sexta-feira, 24 de maio de 2013

A saída de Neymar

Agora, parece não haver mais dúvida de que Neymar está deixando o Santos e o futebol brasileiro. O Santos aceitou as duas propostas que recebeu pelo jogador, e deixou a decisão de para qual clube ir nas mãos de Neymar. Uma das propostas é do Barcelona. A outra, especula-se, seria do Real Madrid. Na verdade, o Santos manteve Neymar pelo máximo de tempo que foi possível. Desde o surgimento da malfadada Lei Pelé, os clubes brasileiros não conseguem segurar seus grandes craques por muito tempo. Tudo porque, com a extinção do passe, correm o risco de ver o jogador sair sem receberem nem um centavo por ele. Assim, em determinado momento, são obrigados a negociar o jogador para poder obter algum ganho. O pior é que esse valor nunca representa a totalidade dos direitos sobre o jogador. A mesma perversa legislação faz com que, hoje em dia, os direitos econômicos de um jogador sejam fatiados entre diversos proprietários, com o clube recebendo apenas uma fração do valor total da negociação. Um jogador como Neymar deveria render ao Santos um valor astronômico, mas isso não vai acontecer porque o clube não possui a totalidade dos seus direitos. Há alguns anos, o São Paulo teve de vender Kaká para o Milan por irrisórios 8 milhões de dólares, para não ver o jogador sair sem nada receber por ele. A saída de Neymar representará, por certo, a sua independência financeira, e um enorme ganho para seus empresários. Para o Santos, significará um aporte de recursos muito menor do que seria justo, caso pudesse ficar com o valor integral da negociação. Para o futebol brasileiro, uma perda que o tornará, tecnicamente, ainda mais pobre. Tudo por causa de uma lei estúpida, que fere de morte a peça mais importante na estrutura do futebol, que é o clube. Uma lei que, infelizmente, leva o nome do maior jogador de todos os tempos. Dentro de campo, Pelé foi de uma qualidade inigualável. Fora dele, criou uma lei que favorece o bolso de jogadores e de seus empresários, mas prejudica os interesses dos clubes e de seus torcedores.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Na galeria dos Tesouros

Hunter Davies, autor, em 1968, da única biografia dos Beatles autorizada pelo grupo, doou cartas e canções manuscritas por John Lennon para a Biblioteca Britânica, que irá expor os escritos na galeria dos Tesouros, junto com obras de Beethoven e Shakespeare. Entre os documentos cedidos estão letras de músicas como "Strawberry Fields Forever", "She Said, She Said" e "In My Life". Trata-se de mais de uma demonstração do valor extraordinário da obra do quarteto de Liverpool . A propósito, o diretor da Biblioteca Britânica, Roby Keating, se mostrou muito satisfeito com o material doado e afirmou que "a vitrine dedicada aos Beatles é uma das mais populares na galeria dos Tesouros". Keating acrescentou que "os visitantes de todo o mundo se emocionam ao ver estas letras tão lendárias em suas minutas originais". A coleção dos Beatles é exposta na mesma seção que o texto da Carta Magna britânica e, como foi referido acima, de obras de Beethoven e Shakespeare. Hunter Davies, de 77 anos, já havia emprestado os documentos à Biblioteca, e, agora, os doou de forma definitiva. Ele disse que deseja que sua coleção dos Beatles permaneça junta em um mesmo lugar e exposta ao público e que a Biblioteca Britânica é o lugar perfeito para isso. A doação foi feita por meio de um programa governamental que oferece vantagens fiscais para quem presenteie o Estado com patrimônio artístico. O acervo, sem dúvida, está em boas mãos, e o local onde está exposto não poderia ter um nome mais adequado. Efetivamente, é um tesouro.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Covardia inaceitável

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deu uma declaração que é uma ducha de água fria naqueles que pretendem ver passado a limpo o período da ditadura militar no Brasil, e de uma covardia inaceitável. Cardozo disse que o governo não vai propor uma revisão da Lei de Anistia, conforme sugerido por Rosa Cardoso, uma das integrantes da comissão, pois respeita a posição sobre o assunto emanada do Supremo Tribunal Federal, que já rejeitou uma ação da OAB nesse sentido. O entendimento do STF é o de que a referida lei anistia os dois lados da luta armada, impedindo a punição dos agentes da ditadura. O ministro acrescentou que a Comissão da Verdade não tem caráter punitivo, sua função é fazer um levantamento dos abusos cometidos pelo regime militar. Bem, se é assim, sugiro que a comissão, cujo trabalho deverá se estender até dezembro de 2014, encerre suas atividades imediatamente. Ela não serve para nada, é um organismo inútil a consumir recursos e a paciência dos brasileiros. Não há nenhuma serventia em se fazer um levantamento dos crimes praticados pela ditadura. Para quê, se tais crimes continuarão impunes, e seus autores permanecerão livres e soltos pelas ruas? A comissão deveria ter qualquer outro nome que não fosse "da verdade". Poderia ser "da enganação", "da inutilidade", "da inocuidade", da "perda de tempo", ou outros termos semelhantes. Sem finalidade punitiva, a existência dessa comissão é um escárnio contra o povo brasileiro. Ela deve ser extinta o quanto antes. Se é para realizar uma ação cosmética contra a ditadura, melhor não fazer nada e deixar claro, de vez, que o governo se acovardou antes às forças conservadoras, permitindo que o fantasma das atrocidades do regime militar continue pairando para todo o sempre na vida do país.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Uma luz no fim do túnel

A Comissão da Verdade, que apura os crimes cometidos pela ditadura militar, adotou uma resolução que poderá livrá-la da condição de orgão irrelevante e inócuo. Conforme uma de suas integrantes, Rosa Cardoso, a comissão irá recomendar que agentes da ditadura respondam judicialmente por seus atos. Rosa afirmou que "crimes de lesa-humanidade são imprescritíveis". Ela tem toda a razão. Crimes bárbaros como os praticados pelos agentes do regime militar não podem ficar impunes. Embora a interpretação atual do Supremo Tribunal Federal seja a de que os agentes da ditadura não podem ser julgados por seus crimes, em função da Lei de Anistia, isso não pode e não deve ser aceito como algo definitivo. A OAB, por exemplo, já entrou com recurso contra a interpretação da Lei de Anistia, o qual ainda não foi analisado. Rosa Cardoso espera, inclusive, que no futuro, com uma outra composição do Supremo Tribunal Federal, uma nova interpretação da Lei de Anistia seja adotada. A Comissão Da Verdade irá, também, nominar os autores dos crimes de violação dos Direitos Humanos praticados durante a ditadura. O coordenador da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, declarou que a tortura no regime militar era a base da repressão durante a ditadura, e não um acontecimento eventual. A tortura começou desde o início do golpe militar, em 1964, e não apenas quando do episódio da luta armada. Manifestações como as de Rosa e Paulo Sérgio, deixam a esperança de que a comissão possa levar a que, finalmente, se faça justiça, punindo, com rigor, os criminosos e violadores dos direitos humanos durante o espúrio regime militar. Seria uma justiça tardia. Porém, antes tarde do que nunca. Basta de tanta impunidade!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A pior das decisões

O Grêmio optou por continuar com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Não se sabe o que levou o Grêmio a tomar essa atitude, se foi o alto custo de sua rescisão de contrato ou o fato de Luxemburgo ser um especialista no Campeonato Brasileiro, competição que o clube começara á disputar a partir de domingo, e da qual o técnico é o maior vencedor. Seja como for, o Grêmio tomou a pior decisão dentre as que poderia adotar. O trabalho de Luxemburgo, em um ano e três meses de clube, é um total fracasso. Nem mesmo a campanha no Brasileirão de 2012 foi tão exitosa quanto apregoam alguns profissionais da imprensa. Para um clube do porte do Grêmio, o terceiro lugar não poder ser considerado tão bom assim. O clube tem de aspirar o título. Convém lembrar que, com jogadores de qualidade inferior aos de Luxemburgo, Mano Menezes obteve o mesmo terceiro lugar em 2006, e Celso Roth foi vice-campeão em 2008. Em 2013, o Grêmio tem sido ainda mais decepcionante do que em 2012. Nada autoriza a que se imagine que, mantido tudo como está, possa haver alguma reação. Ao decidir manter Luxemburgo, o Grêmio condena o seu torcedor ao desânimo e à desesperança.

domingo, 19 de maio de 2013

Um retorno há muito esperado

O São Paulo, de Rio Grande, venceu o Brasil, de Pelotas, por 1 x 0, no tempo normal, e por 3 x 2 nos tiros livres da marca do pênalti, hoje, no seu estádio, o Aldo Dapuzzo, e garantiu seu retorno à Primeira Divisão do Rio Grande do Sul. No primeiro jogo do confronto, que decidia o campeão do primeiro turno da Segunda Divisão do Rio Grande do Sul, o Brasil venceu por 1 x 0, em seu estádio, o Bento Freitas. Com a vitória de hoje, devolvendo o placar do primeiro jogo, o São Paulo levou a disputa para os tiros livres, e, finalmente, conseguiu a tão almejada subida para a Primeira Divisão, onde esteve, pela última vez, em 2002. Como riograndino, ainda que seja torcedor do Sport Club Rio Grande, estou profundamente gratificado. Rio Grande, por tudo que significa na história do futebol gaúcho, não pode ficar de fora da Primeira Divisão. A volta da cidade à elite do futebol estadual coincide com um momento de grande crescimento econômico do município, em função de investimentos na área da construção de plataformas petrolíferas. Com o Rio Grande na Terceira Divisão, e o Riograndense com o seu departamento de futebol desativado, coube ao São Paulo proporcionar esse retorno tão esperado. Para dar ainda mais brilho à conquista, ela foi obtida contra o seu maior rival da região, o Brasil, de Pelotas. Os dois clubes são os mais populares de suas cidades e a rivalidade entre eles é histórica. Foram dois jogos com estádios lotados e  emoção até o último minuto. Tudo como manda o figurino. Parabéns, São Paulo! Parabéns, Rio Grande!

sábado, 18 de maio de 2013

Um exemplo a ser seguido

A morte do general e ex-ditador da Argentina Jorge Rafael Videla, que cumpria pena de prisão perpétua num presídio no subúrbio de Buenos Aires, é mais uma evidência do descalabro que caracteriza a forma como o Brasil trata os artífices do espúrio golpe militar que impôs ao país uma ditadura que se prolongou por 21 anos. Enquanto seus vizinhos, Argentina e Uruguai, que também experimentaram o amargor de regimes ditatoriais, puniram os golpistas por seus crimes, que incluíam torturas e assassinatos, no Brasil os monstros do regime fardado estão livres e soltos, sustentando sua tese de que agiram corretamente e de que salvaram o país da ameaça comunista. Há poucos dias, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, uma das figuras mais execráveis do golpe militar brasileiro, responsável por torturas e mortes nos porões do Doi-Codi, em depoimento à Comissão da Verdade, negou que tais fatos tenham ocorrido e envolveu-se num bate-boca com um médico e vereador de São Paulo, recusando uma acareação com ele, a quem caracterizou de terrorista. O detalhe é que, conforme o vereador, Ustra o torturou na época da ditadura. Enquanto coisas como essas acontecem por aqui, na Argentina, Videla, cujo período no poder foi o mais sangrento da ditadura naquele país, terminou seus dias na prisão, como deveria ser. O Brasil precisa seguir em frente, é claro, mas isso não se faz varrendo o lixo para debaixo do tapete. Pelo contrário. O Brasil precisa passar o limpo o período da ditadura, não por vingança, mas por justiça. O argumento de que a anistia de 1979 serve pára os dois lados é pífio e cínico. A anistia foi um artifício dos ditadores para evitar punições futuras, pois sabiam que o regime vivia seus estertores. Os verdadeiros democratas não reconhecem a legitimidade dessa anistia. Se é verdade que ela permitiu a volta dos exilados, isso, em si, não é nenhum mérito, pois foi o retorno de quem nunca deveria ter saído. Em nome de tantos brasileiros que tombaram na luta contra a ditadura, não basta fazer um levantamento dos assassinatos cometidos, localizar corpos e indenizar a família das vítimas, é preciso mais. Os perpetradores e executores da ditadura que ainda se encontram vivos não podem mais continuar soltos, escarnecendo, com sua infecta presença, da dor dos familiares das vítimas e dos brasileiros de caráter. Seu lugar é na prisão. Os bons exemplos devem ser seguidos. Façamos como a Argentina e o Uruguai, e punamos os militares golpistas. Enquanto isso não for feito, a ditadura permanecerá como um fantasma a perturbar os brasileiros.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Não podia ser diferente

O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Independiente Santa Fe, no estádio El Campin, em Bogotá (COL), em jogo que terminou na madrugada de hoje, pelo horário brasileiro, e está eliminado da Libertadores. Nada mais previsível. Só mesmo a paixão mais extremada poderia fazer com que um torcedor esperasse melhor sorte para o Grêmio na competição. O Grêmio, em 2013, jogou apenas duas boas partidas, contra o Fluminense, no Engenhão, e o Caracas, na Arena, goleando seus adversários em ambas. Antes e depois desses jogos, suas atuações foram pífias. Alguém poderá lembrar de uma outra goleada, sobre o São José, no primeiro turno do Campeonato Gaúcho, mas isso é o que se espera de um clube grande diante de um pequeno. Em 2013, o Grêmio tem sido um amontoado de problemas e erros fora do campo, e um desfile de fracassos dentro do gramado. Mesmo para o os mais distraídos, era perceptível que o tão falado "projeto" de trabalho estava fadado ao insucesso. A cada novo desempenho insatisfatório, o técnico Vanderlei Luxemburgo, em suas entrevistas após os jogos, apresentava uma cascata de desculpas esfarrapadas, sempre no intuito de esconder as falhas de seu trabalho e reafirmar sua confiança de que "o Grêmio está no rumo certo". Seus argumentos eram risíveis, para dizer o mínimo, e não convenciam nem uma criança. Desde que chegou ao clube, há um ano e três meses, Luxemburgo perdeu tudo o que disputou. Até mesmo a sua melhor campanha, a do Campeonato Brasileiro de 2012, tem de ser relativizada. O Grêmio acabou em terceiro lugar, mas chegou na última rodada com a chance de obter o vice-campeonato, o que lhe daria a classificação direta para a Libertadores. Não conseguiu e teve de disputar a pré-Libertadores, o que comprometeu a sua preparação para o ano que se avizinhava. Por mais que se reconheça o currículo vitorioso de Luxemburgo, seu trabalho, no Grêmio, não deu certo, e  não há nada que indique que ele possa reverter a situação. Nem mesmo o alto custo de sua rescisão de contrato, para um clube que vive dificuldades financeiras, pode servir de justificativa para que se prorrogue a sua permanência no cargo. Há momentos na vida de um clube em que se impõe a necessidade de criar-se um fato novo. Para o bem do Grêmio, o ciclo de Vanderlei Luxemburgo tem de ser encerrado. Só assim o clube poderá ter chances de corresponder às expectativas de seus torcedores ainda durante este ano.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vitória inconvincente

O Inter ganhou por 2 x 0 do Santa Cruz, hoje à noite, no Francisco Stédile, e se classificou para a terceira fase da Copa do Brasil. O futebol que o time jogou, no entanto, dá motivo para muitas preocupações. Mais uma vez, a exemplo do que vinha acontecendo nos jogos do Campeonato Gaúcho, e, também, na primeira partida contra o Santa Cruz, o Inter não esteve bem. O primeiro tempo terminou em 0 x 0, com o time pernambucano mostrando-se mais insinuante que o Inter, que ficou com um homem a menos, devido a expulsão de Fabrício. O jogo seguia, mais ou menos, o mesmo diapasão no segundo tempo, quando D'Alessandro fez um belo gol, aliviando o sofrimento do Inter e encaminhando a classificação. Novamente, a capacidade técnica de D"Alessandro fez a diferença, e é preciso lembrar que ele só entrou em campo por que sua pena original de dois jogos de suspensão foi diminuída pelo STJD. No Santa Cruz, a ausência de seu principal destaque, Dênis Marques, que está lesionado, lhe retirou muito poder ofensivo. O Inter venceu, como se esperava, mas terá de melhorar muito para alcançar objetivos maiores. As razões para preocupação são muitos. Fred não repete suas boas atuações de 2012, Diego Forlán, depois de um bom início de 2013, volta a viver uma má fase. Rafael Moura continua sem dizer a que veio. Por outro lado, Caio sempre que entra, corresponde, mas o técnico Dunga insiste em mantê-lo na reserva. Ainda que com dificuldades, o Inter eliminou o Santa Cruz. O mesmo deverá ocorrer com América Mineiro ou Avaí, pois um dos dois será o seu próximo adversário na competição. Porém, a partir do momento em que os clubes egressos da Libertadores entrarem na Copa do Brasil, as chances do Inter tendem a ser muito diminutas. Se não se reforçar, o Inter não terá êxito em nenhuma das competições que ainda disputará ao longo do ano.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mais acertos do que erros

A convocação da Seleção Brasileira para a Copa das Confederações, divulgada, hoje, pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, foi bastante criteriosa, tendo mais acertos do que erros. Não ocorreu nenhum esquecimento gravíssimo, embora alguns nomes merecessem ser lembrados. Analisando cada posição, verificaremos que Felipão acertou na maior parte das escolhas. Os três goleiros convocados, Júlio César, Diego Cavalieri e Jefférson, são, mesmo, os melhores da posição. Júlio César é qualificado e experiente, e vive, novamente, uma boa fase, não tendo responsabilidade direta pelo rebaixamento de seu clube, o Queen's Park Rangers, no Campeonato Inglês. Diego Cavalieri é, desde 2012, o melhor goleiro em atividade no Brasil, e Jefférson, já convocado outras vezes, exibe grande regularidade há muitos anos. Nomes como Cássio, do Corinthians, e Rafael, do Santos, também tem se destacado muito, mas são jovens e podem esperar a vez. Na lateral-direita está o calcanhar de aquiles da Seleção. Daniel Alves já não é tão jovem, tem 30 anos, e nunca foi uma unanimidade, mas não há outra opção melhor. Para a sua reserva, no entanto, Felipão poderia ter convocado outro jogador que não fosse Jean. Trata-se de uma improvisação, pois o jogador é volante de origem. Afora isso, Jean é um jogador apenas mediano, não tem o padrão técnico de uma Seleção Brasileira. Jamais simpatizei com improvisações, sequer em clubes, quanto mais na Seleção. Melhor seria se Felipão tivesse convocado Marcos Rocha, do Atlético Mineiro, que não é brilhante mas é da posição e vive boa fase. Entre os zagueiros convocados, nenhuma injustiça. David Luiz e Thiago Silva são nomes certos em qualquer convocação, Réver vive uma grande fase, e Dante, embora já tenha 29 anos e, até pouco tempo, fosse desconhecido pela maioria dos brasileiros, é titular do Bayern de Munique, onde vem tendo grandes atuações. Na lateral esquerda, Marcelo é um nome indiscutível, e Felipe Luís, convocado para a sua reserva, também é muito bom jogador. No meio de campo, houve o esquecimento mais grave, o de Ramires. A razão, ao que se diz, teria sido por uma conduta considerada inadequada do jogador, mas tendo em vista sua qualidade, esse problema tinha de ser contornado. Foi no meio de campo, também, que ocorreu o maior número de equívocos de Felipão. Afora a não convocação de Ramires, Felipão errou ao chamar Luiz Gustavo, um jogador comum, Jádson, um bom jogador de clube, mas insuficiente para a Seleção Brasileira, e deixar de fora Kaká, de muito boas atuações no final do período de Mano Menezes como técnico da equipe, quando teve grande entendimento com Oscar. As convocações do próprio Oscar, de Fernando, Paulinho, Hernanes e Bernard, não merecem reparos. Em compensação, nesse setor, esteve o maior acerto de Felipão, ao não chamar Ronaldinho, que há muito tempo deveria ter se tornado uma página virada na Seleção. No ataque, as convocações de Fred e Neymar eram óbvias e obrigatórias, e a de Leandro Damião mais do que justa, pelo seu desempenho e pela inconfiabilidade de Alexandre Pato, quase sempre atrapalhado por lesões. Nesse setor, o único erro foi a convocação de Hulk, um equívoco da época de Mano Menezes que Felipão insiste em perpetuar. De um modo geral, no entanto, foi uma boa convocação, que espelha o atual momento do futebol brasileiro. Uma Seleção que está longe de ser espetacular, mas que pode se constituir numa boa equipe, desde que Felipão consiga reeditar seus melhores momentos como técnico. Resta saber se ele ainda é capaz disso.