos. Não há um povo "honesto", sofrendo nas mãos de políticos corruptos e transgressores de todos os tipos. Na verdade, praticamos, todos nós, deslizes e atos que afrontam a ética mais elementar. Não há inocência em nosso comportamento. Se o país, cada vez mais, nos desconforta por sua leniência com os malfeitos, sua corrupção galopante, sua injustiça social gritante, sua péssima distribuição de renda, isso não é obra de um grupo de malfeitores, mas, sim de todos nós. Nessa construção tão defeituosa em sua estrutura social, e eticamente deformada, não há os "outros" como culpados. Somos todos responsáveis pelo Brasil que aí está. Ele é reflexo de todos nós, não uma obra de alguns. Enquanto não admitirmos isso, qualquer mudança do país para melhor torna-se inviável.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vaias

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Coritiba, hoje à noite, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma atuação desastrosa. O indício de que a noite não seria boa para o Grêmio veio com a esdrúxula escalação do técnico Renato, que voltou ao esquema 4-4-2, mas jogando com três volantes! Para um time que vinha de duas partidas sem vitória, necessitando vencer para não se distanciar dos primeiros colocados, tal escalação soa como um despropósito. O Coritiba faz grande campanha no Brasileirão, é verdade, mas é um clube apenas médio, e, historicamente, um grande freguês do Grêmio. Não se justifica uma postura tão defensiva diante de um adversário desse porte. O resultado prático disso foi uma apresentação ruim, sem nenhuma inspiração. O time do Grêmio não mostrou nenhum brilho. Tomou um gol cedo, e mesmo tendo um tempo enorme para reagir, sequer conseguiu empatar. Em relação aos três volantes escalados, só Riveros se salvou, assim mesmo sem fazer uma grande partida. Adriano foi péssimo, para dizer o mínimo, e Souza parece ter deixado seu bom futebol perdido em 2012, tendo mais uma atuação apagadíssima. O ataque, que andou ensaiando uma melhora no Gre-Nal, voltou à sua ineficiência costumeira. Kléber insiste em passar o jogo inteiro buscando o entrechoque com os adversários, para tentar cavar faltas, mas não conclui para o gol. Barcos parece uma parede, onde a bola bate e se oferece para o time contrário. Nas laterais, Pará foi catastrófico, e Alex Telles não repetiu suas boas atuações anteriores. Na zaga, Bressan foi horroroso, e Rhodolfo, razoável. O único meia escalado, Elano, começou bem, mas foi decaindo de produção, como em todos os jogos anteriores. Decepcionada, a torcida vaiou fortemente o time, ainda na saída para o intervalo, e, com maior intensidade, ainda, após o final do jogo. Vaias que indicam o cansaço de um torcedor que sofre com a ausência de grandes títulos há 12 anos e não vê nenhuma perspectiva de mudança para melhor. Nem mesmo a idolatria dos gremistas por Renato foi capaz de impedi-las. Não houve nenhum progresso do time em relação ao tempo em que Vanderlei Luxemburgo era o técnico. O que era esperança está dando lugar ao desalento. O pior que pode acontecer a um clube está começando a acontecer, ou seja, o torcedor está inclinado a jogar a toalha. Não se pode lhe tirar a razão.