domingo, 2 de outubro de 2011

Panorama desigual

Os resultados de Grêmio e Inter, hoje à tarde, pelo Campeonato Brasileiro, geraram uma tímida esperança, de um lado, e um grande desalento, de outro. O Inter jogou primeiro, às 16 horas, na Arena da Baixada, contra o Atlético Paranaense. Enfrentando um adversário que está na zona de rebaixamento, o Inter não conseguiu se impor e perdeu, ao natural, por 2 x 0. Nem mesmo o fato de ter tido um gol de Jô injustamente anulado, quando o jogo ainda estava 0 x 0, serve de atenuante para o Inter. Afinal, o lance de Jô ocorreu no segundo tempo e, no primeiro tempo, o árbitro deixou de marcar um pênalti claríssimo de Nei, prejudicando o Atlético. O Inter só não foi goleado porque Nieto, autor dos dois gols do Atlético, ambos de cabeça, perdeu duas chances claras de gol por não ter a mesma eficiência com os pés. O resultado foi péssimo para o Inter, em todos os aspectos. A derrota foi para um clube que está na parte de baixo da tabela, e a distância da zona de classificação para a Libertadores, que era de um ponto, passou para cinco pontos, em consequência das vitórias obtidas por Flamengo e Fluminense na rodada. Afora isso, se o Grêmio ganhar o jogo atrasado contra o Santos, ficará apenas um ponto atrás do Inter, abrindo a perspectiva de ultrapassar o seu maior rival na reta final do Campeonato Brasileiro. No jogo, o Inter, como um todo, não foi bem, e até o goleiro Muriel, que faz um grande campeonato, esteve numa má jornada. Bolívar voltou do mesmo modo como tinha saído, ou seja, jogando mal. Ricardo Goulart continua sem dizer a que veio, tal e qual na época de Falcão como técnico. Jô, em que pese o gol mal anulado, está muito longe de suprir a ausência de Leandro Damião. O próximo jogo do Inter, mesmo sendo no Beira-Rio, será dificílimo, pois o adversário, o Vasco, é líder isolado do Brasileirão. Aliás, nas próximas partidas, o Inter irá enfrentar outros clubes situados na parte de cima da tabela, o que permite prever dias díficeis pela frente. Mais tarde, no Olímpico, o Grêmio viveu uma situação em tudo diferente da do seu rival. Marcou um gol cedo, logo aos 4 minutos do primeiro tempo e enfrentou um adversário, o Cruzeiro, com pouco poder ofensivo, o que fez com que sua vitória não fosse ameçada, em momento algum. O segundo gol, marcado novamente aos 4 minutos, só que do segundo tempo, tornou a vitória ainda mais tranquila. Nem mesmo a má atuação de Brandão foi capaz de atrapalhar o triunfo do Grêmio. Os demais jogadores tiveram boas atuações. Rafael Marques confirmou sua condição de zagueiro goleador, e Júlio César, Fernando, Marquinhos e Escudero, foram os grandes destaques individuais. Os 2 x 0 sobre o Cruzeiro abrem novas perspectivas para o Grêmio no Campeonato Brasileiro. Se ganhar o jogo atrasado contra o Santos, na quarta-feira, o Grêmio ficará a cinco pontos de distância da zona de classificação para a Libertadores. Caso o time consiga uma sequência de bons resultados, o que antes parecia impossível, a participação na Libertadores de 2012, poderá se concretizar, já que os primeiros colocados do Brasileirão tem tropeçado com frequência.  Portanto, desânimo de um lado, otimismo contido de outro, foram as consequências dos resultados de hoje à tarde para a dupla Gre-Nal.

sábado, 1 de outubro de 2011

O fenômeno das redes sociais

As chamadas "redes sociais" já são um fato inseparável da vida de muitas pessoas. Orkut, Facebook e Twitter, entre outras, tem milhões de adeptos espalhados pelo mundo. A rede social de maior popularidade, no momento, é o Facebook, que já tem 800 milhões de usuários. Só no Brasil, são 28 milhões. Fenômeno típico dos tempos atuais, as redes sociais permitiram que pessoas retomassem contato com parentes e amigos dos quais estavam afastados. Esse é o lado bom da situação. Permite o reencontro, via computador, de pessoas que há muito não se comunicavam. Alguém que esteja no Brasil, por exemplo, pode trocar mensagens e até conversar no "bate-papo" com um parente, amigo ou colega que esteja em outro país. Isso, sem dúvida, é revolucionário, pois, antes, tal tipo de contato só podia ser feito por telefone, a um custo proibitivo. Hoje, uma pessoa pode estar "on line" com várias outras, ao mesmo tempo, espalhadas pelas mais diferentes localidades. Tudo isso é inovador e entusiasmante. Porém, é preciso que se tenha em mente que nada substitui o contato pessoal. Não podemos nos limitar em ficar atrás da tela de um computador. Corremos o risco de substituir o contato humano pela amizade virtual. As redes sociais são um ótimo meio de localizar pessoas, mas esse deve ser apenas um instrumento para que elas se reencontrem, e não a única forma de se relacionarem. O extenso grupo de "amigos" que cada um possui nas redes sociais, precisa sair do contato virtual para o real. A rede social é um meio, não um fim em si mesma. Bater papo "on line" é divertido, mas, sempre que possível, deve-se buscar o encontro pessoal. O homem, sabemos todos, é um ser social. Não pode esconder-se da vida atrás da tela de um computador.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Boas ideias

A Comissão Especial da Reforma Política da Câmara dos Deputados acatou uma emenda proposta pelo PPS, prevendo que os municípios com mais de 100 mil habitantes possam ter segundo turno nas eleições. Atualmente, a legislação prevê segundo turno somente nos municípios com mais de 200 mil habitantes. Outra mudança proposta prevê a redução de oito para quatro anos do mandato de senador. As duas medidas serão apresentadas por meio de emenda à Constituição. Tratam-se de duas boas proposições. O segundo turno foi uma das melhores medidas já implantadas nas eleições brasileiras. Ele permite que a vontade do eleitor se expresse de maneira mais fiel, evitando que um candidato de segmentos minoritários da sociedade se beneficie da divisão de votos entre candidatos de um mesmo espectro ideológico para ganhar uma eleição. A redução do mandato dos senadores também é uma medida que seria muito bem vinda. Os demais mandatos eletivos, de vereadores, prefeitos, deputados, governadores e presidente, são de, apenas, quatro anos. Não há razão, portanto, para conferir um mandato tão longo para os senadores. Na política, a renovação é algo sempre benéfico, o que não combina com mandatos exageradamente longos. O relatório da reforma política será votado no dia 5 de outubro, um dia após o ato público em favor da mesma. Agora, resta torcer para que o bom senso prevaleça sobre as forças do atraso, permitindo com que as duas elogiáveis proposições sejam aprovadas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Brasil no roteiro dos grandes shows

Já faz algum tempo, o Brasil entrou no roteiro dos grandes astros da música internacional. Porém, 2011 talvez seja o ano que mais tenha reunido nomes do primeiro nível da música em solo brasileiro. Paul McCartney veio ao Rio de Janeiro, para fazer o show que ficara devendo em 2010, quando se apresentou em Porto Alegre e São Paulo. Elton John e Stevie Wonder se apresentaram no Rock in Rio. Eric Clapton e Ringo Starr se apresentarão em várias capitais. Nunca, em qualquer outra ocasião, a chance de ver de perto esse mitos da música esteve tão ao alcance dos brasileiros. Houve um tempo em que só os mais endinheirados, que podiam viajar para o exterior, tinham chance de assistir shows desses artistas. A vinda de Frank Sinatra ao Maracanã, em 1980, e a primeira edição do Rock in Rio, em 1985, começaram  a alterar esse panorama. Antes um país esquecido pelos promotores de grandes shows, o Brasil figura, agora, como rota obrigatória das megaturnês. A boa fase da economia brasileira nos últimos anos, por certo, influiu para o quadro atual, mas o que importa é que não precisamos mais atravessar oceanos para assistir aos grandes ídolos da música. Eles, agora, se apresentam no Brasil, e não mais apenas em Rio e São Paulo, mas, também em outras capitais. Para quem gosta de música, 2011 ficará marcado como o ano em que o maior número de astros se apresentou no Brasil. Também no mundo do "show business", portanto, o Brasil está deixando de ser coadjuvante, para se tornar protagonista.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Uma vitória e seus significados

Não foram poucos os que desdenharam dos dois jogos entre Brasil e Argentina pelo chamado "Superclássico das Américas", reedição da antiga Copa Roca. Dizia-se, entre outras coisas, que eram jogos caça-níqueis e de pouco proveito técnico, dado o fato de que o regulamento da disputa prevê apenas a convocação dos jogadores que atuam nos clubes dos dois países. Não concordo com tais posições. Se é verdade que o primeiro jogo, em Córdoba, foi muito chato e sem brilho, tendo como único destaque a "lambreta" de Leandro Damião, a segunda partida, hoje à noite, em Belém, foi bem mais interessante. O primeiro tempo foi semelhante ao jogo anterior, sem chances de gol e com pouca emoção. Porém, o segundo tempo, finalmente, trouxe gols e boas perspectivas. Logo após Fernandez perder a grande chance de gol do jogo, até aquele momento, para a Argentina, a Seleção Brasileira abriu o placar. O gol foi de Lucas, que partiu em velocidade desde o seu campo de defesa, até receber o lançamento de Danilo e colocar a bola nas redes. O segundo gol foi de Neymar, num ótimo cruzamento de Diego Souza, que entrou no segundo tempo. Afora a vitória sobre a Argentina e a conquista de uma taça, coisas sempre muito agradáveis, o jogo de hoje trouxe boas notícias para o futuro imediato da Seleção. Lucas fez seu primeira boa partida com a camisa da Seleção principal. Neymar reafirmou que é a grande estrela dentre os novos jogadores da equipe. Dedé mostrou-se um zagueiro seguro, o que é importante porque Lúcio, que ainda vive boa fase, talvez não possa, em função da idade, estar em condições de jogar a Copa de 2014. Bruno Cortês, que estreava na Seleção, foi o destaque da noite, com uma grande atuação, como se fosse um veterano de convocações. Por mais descontos que se façam em relação aos dois jogos, eles não devem ser desconsiderados. A vitória de hoje dará algum fôlego para a continuidade do trabalho do técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, e, mais do que isso, mostrou que a tal "entressafra" de bons jogadores é uma visão exageradamente pessimista. Dedé, Bruno Cortês, Lucas e Neymar provaram que o Brasil já tem jovens e qualificados valores para renovar a Seleção. Até 2014, outros nomes surgirão. Não será por falta de bons jogadores que a Seleção deixará de montar uma equipe forte para 2014. Material humano de alto nível existe. Resta, a partir dele, formar uma equipe qualificada e competitiva.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Escurinho

Com a morte de Escurinhao, aos 61 anos, o futebol gaúcho perde um de seus grandes personagens. Escurinho não foi um jogador de Seleção Brasileira, e alternou períodos como titular, com outros em que era reserva do Inter. Porém, era um cabeceador emérito e que, entrando em meio a um jogo, várias vezes decidia uma partida, quando o gol parecia que não iria mais sair. Extremamente simpático, gostava da noite, de cantar e tocar violão nos bares, o que gerou inconformidade por parte de alguns torcedores, sempre atentos ao que consideram um comportamento inadequado dos jogadores. Esteve, também, entre outros clubes, no Palmeiras, onde, na primeira partida da decisão do Campeonato Brasileiro de 1978, contra o Guarani de Campinas, chegou a jogar de goleiro, depois que Leão foi expulso. Escurinho foi o terror dos torcedores do Grêmio com seus gols nos acréscimos dos clássicos com o Inter. Há alguns anos, enfrentava sérios problemas de saúde, devido à complicações causadas pelo diabetes. Chegou a ter os pés amputados e tinha de fazer sessões de hemodiálise. Com a morte, chega ao fim o sofrimento de seus últimos dias. Para os que tiveram a oportunidade de vê-lo jogar, como é o meu caso, fica a lembrança de um jogador que marcou presença no futebol, mesmo sem ser craque, e o respeito de todos, independentemente de preferência clubística, pelo grande ser humano que nos deixou.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Inaceitável

A decisão do jogador Mário Fernandes, do Grêmio, de não se apresentar na Seleção Brasileira, para a partida contra a Argentina, quarta-feira, em Belém, é inaceitável. Deixando de lado argumentos mais emocionais, como a honra que deveria ser, para qualquer um, fazer parte do grupo de convocados para a Seleção, há aspectos profissionais que não podem deixar de ser considerados nesses tempos tão frios e pragmáticos em que vivemos. Uma convocação para a Seleção, por si só, aumenta o valor de mercado de um jogador. O sonho, comum a quase todos os jogadores, hoje em dia, de atuar num clube da Europa, torna-se muito mais factível depois de uma chamada para a Seleção. Não só Mário Fernandes, mas os detentores de seus direitos econômicos teriam uma excelente perspectiva de ganhos com uma futura transação, o que não pode ser desconsiderado no milionário mundo do futebol atual. O jogador alegou "motivos pessoais" para a sua atitude, que não foram revelados para o público. Ora, a menos que seja algo de extrema gravidade, o que, inclusive, justificaria o silêncio em torno da questão, o Grêmio não deveria compactuar com a postura do jogador, e, sim, tentar fazer com que voltasse atrás em seu ato, acatando a convocação. Mário Fernandes, com seu gesto, compromete o seu futuro profiissional e prejudica o Grêmio quanto aos ganhos numa futura negociação. Tendo em vista sua fuga do clube, logo que foi contratado, e o comportamento instável que um irmão seu, que joga no Corinthians, também apresenta, o problema de Mário Fernandes parece ser de natureza emocional, estando a exigir uma intervenção mais enérgica, quem sabe com acompanhamento clínico. Mário Fernandes é um grande jogador, talvez o melhor, tecnicamente, do Grêmio. Tem tudo para alcançar uma brilhante carreira no futebol, mas pode estar sendo derrotado por si mesmo. Cabe ao Grêmio agir, no interesse do jogador e do seu próprio, para impedir que um futuro tão promissor seja comprometido pelos rompantes de uma personalidade problemática. O exemplo de Arílson ainda está bem presente para que se veja como a inconsequência pode acabar com uma carreira. O Grêmio e os responsáveis pela adminstração dos interesses do jogador não podem permitir que o mesmo aconteça com Mário Fernandes.

domingo, 25 de setembro de 2011

Vitórias esperadas

A necessidade de recuperação diante dos últimos tropeços, e a fragilidade dos adversários, ambos situados na zona de rebaixamento, faziam com que as vitórias de Grêmio e Inter, respeticvamente contra Avaí e Atlético Mineiro, fossem consideradas quase obrigatórias. Os dois representantes do Rio Grande do Sul cumpriram com o que se esperava e venceram, porém, mais uma vez, sem mostrar um bom futebol. Na Ressacada, o Grêmio teve pela frente um Avaí que mostrou, claramente, as razões pelas quais está na zona de rebaixamento. O time do Avaí é fraquíssimo, o que permitiu ao Grêmio, desde o início do jogo, ter mais posse de bola. No entanto, era um domínio estéril, pois não se traduzia em chutes ao gol, entre outros motivos porque André Lima, novamente, foi uma figura inútil. O primeiro tempo já se encaminhava para o final quando, numa jogada puramente individual, Mário Fernandes fez 1 x 0 para o Grêmio. Aproveitando um rebote da defesa, Douglas fez 2 x 0, logo aos 24 segundos do segundo tempo. O gol tranquilizou o Grêmio que conduzia o jogo dentro dos seus interesses, até o momento em que, num escanteio, permitiu que o Avaí descontasse. O gol motivou o Avaí, porém, após alguns minutos de pressão do time catarinense, o Grêmio retomou o controle do jogo e garantiu o resultado. A vitória foi importante, mas, pelo futebol demonstrado, não deve proporcionar ilusões. Já o Inter chegou a permitir o empate para o Atlético Mineiro, no Beira-Rio, mas,,assim  como o Grêmio, ganhou por 2 x 1. O Inter abriu o placar com um golaço de Bolatti, sofreu o empate, e venceu com um gol polêmico, que chegou a ser anulado pelo bandeirinha, mas foi confirmado pelo árbitro. O futebol demonstrado pelo Inter, apesar da vitória, não empolgou. O ataque já se ressentiu da ausência de Leandro Damião. Enfim, Grêmio e Inter venceram, mas continuam jogando pouco,, o que não autoriza expectativas muito otimistas.

sábado, 24 de setembro de 2011

Bom senso

Uma nota da seção "Holofote", da edição dessa semana da revista "Veja", dá conta de que a CBF irá anunciar, em outubro, uma mudança no calendário do futebol brasileiro. A partir de 2012, os clubes que forem eliminados nas duas primeiras fases da Taça Libertadores da América, poderão participar da Copa do Brasil. A medida evitará o que aconteceu, esse ano, com o Corinthians que, eliminado ainda na chamada "Pré-Libertadores", ficou quase todo o primeiro semestre disputando apenas o Campeonato Paulista, o que lhe trouxe grandes prejuízos financeiros. A revista qualifica a medida de uma "aguardada mudança". Sem dúvida, a alteração a ser feita no calendário do futebol brasileiro é de muito bom senso, mas poderia ser melhor. Na verdade, todos os clubes brasileiros que participassem da Libertadores deveriam poder tomar parte, também, na Copa do Brasil, como ocorreu durante muitos anos. Estupidamente, resolveu-se, num determinado momento, impedir a participação simultãnea nas duas competições. A restrição não foi feita por nenhum critério técnico, mas, sim, para fortalecer os execráveis campeonatos estaduais, monstrengos anacrônicos que há muito deveriam ter deixado de existir, ou, pelo menos, de contar com a presença dos grandes clubes. Não há nenhum sentido em se gastar quase um semestre, de janeiro a maio, com campeonatos em que os grandes clubes enfrentam adversários de seus estados que pertencem à segunda, terceira ou quarta divisão do futebol brasileiro, e, até mesmo, estão fora de qualquer competição de ãmbito nacional. A proibição de simultaneidade de participação na Libertadores e na Copa do Brasil é tão absurda e despropositada, que faz com que o campeão da competição nacional esteja automaticamente fora da edição do ano seguinte. Isso porque, ao ganhar a Copa do Brasil, o clube classifica-se para a Libertadores, não podendo defender o título que alcançou. Com isso, a Copa do Brasil deve ser a única competição no mundo em que não se podem obter títulos consecutivos, pois, uma vez campeão, o clube está excluído da edição do ano seguinte! Portanto, a medida a ser anunciada pela CBF deve ser saudada, mas ainda está incompleta. O correto a se fazer é extinguir os campeonatos estaduais, ou pelo menos reduzir drasticamente o seu tempo de duração e permitir que todos os clubes brasileiros que se classificarem para a Libertadores possam participar, concomitantemente, da Copa do Brasil. Era assim antes, não havia por que mudar. Acima de tudo, deve estar o interesse técnico, que não está sendo levado em conta pelo atual calendário. A mudança a ser implementada é um avanço, mas o ideal é restituir a participação nas duas competições, sem restriçoes, para todos os clubes.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Descalabro

A política, no Brasil, prossegue sendo uma fonte inesgotável de escândalos e de fatos patéticos. Em sessão, realizada ontem, da Comissão de Constituição e Justiça da Cãmara dos Deputados, 118 projetos foram aprovados em 3 minutos e 11 segundos, e por apenas dois parlamentares. Os projetos versam sobre acordos internacionais, concessão de serviços de radiodifusão e regulamentação da profissão de cabeleireiro. A sessão foi presidida pelo deputado César Colnago (PSDB-ES). Afora ele, em plenário, só estava presente o deputado Luiz Couto (PT-PB). Entre titulares e suplentes, a Comissão de Constituição e Justiça tem 122 deputados. São necessárias 36 assinaturas para que uma reunião da CCJ seja realizada. Colnago disse que 35 deputados assinaram a lista de presença e depois foram embora. Como o número regimental de presenças foi alcançado, ele entende que a sessão foi válida. A CCJ é a mais prestigiada da Câmara, e decide se os projetos de lei obedecem à Constituição e às demais leis do país. Por ela passam todas as propostas sobre direitos humanos, garantias fundamentais e organização dos poderes. Se na mais importante comissão da Câmara dos Deputados acontece um fato como esse, o que se pode esperar do Poder Legislativo como um todo? Decididamente, em termos de credibilidade, a política no Brasil é, cada vez mais, um poço sem fundo.