quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fim da ópera bufa

A Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros aceitaram, hoje, a colocação de barras anti-esmagamento no setor destinado à torcida Geral do Grêmio, na Arena. Por força do vedetismo das duas corporações, alimentado pela tentativa de "mostrar serviço" à sociedade após a tragédia de Santa Maria, o setor permaneceu interditado desde o dia 31 de janeiro, deixando 8.500 lugares do estádio desocupados, retirando do Grêmio o apoio precioso de torcedores e diminuindo a arrecadação da bilheteria. O incidente ocorrido no jogo contra a LDU, em que alguns gradis não resistiram à "avalanche", deixando torcedores feridos, foi maximizado pela imprensa e pelas autoridades, fazendo com que se cogitasse de colocar cadeiras também naquela localidade do estádio. Caso isso se confirmasse, seria uma péssima decisão, por vários aspectos. A colocação de cadeiras na Geral do Grêmio diminuiria a capacidade total do estádio. Afora isso, retiraria da Arena seu único setor com preços mais populares, colaborando para a elitização do estádio. As barras anti-esmagamento, infelizmente, impedirão o belo espetáculo da "avalanche", mas, pelo menos, os torcedores que gostam de assistir aos jogos em pé e pulando poderão fazê-lo. Ganham os jogos em emoção e o estádio se torna mais democrático. Pena que, por força da procrastinação da decisão sobre o assunto, a localidade só deva estar liberada em junho, pois a obra demanda tempo. Ainda bem que, dentro das circunstâncias, tomou-se a melhor decisão, e essa insuportável ópera bufa chegou ao fim.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vaia

A Seleção Brasileira foi vaiada e a torcida saudou o Chile com gritos de "olé", hoje à noite no Mineirão. Não era para menos. A Seleção não passou de um empate em 2 x 2 com o Chile, e Felipão, na sua volta ao cargo de técnico da equipe, até agora, só ganhou da fraquíssima Bolívia. O Chile saiu ganhando, a Seleção virou o jogo, com o segundo gol saindo de uma belíssima jogada tramada entre Ronaldinho, Jádson, Alexandre Pato e Neymar, que concluiu para as redes, mas Vargas fez um golaço decretando o empate que tornou o resultado mais justo. Ainda que se saiba que a Seleção não contava com os jogadores que atuam no exterior, e que o Chile tenha deixado uma boa impressão, a equipe brasileira tinha a obrigação de vencer, pois jogava em casa, para um público de mais de 53 mil pessoas, e conta com maiores valores individuais. Pelo que se viu no jogo, Réver, que inclusive marcou um gol, está merecendo uma convocação para a Seleção "quente", mas Ronaldinho é uma insistência de Felipão que não faz o menor sentido. Alexandre Pato destacou-se mais do que Leandro Damião. Neymar continua sem mostrar todo o seu potencial quando joga pela Seleção. A lateral-direita está carente de valores, mas é preferível escalar Marcos Rocha do que improvisar Jean. A Seleção continua deixando o torcedor muito preocupado. Seja a Seleção completa, ou apenas com jogadores que atuam no Brasil, as vitórias não estão acontecendo, e a Copa do Mundo de 2014 está se aproximando. As vaias, que já se fizeram ouvir quando terminou o primeiro tempo, e os cruéis gritos de "olé" em favor do Chile, demonstram que a paciência do torcedor com uma Seleção que não se afirma, está acabando.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Goleada impiedosa

O fato de Real Madrid e Barcelona terem a vantagem de fazerem os jogos de volta pelas semifinais da Champions League em casa, levou muitas pessoas a projetar uma decisão da competição entre os dois clubes. O raciocínio apressado não levou em conta, no caso do Barcelona, a qualidade do seu adversário, o Bayern de Munique, atual vice-campeão da Champions League. Afora, isso, o time espanhol já vinha dando sinais de queda no seu rendimento, tanto é assim que, na temporada 2011-2012 não conseguiu se classificar para a decisão do título mais cobiçado do futebol europeu, e o técnico Josep Guardiola, multicampeão pelo clube, deixou o cargo. Para o observador mais atento, o favoritismo no confronto deveria ser dado ao clube alemão. O que ninguém poderia imaginar, contudo, era que o Bayern goleasse o Barcelona impiedosamente, no primeiro jogo, por 4 x 0, como ocorreu, hoje, no Alianz Arena, o que faz com que a segunda partida se torne, praticamente, uma mera formalidade. Sim, é verdade que Messi entrou sem condições em campo, o que o transformou num jogador irreconhecível, mas com os valores que possui foi espantoso ver o Barcelona ser totalmente envolvido e não esboçar reação. O time espanhol não criou nenhuma chance de gol e poderia ter perdido o jogo por um placar muito mais elástico. Como já foi referido, o Barcelona já vinha dando sinais de desgaste desde o ano passado. Após ficar sem seu grande comandante de uma fase repleta de títulos, Guardiola, viu seu substituto, Tito Vilanova, ter de se afastar temporariamente para tratar-se de um câncer. A lesão de Messi, que vivia uma fase espetacular, talvez tenha sido a gota d'água para que o time entrasse num período de declínio. Seja como for, a história do futebol nos mostra que os supertimes não conseguem se manter nessa condição por muto tempo. Em geral, entre ascensão, apogeu e queda não transcorrem mais do que três anos. Uma série de fatores colabora para que haja um desgaste na estrutura vitoriosa, impedindo que a hegemonia se prolongue por muto tempo. Claro que o Barcelona ainda é um grande time, e não vai se tornar um coadjuvante nas competições de uma hora para a outra. Seu auge, no entanto, ao que tudo indica, já passou. Como todo o projeto exitoso, terá de se reciclar. No futebol, como na vida, conforme expressa o ditado, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Futebol abaixo da crítica

O Grêmio empatou em 0 x 0 com o São Luiz, e venceu por 5 x 3 nos tiros livres da marca do pênalti, classificando-se para as semifinais da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. No sábado, o Grêmio jogará contra o Juventude, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, e quem vencer, irá decidir o segundo turno com o ganhador de Inter e Veranópolis, que se enfrentarão, no domingo, no Francisco Stédile, na mesma cidade. Mesmo que tenha se classificado, o Grêmio jogou um péssimo futebol. Não há como aceitar que, jogando em casa, contra um adversário tão modesto, o Grêmio não consiga ganhar no tempo normal. O resultado só não foi pior porque o árbitro deixou de marcar um pênalti claro para o São Luiz, ainda no primeiro tempo. Para tornar o quadro ainda mais constrangedor, o São Luiz teve um jogador expulso, ficou cerca de 30 minutos com um homem a menos, e nem assim o Grêmio conseguiu marcar um gol. Pela enésima vez, o Grêmio foi um fracasso coletivo e também nas atuações individuais. Nem mesmo os desfalques servem como desculpa, até porque as estrelas que entraram em campo estiveram entre os jogadores de pior atuação, casos de Kléber e Barcos, por exemplo, atacantes que não chutam a gol. O Grêmio tem se mantido vivo nas competições que disputa, mas com um futebol abaixo da crítica. O torcedor, novamente, fez a sua parte. Mais de 16 mil pessoas foram ao jogo, numa segunda-feira à noite, mas o time continua a não retribuir esse carinho. A impressão que se tem é de que o Grêmio apenas se arrasta, rumando para eliminações que, cada vez mais, parecem inevitáveis.

domingo, 21 de abril de 2013

Ilusão fugaz

O Inter ganhou do Lajeadense, por 2 x 1, de virada, no Francisco Stédile, em Caxias do Sul, pelo Campeonato Gaúcho. O Lajeadense, um time bem montado, que só havia perdido um jogo em toda a competição, saiu ganhando por 1 x 0, resultado que se manteve até o final do primeiro tempo. Porém, logo aos 2 minutos do segundo tempo, sofreu o gol de empate e, poucos minutos depois, veio a virada. O que parecia uma confirmação da boa campanha, com a façanha de eliminar o Inter da Taça Farroupilha, o segundo turno do Gauchão, tornou-se, apenas, uma ilusão fugaz. O Inter, favorito natural, classificou-se para as semifinais do segundo turno, e, se vencê-lo, será tricampeão gaúcho automaticamente, sem a necessidade de uma decisão. O Inter está, portanto, a apenas dois jogos de conquistar o título de uma competição que segue enfadonha e sem surpresas.

sábado, 20 de abril de 2013

Ele é o cara

Como classificar um cantor e compositor que, aos 72 anos de idade e 52 de carreira, lança um disco, depois de cinco anos sem gravar, e vende mais de 1,2 milhão de cópias em plena crise da indústria fonográfica? O que dizer de alguém que ostenta a condição de segundo maior vendedor de discos da história da música brasileira, com 120 milhões de cópias? Me refiro, é claro, a Roberto Carlos, que, hoje, à noite, realizou um show para 50 mil pessoas na Arena do Grêmio. Durante duas horas, Roberto Carlos cantou e encantou a plateia. Com muitos sucessos em sua longa carreira, o repertório dos shows do "Rei" é sempre um desfile de músicas conhecidas, que levam o público a cantarolá-las. Roberto Carlos aniversariou ontem e, por isso, foi cantado o "Parabéns a você" e um bolo foi levado ao palco. Ele soprou as velinhas e ofereceu fatias do bolo para familiares, membros de sua equipe e algumas pessoas da plateia. A cada show de Roberto Carlos, a emoção se renova, mesmo diante de tantas músicas que atravessam o tempo. O título de seu mais recente sucesso é "Esse cara sou eu.". Sim, como se viu, mais uma vez, Roberto Carlos é o "cara". Numa idade em que a maioria das pessoas só vislumbra a aposentadoria, Roberto Carlos está em plena atividade profissional. Vindo, praticamente, todos os anos a Porto Alegre, é recebido, a cada show, como se fosse a primeira vez. Seu público é fiel e não se cansa de prestigiá-lo. Por certo, já está ansioso por sua próxima apresentação na cidade. Vida longa ao "Rei"!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O fim da privacidade

Todos nós, em algum momento, sentimos necessidade de nos evadirmos, de escapar ao burburinho próprio da existência para alguns instantes de recolhimento. Atualmente, contudo, isso parece cada vez mais difícil. A disseminação da tecnologia faz com que câmeras de vigilância estejam presentes em quase todos os locais. Em, praticamente, todos os lugares onde vamos, nos deparamos com um cartaz que expressa: "Sorria, você está sendo filmado". Conforme mostrado pelo programa "Globo Repórter", até mesmo zonas rurais com estradas de chão batido já contam com o auxílio das câmeras para fins de segurança. A violência dos dias atuais está por trás, é claro, de tamanha preocupação em vigiar os movimentos de todos, de maneira a prevenir ou punir eventuais transgressões, mas isso representa mais um fator de opressão na sociedade moderna, jã tão sufocada. O critério estabelecido para justificar tamanho aparato parece ser o de que todo mundo é suspeito até que se prove o contrário. O recurso de buscar dispersar-se em meio a multidão já não é mais possível. Os locais de grande aglomeração de público também são intensamente vigiados. Em estádios de futebol lotados por milhares de torcedores, por exemplo, as câmeras já tornam possível localizar qualquer pessoa. O mesmo se dá em parques, estradas, manifestações públicas, shows. Ao sairmos de casa, são raros os locais em que não estamos ao alcance de uma câmera. Se por um lado isso pode parecer positivo em nome do combate a violência e ao crime, em termos civilizatórios é algo assustador. Escravizados pelo medo e pela insegurança, renunciamos à privacidade, e eliminamos a sensação, tão desejável, por vezes, do anonimato. Estamos submetidos a uma superexposição que nos rouba o direito de ficarmos a sós com nossos próprios pensamentos, sem sermos observados. Ainda que em nome de uma maior segurança, pessoal e coletiva, é um preço demasiado alto a se pagar.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Classificação medíocre

O Grêmio empatou com o Huachipato em 1 x 1, no estádio CAP em Talcahuano (CHI), e está classificado para as oitavas de final da Libertadores, mas sua campanha, até aqui, na competição, deixa muito a desejar. A classificação só ocorreu devido ao melhor saldo de gols em relação ao Huachipato, pois, em pontos, ambos ficaram empatados. Ainda que seu adversário dessa noite seja o atual campeão chileno, não se justifica que, no confronto direto entre os dois clubes, o Grêmio tenha perdido um jogo e empatado o outro. Foram apenas oito pontos ganhos pelo Grêmio em seis jogos, com duas vitórias e igual número de empates e derrotas. Uma campanha medíocre. O próximo adversário do Grêmio na Libertadores será o Independiente de Santa Fé (COL), o único clube que ainda está invicto na competição, e o segundo e decisivo jogo será fora de casa. Para piorar, afora os jogadores que já estão lesionados, o Grêmio ainda teve as lesões de Adriano e Werley, e ficou sem Zé Roberto para a primeira partida contra o Independiente de Santa Fé, pois ele recebeu o terceiro cartão amarelo. Os mata-matas são uma nova etapa da competição, que nivela mais os disputantes. Ainda assim, o Grêmio precisará melhorar muito o seu futebol para ter algum futuro na Libertadores. No jogo dessa noite, depois de controlá-lo no primeiro tempo, e fazer 1 x 0 aos 30 minutos, o Grêmio recuou demais no segundo e sofreu um gol de falta aos 42 minutos que transformou o final da partida num drama. Há muitos gremistas que exaltam essas classificações sofridas como algo positivo, um lado épico do clube. Assim que o jogo terminou, os dirigentes enveredaram, justamente, por esse discurso de valorização do "heroísmo". Não penso assim. Um time tem de ser tão mais heroico quanto lhe faltem as condições naturais de imposição sobre seus adversários. O Grêmio, com o time que tem, e com os altos salários que paga, precisa jogar muito mais do que vem fazendo. Se não o fizer, o máximo que poderá obter é uma postergação de sua eliminação nas competições, mas não terá como ganhar títulos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Formulismo

A Libertadores é uma competição de grande charme e apelo, até porque concede ao seu vencedor a condição de disputar o Campeonato Mundial de Clubes, mas sua fórmula de disputa é muito ruim. Em primeiro lugar, ha excesso de participantes. Não há como fazer uma competição de alto nível técnico com 32 clubes, pois muitos deles são de pouca expressão no cenário do futebol. Esses 32 participantes são divididos em oito grupos de quatro clubes, dos quais se classificam para as oitavas de final os primeiros e segundos colocados de cada chave. Como os grupos são definidos por sorteio, sua composição é aleatória, com alguns concentrando clubes mais fortes e outros não. Ainda assim, para a definição dos enfrentamentos das oitavas de final, é levado em conta o número de pontos alcançado por cada clube na fase de grupos. O clube que mais pontuou entre os 16 classificados enfrenta o de pior pontuação, ou seja, o  primeiro colocado na classificação geral enfrenta o décimo-sexto, o segundo joga contra o décimo-quinto, e assim sucessivamente. Trata-se de um critério que não premia o desempenho dentro de campo. Afinal, o primeiro colocado na classificação geral pode ser, apenas, um clube que se beneficiou de entrar num grupo com adversários mais fracos, o que lhe possibilitou fazer um número maior de pontos. Por outro lado, a vantagem concedida aos melhores colocados não é tão expressiva. Ela consiste em jogar em casa as segundas partidas dos mata-matas, a partir das oitavas de final. A vitória do São Paulo por 2 x 0 sobre o Atlético Mineiro, hoje à noite, no Morumbi, que classificou o clube paulista para as oitavas de final, exemplifica bem essa situação. O São Paulo classificou-se com apenas 7 pontos, e ficou em décimo-sexto lugar na colocação geral, isto é, o último entre os que foram para a próxima fase da competição. O Atlético Mineiro, que até então havia ganho todos os seus jogos, ficou em primeiro lugar na classificação geral, mas, agora, fará um novo enfrentamento contra o São Paulo, em dois jogos, no qual seu único trunfo será fazer a segunda e decisiva partida em casa. Os defensores do formulismo dizem que ele proporciona mais emoção às competições. Pode até ser. Porém, o principal objetivo de uma competição deveria ser o de favorecer a prevalência da qualidade na definição de seu campeão. Os mata-matas, ao nivelarem adversários de desempenho desigual, não contribuem para isso.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Legitimidade

A vitória de Nicolás Maduro sobre Henrique Capriles na eleição para presidente da Venezuela, por uma diferença de votos de pouco mais de 1 %, gerou contestações quanto a legitimidade do resultado das urnas. Partidários e apoiadores de Capriles, e a imprensa conservadora, de dentro e de fora da Venezuela, fizeram insinuações de fraude e pediram recontagem dos votos. A Justiça venezuelana não acolheu tais pretensões e confirmou a vitória de Maduro. Alguns países, entre eles Estados Unidos e Espanha, ainda não reconheceram a legitimidade do novo governo. O Brasil, felizmente, não está entre eles. A escassa margem da vitória de Nicolás Maduro chama a atenção, mas não no sentido de insinuar a ocorrência de uma fraude. Ela só demonstra o óbvio, ou seja, de que Maduro não é Hugo Chávez. Carisma e apelo popular não são atributos que se possam transferir. Maduro é um herdeiro político de Chávez, mas seus predicados pessoais não se mostraram suficientes para ganhar a eleição por larga margem. Ainda assim, Maduro venceu. A pequena diferença de votos não deslegitima sua vitória. Na Venezuela, não há segundo turno. Logo, quem ganhar, ainda que por um voto de diferença, está eleito. Há alguns anos, o país que se diz exemplo de democracia, os Estados Unidos, elegeram um presidente, George Walker Bush, que fizera menos votos que seu concorrente, Al Gore. Tudo ficou por isso mesmo, e a imprensa conservadora não viu maior gravidade no ocorrido. O resultado da eleição venezuelana é um fato consumado. O desafio que se coloca diante de Maduro, contudo não pode ser ignorado. O presidente da Venezuela, conforme demonstram os números da eleição, não dispõe do apoio massivo alcançado por seu antecessor e mentor político, Hugo Chávez. Terá de governar para um eleitorado, praticamente, dividido ao meio entre situação e oposição. Prosseguir com o chavismo sem Chávez é a imensa tarefa que se coloca diante de Maduro.