quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

O bom ministério de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, hoje, 16 ministros de seu fufuro governo. Na próxima terça-feira, outros 16 serão revelados. O aumento no número de pastas para 37, pois cinco já haviam tido seus titulares anunciados, em relação aos 22 atuais, não implicará em gastos maiores, segundo Lula. Não é fácil montar um ministério que contemple os interesses do PT, partido de Lula, de outras forças de esquerda, e de siglas de centro que apoiaram Lula no segundo turno da eleição. A impressão, de um modo geral, é positiva. O bom ministério de Lula dá espaço a negros e mulheres em pastas relevantes. Margareth Menezes, mulher e negra, foi confirmada na Cultura, uma área que exigirá um grande trabalho, pois foi desmontada no governo Bolsonaro. Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada do Rio de Janeiro, em 2018,Marielle Franco, será a ministra da Igualdade Racial. Sílvio Almeida, negro como Margareth e Anielle, ficará com os Direitos Humanos. Outros destaques entre os nomes anunciados são o do ministro da Educação Camilo Santana, ex-governador do Ceará, estado que, há tempos, é um referência na área, e Luiz Marinho na pasta do Trabalho, recriada por Lula. Luciana Santos, filiada ao PcdoB, será a ministra da Ciência e Tecnologia. Entre os futuros ministros que se situam mais ao centro estão o de Indústria e Comércio, e vice-presidente eleito, Geraldo Alckminn, e o de Portos e Aeroportos, Márcio França, ex-governador de São Paulo, ambos do PSB. A grande expectativa que ainda resta quanto aos ministros que irão ter seus nomes anunciados na terça-feira são as pastas que serão ocupadas pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), e por Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que apoiaram Lula no segundo turno da eleição. Pelo que foi visto, até agora, Lula está conseguindo montar um ministério muito qualificado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Pedro Paulo Rangel

Um ator talentoso e versátil. Assim era Pedro Paulo Rangel, que faleceu, hoje, aos 74 anos. Em sua longa carreira, atuou na televisão, teatro e cinema. Foram mais de 50 trabalhos na televisão, entre novelas, seriados e programas, 40 peças de teatro, e 10 filmes. Com uma grande veia humorística, Pedro Paulo Rangel também brilhava no drama. Na novela "Gabriela" (1975), fez o primeiro nu masculino na televisão, numa cena icônica. Entre os seus papéis de maior repercussão estão o Adamastor, de "Pedra Sobre Pedra" (1992), e o Calixto, de "O Cravo e a Rosa" (2000). Viveu todos os tipos de personagens, de diferentes condições sociais. Estava em cartaz com uma peça, no Rio de Janeiro, quando foi internado, no final de novembro. Fumante, condição de que se arrependia, foi vitimado pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, da qual sofria há vários anos. Muito querido por seus companheiros do meio artístico, deixa-lhes uma enorme saudade, que se estende ao público, em cuja memória os personagens que interpretou permanecerão.

O quinhão de Simone Tebet

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não anunciou a totalidade dos ocupantes de cargos no seu futuro governo. Porém, uma situação está chamando muito a atenção. A senadora Simone Tebet (MDB-MS), terceira colocada na eleição presidencial no primeiro turno, aderiu à candidatura de Lula no segundo, sem hesitação. Com a vitória de Lula, Simone Tebet, obviamente, seria contemplada com um cargo no novo governo. Porém, o tempo está transcorrendo e a indicação da senadora para um ministério não é anunciada. O quinhão de Simone Tebet no governo Lula ainda não é conhecido, e a parlamentar já avisou que recusará um cargo que represente, apenas, um prêmio de consolação. Simone Tebet gostaria de ocupar o novo Ministério do Desenvolvimento Humano, que abarcará o programa Bolsa Família, ou o da Educação. O PT, no entanto, quer os dois ministérios para membros do partido. A posição do PT é legítima, pois são dois ministérios estratégicos num governo cuja face de esquerda deve preponderar. Alianças, entretanto, devem ser honradas. Ao aceitar o apoio de Simone Tebet, em nome da governabilidade, a chapa de Lula sabia que teria de retribuir lhe dando um cargo relevante. Seria bom que Lula resolvesse a questão o quanto antes.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Uma discussão sem sentido

Uma questão que, vez por outra, gera intensos debates é a de qual seria o maior jogador de futebol de todos os tempos. Durante décadas, a resposta era unânime em relação ao nome de Pelé. A partir do aparecimento de Maradona, os argentinos reivindicaram essa condição para o polêmico astro. Mais tarde, Messi, também argentino, foi apontado como o melhor, o que se intensificou após o encerramento, há dois dias, da Copa do Mundo, no Catar. Na verdade, é uma discussão sem sentido, forçada por quem desconsidera o futebol em toda a sua história, e glorifica exageradamente o que ocorre atualmente. Argumentar que, hoje, a maior competitividade e o calendário com muitas disputas tornam os jogadores mais pressionados do que os de outras épocas é uma visão distorcida da realidade. Pelé se destacou num período em que o Brasil e o mundo testemunhavam o auge do futebol, com nomes extraordinários como Garrincha,Puskas, Di Stéfano, Cruyff, Beckenbauer, Gérson, Rivelino, Tostão, Carlos Alberto. Nos anos 2000, é evidente que o nível técnico do futebol despencou. Messi merece estar no panteão dos melhores de todos os tempos. Porém, o argentino se beneficiou de jogar em uma época de escassos destaques individuais. Numa análise racional e isenta de paixões, Pelé é inalcançável, nunca será superado. Maradona é o segundo maior de todos os tempos. A partir do terceiro lugar, fica ao gosto de cada um.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

O outro grande Lionel

Desde ontem, com a conquista, pela Argentina, do título da Copa do Mundo, no Catar, o mundo reverencia Lionel Messi. Porém, há de se destacar o outro grande "Lionel" dessa conquista. O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, de 44 anos, é o exemplo de uma história de sucesso improvável. Scaloni foi auxiliar técnico do Sevilha, e depois exerceu a mesma função na seleção da Argentina. Com a saída de Jorge Sampaoli, após a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, assumiu como técnico principal. Primeiramente, Scaloni seria interino, enquanto um técnico mais experiente e renomado era buscado pela Associação de Futebol da Argentina. Os técnicos tentados não aceitaram o convite, e Scaloni foi ficando. Em 2021, a Argentina ganhou a Copa América, depois de 28 anos sem conquistar o título da competição, ao vencer a Seleção Brasileira por 1 x 0, no Maracanã. Ontem, depois de 36 anos, a Arvrntina voltou a ser campeã da Copa do Mundo. Em ambos os títulos, o técnico foi Lionel Scaloni. Em pouco mais de um ano, Scaloni saiu de uma carreira curta e um currículo modesto para quebrar a grande seca de títulos da Argentina e, agora, ostenta um título de Copa do Mundo, privilégio para poucos. Ainda jovem, com um longo caminho pela frente na profissão, Scaloni já chegou onde muitos técnicos famosos nunca estiveram perto. São histórias como a de Scaloni que ajudam a alimentar a magia do futebol, um esporte que proporciona dramas intensos, e glórias improváveis.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Decisão épica

Foi um jogo de tirar o folêgo. Hoje, no Lusail, Argentina e França empataram em 3 x 3, com um gol para cado lado na prorrogação, e a vitória da equipe sul-americana por 4 x 2 nos tiros livres da marca do pênali, numa decisão épica em que a Argentina conquistou o título de campeã da Copa do Mundo, no Catar. O primeiro tempo não indicava essa dramaticidade. A Argentina abriu o placar aos 23 minutos, com Messi, de pênalti, e ampliou aos 36, gol de Di Maria, num belíssimo contra-ataque. Aliás, Di Maria teve uma ótima atuação, e sua saída, em meio ao segundo tempo, fez com que a Argentina, num jogo completamente dominado, permitisse a reação da França. O primeiro gol da França, com Mbappé, de pênalti, saiu aos 35 minutos, quando tudo já parecia decidido. Um minuto depois, aos 36, Mbappé empatou. No segundo tempo da prorrogação, Messi colocou a Argentina novamente em vantagem mas, dez minutos depois, a França empatou, com outro pènalti, cobrado por Mbappé, mais uma vez. Nos tiros livres da marca do pènalti, a França errou a segunda batida e a quarta, e a Argentina acertou todas as que fez, vencendo por 4 x 2. Foi um jogo marcante, de muitos destaques, como Messi, Mbappé, Di Maria e Martínez. Uma conquista justa da Argentina, como também seria se a França fosse a ganhadora. Acima de tudo, foi um grande jogo, digno de uma decisão de Copa do Mundo, realimentando nas pessoas a paixão pelo futebol. Depois de 20 anos, o título da Copa do Mundo volta para a América do Sul, o que é muito bom. A Argentina, agora, possui três títulos mundiais. Parabéns, Argentina!

sábado, 17 de dezembro de 2022

Faltou experiência

Na decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo, no Catar, o retrospecto em edições anteriores da competição falou mais alto. Hoje, no Estádio Khalifa, a Croácia venceu Marrocos por 2 x 1, num jogo em que faltou experiência para a equipe africana em jogos internacionais de grande peso. Marrocos, novamente, jogou bem, mas ficou evidente, já nos primeiros minutos, seu nervosismo, o que resultou em erros defensivos. Com isso, já aos 7 minutos, Gvardiol abriu o placar para a Croácia. Surpreendentemente, aos 9 minutos, Dari empatou. Porém, o jogo seguiu com domínio da Croácia, que se mostrava mais fria e solta em campo, enquanto Marrocos sofria a consequência da sua tensão. Numa saída de bola, Marrocos cometeu mais um erro defensivo, que resultou no segundo gol da Croácia, aos 42 minutos, feito por Orsic. No segundo tempo, a Croácia teve chances para ampliar, e Marrocos para empatar, mas o marcador não se modificou. Foi um resultado justo, que premiou a boa campanha da Croácia, sem empanar o brilho da trajetória de Marrocos, primeira seleção da África a chegar nas semifinais de uma Copa do Mundo. Foi um jogo que teve bom futebol e atraiu a atenção de quem assistiu, mostrando que a decisão do terceiro lugar pode, sim, ser atraente.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O novo Campeonato Mundial de Clubes

Uma intenção reafirmada. A Fifa anunciou, hoje, a realização, em 2025, do que será o novo Campeonato Mundial de Clubes. A competição terá a participação de 32 clubes, numa sede fixa, a exemplo do que ocorre, hoje, com a Copa do Mundo. Ainda não foi definido o número de participantes de cada confederação. Especula-se que a Uefa teria 12, e a Conmebol, 6. A ideia, no entanto, deverá encontrar resistências. Como encaixar mais essa competição no calendário? A Uefa, e os próprios clubes europeus deverão opor resistências. O que fica cada vez mais claro é que a Fifa, desde que Gianni Infantino assumiu o cargo de presidente, olha o futebol pensando, antes de tudo, no faturamento. Foi assim que surgiu a ideia de ampliar, já na próxima edição, o número de seleções na Copa do Mundo, das já excessivas 32 atuais para exageradas 48. O futebol, sabidamente, é um grande negócio, mas se corre o risco de matar a galinha dos ovos de ouro. Os anos continuarão a ter doze meses, dos quais um tem de ser reservado às férias dos jogadores. Embora democrática, por envolver clubes de todas as confederações, e em número bem maior que o formato atual do Mundial de Clubes, a competição tenderá a continuar com amplo domínio dos europeus. Sem contar que, com tantos participantes, a qualidade fica prejudicada, e o número de jogos desinteressantes deverá ser muito grande. Resta esperar para ver se a ideia vai, mesmo, sair do papel.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Os humores do mercado

Uma chantagem permanente sobre os governos, visando manter os privilégios da parte mais favorecida da sociedade. Assim são os humores do "mercado". A qualquer manifestação de um governante que fuja do receituário neoliberal, os teóricos e apoiadores do mercado pintam um quadro pessimista, acompanhando uma queda da Bolsa de Valores e alta do dólar. O argumento é de que medidas que comprometam o "ajuste fiscal" espantam investidores. O desejo do mercado é que todo e qualquer governo se paute pela austeridade fiscal, com rigoroso controle de gastos. Essa ladainha só faz sentido num governo de direita, e os resultados são conhecidos, com retração do consumo, e aumento da desigualdade social. A cada anúncio de um nome do futuro governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado reagia com aceitação ou "apreensão". A última reação, claro, se dá quando o nome anunciado não segue os postulados neoliberais. Fernando Haddad no ministério da Fazenda? O mercado se preocupa. Aloízio Mercadante como presidente do BNDES? O mercado se estressa. O que precisa ser entendido pelo mercado é que o futuro governo Lula tem compromisso com a parte social, e não irá abrir mão disso. Não se pode privilegiar especuladores em detrimento do amparo aos mais necessitados e da busca de diminuir a desigualdade social. A flexibilização do teto de gastos é uma necessidade, e será feita, goste o mercado ou não.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Grande jogo

Houve qualidade e, também, emoção. Hoje, no Al Bayt, a França venceu Marrocos por 2 x 0, num grande jogo, confirmou seu favoritismo, e se classificou para a decisão da Copa do Mundo, no Catar, no próximo domingo. A França abriu o placar logo aos 4 minutos, com Theo Hernandez. O que poderia ser o indício de um marcador elástico, não se confirmou. A equipe de Marrocos reagiu, fustigou a França criando boas oportunidades, e teve o empate desenhado, errando nas conclusões. A vitória da França só foi consolidada com o gol de Kolo Muani, aos 34 minutos do segundo tempo. Foi o primeiro toque na bola de Kolo Muani, que havia acabado de entrar. Marrocos confirmou a boa campanha que fizera até então, não se intimidando por ter levado um gol cedo. Poderia ter obtido um resultado melhor e, talvez, a inexperiência em jogos de tamanha expressão tenha cobrado o seu preço no desperdício de chances de gol. Porém, não há razões para abatimento por parte de Marrocos. Sua campanha, até aqui, foi grandiosa, e a equipe tem boas chances de obter o terceiro lugar contra a Croácia, no sábado, o que seria um resultado histórico. Na decisão da Copa, a França é favorita diante da Argentina, por ser a atual campeã e possuir a melhor equipe, tecnicamente. No entanto, a Argentina tem amplas condições de contrariar a tendência favorável à França, e conquistar o título.