quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Vitória magra e a saída de Douglas
O Grêmio venceu o São Luiz, de Ijuí, hoje à noite, no Olímpico, por 1 x 0, mas não convenceu. Kléber marcou o único gol da partida, numa belíssima jogada de Marcelo Moreno, mas a atuação do time como um todo, mais uma vez, deixou muito a desejar. Antes de marcar o gol, Kléber já havia desperdiçado um pênalti. O jogo valeu apenas pelo resultado e, ainda assim, o Grêmio continua, mesmo com a vitória, fora da zona de classificação de seu grupo no Campeonato Gaúcho. Um ponto positivo a ser ressaltado foi a segunda grande atuação consecutiva de Victor, indicando que ele talvez possa voltar a ser o goleiro seguro de outros tempos. No lado negativo, mais uma atuação abaixo da crítica de Marco Antônio, que não tem sabido aproveitar as chances que recebe para se firmar no time. Com o que vem mostrando em campo, o Grêmio não inspira confiança para o Gre-Nal de domingo. Independentemente do time que o Inter escalar, a partida tende a ser muito difícil para o Grêmio, mesmo jogando em casa, com o apoio da sua torcida. A verdade é que o trabalho do técnico Caio Júnior não aparece, nem dá sinais de que se possa esperar por uma melhor produção do time. Para piorar o quadro, o Grêmio vendeu Douglas para o Corinthians. Embora fosse criticado por muitos, Douglas é um jogador de grande técnica e sua saída empobrecerá ainda mais o time do Grêmio. Conforme o gerente de futebol Paulo Pelaipe, o Grêmio ainda está em busca de um zagueiro e dois meias. Ora, convenhamos, faltando pouco mais de um mês para a estréia na Copa do Brasil, o Grêmio já deveria estar com seu time pronto, e não em busca de três titulares. No entanto, dependendo do que acontecer no Gre-Nal, muito coisa poderá mudar no Grêmio. Afinal, é bom lembrar que o técnico Vanderlei Luxemburgo, como se previa, foi demitido pelo Flamengo, e está disponível no mercado.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Favoritismo confirmado
O Inter confirmou o seu favoritismo e está classificado para a fase de grupos da Libertadores, após empatar, hoje à noite, em Manizales, na Colômbia, com o Once Caldas, em 2 x 2. O Once Caldas fez 1 x 0 logo a 1min30s de jogo, cobrando um pênalti. O time colombiano, contudo, não soube manter nem ampliar a vantagem, cometendo, também, um pênalti, pouco depois, que determinou o empate. O Inter passou a frente, numa bonita jogada, e o Once Caldas empatou, logo a seguir, em outro lance de bela feitura. O primeiro tempo terminou empatado e o placar, no segundo tempo não foi movimentado, pois o Once Caldas esbarrou nas suas limitações técnicas e no nervosismo com o tempo que ia passando. O Inter já terá jogo pela Libertadores na quinta-feira da próxima semana, contra o Juan Aurich, do Peru, no Beira-Rio, uma partida que se prenuncia fácil. O grupo do Inter é o mesmo do Santos, mas, como se classificam dois clubes por chave, isso não deve causar maiores problemas. Resta saber, agora, se o Inter irá colocar o time reserva no Gre-Nal de domingo, o que é bastante provável. Seja como for, conforme já havia colocado num texto há poucos dias, 2012 começa do mesmo modo que 2011 e todos os últimos anos, isto é, inteiramente favorável ao Inter na rivalidade com o Grêmio. Para os que são gremistas, torcer, hoje em dia, não é apenas o exercício de uma paixão, é um ato de heroísmo.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os descaminhos do ensino brasileiro
O ensino, no Brasil, vive o agravamento de uma crise iniciada há muitos anos. A rigor, desde a malfadada reforma realizada em 1971, em pleno regime militar, pelo então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, o nível do ensino no país só faz decair. Agora, o sindicato dos professores do Rio Grande do Sul, Cpers, na palavra de sua presidente, Rejane de Oliveira, alerta para mais uma medida que poderá ser danosa aos interesses dos estudantes. Trata-se da reforma do Ensino Médio no Rio Grande do Sul, que dará ênfase, nas escolas públicas, ao ensino profissionalizante. Rejane considera que a medida ampliará a desigualdade no Estado, pois entende que os estudantes das escolas públicas serão preparados para se tornarem mão de obra barata das empresas, enquanto as instituições privadas têm o o foco na parte intelectual do seu aluno. A presidente do Cpers diz que a proposta não vai preparar o aluno da rede pública para o mercado de trabalho e tampouco para disputar um lugar na universidade, pois o ensino profissionalizante será insuficiente e haverá, também, menos tempo dedicado às matérias essenciais. Parece incrível, mas enquanto outros países possuem uma metodologia de ensino alicerçada ao longo do tempo, fazendo, é claro, as necessárias adaptações às novas realidades, o Brasil parece estar num permanente experimentalismo. Isso, é claro, é extremamente danoso para o país. A qualidade da educação brasileira é baixa, e a cada nova avaliação internacional, revela-se pior. A escola pública já foi um primor no país. Hoje, é sinônimo de ensino de má qualidade. Há quem coloque a culpa da deterioração do ensino brasileiro na universalização do acesso à escola. Ora, este é um argumento absurdamente elitista! O ensino fundamental é um direito de todo e qualquer cidadão. Se, após esse estágio inicial, verifica-se enorme evasão no ensino médio e um número ínfimo de alunos ingressa na universidade, a culpa é de uma política educacional que está na contramão dos interesses dos estudantes e do país. Ideias como a que se pretende implantar no Estado em nada colaborarão para uma mudança nesse quadro desolador. No plano nacional, a substituição dos vestibulares pelo Enem está longe de ser uma solução. Trata-se de uma visão "meritocrática" de inspiração americana que também faz com que aumente o fosso entre os alunos mais bem preparados e os de formação mais precária. O sistema de ensino não pode nem deve ser uma forma de perpetuação das desigualdades sociais. A lógica neoliberal para o setor é a da tal "meritocracia", que favorece os mais bem aquinhoados, rejeita as cotas sociais, sucateia o ensino público e retira dos menos favorecidos a possibilidade de ascensão social. Ensino público gratuito e de qualidade, em todos os níveis, fundamental, médio e superior, é um direito da sociedade e um dever dos governos. Forma, junto com o acesso aos serviços de saúde e a garantia de segurança, as três tarefas essenciais e intransferíveis do poder público.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Centenário de Herivelto Martins
O dia de hoje marca a passagem do centenário de nascimento de Herivelto Martins, um dos grandes compositores brasileiros. Ainda em 2012, serão completados, também, os 80 anos de seu falecimento. As novas gerações talvez não saibam quem foi Herivelto Martins, já que o Brasil não é um país que prime pela preservação de sua memória artística e cultural. Herivelto teve uma longa e exitosa carreira. Seu início na música se deu com a "Dupla Preto e Branco", em que fazia dueto com Francisco Sena. Mais tarde, Sena saiu e Herivelto se apresentou sozinho por um tempo, até formar uma nova dupla, com Nilo Chagas, com o mesmo nome da anterior. Os dois, depois, formaram, junto com a cantora Dalva de Oliveira, o "Trio de Ouro". Herivelto, que já tinha sido casado e era pai de dois filhos, uniu-se à Dalva, com quem viveu uma relação tumultuada. O casal teve dois filhos e o relacionamento acabou em total rompimento, com Herivelto obtendo a guarda dos meninos na justiça. Herivelto ainda vivenciou uma outra união, da qual nasceram mais dois filhos, e que só acabou com a morte de sua companheira, depois de 44 anos juntos. Como compositor, Herivelto foi autor de vários sucessos, e dois deles, pelo menos, estão entre as maiores criações da música brasileira, "Caminhemos" e "Ave Maria no Morro". São composições cujas letras são carregadas de lirismo e sentimento, sem resvalar na pieguice. Ao longo do tempo, foram regravadas por artistas de outras gerações, e talvez já esteja na hora de fazê-lo novamente, como uma forma de trazê-las ao conhecimento dos mais jovens. O Brasil possui uma música popular riquíssima e é necessário que ela seja devidamente valorizada. Por isso, datas como o centenário de nascimento de Herivelto Martins precisam ter o devido destaque. Não só hoje, mas durante todo o ano, seria interessante que fossem realizados shows e exposições, se escrevessem livros e se lançassem discos reverenciando a obra de Herivelto Martins, um grande compositor que não pode e nem deve ser esquecido.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Sem mudanças
A diretoria do Grêmio prometeu formar um time para 2012 que levasse o clube novamente às grandes conquistas e que estivesse à altura da inauguração de seu novo estádio, o que ocorrerá no final do ano. Até agora, no entanto, os resultados são desanimadores. Em três jogos, pelo Campeonato Gaúcho, todos contra clubes do interior, o Grêmio perdeu dois. Hoje, foi para o Juventude, no Alfredo Jaconi, por 2 x 1. Se é verdade que o ataque, com as contratações de Kléber e Marcelo Moreno, é muito qualificado, o restante do time ainda deixa a desejar. O Grêmio precisa contratar com um urgência um zagueiro que reúna qualidade e experiência. Douglas Grolli ainda não possui condição de ser titular, e, com um parceiro mais rodado, Saimon poderia afirmar suas virtudes. O meio de campo também merece atenção. Léo Gago ainda não se firmou, e talvez seja necessária a vinda de outro volante. O Grêmio não conseguiu trazer Giuliano, mas tem de continuar em busca de um meia. Marco Antônio, até agora, não conseguiu demonstrar nada, simplesmente não é percebido em campo. O mais preocupante, no entanto, é o trabalho do técnico Caio Júnior, que não definiu um esquema e faz modificações sem nenhum proveito para o time, como foi o caso, hoje, das trocas de Douglas por Marco Antônio e Júlio César por Bruno Collaço. Nesses dois casos, os jogadores que entraram são da mesma posição dos que saíram, mas inferiores tecnicamente, ou seja, não houve ganho tático nem técnico. Enquanto isso, o time sub-23 do Inter venceu o Veranópolis por 3 x 1, sábado, no Beira-Rio, e D'Alessandro resolveu permanecer no clube. Por enquanto, apesar das promessas dos dirigentes do Grêmio, 2012 começa tão favorável ao Inter quanto foram os últimos anos. Para piorar, domingo já acontecerá o primeiro Gre-Nal do ano, no Olímpico. O sofrimento do torcedor gremista parece, ainda, estar longe do fim.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Comendo insetos
Os hábitos alimentares fazem parte dos usos e costumes dos povos, razão pela qual a culinária é um dos importantes aspectos culturais a serem observados em países e regiões. É bastante comum que comidas apreciadas em determinadas localidades sejam vistas como exóticas em outras, ou até, tidas por intragáveis. Em muitos países, é normal o uso de insetos na alimentação. Conforme o Instituto de Biologia da Universidade do México, os insetos são consumidos por mais de 3 mil grupos humanos em 120 países. No Brasil, comer insetos é tido como algo repugnante, mas há quem aposte que isso possa mudar. O Ministério da Agricultura e o Ibama estão analisando dois pedidos inéditos de registros envolvendo o uso de insetos na alimentação. Um deles é para fabricação de ração animal. O outro, de produção para o consumo humano. O presidente da Sociedade Entomológica do Brasil, Antônio Ricardo Panizzi, considera que a expansão dos insetos comestíveis pode ser encarada como uma tendência viável sob diversos aspectos. Panizzi diz que o valor nutritivo dos insetos é semelhante ao de proteínas de animais de sangue quente, sua oferta é abundante, seus ciclos de reprodução são curtos e o manejo e o processamento adequados eliminam riscos sanitários. Afora a barreira cultural, o preço é outro fator que, ainda, limita o consumo de insetos na alimentação. O quilo de inseto desidratado chega a custar R$ 150,00 para o consumidor final. Se houver a autorização para o uso de insetos na alimentação no Brasil, será a vez de tentar vencer a rejeição da ideia pela população. Confesso que não me disponho a comer insetos e, portanto, não incentivaria ninguém a fazê-lo. Porém, quando se fica sabendo que, de cada dez seres vivos, sete são insetos, não resta dúvida de que eles podem constituir um importante recurso nutricional e no combate á fome. Resta saber se o brasileiro seria capaz de vencer sua repulsa por tal tipo de alimento.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Um novo mundo é possível
O Fórum Social Temático, que se realiza em Porto Alegre, afirma, no seu slogan, que um novo mundo é possível.. Visto pela direita como uma reunião de esquerdistas lunáticos, o Fórum Social Temático, na verdade, é um evento importante, durante o qual ocorrem seminários e debates que visam buscar a construção de um mundo mais justo, menos desigual, mais solidário, e que priorize o meio ambiente e a sustentabilidade. O capitalismo desenfreado de nossos dias, com seu incentivo ao consumismo, exploração predatória dos recursos naturais, ânsia desmesurada de lucros, e insensibilidade social, precisa ser confrontado por uma ideia alternativa. A própria crise da economia, que tanto afeta os Estados Unidos e a Europa, é a prova de que o modelo capitalista já não satisfaz, que novos rumos precisam ser vislumbrados. Não é mais tolerável conviver com a desigualdade extrema, com lucros estratosféricos para alguns e miséria absoluta para outros. O consumismo e a aquisição de bens materiais não podem continuar se sobrepondo a todo e qualquer outro valor. Os recursos naturais precisam ser preservados. Uma nova concepção de progresso, menos gananciosa e predatória, precisa ser elaborada. Os que se dizem pragmáticos desdenham de tais aspirações, mas elas não são devaneios, representam, isto sim, uma necessidade inadiável, de estabelecer novos parãmetros para o desenvolvimento. Um desenvolvimento que contemple justiça social e respeito ao meio ambiente. Sim, eu concordo com o entendimento de que um novo mundo é possível. Você pode até achar que eu sou um sonhador, mas, como diria John Lennon, eu não sou o único.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Nova derrota
Jogando com seu time sub-23, pelo Campeonato Gaúcho, o Inter sofreu, essa noite, mais uma derrota para um clube do interior, dessa vez em pleno Beira-Rio. O adversário do Inter foi o Cerâmica, de Gravataí, clube que se profissionalizou há poucos anos, e que pela primeira vez participa da Primeira Divisão do Rio Grande do Sul. No domingo, jogando com seu time reserva, reforçado, apenas pelo goleiro titular, Muriel, o Inter, depois de estar vencendo por 2 x 0, perdeu para o Avenida, em Santa Cruz do Sul, por 3 x 2. Contra o Cerâmica, a história foi diferente. O Inter perdeu por 2 x 1. Depois de estar dois gols atrás no placar, conseguiu marcar um, mas não impediu a derrota. Em três jogos, até agora, pelo Gauchão, o Inter usou três times diferentes, ganhou uma partida e perdeu duas. Isso não parece muito preocupante, mas, se o Inter não se classificar para a fase de grupos da Libertadores, esses resultados poderão pesar negativamente. Afinal, nesse caso, o Campeonato Gaúcho seria a única competrição que restaria para o Inter até o mês de maio. A ideia de que os times do Interior são fracos e que, por isso, Grêmio e Inter tem condições de vencê-los com qualquer escalação que colocarem em campo não se sustenta. Se o Inter se classificar contra o Once Caldas, essas derrotas não causarão maior abalo. Em caso contrário, no entanto, serão mais um motivo para alimentar uma crise que seria inevitável. A verdade é que, no futebol, derrota alguma é totalmente inócua. Convém ao Inter olhar o Gauchão com um pouco mais de seriedade, para não se arrepender mais tarde.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Vitórias para o gasto
Os jogos de Grêmio e Inter, na noite de hoje, eram de competições e importâncias diferentes, mas as atuações dos dois times, e os resultados obtidos, estabelecem um fator comum entre ambos, o de terem jogado, apenas, para o gasto. O primeiro a entrar em campo foi o Grêmio, contra o Canoas, no Complexo da Ulbra, pelo Campeonato Gaúcho. O Grêmio fez seu primeiro gol muito cedo, logo a 1 minuto de jogo, mas cedeu o empate, ainda no primeiro tempo. Mesmo o gol do Canoas tendo sido consequência de um erro grave da arbitragem, que não marcou um toque de mão, não se justifica que o Grêmio termine o primeiro tempo empatando com um adversário tão frágil. A entrada de Gabriel em lugar de Marco Antônio, no intervalo, melhorou o desempenho do Grêmio, e ele próprio marcou o gol de desempate, logo aos 5 minutos do segundo tempo. Marcelo Moreno, já nos minutos finais do jogo, ainda fez mais um gol, fechando o placar em 3 x 1 para o Grêmio. Uma vitória em que o Grêmio não fez mais que a sua obrigação, mas que, pelo empate parcial ocorrido, deixa antever que muito ainda há a ser realizado para que o time possa ser considerado confiável. Já o Inter teve um jogo muito mais importante, contra o Once Caldas, no Beira-Rio, pela Pré-Libertadores. O gol marcado cedo por Leandro Damião, num belo lançamento de D'Alessandro, deu a impressão de que o Inter poderia obter uma vitória fácil e encaminhar sua classificação. Porém, o tempo foi passando, o segundo gol não veio, e o Inter só não enfrentou maiores problemas porque o Once Caldas teve pouca presença ofensiva. A vitória foi alcançada e o Inter não levou gol em casa, fatos que são importantes. No entanto, o placar magro, de apenas 1 x 0, permite que o Once Caldas tenha grande possibilidade de reverter o confronto no segundo jogo. Vitória é sempre bom, e o Inter ganhou, mas o resultado não foi tranquilizador. O Inter terá de lutar muito para obter a classificação fora de casa. O Once Caldas ainda está muito vivo na Pré-Libertadores. Se os desempenhos de Grêmio e Inter foram semelhantes, seu futuro imediato é muito diferente. Enquanto o Grêmio só terá jogos mais exigentes quando estrear na Copa do Brasil, em março, o Inter, já na semana que vem, estará decidindo toda a sua perspectiva para 2012. Resta esperar para ver o que acontecerá com os dois daqui por diante.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Injustificável
Passados cinco dias desde a morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, de 56 anos, seguem sendo dadas explicações para a recusa de atendimento por parte de dois hospitais de Brasília. Duvanier, que sofreu um enfarte, só conseguiu atendimento em um terceiro hospital, quando não foi mais possível salvar sua vida. O motivo da recusa dos dois primeiros hospitais, ambos particulares, foi de que não eram credenciados pelo plano de saúde de Duvanier, o Geap. Como Duvanier não tivesse dinheiro nem cheques para depositar uma caução, o atendimento lhe foi negado. Dessa forma, a propria Agência Nacional de Saúde concluiu que não houve erro do plano de saúde, nem negativa de cobertura. Duvanier não foi atendido pelos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia. Levado para o Hospital Planalto, foi, enfim, atendido, mas não resistiu e faleceu. A presidente Dilma Roussef determinou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, uma rigorosa apuração do fato. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Procon do Distrito Federal. Ora, convenhamos, o fato ocorrido com Duvanier é um descalabro, e demonstra que o caos no sistema de saúde brasileiro não poupa nem mesmo pessoas que ocupam cargos importantes na administração federal. Não é possível que alguém numa situação de emergência, como é o caso de um enfarte, onde cada segundo desperdiçado no atendimento pode fazer a diferença entre a vida e a morte, deixe de ser socorrido por questões financeiras e burocráticas. Acima de tudo, médicos e hospitais tem o dever de tudo fazer para salvar a vida de quem lhes procura buscando atendimento. A argumentação da Agência Nacional de Saúde é inaceitável. Não me interessa saber se o plano de saúde de Duvanier era ou não conveniado com os dois hospitais que lhe negaram socorro. Também é irrelevante, para mim, o fato de que Duvanier não tinha dinheiro ou cheques para uma caução. A tarefa precípua de hospitais e médicos é salvar vidas. Ao negarem-se a fazê-lo, cometem um crime, e devem pagar por ele. Não se pode chegar a um tal nível de mercantilização da sociedade, em que até a vida de uma pessoa deixe de ser salva por falta de pagamento dos serviços clínicos. Tomara que Dilma Roussef não esmoreça na busca do esclarecimento do caso. Assim, a morter de Duvanier poderá servir, pelo menos, para que o sistema de saúde brasileiro seja revisto e se torne, senão mais eficiente, pois isso demanda tempo e investimentos, no mínimo, mais humano.
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