segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A politização do futebol
A Fifa e a Uefa decidiran, hoje, em conjunto, excluir a Rússia de todas as competições promovidas pelas duas instituições, incluindo o futebol feminino e categorias inferiores. Com isso, a Rússia está fora das Eliminatórias e, por conseguinte da própria Copa do Mundo, que será realizada em novembro, no Catar. O Spartak Moscou, que disputava a Liga Europa, foi excluído da competição. A Rússia poderá recorrer da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte. A medida foi tomada em função da invasão da Ucrânia pela Rússia. Caso haja um acordo de paz, as sanções poderão ser revistas. A politização do futebol, nesse nível, não é saudável. A Fifa, como é sabido, possui mais países filiados do que a ONU. Até mesmo países não reconhecidos pela comunidade internacional foram aceitos na Fifa. Entre os integrantes da Fifa estão países de todos os matizes ideológicos, com regimes democráticos ou ditatoriais. Sendo assim, não faz sentido aplicar sanções esportivas à Rússia por fatos de natureza política. Repudiar atitudes políticas, condenar guerras e invasões, é uma postura legítima de governos e da diplomacia dos países. As instituições esportivas não devem sair do seu escopo.
domingo, 27 de fevereiro de 2022
O anúncio de Tite
O técnico da Seleção Brasileira, Tite, anunciou, durante a semana, que deixará o cargo após a Copa do Mundo, seja qual for o resultado que a equipe obtenha. O anúncio de Tite soa como uma obviedade. Tendo fracassado na Copa de 2018, Tite não teria como prosseguir no caso de um novo insucesso. Se for campeão, não teria porque perder a chance de sair como vencedor, depois de um longo período no cargo. O que chama a atenção é a reação da imprensa esportiva assim que Tite fez sua declaração. Começou, de forma praticamente imediata, uma campanha para que o futuro técnico da Seleção seja um estrangeiro. Não faltou, como de outras vezes, quem sonhasse com o espanhol Josep Guardiola, técnico do Manchester City, para assumir no lugar de Tite. Outros lembram o fato de que Jorge Jesus está livre no mercado para sugerir o seu nome. Como se percebe, a fixação por técnicos estrangeiros não se dá só nos clubes, também tomou conta da imprensa. No próximo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, que iniciará em abril, nove dos 20 clubes já têm técnicos estrangeiros. Parece uma fórmula mágica, o que, evidentemente, é um equívoco. Os problemas da Seleção e dos clubes não se devem às nacionalidades de seus técnicos. São muito mais profundos, têm causas estruturais. A classe dos técnicos brasileiros está sendo desmerecida de um modo cruel e injusto. Sem grandes jogadores não há como esperar resultados notáveis, e aí reside o principal problema do futebol brasileiro no momento. O resto é conversa fiada dos arautos da "modernidade" do futebol.
sábado, 26 de fevereiro de 2022
Selvageria
O futebol brasileiro vive uma onda de violência. Hoje, o ônibus que conduzia a delegação do Grêmio foi apedrejado na chegada ao Beira-Rio, num ato de selvageria, o que levou o Gre-Nal, pelo Campeonato Gaúcho, a ser cancelado. Pela segunda vez, na mesma semana, um ônibus com a delegação de um clube é apedrejado ao chegar no estádio. O outro caso ocorreu com o Bahia, na Arena Fonte Nova. A diferença, para o fato de hoje, é que o Bahia teve seu ônibus atacado por torcedores do próprio clube. No caso do Grêmio, o ônibus foi apedrejado por torcedores do Inter. Em ambas as situaćões, um jogador saiu ferido com gravidade, e tendo de ser removido para o hospital. No Grêmio, foi o volante Villasanti, que teve traumatismo craniano e concussão cerebral. No Bahia, o goleiro Danilo Fernandes, que teve cortes no rosto que por pouco não lhe comprometeram a visão. Logo depois do ocorrido, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, disse que o clube não jogaria o Gre-Nal. O presidente do Inter, Alessandro Barcelos, apoiou a decisão do Grêmio. Com isso, o Gre-Nal ficou para uma data a ser marcada. Uma enorme frustração para o torcedor, causada pela estupidez de quem praticou um ato tão torpe.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Escalação assustadora
Para que mudar o que deu certo? O Grêmio fez seu melhor jogo no ano, até aqui, contra o São Luiz de Ijuí, quando goleou por 4 x 0, e teve um meio de campo ágil e criativo, formado por Villasanti, Bitello e Gabriel Silva. Poŕém, as notícias dão conta de que amanhã, contra o Inter, o técnico Roger Machado formará o meio de campo com Thiago Santos, Bitello e Villasanti, o mesmo que afundou na derrota por 3 x 1 para o União Frederiquense. Não há o que justifique essa atitude de Roger. Colocar três volantes contra um adversário em péssima fase não faz nenhum sentido, é uma escalação assustadora. Por estar cinco pontos na frente do Inter no Campeonato Gaúcho, o Grêmio vai para o jogo, no Beira-Rio, numa situação confortável, pois mesmo em caso de derrota permanecerá na frente do seu maior rival. Sendo assim, não há porque montar um meio de campo tão defensivo e sem criatividade. A se confirmar essa escalação, o Grêmio poderá estar abrindo mão de uma vitória que parecia encaminhada. Como se isso não bastasse, Diego Souza poderá ficar de fora do jogo, e ser substituído por Churin, em vez de Elias, que seria a escolha mais adequada. Equívocos como os relatados acima costumam custar muito caro. Pelo visto, a queda para a Segunda Divisão não serviu de lição para o Grêmio.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Parcialidade
A invasão da Ucrânia por tropas russas é, justificadamente, o assunto dominante, no mundo inteiro, nas últimas horas. Obviamente, guerras são execráveis, nunca deveriam acontecer, mas, ao analisar os motivos que levam à eclosão de um conflito, não se pode usar de parcialidade, como vem fazendo a imprensa brasileira. Pintar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, como um monstro que ataca um país soberano e ignora os princípios democráticos é adotar uma visão muito facciosa do assunto. Os que estão condenando a ação de Putin são os mesmos que aceitam, com naturalidade, as invasões imperialistas americanas a países soberanos. Os motivos de Putin para deflagrar o conflito são geopolíticos. Desde a extinção da União Soviética, os Estados Unidos e seus aliados têm avançado na cooptação de países membros da antiga "Cortina de Ferro", tanto que catorze deles já pertencem a OTAN. A adesão da Ucrânia ao bloco fragilizaria a Rússia, que ficaria exposta a uma ocidentalização, o que é o grande temor dos governantes do país. O objetivo de Putin sempre foi o de retomar o protagonismo da Rússia no contexto internacional. Agora, a chance para isso surgiu, e o presidente russo não a desperdiçou. Não serão as prometidas sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e seus aliados que farão Putin recuar. Nesse aspecto, Putin também tem seu trunfo, pois a Europa precisa do gás fornecido pela Rússia para manter seus sistemas de energia. A guerra está só começando, e Putin não se dobrará facilmente.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
O modismo se amplia
A onda de contratação de técnicos estrangeiros continua forte no futebol brasileiro. O modismo se amplia, numa compulsão de difícil explicação. Sim, porque, em termos práticos, tem sido poucos os técnicos estrangeiros bem sucedidos no Brasil. Exitoso, mesmo, foi o português Jorge Jesus, no Flamengo, em 2019. Outro português, Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, alterna conquistas e fracassos. O espanhol Domenec Torrent ficou apenas três meses no Flamengo. O argentino Jorge Sampaoli trabalhou em Santos e Atlético Mineiro, mas não obteve títulos. O também argentino Hernan Crespo, depois de ser campeão paulista pelo São Paulo, não conseguiu manter o desempenho, e acabou demitido. Nomes como o português Jesualdo Ferreira, no Santos, e o espanhol Miguel Angel Ramirez, no Inter, fracassaram rotundamente. Ainda assim, o Inter, depois da saída de Ramirez, recorreu a dois uruguaios, Diego Aguirre e Alexander Medina. Aguirre teve um período curto no clube, que não deixou saudade. Medina, até agora, não disse a que veio. Porém, a contratação de técnicos estrangeiros não cessa. O Corinthians contratou o português Victor Pereira. O Santos deverá anunciar o argentino Fabian Bustos. O curioso é que o Atlético Mineiro ganhou o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, em 2021, com um técnico brasileiro, Cuca. O mesmo Cuca foi vice-campeão da Libertadores com o Santos, em 2020. Outro brasileiro, Rogério Ceni, foi campeão brasileiro pelo Flamengo, em 2020. No entanto, os clubes brasileiros seguem apostando nos técnicos estrangeiros. O Flamengo trouxe outro português, Paulo Sousa, de currículo modesto. O modismo dos técnicos de fora do país prossegue no futebol brasileiro, sem que os resultados, na maioria das vezes, justifiquem essa tendência.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
Recomeço efetivo
Depois de um mês de férias regulamentares, o calendário do futebol, no Brasil, a cada ano, é aberto com os campeonatos estaduais. Porém, o recomeço efetivo do futebol brasileiro se dá com a retomada de competições no país e exterior. No último domingo, Atĺético Mineiro e Flamengo decidiram a Supercopa do Brasil, com o clube de Belo Horizonte conquistando o título. Hoje, começou a primeira fase da Copa do Brasil, competição que reunirá, ao todo, 80 clubes. Também foi iniciada a participação dos clubes brasileiros na Pré-Libertadores, com a vitória do Fluminense por 2 x 1, de virada, contra o Millonarios (COL), no El Campin. Amanhã, Athletico Paranaense e Palmeiras farão o primeiro jogo da decisão da Recopa Sul-Americana, na Arena da Baixada. Ficará faltando apenas o início das quatro divisões do Campeonato Brasileiro, a partir de abril, para que todas as competições do calendário estejam em desenvolvimento. Portanto, embora ainda não tenha acabado o verão, e o feriadão de Carnaval só comece no próximo final de semana, o futebol brasileiro, após alguns jogos dos campeonatos estaduais como aperitivo, está recomeçando para valer. A partir de agora, serão jogos para todos os gostos, por diversas competições, numa maratona que só terminará em novembro, quando as disputas entre clubes se encerrarão para que seja realizada a Copa do Mundo, no Catar. Para quem gosta de futebol, é um prato cheio.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
Falsa solução
As SAF's (Sociedades Anônimas de Futebol) são mais um capítulo do processo de destruição do que já foi a maior paixão brasileira. O complexo de vira-latas que sempre acometeu o país leva à mimetizaçào do que fazem os centros "mais evoluídos". Em nome da "modernização", eufemismo usado para justificar o capitalismo selvagem aplicado ao futebol, o odioso e repugnante modelo europeu, em que os clubes se transformam em empresas e possuem donos, está chegando ao Brasil. Em vez do modelo associativo, até hoje adotado, em que os clubes são geridos por pessoas da sua própria comunidade, milionários com fortunas de origem suspeita e grupos econômicos com interesses meramente argentários tornam-se proprietários do que, até então, era uma legítima paixào popular. O processo dd desmonte do futebol brasileiro não aconteceu de uma hora para outra. Começou com o absurdo encolhimento dos estádios, elitizando o público que os frequenta. O atual Maracanã, por exemplo, tem apenas um terço da capacidade original, que lhe conferia a orgulhosa condição de maior estádio do mundo. Com isso, os torcedores pobres, justamente os mais apaixonados e fiéis, não conseguem frequentar os estádios, pelos preços elevados dis ingressos. Os clubes agem assim para forçar o torcedor a se tornar sócio, gerando uma receita ordinária para a instituição, mas, num país de condições econômicas tão precárias, poucos podem arcar com as mensalidades. Com as SAF's, os dirigentes "políticos" e conselheiros, tão detestados pela imprensa esportiva que defende a "modernização" do futebol, cederão espaço para milionários estrangeiros totalmente dissociados das origens dos clubes e de sua relação com as comunidades nas quais estão inseridos. O que surgiu e se expandiu adubado pela paixão, torna-se uma empresa como outra qualquer, sujeita, inclusive, a enfrentar um processo falimentar. O futebol da única seleção a ter disputado todas as Copas do Mundo, e a mais vencedora dentre todas, com cinco títulos, vai definhando, abraçado, agora, a mais uma falsa solução, saudada por cronistas esportivos deslumbrados com tudo o que vem de fora. Não é por acaso que a lei que autorizou a implantação do novo modelo tenha sido aprovada no governo Bolsonaro, que desde que assumiu, empenha-se em destruir o país em todas as áreas.
domingo, 20 de fevereiro de 2022
No rumo de uma crise
Uma campanha sofrível, contra adversários modestos. O Inter perdeu por 3 x 2 para o São José, de virada, hoje, no Passo da Areia, pelo Campeonato Gaúcho, e está no rumo de uma crise. Por mais que esteja no início de um trabalho, e necessite de tempo e de reforços, o desempenho do técnico do Inter, Alexander Medina, até agora, é decepcionante. Terceiro colocado no Gauchão, cinco pontos atrás do Grêmio, seu maior rival, o Inter não consegue jogar bem. Ainda que o período seja de testes, Medina parece não ter a mínima ideia de uma escalação preferencial, técnica e taticamente. No futebol, ainda que muitos não gostem disso, todo o técnico é refém dos resultados. Sendo assim, o Gre-Nal do próximo sábado, no Beira-Rio, poderá ser decisivo para a permanência de Medina. Se o Inter vencer, a força de uma vitória sobre o Grêmio fará com que o trabalho fique robustecido. Em caso de derrota, no entanto, será difícil segurar Medina no cargo, pois a soma de vários tropeços com um revés no clássico não seria tolerada pelo torcedor. A verdade é que, por enquanto, Medina nào deu nenhum indício de que poderá realizar um bom trabalho e, por isso, o Inter irá sob pressão para o Gre-Nal.
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Estreia promissora
Uma primeira impressão muito positiva. O Grêmio goleou por 4 x 0 o São Luiz de Ijuí, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, e o técnico Roger Machado teve uma estreia promissora. Foi apenas o primeiro jogo, contra um adversário do interior, o que exige que se não se exagere no entusiasmo. Porém, mesmo com sua modéstia, o São Luiz faz boa campanha no Gauchão, e a goleada se deu mais pela boa atuação do Grêmio do que por fragilidade do seu adversário. Desde o início do jogo, o Grêmio mostrou fluidez em seus movimentos. Se, na quinta-feira, contra o União Frederiquense, o Grèmio não apresentou nenhuma noção de conjunto, hoje parecia que os jogadores atuavam juntos há muitos anos, embora se tratasse de uma escalação inédita. Ninguém diria que era o primeiro jogo sob a orientaçào de um técnico que foi contratado pelo clube na segunda-feira. Por mais reparos que se possam fazer quanto ao adversário, o desempenho do Grêmio autoriza o torcedor a ter esperança quanto ao futuro, o que não acontecia com o técnico anterior, Vágner Mancini. Os próximos jogos do Grêmio serão de um grande peso, contra o Inter e, pela Copa do Brasil, com o Mirassol. Há muito a ser feito no Grêmio, mas a confiança está sendo retomada, o que não é pouco.
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