terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Grêmio não tem ataque

A vitória do Grêmio sobre o Millonarios (COL), por 1 x 0, hoje à noite, no Olímpico, pela Copa Sul-Americana, deixou evidente, mais uma vez, o crônico problema ofensivo do time. Kléber não jogou, vetado pelo departamento médico, mas, pelo rendimento que vinha tendo, isso não chega a fazer diferença. O ataque que saiu jogando, com Leandro e Marcelo Moreno, foi totalmente inexpressivo. O Grêmio não jogou mal, até teve uma produção superior em relação às últimas partidas. No entanto, a falta de poder ofensivo fez com que obtivesse uma vitória magra, que não o tranquiliza para o segundo jogo, em Bogotá. Afora o desgaste físico, bastante evidente nos últimos jogos, o motivo dos seguidos empates e das vitórias de placar escasso do Grêmio está na ineficiência dos seus homens de frente. Kléber e Marcelo Moreno chegaram com enorme cartaz, ganham altos salários, mas suas atuações são decepcionantes. Leandro e André Lima são jogadores muito deficientes, e não se constituem em boas alternativas. O Grêmio criou um número razoável de chances de gol contra o Millonarios, mas fez apenas um. Com isso, jogará pelo empate em Bogotá, mas terá muitas dificuldades. Menos mal que a classificação para a Libertadores está praticamente assegurada via Campeonato Brasileiro. Para o ano que vem, contudo, o Grêmio terá de contratar novos atacantes. Os que possui são jogadores de grande prestígio, mas não estão rendendo o que deles se espera.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A mercantilização da saúde

A revista "Veja" traz, nas páginas amarelas de sua edição dessa semana, uma entrevista com Edson de Godoy Bueno, que vendeu 60% das ações da Amil, a maior operadora de planos de saúde do Brasil, para a empresa americana United Health Group. O interessante na entrevista de Bueno, que já era milionário e aumentou ainda mais a sua fortuna, é a maneira como encara os planos de saúde privados. Para ele, percebe-se por suas respostas, trata-se de um bom negócio como outro qualquer. Os planos de saúde privados, no Brasil, cobram caro e atendem mal a sua clientela, mas tornaram-se necessários diante da   perspectiva, aterradora para a maioria das pessoas, de depender do Sistema Único de Saúde (SUS). A venda de ações da Amil, por certo, trará mais prejuízos aos adquirentes dos seus planos, pois a United costuma trabalhar em regime de coparticipação, isto é, o cliente paga uma parte da consulta. Bueno, no entanto, é a favor da coparticipação. Para o empresário, esse é um sistema mais eficiente e justo, pois cobra do paciente uma taxa que desestimula a ida ao consultório sem necessidade, mas não impede o atendimento quando for preciso. "Aumentando a produtividade é possível melhorar o atendimento sem aumentar custos", argumenta Bueno, como se estivesse falando de produção industrial, e não de vidas humanas. Bueno rebate as críticas aos planos privados de saúde, e diz que eles atendem bem à sua clientela. Ele critica o usuário brasileiro de classe média que, conforme diz, quando vai para o hospital, não quer nem ouvir falar em enfermaria. "O paciente precisa é de um bom atendimento, não do melhor quarto", declara Bueno. Dentro de seu pragmatismo, Bueno propõe, para os clientes de baixa renda, unidades que possibilitem a realização de exames de madrugada, pois não vê mal algum nisso. "Ao criar produtos para essa faixa de renda, é preciso considerar que, se o paciente não que esperar um mês para fazer um exame, talvez tenha de fazê-lo à noite e até de madrugada", afirmou Bueno. Ler as atrocidades ditas por Bueno só teve um efeito prático sobre mim, que foi o de aumentar minha ojeriza à economia de mercado.

domingo, 28 de outubro de 2012

A vitória de Haddad

O que as pesquisas das últimas semanas anunciavam confirmou-se, hoje, e Fernando Haddad (PT)  é o novo prefeito de São Paulo. Uma vitória de grande expressão, porque teve de enfrentar muitos obstáculos, inclusive, no próprio partido. A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, esperava ser indicada para concorrer novamente ao cargo. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, no entanto, optou por Haddad, o que gerou a inconformidade de Marta e um abalo partidário. Depois de meses de turbulência, Marta foi aquinhoada com o cargo de ministra da Cultura e se engajou na campanha de Haddad. Porém, o candidato ainda teria outros desafios a superar. A imprensa tratava de desconstruir sua imagem, classificando sua gestão como ministro da Educação de fracassada. As primeiras pesquisas lhe davam um índice baixíssimo de intenção de votos, e apresentavam Celso Russomano (PRB) como o favorito para ganhar a eleição. Russomano sequer chegou ao segundo turno, que foi disputado por Haddad e José Serra (PSDB). O noticiário dava conta da perspectiva de um grande fracasso do PT na eleição de São Paulo, enterrando Lula como indutor de votos e mostrando os sinais de um tal "efeito mensalão". Haddad, contudo, repetiu a trajetória de Dilma Roussef na eleição para presidente. Ela também começou com índices mínimos de intenção de voto, e acabou se elegendo com grande vantagem, assim como aconteceu com Haddad. O mais interessante é que ambos enfrentaram, no segundo turno, o mesmo adversário, José Serra, que, tudo indica, teve sepultada sua carreira política, pelo menos para a disputa de cargos majoritários. A vitória de Haddad é, sobretudo, um triunfo de Lula. Ele elegeu, num espaço de dois anos, Dilma e Haddad, candidatos tidos como sem apelo junto ao eleitorado. Dessa forma, Lula confirma a ideia de que é capaz, até, de eleger um poste, se assim o desejar. O ex-presidente mostra que ainda é o maior líder popular brasileiro, que o mensalão em nada arranhou essa condição, e de que a possibilidade do PT perder o poder na próxima eleição para presidente é quase inexistente. O eleitor de São Paulo desconsiderou as invectivas contra Haddad e o escolheu para prefeito. Preferiu optar pelo novo, em vez de apostar em velhas e desgastadas alternativas.

sábado, 27 de outubro de 2012

Melhora tardia

O Inter venceu seu segundo jogo consecutivo no Campeonato Brasileiro, ambos por 2 x 1 e de virada. Dessa vez o derrotado foi o Palmeiras, no Beira-Rio. No entanto, ainda que muitos torcedores continuem a sonhar com a classificação para a Libertadores, a melhora do Inter ocorreu tardiamente. Se é verdade que a vitória sobre o Palmeiras, combinada com a derrota do Vasco para o Corinthians, fez com que o Inter ultrapassasse o clube carioca na tabela, a distância para o 4º colocado, o São Paulo, permanece de sete pontos, e faltam apenas cinco rodadas para o fim do Brasileirão. Afora recuperar um pouco da auto-estima do clube e da torcida, as vitórias do Inter nos seus dois últimos jogos não deverão ter maiores efeitos práticos. O despertar do Inter se deu tarde demais.

Podia ser bem melhor

O Grêmio empatou apenas um jogo em todo o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Porém, no segundo turno, os empates se sucedem. Hoje, no 1 x 1 com o Bahia, no Pituaçu, o Grêmio empatou o seu quarto jogo consecutivo no Brasileirão, e, a exemplo de outras partidas, poderia ter obtido um resultado bem melhor. Depois de um primeiro tempo em que teve pouca posse de bola e quase não chutou a gol, mas teve a sorte de empatar dois minutos depois de o Bahia abrir o placar, o Grêmio dominou amplamente o segundo tempo, perdeu, pelo menos, duas grandes oportunidades, ambas com Leandro, e poderia ter saído com a vitória. A falta de poder ofensivo do Grêmio, no entanto, está cobrando o seu preço. Kléber, ainda que tenha feito o gol, voltou a não jogar bem. Marcelo Moreno nada fez, e acabou substituído por Leandro que, como já foi referido, desperdiçou duas grandes chances de gol. Afora isso, no meio de campo, Elano segue em sua preocupante má fase. Os vários jogos sem vitória já apresentam suas consequências. O Grêmio já está apenas dois pontos na frente do São Paulo, que vem fazendo uma grande campanha de recuperação. Com isso, poderá perder o terceiro lugar na competição, que parecia ter assegurado. Menos mal que ainda haverá o confronto direto entre os dois clubes, e ele será no Olímpico. Agora, prosseguindo em sua incrível maratona de partidas, o Grêmio jogará, terça-feira, em casa, contra o Millonarios (COL), pela Copa Sul-Americana. Como o segundo jogo é fora de casa, convém ao Grêmio estabelecer uma vantagem confortável na primeira partida, a fim de melhor encaminhar sua classificação para a próxima fase.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A elitização do futebol

Está gerando grande e negativa repercussão entre os sócios do Grêmio o fato de que terão de comprar ingresso para assistir ao jogo inaugural do novo estádio do clube, a Arena, contra o Hamburgo, no dia 8 de dezembro. São muitas as alegações do clube para assim proceder. Entre outras coisas, a de que o jogo será apenas a culminância de todo um dia de festejos e atrações as mais diversas. Argumenta-se, também, que os direitos dos sócios no novo estádio só começarão a vigorar a partir de janeiro. Outra razão apresentada é a de que os patrocinadores não cobriram inteiramente os custos do evento. Seja como for, os sócios tem todos os motivos para se sentirem insatisfeitos por terem de disputar ingressos que lhes deveriam estar assegurados, quanto mais não seja, porque enfrentarão uma significativa majoração no valor de suas mensalidades quando da migração para o novo estádio. Se me ocupo de uma questão que parece muito específica e de interesse restrito é porque vejo nela a ponta de um iceberg. O futebol, reconhecido como o esporte das multidões, entranhado nas camadas mais humildes da população, caminha, no Brasil, para uma evidente elitização. A realização, no país, da Copa do Mundo de 2014, levou à construção de novos e modernos estádios e à remodelação de antigas praças de esporte, ainda que nem todos irão sediar jogos da competição. Isso é ótimo, porém, como costumam dizer os defensores do capitalismo, não existe almoço grátis. Já nos dias de hoje, o preço médio do ingresso nos estádios brasileiros tem afastado os torcedores menos aquinhoados financeiramente. Nos novíssimos e sofisticados estádios, bem como nos reformados, isso se acentuará. Em troca de uma série de confortos, recursos e comodidades hoje inexistentes nos estádios, o que era um espetáculo para todos, ficará restrito aos bolsos mais cheios de alguns. Para o "povão", restará ver os jogos pela televisão. O prazer de conferir o jogo no local de sua realização ficará fora de seu alcance. Uma incrível contradição num país que é governado, há nove anos, pelo Partido dos Trabalhadores.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tatata Pimentel

Toda a cidade tem seus personagens característicos, pessoas que são indissociáveis da sua paisagem urbana. No caso de Porto Alegre, Tatata Pimentel era uma dessas figuras. Sua morte, aos 74 anos, priva a cidade de uma de suas personalidades fundamentais. Tatata foi professor e comunicador, mas, também, muito mais do que isso. Foi agitador cultural, intelectual, boêmio. Sua cultura era vasta, enciclopédica. Amava os livros e a música. Era um apreciador das óperas. Lia compulsivamente. Era um homem extravagante em suas atitudes, mas que sempre teve o respeito de todos, que nele reconheciam o talento e o brilhantismo. Esse final de ano está sendo cruel com Porto Alegre. Na mesma semana, duas pessoas das mais queridas e emblemáticas da cidade faleceram. Primeiro Jorge Mendes, agora Tatata Pimentel. A sensação que se abate sobre seus amigos e admiradores é a de um imenso vazio, e de uma grande saudade.

Dando força para o rival

Claro que a intenção do Inter não era essa, mas com sua vitória sobre o Vasco, por 2 x 1, de virada, hoje á noite, em São Januário, beneficiou muito mais ao Grêmio, seu maior rival, do que a si próprio. Embora diga acreditar nas possibilidades matemáticas que lhe restam, o Inter sabe que não tem chances de se classificar para a Libertadores. Ao ganhar do Vasco, e deixá-lo nove pontos atrás do Grêmio, faltando apenas seis rodadas para o final do Campeonato Brasileiro, o Inter praticamente definiu os quatro clubes brasileiros que irão para a Libertadores. Pela distância em pontos que possuem sobre os demais clubes, e pelo reduzido número de rodadas que falta até o final do Brasileirão, Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo, deverão ser os quatro classificados para a competição continental. A vitória serviu para o Inter satisfazer seu torcedor depois de duas derrotas consecutivas, proporcionou a primeira grande atuação de Diego Forlán, que fez os dois gols, com a camisa do clube, e marcou a volta de D'Alessandro às grandes atuações. Porém, em termos práticos, foi uma enorme ajuda para o seu mais tradicional adversário.

Só valeu pelo resultado

A vitória do Grêmio sobre o Barcelona de Guayaquil, por 2 x 1, de virada, hoje à noite, no Olímpico, valeu pela classificação obtida para a próxima fase da Copa Sul-Americana. Porém, o desempenho do time, mais uma vez, foi sofrível. O Grêmio padece de falta de poder ofensivo. Kléber continua a não jogar nada, e Marcelo Moreno só foi notado na partida quando desperdiçou uma oportunidade de gol de maneira bisonha, fazendo com que o torcedor perdesse a paciência de vez. Elano foi poupado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, e ficou no banco. Pois foi somente após a sua entrada em campo, no segundo tempo, que o Grêmio melhorou de produção. Novamente, o Grêmio mostrou enormes dificuldades diante de um adversário que se feche e marque forte. Os erros de passe levaram a torcida à exasperação. Com exceção de Anderson Pico, de boa atuação, os demais jogadores deixaram a desejar. O Grêmio segue com boas campanhas nas duas competições que disputa paralelamente, o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana, mas seu futebol não suscita nenhum entusiasmo. Existe uma base de time, mas ela precisará ser substancialmente reforçada se o Grêmio tiver grandes ambições para 2013.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vício autoritário

O Brasil é um país que ainda não se habituou à prática da democracia. A rigor, o país só vivenciou períodos de efetiva democracia, no plano político, de 1946 a 1964 e de 1985 até os dias de hoje. Como se vê, muito pouco para um país com 512 anos de história. Isso gerou consequências terríveis, e a pior delas é o desapreço de grande parte da população pelas práticas democráticas, a defesa dos direitos humanos, e a pluralidade de ideias e comportamentos. Ao contrário do país libertino e licencioso pintado por alguns, o Brasil é, lamentavelmente, de um conservadorismo muito acentuado. Isso pode ser verificado no atual clima de polarização política que vive o país. A guerra entre PT e PSDB, ou, mais amplamente, entre os partidos de esquerda e os de direita, pelo poder, nunca esteve tão acirrada. Porém, ela não se dá, como deveria, no plano das ideias, mas, sim, em manifestações de ódio e intolerância cada vez mais explícitas. O antipetismo de colunistas como Reinaldo Azevedo e Guilherme Fiúza, das revistas "Veja" e "Época", respectivamente, atingiu um nível fóbico e doentio. Nas redes sociais, a intolerância para com os que pensam diferente é flagrante. Ninguém, por mais ilustre que seja, é poupado. Até mesmo Caetano Veloso, artista notável, foi vítima dessa ira. Por ter dito que apoia a candidatura de Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) para prefeito de Salvador, Caetano foi atacado por muitos no Facebook. A opção política do cantor e compositor, nesse caso, é surpreendente e lastimável, mas não dá a ninguém o direito de ofendê-lo ou tentar diminuir a qualidade do seu trabalho. A democracia ainda é uma planta frágil no Brasil. Precisa de muito sol e água para que possa crescer e atingir a maturidade. A radicalização de posições em nada colaborará para isso. A postura autoritária é uma marca perceptível tanto da esquerda quanto da direita. Todos querem, apenas, fazer valer sua visão de mundo, excluindo os contrários. Menos mal que, com tantos apostando no pior, as instituições brasileiras tem mostrado solidez. Contra a vontade dos radicais, o Brasil, mesmo com todas as suas mazelas, tem avançado na construção da democracia. O país ainda é muito injusto e desigual, mas tem eleições livres em todos os níveis, cujos resultados são respeitados. Os que pensam diferente de nós devem ser vistos como adversários num embate leal e democrático, não como inimigos a quem se deva destruir.