sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Desamparado

Os políticos seguem a nos fornecer, a cada dia, mais motivos para seu descrédito perante a sociedade. Deixam claro que, para eles, a chamada "vida pública", nada mais é do que um balcão de negócios ou um cabide de empregos, ou ambas as coisas. Agora, mais um exemplo disso ocorre em Porto Alegre. O prefeito José Fortunati decidiu substituir o secretário municipal do Meio Ambiente. Até aí, nada demais, afinal, é uma prerrogativa do chefe do poder executivo. Ocorre que o atual secretário, Carlos Alberto Garcia, é também vereador e, quando deixar o cargo, reassumirá sua cadeira na Câmara Municipal. Dessa forma, o suplente Paulo Marques, que atualmente exerce a condição de vereador, perderá a cadeira. Preocupado com o fato, o PMDB já prometeu a Paulo Marques que não o deixará desamparado. Como assim? Um suplente é alguém que não conseguiu votos suficientes para se eleger e, como tal, tem de saber que, sempre que vier a assumir uma cadeira, será de forma transitória. O que significa não deixar desamparado? Arrumar uma "boquinha", um cargo bem remunerado de "assessor para assuntos especiais" em alguma empresa pública? O noticiário nos mostra, quase todos os dias, casos semelhantes. Os partidos tratam de socorrer aqueles que perdem seus mandatos ou não obtem reeleições. Como se o exercício de um mandato eletivo, uma vez alcançado, se tornasse num direito vitalício a ser remunerado pelos cofres públicos e não, como verdadeiramente tem de ser, uma condição revogável a partir da vontade dos eleitores. A política, desse modo, transforma-se numa ação entre amigos, com troca de favores e concessões de privilégios, onde o único desamparado é o cidadão comum.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A crise do Vasco

O Vasco, um dos grandes clubes brasileiros, detentor de uma das cinco maiores torcidas do país, vive, já há algum tempo, uma grande crise. Ao contrário de outros clubes de expressão do futebol brasileiro que, ao serem rebaixados, voltaram fortalecidos para a primeira divisão, o Vasco teve um pífio desempenho no Campeonato Brasileiro de 2010. Agora, a situação parece ter chegado ao ápice. O Vasco perdeu seus três primeiros jogos no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, todos para clubes pequenos. Os problemas do clube começam, é óbvio, pela fragilidade do time. Apesar da insuficiência técnica do time em 2010, o Vasco pouco se reforçou em 2011. Porém,  a explicação para a crise vascaína não se resume a isso. Roberto Dinamite, um dos maiores ídolos da história do clube, senão o maior, está, claramente, fracassando como presidente.  O presidente anterior, Eurico Miranda, tão odiado por tantos, conquistou muitos títulos para o Vasco. O que só prova que, no futebol como na vida, não bastam boas intenções. O fato de ter sido um grande nome do Vasco como jogador não habilita Roberto Dinamite para ser um bom presidente. O futebol fora das quatro linhas é muito diferente daquele que é jogado dentro do campo. Para ser um presidente vencedor é preciso mais do que caráter e boa vontade. É preciso competência específica para administrar e isso não se aprende dentro do gramado. Urge que se faça algo para reverter a situação do Vasco, pois a crise de um grande clube não afeta só a sua torcida. Como patrimônios que são do futebol mais vitorioso do mundo, os grandes clubes brasileiros, quando em crise, atingem a estrutura do futebol do país como organização e negócio. O Vasco precisa se recuperar, pelo bem não só dos seus torcedores, mas de todo o futebol brasileiro.

Ronaldo

Não bastasse a forma física incompatível com um jogador profissional, a ausência de gols, o grande número de jogos do Corinthians dos quais não participa, as constantes lesões, agora Ronaldo resolveu trocar farpas via Twitter com profissionais da imprensa, mais especificamente, da Rede Bandeirantes, o que nada poderá lhe trazer de benéfico. Ronaldo teve uma brilhante trajetória como jogador, bastando dizer que é o maior goleador da história das Copas do Mundo, mas não está sabendo encaminhar o final da sua carreira, a exemplo de tantos outros astros do futebol. A continuar assim, talvez não devesse esperar nem o final do ano, ocasião em que prometeu parar de jogar. Como as manchetes que tem gerado, ultimamente, não dizem mais respeito ao futebol jogado em campo, mas sim a fofocas ou polêmicas, Ronaldo poderia parar já. Assim, se preservaria de situações constrangedoras como a declaração de um jogador do Tolima de que não trocou a camiseta com ele para que Ronaldo não tivesse de expor em público o seu ventre avantajado.

Rodolfo

O Grêmio contratou o seu primeiro reforço de expressão em 2011, o zagueiro Rodolfo. Depois de trazer Lins, um típico jogador de grupo, e Vinícius Pacheco, que fez uma péssima estréia contra o Liverpool do Uruguai, o clube traz um reforço de peso. Aliás, pelo que se viu da zaga do Grêmio contra o Liverpool, é um reforço que chega em muito boa hora. Depois de tantas decepções no início de ano, a torcida gremista, finalmente, ganha algum alento.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Perspectivas sombrias

Em que pese, em termos de regulamento, o resultado ter sido bom, o empate do Grêmio com o Liverpool do Uruguai em 2x2, no estádio Centenário em Montevidéu, deve ter deixado a torcida gremista com muitas preocupações. Depois de um primeiro tempo razoável, em que esteve duas vezes com a vitória parcial, o Grêmio realizou um segundo tempo deprimente, no qual foi totalmente dominado por um adversário tecnicamente modestíssimo. Afora a boa presença de área de André Lima e alguns lampejos de Douglas, quase nada se viu no Grêmio. Na defesa, Gabriel não jogou nada, Paulão se limitou a dar chutões, Rafael Marques também não teve boa atuação e Gílson foi lamentável. No meio de campo, Fábio Rockembach esteve apagado, Vílson mostrou, novamente, que não é do lugar e Lúcio ainda está totalmente fora de forma. No ataque, Júnior Viçosa foi inexpressivo, como já está se tornando rotina. Os três jogadores que entraram no segundo tempo nada fizeram. Vinícius Pacheco foi horroroso e, mesmo que seja apenas seu primeiro jogo, seu futuro não parece promissor. Diego Clementino nada fez e Lins praticamente não tocou na bola. Deixei por último o goleiro Vítor. O primeiro gol que ele sofreu é inaceitável para um goleiro da sua qualidade. Mais uma vez, Vítor comprova que é um jogador sem estrela, que falha quando não poderia fazê-lo, isto é, nos jogos mais importantes e decisivos. O contrário  acontecia com Danrlei, seu companheiro de posição, e com seu atual técnico, Renato,  como atacante, que cresciam de produção justamente nos grandes jogos e, por isso tornaram-se ídolos do Grêmio. Em resumo, só o resultado foi bom. O futebol apresentado pelo Grêmio só serviu para assustar o seu torcedor.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Legal e legítimo

A polêmica envolvendo as pensões pagas para ex-governadores traz de volta uma antiga questão, a da diferença entre o que é legal e o que é legítimo. Muitos dos ex-governadores beneficiados argumentam que a pensão que recebem está prevista em lei, como se isso, por si só, a justificasse. Ora, basta que algo esteja amparado por uma lei para que possua, obviamente, a condição da legalidade. Porém, sabemos todos, no cipoal de leis criadas pelos homens, algumas são esdrúxulas, outras bizarras ou excêntricas e há, também, as que são francamente injustas. Chegamos, então, a questão da legitimidade, que só é alcançada se a lei estiver ancorada no senso moral coletivo. Sendo assim, como considerar aceitável que, após um mandato de apenas quatro anos, alguém passe a receber uma aposentadoria ou pensão, enquanto o trabalhador comum precisa contribuir por 35 anos para obter o mesmo benefício? Afora isso, nos quatro anos em questão, os governantes, além de receberem um bom salário, ainda são isentados de despesas com moradia, transporte, saúde e alimentação, justamente as que mais depauperam os ganhos do cidadão comum. Pelo mesmo motivo, não cabe argumentar, como já fizeram alguns, de que o gasto com tais aposentadorias não é significativo e que, portanto, sua supressão não representaria uma economia expressiva para os cofres públicos. Não se trata de saber se tais pensões são amparadas por lei, nem se os gastos com as mesmas são volumosos ou não. Sua extinção se impõe porque elas ferem o senso moral coletivo, acima referido. Representam, em verdade, não um direito, mas um privilégio conquistado por quem pode mais em detrimento de quem pode menos. Ainda que sejam legais, são, claramente, ilegítimas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Naufrágio

O conteúdo do texto "Trapalhadas", que escrevi há apenas dois dias, tornou-se ainda mais pertinente depois do ocorrido hoje no Grêmio. Ao meio-dia, como uma bomba que desaba sobre a cabeça do torcedor, veio a notícia de que Jonas estava fora do Grêmio e que iria jogar no Valência, da Espanha. Em mais uma demonstração de absoluta inépcia, dessa vez conjugando as ações da antiga e da atual diretoria, o clube deixou escapar o goleador do Campeonato Brasileiro de 2010 e que, junto com o craque Neymar, do Santos, foi quem mais marcou gols no país no ano passado, num total de 42. Pior do que isso, Jonas sai do Grêmio com o clube recebendo, em reais, algo em torno de 2 milhões e 800 mil. Uma quantia irrisória para um jogador de tamanha importância. A diretoria anterior, ao prorrogar o contrato de Jonas até o final de 2011, aceitou estipular uma multa rescisória baixíssima. O ex-presidente Duda Kroeff disse que foi uma exigência do jogador e que, caso o Grêmio não aceitasse, ele não estenderia o seu contrato com o clube. Assim, o Grêmio repete, no caso em questão, a mesma atitude quando da saída de jogadores como Renato e Ronaldinho, que deixaram o clube em grande momento das suas carreiras, sem que os cofres da instituição recebessem a devida contrapartida. Em menos de um mês de trabalho efetivo da atual diretoria, é o segundo "mico" que o Grêmio paga, junto com o fracasso da negociação de Ronaldinho. Some-se a tudo isso a confusão envolvendo a vinda de Vinìcius Pacheco, o insucesso na tentativa de trazer Rodolfo e Gilberto Silva e a ausência de grandes contratações. O que se tem, então, é que uma administração que reunia enorme expectativa positiva por parte da torcida, caminha, já no seu início, na direção do naufrágio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sem novidades

A atuação do Grêmio, na tarde de domingo, na vitória de 1x0 sobre o Canoas, fora de casa, não apresentou novidades em relação ao desempenho do time. Mesmo reforçado por três titulares, Vítor, Adílson e Lúcio, o Grêmio apresentou um futebol modesto, ganhando com um gol de pênalti. Lúcio se mostrou desembocado, Clementino continuou confuso, Júnior Viçosa, apesar do gol, jogou muito mal e Roberson ainda não confirmou os bons prognósticos feitos sobre ele. Positivo, mesmo, só o rendimento de Mário Fernandes, que voltou a exibir um belo futebol. No geral, o Grêmio mostrou muito pouco e, quer seja com titulares ou com reservas, precisa melhorar muito.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Trapalhadas

A atuação do departamento de futebol do Grêmio, nos primeiros dias da nova administração do clube, não poderia ser mais lamentável. Depois de concentrar energias durante quase um mês na tentativa de contratação de Ronaldinho, pagando um "mico" nacional com o fracasso da negociação, viu suas duas outras buscas de jogadores renomados, Rodolfo e Gilberto Silva, igualmente fracassarem. Não bastasse isso, quase perdeu Vinícius Pacheco por questões jurídicas, tendo que negociar com o Flamengo para ficar com o jogador. A única contratação tranquila foi a de Lins, um jogador de currículo inexpressivo. O vice-presidente de futebol do Grêmio, Antônio Vicente Martins, de mau desempenho no mesmo cargo na administração do ex-presidente José Alberto Guerreiro, parece, a cada dia, confirmar a máxima de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, grande humorista brasileiro dos primórdios do século passado: "De onde menos se espera é que não sai nada mesmo".

Normalidade

Os resultados dos jogos de Grêmio e Inter, sexta à noite e sábado à tarde, ficaram na mais absoluta normalidade, pois ambos jogaram em casa, contra adversários modestos. No entanto, o bom futebol, mais uma vez, não apareceu. O Grêmio perdia para o São José até os 31 minutos do segundo tempo e o Inter venceu o Santa Cruz por um magro 1x0, auxiliado por uma falha do goleiro. O jogo do Grêmio, porém, mesmo com o futebol inconvincente, apresentou alta voltagem emocional. Tudo devido ao fato de Jonas, ao marcar o primeiro de seus dois gols, ter se dirigido para a torcida que ocupava o setor das sociais fazendo gestos agressivos e proferindo palavrões. A atitude de Jonas foi motivada pelas vaias que recebia a cada jogada que errava. Foi o que bastou para que a torcida, a partir de então, o vaiasse a cada vez que tocasse na bola. Dessa forma, um jogo que tinha tudo para ser morno, como tantos do Campeonato Gaúcho, acabou gerando polêmica e discussões. No entanto, tudo deverá ser contornado sem maiores problemas. Problema mesmo é o parco futebol jogado pelo time contra mais um adversário de pouca expressão, o que faz com que a partida contra o Liverpool do Uruguai já não pareça tão fácil quanto se chegou a imaginar. Já o Inter B obteve mais uma vitória em casa, novamente por 1x0. O futebol jogado, porém, ficou, outra vez, abaixo de qualquer expectativa. O que só reforça a idéia de que o time principal, mais cedo ou mais tarde, irá participar do Campeonato Gaúcho, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela diretoria do clube.