terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tudo em nome do dinheiro

O futebol é o esporte das multidões, uma paixão em quase todos os países do mundo. Tamanho interesse por parte das pessoas fez com que, inevitavelmente, o futebol se transformasse num grande e rentável negócio. Porém, a sede de lucros e ganhos em torno do "esporte bretão" está pondo em xeque a sua credibilidade. A Organização Europeia de Polícia (Europol) divulgou a descoberta de um esquema de corrupção internacional no futebol, que movimentou 8 milhões de euros entre os anos de 2009 e 2011, envolvendo  mais de 15 países. Foram identificados mais de 380 jogos pela Europa nos quais houve prática de apostas ilegais. Ásia, América do Sul e América Central também foram afetadas. A rede criminosa é comandada a partir da Ásia.. Ficou provada a combinação de resultados em 150 jogos, válidos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, Eurocopa, Liga dos Campeões, campeonatos nacionais europeus, e competições menores. Um total de 425 pessoas, em todo o mundo, participaram do esquema, mas não tiveram seus nomes divulgados porque o processo judicial ainda está em curso. Cinquenta pessoas já foram presas, e a Europol já emitiu mais 28 mandados internacionais de prisão. Uma situação lamentável e preocupante, que pode minar a credibilidade do futebol junto ao público. O futebol italiano, por exemplo, depois de sucessivos escândalos de manipulação de resultados, que culminaram até com a cassação de títulos, vive um período de decadência. A avidez em obter ganhos com o futebol poderá fazer com que se mate a "galinha dos ovos de ouro". O mínimo que se exige numa disputa esportiva é que ela seja leal e com lisura. Se não for assim, o encanto se perde, e as multidões se afastam.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Afronta

A volta do senador Renan Calheiros (PMDB/AL) à condição de presidente do Senado, mesmo cargo ao qual havia renunciado, em 2007, por denúncias de corrupção, é um acinte, uma afronta ao povo brasileiro. Mais do que isto, mostra o ânimo da classe política em estabelecer uma "queda-de-braço" com a opinião pública, indicando homens inidôneos para postos de tamanha relevância num momento em que o país repudia os sucessivos escândalos envolvendo homens públicos. Nada parece deter os políticos brasileiros. Tal e qual a massa que quanto mais sovada mais cresce, eles mostram uma desfaçatez crescente, na mesma medida em que aumentam as críticas que recebem. Certos de que permanecerão impunes em suas manobras, desdenham do repúdio da imprensa e da população às suas atitudes, parecendo se considerarem acima do bem e do mal. O pragmatismo e a busca da "governabilidade" na política brasileira chegou no fundo do poço. Não há o que justifique o apoio do governo federal a indicação de Renan Calheiros para o cargo. O senador Paulo Paim (PT/RS), particularmente, manchou de forma irrecuperável a sua biografia ao votar em Calheiros, enquanto os outros dois membros do Rio Grande do Sul no Senado, Pedro Simon (PMDB) e Ana Amélia Lemos (PP), escolheram o nome de Pedro Taques (PDT/MT). O novo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), também tem uma ficha das mais sujas entre os integrantes do parlamento brasileiro. Com a escolha de nomes como os de Calheiros e Alves para presidir as duas casas do Congresso, o poder Legislativo brasileiro vira as costas para a população e entrega-se, única e exclusivamente, à defesa de seus próprios interesses e conveniências.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Resultado previsível

A vitória do Inter sobre o Grêmio, por 2 x 1, hoje, no Colosso da Lagoa, em Erechim, nada teve de surpreendente. Afinal, o Inter jogava com o seu time titular, e o Grêmio com reservas, à exceção de Werley e Fernando. Também é sabido que, quando estão envolvidos com a Libertadores, Grêmio e Inter dão prioridade absoluta para esta competição. Em 2012, era o Inter que estava na Libertadores, em 2013 é o Grêmio. O Inter jogou melhor, mas não muito, do que o Grêmio. Para quem estava com seu time praticamente completo, o Inter mostrou bem menos do que se esperava. Seus dois gols nasceram de falhas do goleiro Busatto. Aliás, o único gol do Grêmio nasceu, também, de uma falha do goleiro Muriel. A arbitragem de Fabrício Neves Corrêa foi fraca, e um erro seu prejudicou gravemente o Grêmio. Leandro Damião já tinha um cartão amarelo quando cometeu uma falta passível de punição. O árbitro marcou a falta, mas não lhe deu o segundo cartão amarelo, que deveria resultar na sua expulsão. Para agravar ainda mais a situação, Leandro Damião chutou a bola para as redes depois do apito de Fabrício  Neves Corrêa paralisando o lance, o que também deve ser punido com cartão amarelo, e, novamente, não aconteceu. Favorecido pela omissão do árbitro, o atacante do Inter permaneceu em campo, e marcou o segundo gol do seu time, que foi fundamental para o resultado final. Uma ressalva, contudo, deve ser feita em relação á maneira como Grêmio e Inter se comportam quando estão na Libertadores. O Inter, no ano passado, mesmo priorizando a competição sul-americana, conquistou o título do Campeonato Gaúcho. No primeiro Gre-Nal do ano, jogando com os reservas, no Olímpico, obteve um empate em 2 x 2. O Grêmio, no atual Gauchão, já está com três derrotas consecutivas e em penúltimo lugar no seu grupo. A prioridade para uma competição de maior relevância é natural, mas isto não autoriza o Grêmio a cometer fiascos como a goleada de 4 x 0 sofrida para o São Luiz, em Ijuí, na quinta-feira. Não se pode tratar uma competição com tamanho desdém, pois, por menos importante que ela seja, quando o Grêmio entra em campo tem de honrar a sua camiseta e a sua tradição. A verdade é que o Grêmio, até agora, não deu nenhum motivo para que seu torcedor sinta-se confiante em alcançar glórias durante o ano.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Furor fiscalizatório

O Brasil, infelizmente, é um país que se caracteriza pela omissão do poder público no cumprimento de suas obrigações, e na leniência da população para com tal situação. Tal estado de coisas só é rompido diante de um fato terrivelmente dramático, que cause grande comoção. Evidentemente, a tragédia de Santa Maria (RS), onde mais de 230 pessoas morreram no incêndio da boate Kiss, se encaixa neste contexto. Depois do ocorrido, o país foi varrido, de norte a sul, por um furor fiscalizatório sobre boates e demais casas noturnas, teatros e locais de diversão pública, para verificação de suas condições de segurança. Isto, sem dúvida, é muito bom e deve ser saudado. Duas perguntas, contudo, ficam no ar. A primeira é porque é necessário que aconteça algo tão pavoroso como o incêndio de Santa Maria para que haja tamanha mobilização? O rigor na fiscalização destes locais, em nome da segurança e da integridade de seus frequentadores, deveria ser permanente. A segunda indagação é a de quanto tempo durará o empenho das autoridades nesse sentido. Com o transcorrer do tempo, e o progressivo esquecimento do que houve na boate Kiss, a tendência é que tudo volte ao marasmo de sempre. Numa comprovação de que o mundo se transformou, mesmo, numa aldeia global, um fato ocorrido num município do interior do Rio Grande do Sul, repercutiu em todos os continentes. No Brasil, seus efeitos se fizeram sentir em todos os lugares, até mesmo nas duas megalópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo. Em Manaus, já no dia seguinte à tragédia, 17 casas noturnas foram lacradas por falta de condições ideais de funcionamento. Tem sido assim em praticamente todos os lugares, do Oiapoque ao Chuí. Bom seria que tal aplicação no cumprimento do dever fosse a regra e não a exceção por parte dos poderes constituídos, não dependendo de estímulos como grandes desastres para ser posta em prática. Só assim poderemos confiar em que, no futuro, não se tenha de viver, novamente, algo tão doloroso e traumático como o incêndio do último domingo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Conversões

Há assuntos que são muito espinhosos. Entre eles estão os que envolvem crenças religiosas. Trata-se de um terreno minado, que desperta reações iradas por parte daqueles que se sentem atingidos na sua fé. Não irei, no entanto, abordar a religião em si, mas a postura de algumas pessoas diante dela. A religião é um anteparo para muitas pessoas, que encontram nela um suporte psicológico diante das dificuldades da vida. Muitas vezes, contudo, a busca da fé, ou mesmo uma conversão, evidenciam uma atitude escapista. Alguns dias atrás, li uma notícia que dava conta de que a cantora Elba Ramalho revelara que abdicou de manter relações sexuais, e está levando uma vida casta.há um ano e três meses. Elba, que está com 61 anos, e sempre relacionou-se com homens bem mais jovens do que ela, disse que se consagrou definitivamente com Nossa Senhora, leva uma vida reclusa, não está namorando, e vem se dedicando às obras sociais, religiosas e à família, o que, segundo afirmou, tem lhe dado "prazer". Por que me ocupo deste tema? Porque me chama a atenção a ocorrência de certas "conversões" em mulheres famosas que, antes, tinham uma vida voltada para os prazeres mundanos. O caso de Elba Ramalho não é o primeiro, nem será o último. A ex-modelo Rose di Primo, a cantora Baby Consuelo e a atriz Myrian Rios são outros exemplos nesse sentido. Em comum, todas tiveram, antes de receberem o chamado da fé, uma vida sexual intensa. Atualmente deputada estadual no Rio de Janeiro, Myrian diz estar há mais de dez anos sem sexo e passou a defender ideias extremamente conservadoras, inspiradas por sua conversão religiosa. Não quero desdenhar da fé de ninguém, mas tais conversões não me convencem. No fundo, em todos estes casos, a religião é um escapismo, uma forma encontrada por tais celebridades para enfrentar o ocaso de sua atratividade como mulheres. Rose e Myrian, especialmente, atingiram a fama menos por um grande talento e muito mais por seus atributos físicos. Com a perda do viço e da juventude, as oportunidades profissionais diminuem, e o assédio masculino também. Para enfrentar com dignidade as agruras determinadas pela ação implacável do tempo, a religião surge como uma ótima válvula de escape. Permite que, perante seus próprios olhos e os dos outros, a pessoa seja vista como alguém que renunciou a uma vida errante para optar pelo "caminho certo". Nada mais é do que um artifício, para suportar a quase invisibilidade atual de quem antes era cercada por olhares cobiçosos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Imortalidade

O torcedor do Grêmio gosta de afirmar que o seu clube é imortal, já que identifica a bravura, a garra, a obstinação e a inconformidade com o fracasso como características que lhe são intrínsecas. A classificação do Grêmio para a fase de grupos da Libertadores, após uma escassa vitória por 1 x 0 contra a LDU no tempo normal, e a decisão nos tiros livres da marca do pênalti, reforça essa ideia. O Grêmio não chegou a jogar bem, mais uma vez teve muita dificuldade em atacar, esteve muito desfalcado, mas, ainda assim, obteve a sua classificação, e do jeito que o seu torcedor gosta, com heroísmo e sacrifício. Falta muito ao Grêmio para estar em condições de almejar o título da Libertadores. As laterais ainda não estão bem preenchidas, falta uma maior quantidade de zagueiros, e o ataque segue sendo ineficiente. Porém, o que importa é que o Grêmio ganhou e, com isso, a Arena já começa com a fama de "pé quente". O gramado ainda não apresenta as melhores condições, mas isto se resolve com  o tempo. O Grêmio está na fase de grupos da Libertadores e, com isso, grandes perspectivas técnicas e financeiras se abrem no seu horizonte. Cabe ao Grêmio qualificar adequadamente o seu time para poder usufruir dos ganhos que grandes campanhas e títulos de expressão poderão lhe proporcionar. Há muito a fazer, mas o Grêmio entrou no páreo, e nunca se deve desprezar um imortal, por mais discutível que pareça a qualidade do seu time. O sufoco da Pré-Libertadores foi superado. Agora, sim, o ano do Grêmio vai começar, e só depende dele construir um final feliz.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O jogo que decide um ano

Pode parecer exagero, mas não é. O Grêmio está, hoje, na véspera de um jogo em que toda a sua perspectiva para 2013 será decidida. Se obtiver, contra a LDU, a classificação para a fase de grupos da Libertadores, um caminho risonho se abrirá para o clube, com grandes jogos e boas cotas por partida. Se for eliminado, uma crise certamente ocorrerá, e até o técnico Vanderlei Luxemburgo, que renovou contrato por dois anos, poderá perder o cargo. O Grêmio corre muitos riscos no jogo de amanhã à noite. Como perdeu o primeiro jogo, em Quito, é obrigado a vencer. Porém, não basta vencer, é preciso pelo menos dois gols de diferença, devido ao saldo qualificado. Se ganhar por 1 x 0, mesmo placar pelo qual foi derrotado, decidirá tudo na loteria dos tiros livres da marca do pênalti. O time ainda possui carências evidentes nas laterais, e talvez jogue desfalcado de Cris, o que seria desastroso, pois o único zagueiro disponível para substituí-lo é o precaríssimo Douglas Grolli. O gramado da Arena ainda não apresenta as condições ideais, o que é outro fator complicador. A torcida enfrenta dificuldades para a aquisição de ingressos, o que lhe causa irritação e não permite a devida mobilização para o jogo. São muitas os riscos envolvendo a partida, mas o Grêmio terá de superar todos eles. Caso contrário, para o clube, o ano poderá se encerrar pouco depois de ter se iniciado.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Desdobramentos

Um acontecimento tão brutal como o incêndio na boate "Kiss", em Santa Maria (RS), é algo cujos efeitos não se esgotam em poucas horas. Sua assimilação só se dá com o correr dos dias, permitindo que a análise lúcida dos fatos se sobreponha à comoção por eles causada. Porém, não é possível que se deixe prosperar a ideia de que o ocorrido foi uma fatalidade. Não foi. Fatalidades são acontecimentos que se abatem sobre as pessoas sem que alguém tenha agido para a sua ocorrência. Não é o caso. Os proprietários de uma casa noturna cujo alvará de funcionamento está vencido, em que os extintores de incêndio não funcionam, com apenas uma porta de saída num ambiente que pode receber até 1,5 mil pessoas, em que o revestimento do isolamento acústico é altamente inflamável, concorrem para a possibilidade de que uma tragédia venha a se consumar. Um grupo musical que realiza um espetáculo pirotécnico num ambiente fechado, também age de forma inconsequente e irresponsável. Os diversos órgãos fiscalizadores que não cumpriram com o seu papel para coibir tais absurdos, igualmente tem parcela de responsabilidade pelo trágico acontecimento. A dor de quem perdeu pessoas queridas no incêndio não irá acabar, mas muito pior será se não se fizer justiça, punindo todos aqueles que, por ação ou omissão, permitiram que algo tão calamitoso acontecesse. Os que sofrem com a perda irreparável de seus filhos, irmãos, primos ou amigos, só terão um mínimo de conforto se os responsáveis pelo quadro dantesco verificado na boate "Kiss" receberem a devida punição. Não foi um acontecimento casual. Doloso ou culposo, o que ocorreu foi um crime. Um crime sempre tem autores, e estes tem de pagar por ele.

domingo, 27 de janeiro de 2013

A tragédia de Santa Maria

Meu assunto, hoje, não poderia ser outro. A tragédia de Santa Maria (RS), o segundo maior incêndio, em número de vítimas fatais, da história do Brasil. Como definir um quadro em que um local de lazer, uma boate, acabe se transformando na área onde morram 232 pessoas, todas jovens, que, no momento em que irrompeu o incêndio, assistiam a um show musical? Pela informações que vão chegando com o transcorrer das horas, uma série de atos irresponsáveis culminou no trágico acontecimento. Começa pelo alvará de funcionamento da boate "Kiss", onde ocorreu o fato, que estaria vencido desde agosto. Prossegue com o lançamento, por parte de um dos integrantes do grupo "Gurizada Fandangueira", que se apresentava naquele momento, de um sinalizador dentro de um ambiente fechado. Culmina com a atitude dos seguranças da casa noturna, que teriam bloqueado as portas de saída, quando do início do tumulto, pensando se tratar de uma briga, e tentando evitar que pessoas saíssem sem pagar. Um fato traumatizante, de repercussão internacional, mas que não pode ficar só na comoção. As vítimas não terão sua vida de volta, e suas famílias estarão para sempre abaladas, mas, até para que outros não venham a passar pelo mesma situação, urge que se tomem medidas para evitar a repetição de fatos como este. Uma casa noturna sem alvará não pode funcionar. As saídas de emergência tem de ser numerosas e não podem, sob alegação alguma, sofrer qualquer tipo de bloqueio. Mais uma vez, a sede de lucro ou o temor de possíveis prejuízos leva a atitudes injustificáveis, que redundam em perda de vidas. Uma tragédia com tamanho número de vítimas tem de servir, ao menos, para que se deixe de lado o "jeitinho" e se procedam as fiscalizações e vistorias necessárias para o funcionamento desse tipo de estabelecimento. No calor dos fatos, todos se propõem a fazer de tudo para que tais fatos não se repitam. Depois, tudo tende a cair no esquecimento, Tomara que, desta vez, seja diferente, apurando e punindo os possíveis responsáveis pelo ocorrido, e intensificando medidas preventivas e fiscalizatórias que garantam a segurança dos frequentadores de locais de diversão.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O encontro com o inescapável

Vários dos concorrentes na categoria de melhor filme da próxima edição do Oscar, que acontecerá no dia 24 de fevereiro, estão em cartaz nos cinemas brasileiros. Entre eles está "Amor", que concorre, também, aos prêmios de filme estrangeiro, diretor, com o austríaco Michael Haneke, atriz, com a francesa Emmanuelle Riva, e roteiro original. Sucesso de crítica, "Amor" nem sempre é bem recebido pelo público. Percebi, ao assisti-lo, que muitas pessoas deixavam o cinema antes do seu final. Porém, não acho que o fizessem por considerarem o filme ruim e, sim, por se sentirem perturbadas pelo que ele aborda. "Amor" trata, basicamente, da doença e da morte, temas que são sempre espinhosos, e dos quais tentamos nos evadir. Muitos se queixam que o filme é arrastado, mas isto se deve mais ao vício do público em considerar que o ritmo correto de um filme é o frenético, típico das produções americanas. "Amor" é uma co-produção franco -germânico-austríaca, com elenco francês. Sua temática intimista não poderia ser enfocada de maneira acelerada. O filme é denso e impactante, mexe com as emoções do espectador, convidando-o a encarar situações dolorosas, mas inescapáveis. A atuação dos protagonistas e notável, e fica difícil entender porque o grande Jean-Louis Trintignant também não foi indicado para o prêmio de melhor ator. Sua interpretação, como o marido que se vê diante da doença e da decadência física da mulher com quem viveu toda uma existência, é soberba. Ele procura manter o controle e o sangue frio diante da situação, até desabar num gesto extremado. A doença é algo que atinge a quase todos, e a morte não poupa ninguém. Talvez por isto, "Amor" se mostre tão perturbador para algumas pessoas. Não é um filme fácil ou agradável, mas é uma grande obra, merecedora do destaque que alcançou.