quinta-feira, 28 de abril de 2011
Classificação encaminhada
O jogo entre Peñarol e Inter no estádio Centenário, em Montevidéu, não apresentou nenhuma surpresa. Foi tudo dentro do esperado. O Peñarol comprovou ser um time muito fraco que teria, como únicos trunfos, sua tradicional garra, o fator campo e o apoio maciço da sua torcida. O clube uruguaio teve tudo isso, mas a modéstia do seu futebol é tanta que não foi suficiente para que obtivesse a vitória. Chegou a estar ganhando o jogo, mas cedeu o empate para o Inter, que sequer precisou jogar bem. O empate em 1 x 1 deixa o Inter na confortável situação de poder empatar em 0 x 0 o segundo jogo, no Beira-Rio e, ainda assim, se classificar para a próxima fase da Libertadores. Tudo indica, no entanto que o Inter se classificará com extrema facilidade e, talvez, até com uma goleada, dada a fragilidade técnica do seu adversário. Por enquanto, a Libertadores ainda não impôs grandes desafios para o clube gaúcho.
Desfecho previsível
A rescisão de contrato do Grêmio com o jogador Carlos Alberto era algo por demais previsível. O Grêmio acerta ao tomar tal decisão, mas errou antes, ao contratar o jogador. Só mesmo os que acreditam na sorte desafiando a lógica poderiam imaginar que um jogador com um histórico tão problemático pudesse ter um bom desempenho no Grêmio. Pesaram para a vinda de Carlos Alberto, certamente, o fato de ser bom jogador tecnicamente, de sua contratação ter sido praticamente sem custos, e pelo fato do técnico Renato ter garantido que "comigo ele joga". Ora, todos sabem que Carlos Alberto é bom jogador, mas isso não impediu que sua carreira degringolasse. O fato do baixo custo é respondido pela sabedoria popular que diz que "o barato sai caro". Renato é bom técnico, sabe relacionar-se com os jogadores, mas não passa de excessiva confiança na própria capacidade imaginar que pudesse recuperar uma cabeça torta como a de Carlos Alberto. O Grêmio já poderia ter tomado a atitude de dispensar o jogador há mais tempo. Antes tarde do que nunca. A dispensa de Carlos Alberto talvez seja o indício de que o Grêmio vai começar a encarar seus problemas de frente, sem varrê-los para debaixo do tapete.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Messi
Se alguém ainda tinha dúvida, ela foi inteiramente dissipada. Messi é, disparadamente o melhor jogador de futebol do mundo. Mais do que isso, já se inscreve como um dos maiores jogadores da história do futebol. Na atual edição da Liga dos Campeões da Europa, tem 11 gols em 11 jogos, uma marca notável, dado o alto nível da competição. Embora ainda não tenha mostrado o mesmo brilhantosmo jogando pela Argentina, Messi já começa a indicar que poderá superar Maradona como o maior jogador daquele país. Se é verdade que Maradona brilhou intensamente com a camisa da Argentina, o que Messi ainda não fez, por outro lado, o jovem craque faz misérias jogando pelo Barcelona, clube onde o ex-jogador também atuou, mas com uma passagem bem menos espetacular. Em termos de clubes, Maradona teve seu melhor momento no Nápoli, uma força média do futebol italiano. Já Messi se destaca pelo Barcelona, um dos maiores clubes do mundo. O segundo gol de Messi na vitória de 2 x 0 do Barcelona sobre o Real Madrid nessa quarta-feira, no estádio Santiago Bernabeu, é o que se costuma chamar de "gol de placa". Simplesmente notável. A continuar com esse desempenho, sendo ainda tão jovem, Messi poderá chegar a um nível só inferior ao de Pelé, cuja condição de melhor jogador de todos os tempos é insuperável.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Desastre
Não há outra palavra para definir o que houve na noite de terça-feira, no estádio Olímpico. A derrota do Grêmio por 2 x 1 para a Universidad Católica, do Chile, foi um desastre. O Grêmio não conseguiu se impor em campo, foi surpreendido por um adversário bem organizado, de toque de bola envolvente e com alguns bons jogadores, como Cañete e Pratto, por exemplo. Depois de sofrer o primeiro gol, o Grêmio ainda teve contra si a expulsão de Borges, o que limitou suas possibilidades dentro do jogo. O golaço de Douglas trouxe alguma esperança, logo desmanchada pelo segundo gol da Universidad Católica, em mais uma jogada de bola aérea, que tem sido o ponto fraco do Grêmio nas últimas partidas. Numa perspectiva realista, o Grêmio está virtualmente eliminado da Taça Libertadores da América. A reversão dessa tendência só seria possível caso a "imortalidade" gremista se fizesse presente mais uma vez. Com um time esfacelado pelas lesões e sem nenhum centroavante para escalar no segundo jogo, o Grêmio só pode mesmo contar com alguma força mágica para mudar essa situação. Como se não bastasse, no domingo, terá um Gre-Nal decisivo, na casa do adversário. Para dar a volta por cima, Renato vai precisar, mais do que em qualquer outra ocasião, da sua propalada estrela. O prenúncio é de que tempos muitos difíceis aguardam o Grêmio. Só resta, mesmo, confiar na "imortalidade".
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Os novos donos do futebol
Esporte das multidões, capaz de despertar as mais arrebatadoras paixões, o futebol teve, por muito tempo, os clubes e seus torcedores como seus principais fatores de sustentação. Infelizmente, não é mais assim. Com o tempo, o futebol transformou-se num grande negócio, sujeito aos mais diferentes interesses. Dessa forma, os clubes não possuem mais nenhuma autonomia. Submetem-se aos interesses de confederações, federações e detentores de direitos de transmissão de competições, que olham apenas para as suas próprias conveniências. A questão que envolve as datas dos próximos jogos de Grêmio e Inter é exemplar nesse aspecto. O Grêmio tem jogos marcados pela Taça Libertadores da América nas duas próximas terças-feiras. Com isso, se jogar o Gre-Nal marcado para domingo pelo Campeonato Gaúcho, terá de atuar apenas dois dias depois pela Libertadores, praticamente saindo do campo para entrar no avião. Um rematado absurdo! Tão ou mais absurda é a posição da imprensa sobre tão escabrosa situação, que varia da idéia de que nada há a se fazer ou até a sugestão de que o Grêmio, por já estar garantido numa possível decisão do Gauchão, jogue o Gre-Nal com um time reserva, praticamente abdicando da oportunidade de conquistar o título já no domingo. Se alguém tem de ceder nessa hora é a Federação Gaúcha de Futebol, culpada de toda essa confusão por elaborar um campeonato demasiadamente longo, que colide desnecessariamente com competições mais importantes. Forçar o cumprimento das tabelas originais levando em conta apenas os interesses da televisão é um achincalhe ao futebol! O Grêmio tem o dever, em seu nome e dos interesses maiores do futebol de não se submeter a uma situação tão aviltante. O clube não pode ser punido por ter êxito dentro de campo. A entidade chamada de "mater", ou seja, mãe, do futebol gaúcho, é que tem de parar de agir como madrasta de um de seus filiados mais ilustres.
domingo, 24 de abril de 2011
Um festival de jogos decisivos
A vitória do Inter sobre o Juventude por 2 x 1, no estádio Alfredo Jaconi, na tarde de domingo, estabelece, a partir de agora, uma sequência de jogos decisivos para a dupla Gre-Nal, em duas competições paralelas, Gauchão e Libertadores. Caso o Inter tivesse perdido, estaria eliminado do Campeonato Gaúcho, e poderia se dedicar apenas à competição continental. Porém, o Inter venceu e, dessa semana em diante, estará envolvido, assim como o Grêmio numa sucessão de partidas decisivas que irão testar ao limite as qualidades técnicas, táticas, físicas e psicológicas de seus jogadores. O Inter chega com força nesse momento, pois ganhou do Juventude depois de ficar com um jogador a menos em campo, numa prova de capacidade de reação, ainda mais significativa por ter sido na casa do adversário. O Grêmio vem tendo um desempenho inconstante, mas só ele pode ser campeão gaúcho, aliás bicampeão, já no próximo domingo. O Grêmio, afora os altos e baixos em campo, não para de sofrer com lesões. No jogo contra o Cruzeiro, dois titulares absolutos, Vítor e Lúcio, sofreram contusões que os deixarão fora do time por vários jogos. Um prejuízo imenso, justamente na hora em que o clube tem tantas partidas de vida ou morte pela frente. Antes de pensar no Gre-Nal de domingo, Grêmio e Inter terão dois grandes desafios. Na terça-feira, no Olímpico, o Grêmio terá de tentar não apenas vencer, mas fazer um placar mais amplo contra o Universidad Católica, do Chile, para que possa encarar com mais tranquilidade o segundo jogo, em Santiago. Na quinta-feira, no estádio Centenário, em Montevidéu, contra o Peñarol, o Inter buscará obter um resultado que lhe permita encaminhar a classificação no segundo jogo, que será em casa, sem maiores dificuldades. Logo após os jogos pela Libertadores,os dois clubes terão de se preparar para um Gre-Nal que pode determinar, até mesmo, a definição do campeão gaúcho, caso o Grêmio seja o vencedor. Como se vê, nessa e nas próximas semanas, a vida da dupla Gre-Nal e de seus torcedores será carregada de adrenalina. Haja coração!
sábado, 23 de abril de 2011
Grêmio classificado
O Grêmio está classificado para a decisão da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. Com isso, o clube está a um jogo de ser bicampeão gaúcho, pois foi o ganhador da Taça Piratini, o primeiro turno da competição. Não foi fácil para o Grêmio, no entanto, obter a vitória contra o Cruzeiro. Por duas vezes, o Grêmio viu o adversário buscar o empate e foi preciso muito esforço para evitar que a decisão fosse para a loteria da cobrança de tiros livres da marca do pênalti. A vitória de 3 x 2 coroou um jogo muito bom e disputado, que reafirmou as qualidades demonstradas pelo Cruzeiro ao longo do Gauchão. O fato negativo foi a confirmação da inconveniência de se realizar o jogo num gramado sintético, pois, já próximo do final da partida, o jogador Lúcio, do Grêmio, sofreu uma lesão que, quase certamente, o deixará de fora do jogo de terça-feira, no Olímpico, contra o Universidad Católica do Chile, pela Taça Libertadores da América. Era algo previsível, mas que não sensibilizou o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, para quem o sucesso do Grêmio na Libertadores, ao que parece, não é algo importante. Apesar de tudo, o Grêmio segue em frente e poderá por fim ao exageradamente longo Campeonato Gaúcho já no dia 1º de maio, evitando, assim, uma mais prolongada superposição com a Libertadores.
Temporal
O temporal que atingiu Porto Alegre e outros municípios do Rio Grande do Sul no final da tarde da Sexta-Feira Santa foi mais uma demonstração de que todo o engenho humano pode muito pouco diante das forças da natureza. O grande volume de chuva alagou ruas, inundou casas, causou mortes. Essas, é claro, foram as piores consequências. Afora isso, a chuvarada causou uma série de contratempos. Milhares de residências ficaram sem luz por várias horas e, outras tantas, até sem água. Durante horas, as pessoas viram-se privadas de assistir televisão, utilizar o computador, tomar um banho quente. No caso desse escriba, a conexão com a Internet ficou interrompida por mais de 24 horas! Não há tecnologia, por mais desenvolvida que seja, que possa fazer frente a inclemência das manifestações da natureza. Se há um lado bom em tudo isso, é que, a cada episódio semelhante, o ser humano recebe uma indicação da sua fragilidade, podendo frear, ao menos em parte, seus ímpetos de arrogância.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Estereótipos
Uma das coisas que melhor demonstra a estreiteza mental de indivíduos ou grupos é a formulação de estereótipos. Utilizando como argumento a localização geográfica, origem étnica, usos e costumes, criam-se rótulos sobre as características e o comportamento de determinadas sociedades. Dentro dessa linha de raciocínio, no futebol, os gaúchos sempre exaltaram seu estilo, guerreiro, viril, de fortes divididas, contrapondo-o ao que entendem seja o praticado pelos cariocas, isto é, frouxo, de pouca marcação, repleto de firulas. Trata-se, é claro, de uma simplificação, em muito motivada pelo arraigado hábito gaúcho de exaltar suas qualidades e menosprezar as dos outros. Os argentinos, por sua vez, são tão chegados à gabolice quanto os gaúchos que, não por acaso, lhes devotam grande simpatia. Pois ao vencer o Argentinos Juniors por 4 x 2, na casa do adversário, e obter uma classificação improvável para a próxima fase da Taça Libertadores da América, o Fluminense pôs por terra todos esses conceitos. Não intimidou-se com o ambiente e buscou a vitória incessantemente, sem esmorecer mesmo nas duas vezes em que cedeu o empate. Após ficar novamente em vantagem, buscou obstinadamente a marcação de mais um gol, o que lhe traria a tão almejada classificação. Foi o Fluminense, um clube carioca, que soube ser bravo e raçudo na busca do seu objetivo. Ao Argentinos Juniors sobrou o triste papel de, derrotado em campo, partir para a violência depois de encerrado o jogo. Certos mitos não resistem ao confronto com a realidade. Os argentinos, assim como os gaúchos, não são mais valentes que os outros. Apenas propagandeiam com mais ênfase suas pretendidas virtudes. Coragem e determinação não são exclusividade de determinados povos ou regiões.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
A possibilidade do Gre-Nal do Milênio
Com o término da primeira fase da Taça Libertadores da América, uma perspectiva começa a mexer com os nervos dos torcedores de Grêmio e Inter. Trata-se da possibilidade de que os dois clubes venham a se enfrentar, em dois jogos eliminatórios, pelas quartas de final da competição. Para isso, basta que eliminem seus adversários pelas oitavas de final, fase na qual o Grêmio jogará contra a Universidad Católica, do Chile, e o Inter enfrentará o Peñarol, do Uruguai. Caso essa possibilidade se concretize, estaremos diante do "Gre-Nal do Milênio", a exemplo do que aconteceu com as duas partidas pelas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1988, que receberam o título de "Gre-Nal do Século". Seriam, sem dúvida, os mais importantes jogos já ocorridos entre os dois clubes. Pela importância das partidas, o aparato de segurança terá de ser o maior já utilizado na história do clássico e, provavelmente, cada jogo receberia, no estádio, apenas a presença da torcida do clube mandante. O clube que viesse a vencer o confronto ganharia um impulso extraordinário não só para o restante de 2011, mas para muitos anos. Em contrapartida, quem perdesse a disputa, por certo, mergulharia numa crise de longa duração. Porém, para que tudo isso se torne realidade, é preciso que Grêmio e Inter eliminem seus adversários das oitavas de final. Com o futebol que ambos vem jogando, recomenda-se não contar o que, ainda, é uma hipótese como sendo um fato consumado.
Assinar:
Postagens (Atom)