sábado, 25 de novembro de 2023

Classificação heróica

Foi emocionante, e de uma maneira improvável. Depois de desperdiçar, nos dois jogos anteriores, a chance de subir para a Primeira Divisão de forma antecipada, o Juventude obteve, hoje, na última rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, uma classificação heróica, ao vencer o Ceará por 3 x 1, de virada, no Presidente Vargas. Precisando ganhar para não depender de outros resultados, o Juventude saiu perdendo aos 17 minutos, gol de Janderson. Mesmo sem jogar bem, e demonstrando muito nervosismo, o Juventude empatou ainda no primeiro tempo, com Erick Farias, aos 42 minutos. No segundo tempo, o rumo do jogo não ia bem para o Juventude, pois o empate persistia, resultado que não era suficiente para subir. Aos 15 minutos, tudo piorou. Saulo Mineiro, do Ceará, que acabara de entrar, foi expulso por uma entrada violenta em Luís Gustavo, do Juventude. Porém, chamado pelo VAR para verificar o lance no monitor, o árbitro voltou atrás na expulsão e deu o segundo cartão amarelo para Luís Gustavo. Pouco depois, como se não bastasse o Juventude estar com um jogador a menos, o árbitro marcou um pênalti em favor do Ceará. Parecia o fim para o Juventude. No entanto, o VAR chamou o árbitro, mais uma vez e, após a verificação no monitor, o pênalti foi desmarcado. A partir daí, tudo mudou. Aos 34 minutos, Jadson arriscou de fora da área e o goleiro André Luís, do Ceará, aceitou. Era o gol da virada, que classificava o Juventude. Aos 39 minutos, para evitar qualquer possibilidade da vitória escapar, numa bela jogada de contra-ataque, Ruan fez 3 x 1. O Juventude subiu de um modo sofrido, como não precisava ter sido, mas, até por isso, esse feito nunca será esquecido pela sua torcida. Na classificação final, o Juventude ainda acabou como vice-campeão, atrás, apenas, do Vitória.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Disputa acirrada

Era pouco provável que o Bahia ganhasse do Corinthians, hoje, no Itaquerão, pelo Campeonato Brasileiro. O Bahia não só venceu, goleou por 5 x 1, e tornou a luta contra o rebaixamento uma disputa acirrada. Com o resultado, o Bahia saiu, momentaneamente, da zona de rebaixamento, e o Cruzeiro entrou no seu lugar. Apenas 3 pontos separam o Fortaleza, décimo-primeiro colocado, do Cruzeiro, que é o ďécimo-sétimo. Com isso, todos os clubes da segunda página da classificação ainda correm o risco de cair para a Segunda Divisão. Entre eles está o Inter que, se perder para o Red Bull Bragantino no domingo, e for desfavorecido por resultados paralelos, poderá entrar na zona de rebaixamento. A luta contra a queda deverá ser eletrizante até a última rodada, a exemplo da disputa pelo título. Essa situação, nas duas pontas da classificação, mostra que os campeonatos de pontos corridos podem, sim, ser emocionantes. Basta que haja equilíbrio técnico entre os disputantes.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Rubens Minelli

O Brasil perdeu um dos seus grandes técnicos de futebol. Rubens Minelli faleceu hoje, 26 dias antes de completar 95 anos. Minelli conquistou o Robertão, embrião do futuro Campeonato Brasileiro, em 1969, pelo Palmeiras. Em 1974, chegou ao Inter. Foi campeão gaúcho naquele ano, ganhando todos os 18 jogos que disputou. Em 1975, depois de o Inter ser semifinalista nas três edições anteriores, levou o clube ao seu primeiro título de campeão brasileiro. Em 1976, repetiu o feito. Encerrado o seu ciclo no Inter, em 1977 foi para o São Paulo, e ganhou o Brasileirão pela terceira vez consecutiva. Com tão expressivo retrospecto, Minelli era o nome natural para ser o técnico da Seleção Brasileira na Copa de 1978, mas foi preterido por Cláudio Coutinho, um capitão do exército que, à época, tinha 35 jogos treinando jogadores profissionais. Foi a grande mágoa que Minelli levou do futebol. Depois dos quatro títulos de cunho nacional, Minelli ainda obteve conquistas estaduais. No Grêmio, foi campeão gaúcho em 1985 e 1988. A partir daí, prosseguiu com sua carreira sem o mesmo destaque, mas reconhecido como um dos grandes técnicos do país em todos os tempos. Deixa o legado de um futebol que, sem abrir mão da qualidade, se assentava na ideia de ter jogadores fortes e competitivos. Com essa proposição, construiu uma carreira vitoriosa. Merece o reconhecimento de todos pela sua contribuição ao futebol.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Declaração tragicômica

O centroavante Gabriel Jesus, do Arsenal e da Seleção Brasileira, disse que fazer gols não é o seu ponto forte. Eis o que se pode chamar de uma declaração tragicômica por parte de um atacante. O jogador esteve presente em duas Copas do Mundo, 2018 e 2022, e não marcou gols em nenhuma delas. Seguiu sendo convocado para a Seleção, sem quebrar o seu jejum de gols. O difícil é entender porque um atacante que não faz gols continua a ser chamado para a Seleção. A atual fase da Seleção é terrível do ponto de vista técnico, e um dos motivos é a aposta reiterada num atacante que se mostra repetidamente ineficiente. A declaração de Gabriel Jesus é uma piada pronta, e evidencia a necessidade de se buscar novas opções para o ataque da Seleção. Não há porque insistir com velhas soluções que nada produzem.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Dizimando retrospectos

O período do técnico interino Fernando Diniz na Seleção Brasileira está se mostrando terrível. Hoje, no Maracanã, a Seleção perdeu por 1 x 0 para a Argentina, sua primeira derrota em casa na história das Eliminatórias, e continua dizimando retrospectos. Foi a terceira derrota consecutiva da Seleção nas Eliminatórias, sendo que, até então, nunca havia perdido dois jogos seguidos em todas as suas participações na competição. No jogo de hoje, a Seleção não foi mal. A Argentina não merecia vencer. O gol da vitória aconteceu numa cobrança de escanteio, mas, ao longo do jogo, a Argentina pouco produziu, chutando apenas duas vezes ao gol, e Messi esteve apagadíssimo. A Seleção, pouco antes do gol, havia tido uma chance claríssima com Gabriel Martinelli. A atuação da Seleção até foi boa, coletivamente, faltou qualidade para fazer os gols. A insistência com Gabriel Jesus é incompreensível. Gabriel Martinelli jogou bem, deixando a desejar nas conclusões. A Seleção mostrou empenho, num jogo precedido por briga entre as torcidas, que atrasou por meia hora o início da partida. A tradicional catimba argentina se fez presente, contando com a complacência do árbitro, e levando à expulsão, injusta, de Joelinton, aos 36 minutos do segundo tempo, pouco depois de entrar em campo. A trajetória da Seleção sob a orientação de Diniz é muito ruim, mas, hoje, a equipe não merecia perder.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Falsa solução

Os entusiastas da escolha de um técnico estrangeiro para treinar a Seleção Brasileira estão deixando de levar em conta um dado fundamental. Até hoje, nenhuma seleção ganhou uma Copa do Mundo sendo treinada por um técnico de fora do país, o que evidencia que essa é uma falsa solução. Depois dos maus resultados da Seleção com o técnico interino Fernando Diniz, a CBF tem declarado que a vinda do técnico italiano Carlo Ancelotti é certa, o que é comemorado por muitos. Puro complexo de vira-lata. O problema da Seleção não está no técnico, mas na queda de qualidade do futebol brasileiro. Os jogadores brasileiros que estão na Europa não são grandes astros. Com exceção de Vinícius Júnior, do Real Madrid, os demais estão longe de poder aspirar a condição de concorrente ao prêmio de melhor jogador do mundo. O que falta à Seleção são os grandes talentos de outros tempos. No futebol, a qualidade técnica sempre será o fator principal. O futebol brasileiro vive uma entressafra de qualidade e, enquanto esse quadro persistir, nenhum técnico irá fazer mágica, seja do país ou um estrangeiro.

domingo, 19 de novembro de 2023

A opção pelo caos

Nada justifica o que aconteceu, hoje, na Argentina. A vitória, no segundo turno, do candidato oposicionista Javier Milei sobre o situacionista Sergio Massa é a opção pelo caos. Custa acreditar que o povo argentino, tão mais politizado que o brasileiro, tenha embarcado na aventura de eleger um candidato de extrema direita, após ter visto os efeitos desastrosos causados no país vizinho pelo governo de Jair Bolsonaro. Ainda que se saiba que a Argentina vive uma grande crise econômica, com um alto índice de inflação, a escolha de Milei é um desatino, de consequências trágicas. Assim como Bolsonaro, Milei adotou o discurso da antipolítica, sempre nefasto. Canalhas como Milei e Bolsonaro buscam desacreditar os poderes do Estado e as instituições, para instalar a destruição dos alicerces que sustentam um país. Representam a negação do bom senso, a glorificação da estupidez, a avidez pela truculência, o desprezo pelos mais básicos conceitos de humanidade. A Argentina está prestes a começar um período de quatro anos ao fim do qual um rastro de destruição tornará ainda mais difícil a tarefa de reerguer um país há tanto tempo vitimado por crises econômicas. O remédio escolhido pelo eleitor argentino só irá agravar o já delicado estado de saúde do paciente.

sábado, 18 de novembro de 2023

Chance desperdiçada

Os resultados paralelos ajudaram, mas faltou o principal. Hoje, no Alfredo Jaconi, o Juventude empatou em 0 x 0 com a Ponte Preta, e teve mais uma chance desperdiçada de garantir sua volta à Primeira Divisão. Na terça-feira, ao ficar com um jogador a menos, logo no início da partida, contra o ABC, lanterna da Segunda Divisão e já rebaixado, o Juventude só empatou em 0 x 0, o que lhe obrigava a vencer a Ponte Preta e torcer por dois resultados paralelos para subir para a Série A com uma rodada de antecipação. Os resultados desejados aconteceram, com as derrotas de Atlético Goianiense e Sport, mas o Juventude não fez a sua parte. Para alcançar a classificação, o Juventude terá de vencer o Ceará, fora de casa, na última rodada, se não quiser depender de outros jogos. Uma tarefa difícil, mas não impossível, pois o Juventude tem bom retrospecto nos jogos fora de seu estádio. Porém, o Juventude, ao não vencer a Ponte Preta, deixou escapar a oportunidade de atingir o seu objetivo e só cumprir tabela na última rodada. Tantas chances perdidas de obter a classificação poderão custar caro ao Juventude, que teria de arcar com mais um ano na Série B, quando a subida já parecia certa.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Estádio obsoleto

O estádio da Bombonera, pertencente ao Boca Juniors, foi interditado pela Prefeitura de Buenos Aires, por ter apresentado excesso de lotação no jogo de ontem entre Argentina e Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Independente da situação específica que motivou a interdição, o fato é que a Bombonera, há muito tempo, se tornou um estádio obsoleto. Monumento histórico, local de grandes e memoráveis jogos, a Bombonera é um patrimônio expressivo de Buenos Aires e do Boca Juniors, mas não é mais um estádio funcional. Nos tempos atuais, o conforto, a comodidade, os espaços amplos de circulação, a rapidez de evacuação, são fatores essenciais num estádio, condições que a Bombonera não contempla. Por tudo que representa, historicamente, a Bombonera deveria ser preservada, tornando-se um museu. Porém, o Boca Juniors precisa de um estádio mais moderno, adequado às exigências do futebol nos dias de hoje. Um estádio com maior capacidade de público e bem mais confortável.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Má campanha

Uma sucessão de maus resultados. Hoje, no Estádio Metropolitano Roberto Melendéz, em Barranquilla, a Seleção Brasileira perdeu por 2 x 1, de virada, para a Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, dando prosseguimento à má campanha de seu técnico interino, Fernando Diniz. A Seleção está apenas em quinto lugar nas Eliminatórias, com duas vitórias, um empate e duas derrotas. O empate em questão foi com a Venezuela, dentro de casa. A Venezuela, por sinal, está em quarto lugar na classificação. As seis primeiras seleções se classificam de forma direta nas Eliminatórias da América do Sul, e a sétima disputa uma repescagem. A situação da Seleção se torna ainda mais tensa pelo fato de que seu próximo jogo será contra a líder Argentina, terça-feira, no Maracanã. No jogo de hoje, a Seleção abriu o placar aos 4 minutos do primeiro tempo, gol de Gabriel Martinelli, mas cedeu a virada com Luís Diáz marcando duas vezes, aos 30 e 34 do segundo. Diniz pagou por sua ousadia, ao escalar a Seleção no 4-2-4, um esquema demasiadamente aberto para os padrões do futebol atual. Se continuar com tão mau desempenho, Diniz corre o risco de nem completar o seu interinato no cargo, e sair antes do previsto.