sábado, 25 de dezembro de 2021

Privatização inaceitável

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou, há dois dias, que a privatização do Banrisul é inevitável, e terá de avançar. A declaração de Leite é uma ignomínia, pois essa é uma privatização inaceitável, por vários aspectos. O maior deles é que o Banrisul é o principal banco do Estado, mesmo concorrendo com gigantes privados. Portanto, o velho argumento da ineficiência de orgãos estatais nào se aplica ao banco. Sua lucratividade é crescente, o que elimina um dis fatores semore argüidos quando se defendem privatizações, ou seja, de que a empresa é improdutiva. Ao assumir o cargo, Leite prometeu não privatizar o Banrisul, mas, agora, mudou o discurso. Disse que não privatizou o banco porque não teve tempo, já que tinha outras prioridades, mas espera eleger um governador que siga as suas ideias. Para a sorte da população, Leite não irá concorrer à reeleição. Cabe ao eleitorado do Rio Grande do Sul levar a esquerda de volta ao poder para impedir que iniqüidades como a venda do Banrisul sejam consumadas.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

O Natal da fome

Pouco há a se comemorar no Natal de 2021 no Brasil. Por força de um governo genocida, insensível às necessidades sociais, esse é o Natal da fome. Milhões de brasileiros estão famintos, vítimas do desemprego e de uma inflação corrosiva. No seu horizonte, só há desesperança. Não será fácil erradicar esse quadro, e isso só poderá começar a ser feito quando o poder mudar de mãos. Países próximos ao Brasil já demonstraram qual é o caminho. A Argentina livrou-se de Maurício Macri e conduziu Alberto Fernandez ao poder. No Chile, Gabriel Boric venceu a extrema direita e trouxe uma promessa de novos tempos. O sinal está dado. Em novembro de 2022, o Brasil terá de acabar com o pesadelo deflagrado em 2018. Só um governo de esquerda poderá trazer perspectivas de se fazer um pais mais justo e menos desigual. O desatino eleitoral da última eleição presidencial não poderá se repetir. Só assim, os próximos natais não serão marcados pela fome e exclusão social.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Primeiros reforços

Depois de várias dispensas, o Grêmio anunciou, hoje, as suas primeiras contratações para 2022. Os primeiris reforços foram o lateral direito Orejuela, e o esquerdo Nícolas. Orejuela já jogara no Gŕêmio em 2020, emprestado pelo Cruzeiro. O Grêmio pretendia contratae o jogador em definitivo, pagando o preço estipulado, mas o Cruzeiro aumentou o valor, e o negócio nào.foi concretizado. Atualmente, Orejuela estava no São Paulo, e volta para o Grêmio, novamente, por empréstimo, de um ano de duração. Nícolas era reserva no Athletico Paranaense e, provavelmente, começará sua trajetória no Grêmio na mesma condição. Um dado favorável nas duas contratações é a idade dos jogadores. Os 26 anos de Orejuela e 24 de Nícolas representam uma quebra na tendência do Grêmio de contratar jogadores veteranos. O Grêmio necessita de muitas contratações, aliando quantidade com qualidade. Aguardam-se muitas novidades ainda antes do final do ano.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Embate revelador

Uma "treta" está agitando o país desde ontem. O que poderia ser apenas mais um fuxico do mundo do espetáculo mostrou-se como um embate revelador das tensões sociais brasileiras. Tudo começou quando o ator Ícaro Silva postou, no Twitter, um desmentido sobre os rumores de que participaria da próxima edição do programa "Big Brother Brasil". Silva declarou que jamais participaria de um programa de "entretenimento medíocre" como o "BBB", e pediu que respeitassem a sua trajetória. Pouco tempo decorrido depois, o ex-apresentador do "BBB", Tiago Leifert, reagiu ao "tuíte" de Silva com uma postagem raivosa. Leifert argumentou que Silva havia sido arrogante e que não fizera uma crítica construtiva, ofendendo aos que participaram do programa. Num assomo de prepotência, Leifert, que exaltara a grande audíência e o enorme faturamento comercial do "BBB", chegou ao ponto de argumentar que o programa é que teria pago o salário de Silva na Globo, e que o ator não deveria permanecer numa empresa que produz conteúdos que ele não aprecia. Hoje, Silva publicou uma tréplica vigorosa contra Leifert, na qual expressa que são o seu talento e esforço que garantem o seu salário, e estranhando que sua manifestação tenha gerado tão virulenta reação do ex-apresentador que, no entanto, não se pronunciou quando casos de racismo e homofobia ocorreram no programa. Dessa vez, Leifert não rebateu Silva, mas excluiu de seu grupo de seguidores todos os que apoiaram o posicionamento do ator, uma lista que inclui, entre outros, ex-participantes do programa, como é o caso de Graziele Massafera e Manu Gavassi, por exemplo. Não é a primeira vez que Leifert adota esse tipo.de postura. Anteriormente, criticara esportistas que fazem manifestações de cunho político. Filho de um poderoso diretor da Globo, branco, heterossexual, e de origem economicamente privilegiada, Leifert é a cara da casa grande brasileira. Porém, Silva, de origem pobre, negro, homossexual e sem padrinho para lbe abrir caminhos, recusa o papel de integrante da senzala. Tomara que outros tantos tenham a coragem de Silva, e não se curvem ao elitismo de figuras como Leifert.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

70 anos de uma paixão brasileira

Não parece crível, mas, na data de hoje, completam-se sete décadas que foi ao ar o primeiro capitulo de uma novela de tevê no Brasil. São 70 anos de uma paixão brasileira, iniciada com "Sua vida me pertence", da extinta Rede Tupi. Ainda não era uma novela diária, sua exibição se dava duas vezes por semana. Um outro fato, afora o pioneirismo, notabilizou "Sua vida me pertence", que foi o primeiro beijo na boca da teledramaturgia brasileira, trocado entre os atores Válter Forster e Vida Alves. As novelas prosseguiram com exibição irregular por mais de dez anos. Somente em 1963, "2-5499 ocupado", da extinta TV Excelsior, se tornaria a primeira novela diária da televisão brasileira. Nos primeiros tempos, as novelas no Brasil tinham temáticas distantes da realidade do país. Seus enredos remetiam a reinos medievais, histórias rocambolescas, sem conexão com o momento presente. Tudo mudou com "Beto Rockefeller", de 1968, da Rede Tupi. Com uma história contemporânea, retratando um ambiente brasileiro, revolucionou o gênero e tornou-se um enorme sucesso. A partir dos anos 70, as novelas se tornaram, definitivamente, o programa de tevê preferido dos brasileiros. Novelas como "Irmãos Coragem", "Selva de Pedra", "O Bem Amado", "Gabriela", "O Astro", "Dancin Days", todas da Rede Globo, tiveram audiências estrondosas, e consolidaram o gênero. Nas décadas seguintes, vieram outros grandes êxitos, como "Roque Santeiro", "Vale Tudo", "Terra Nostra", "Renascer", "Avenida Brasil". O tempo não para, e as novelas se adaptam às mudanças, mas sem perder o seu vigor. Muitas novelaa brasileiras foram exportadas para diversos países. Aos 70 anos, a novela brasileira segue cheia de vitalidade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Fornecedores

O futebol brasileiro sempre foi um manancial de bons jogadores. Não é por acaso que a Seleção Brasileira é a única que disputou todas as Copas do Mundo, e a maior vencedora da competição, com cinco titulos. Porém, a globalizaçào econômica fez com que os talentos revelados pelos clubes fossem cada vez mais jovens para o exterior. A partir daí, os clubes brasileiros tornaram-se meros fornecedores de mão-de-obra para outros países. Com o dinheiro obtido vendendo suas revelações, os grandes clubes brasileiros pagam contas e repatriam veteranos que não interessam mais aos futebol de fora do país. Nem mesmo o Flamengo, clube saneado financeiramente, foge desse figurino. Revelações como Vinícius Júnior, Lucas Paquetá e Reinier foram vendidos depois de fazerem poucos jogos pelo clube. Com parte do dinheiro, em 2019, o Flamengo trouxe os rodados Rafinha e Felipe Luís, de longa trajetória na Europa. O Atlético Mineiro, que ganhou o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil em 2021, trouxe nomes como Hulk e Diego Costa, outros experientes jogadores com extensa carreira em clubes estrangeiros. Esse quadro segue imutável. Ainda durante o ano que está por se encerrar, o Flamengo trouxe outro veterano, David Luiz. O Corinthians repatriou Renato Augusto e William. Para o próximo ano, o Fluminense já anunciou as contratações de Felipe Melo e William Bigode. O São Paulo contratou Rafinha, que já havia estado no Grêmio. Enquanto isso, Vanderson, revelação do Grêmio, foi vendido para o Mônaco, mantendo uma prática do clube que, em anos recentes, negociou jovens como Wallace, Tetê, Diego Rosa, Pedro Rocha, Éverton Cebolinha e Pepê. O triste panorama atual do futebol brasileiro é feito de reforços de 33 anos (Renato Augusto), 34 (David Luiz), 35 (William Bigode), 38 (Felipe Melo). Enquanto isso, os clubes que os adquirem vendem as pérolas que revelam em suas categorias inferiores. Um quadro que, lamentavelmente, não tem perspectivas de mudança, pois é determinado pela macroeconomia.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Notícia alentadora

Pode-se gostar, ou não, do vice-presidente de futebol do Grêmio, Dênis Abrahão. Porém, é inegável que Abrahão não se presta a ser uma figura decorativa, e exerce seu cargo com ampla autoridade. A reafirmação dessa condição se deu, hoje, com o desmentido sobre uma possível contratação. O goleiro Fernando Miguel, de 35 anos, que jogou o Campeonato Brasileiro pelo Atlético Goianiense, mas pertence ao Vasco, teve sua contratação pelo Grêmio especulada pela imprensa, pois o clube desejaria contar com um jogador experiente para a posição. O jogador teria, também, a simpatia do técnico Vágner Mancini. Ouvido a respeito, Abrahão negou veementemente a informação e disse que o Grêmio não procura goleiros, pois conta com dois jovens estupendos para a posição. Sem dúvida, é uma notícia alentadora. Assim deve agir um vice-presidente de futebol. Cabe ao ocupante do cargo estabelecer a política de futebol do clube. O fato de o técnico indicar um jogador não significa que ele deva, necessariamente, ser contratado. Se Abrahão tivesse ocupado o cargo no tempo em que Renato era o técnico do Grêmio, muitas contratações erradas poderiam não ter ocorrido. A prioridade de Abrahão, por enquanto, é a contratação de centroavantes, no que está certíssimo. Com a devoluçào de Borja ao Palmeiras, e a dispensa de Diego Souza, o Grêmio só conta com o limitadíssimo Churin para a posição. A tarefa de evitar o rebaixamento do Grêmio no Campeonato Brasileiro não foi cumprida por Abrahão, que assumiu quando faltavam, apenas 14 jogos para o final da competição. Agora, iniciando um trabalho de reestruturação do grupo, terá a chance de mostrar sua competência.

sábado, 18 de dezembro de 2021

Falsa solução

O futebol brasileiro foi sacudido fortemente, hoje, com a notícia de que Ronaldo Fenômeno tornou-se o acionista majoritário do Cruzeiro, o primeiro clube brasileiro a se transformar numa emoresa. Na prática, Ronaldo, agora, é o dono do Cruzeiro, dando início a um modelo de administração há muito tempo existente na Europa. Aliás, Ronaldo já é proprietário de um clube europeu, o Valladolid, da Espanha. Os cronistas esportivos alinhados com os " modernos métodos de administração" ficaram em polvorosa com a novidade. Na sua estultice característica, acham que a privatização dos clubes é a grande saída para o futebol brasileiro. Parecem ignorar que o Valladolid, sob o controle de Ronaldo, está na Segunda Divisão da Espanha, ou seja, ter um proprietário não é garantia de sucesso esportivo. Na verdade, a transformação dos clubes em empresas é uma falsa solução. Mais uma vez, o Brasil mimetiza o que acontece no exterior, partindo do pressuposto de que é preciso copiar o modelo de países mais "evoluídos". Com o transcorrer do tempo, se constatará que, para os torcedores, razão de ser dos clubes, haverá pouco efeito prático em termos de resultados. Não tardará para que a nova configuração do futebol brasileiro caia em descrédito. Os problemas dos clubes nada têm a ver com o modelo pelo qual são geridos. Ter dono e vários ocupantes de cargos administrativos bem remunerados não garante o êxito esportivo de um clube, apenas favorece aqueles que tratam o futebol como um meio de obter lucros, sem nenhum compromisso com a paixão dos torcedores.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

A ilha da fantasia

Antes um esporte essencialmente popular, o futebol sofre um processo de acentuada elitização. Os estádios gigantescos foram encolhidos, como, por exemplo o Maracanã, ex-maior do mundo que, agora, tem um terço da sua capacidade original. Os novos estádios já são construídos com capacidade reduzida. Em ambos os casos, os espaços são demarcados, só há cadeiras. O torcedor mais pobre foi excluído dos estádios, só lhe resta assistir os jogos pela tevê e comemorar os títulos no espaço das ruas. Só nessa hora, a das grandes comemorações, é que os jogadores saem de suas bolhas e reverenciam o povão torcedor. No restante do tempo, deslumbrados com seus altos salários e os privilégios que desfrutam, ignoram o sentimento dos torcedores, como foi o caso de Douglas Costa, do Grêmio, que queria fazer uma festa luxuosa de casamento no Copacabana Palace na antevéspera do jogo que decidiria a permanência, ou não, do clube na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, o que, é óbvio, não foi autorizado. Censurado pela torcuia por sua postura, Douglas Costa respondeu com palavrões nas redes sociais. Vindos, na maioria, dos extratos menos favorecidos da sociedade, os jogadores obtém uma ascensão econômica extraordinária, e perdem o contato com a realidade das pessoas comuns. A ilha da fantasia em que se transformou o futebol fez dos jogadores meninos mimados e insensíveis ao sentimento dos torcedores. Desconectado da paixão popular, o futebol deixa de ser um esporte, e se torna, tão somente, num negócio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Braços cruzados

Embora as pesquisas sinalizem uma vitória de Luís Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2022, talvez no primeiro turno, não há razão para ser leniente com as ações absurdas do atual ocupante do cargo, Jair Bolsonsaro. O genocida não é uma carta fora do baralho, e ficar de braços cruzados diante de seus desmandos é uma atitude inaceitável, seja dos seus opositores ou do Poder Judiciário. Lula parece estar apostando todas as suas fichas em que Bolsonaro concorra na eleição, por isso, nunca apoiou a sua deposição. O Judiciário vê Bolsonaro praticar toda sorte de arbitrariedades e nada faz afora, eventualmente, rosnar com ameaças que não se transformam em medidas efetivas. O ex-capitào já interferiu, e admitiu isso publicamente, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), simplesmente porque o orgão contrariou os interesses de seu amigo e apoiador Luciano Hang, dono das Lojas Havan, e gabou-se de que, se for reeleito, terá 40% dos ministros do Supremo Tribunal Federal indicados por ele, Sabidamente, Bolsonaro e os tresloucados que lhe chamam de "mito" não terão limites na busca da reeleição. Deixar o barco correr e Bolsonaro concorrer novamente é uma atitude lesa-pátria. O Brasil não pode correr o risco de Bolsonaro ser reeleito. Lula e o PT erram ao preferir que Bolsonaro concorra normalmente, e a Justiça se limita a rosnar ameaças contra o sociopata, sem jamais as cumprir. Ainda há tempo de cessar com os malfeitos de Bolsonaro, depondo-o do cargo.