sexta-feira, 16 de julho de 2021
Desequilíbrios
Uma competição esportiva deve garantir o equilíbrio técnico da disputa, para impedir o favorecimento a qualquer dos participantes. Dessa forma, o regulamento e a fórmula de disputa não podem ser alterados com a competição em andamento. Por isso, certas notícias que tem sido veiculadas nas últimas horas merecem repúdio. O segundo jogo do Flamengo contra o Defensa y Justicia (ARG), pelas oitavas de final da Libertadores, será realizado no Mané Garrincha, com presença de público, ainda que reduzida. O clube brasileiro aproveitou a brecha criada pela Conmebol, que autorizou a volta do público aos estádios, com critérios estabelecidos pelas autoridades de cada país. Como o Distrito Federal aceitou a ideia de jogos com público, o que não ocorreu no Rio de Janeiro, o Flamengo, clube mandante, transferiu a partida do Maracanã para o Mané Garrincha. O problema é que o primeiro jogo, na Argentina, foi realizado sem a presença de público, o que gera uma falta de eqüidade no confronto. O prefeito de Porto Alegre já sinalizou que pretende autorizar a volta do público aos estádios, também em número reduzido. Com isso, os jogos do Grêmio contra a LDU, na Arena, pela Copa Sul-Americana, e do Inter, no Beira-Rio, pela Libertadores, repetiriam a mesma situação referida acima. Nessa tendência de desequilíbrios, cogita-se de adotar o VAR no segundo turno do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. O VAR já deveria ter sido adotado há muito tempo na série B, mas não durante o curso da competição. Não se pode alterar regulamentos ou procedimentos de uma competição durante a sua realização, pois isso fere a sua lisura, manchando a legitimidade dos seus resultados.
quinta-feira, 15 de julho de 2021
Péssimo futebol
Um jogo de nível técnico baixíssimo, pior do que pudesse esperar o torcedor menos otimista. Hoje, o Inter empatou em 0 x 0 com o Olímpia, no Estádio Manuel Ferreira, em Assunção. pelas oitavas de final da Libertadores, num jogo em que o péssimo futebol foi a tônica. Uma partida de um confronto que reúne cinco títulos da competição, não poderia ser tão mal jogada. O primeiro tempo, especialmente, foi horroroso, praticamente sem chances de gol para nenhum dos lados. No segundo, Inter e Olímpia mostraram mais ímpeto ofensivo, especialmente o clube paraguaio. Se tivesse de haver um vencedor no jogo, seria o Olímpia, que perdeu, pelo menos, dois gols feitos. Com o empate, o Inter deverá confirmar o seu favoritismo no segundo jogo, no Beira-Rio. Porém, pelo futebol que apresentaram, não só hoje, mas na disputa, até aqui, seja quem for o classificado para as quartas de final, não deverá ter chances contra o vencedor do confronto entre Flamengo e Defensa y Justicia (ARG).
quarta-feira, 14 de julho de 2021
A doença de Bolsonaro
Popularidade derretendo, denúncias de corrupção se avolumando, filhos envolvidos em negócios escusos, protestos contra o governo levando multidões para as ruas. Assim têm transcorrido os dias do presidente Jair Bolsonaro. Sua tensão diante do momento tem sido evidente. Em situações semelhantes, o ex-capitão lançou mão de táticas diversionistas variadas, e procurou apelar à emoção de seus apoiadores, posando de mártir. A exemplo do que ocorreu com o episódio da facada, que lhe foi extremamente conveniente, Bolsonaro, agora, apela novamente para a emoção do público, visando desviar a atençào dos deslizes do seu governo. A doença de Bolsonaro pode até existir, mas surgiu num momento em que o presidente genocida precisa buscar a comoção popular em torno do seu nome. A divulgação de fotos de Bolsonaro numa cama de hospital, com ar abatido, evidencia essa intenção. A possibilidade de uma cirurgia para desobstrução intestinal já foi afastada, e o vice-presidente, Hamilton Mourão viajou para Angola. Esses fatos deixam claro que o estado de saúde de Bolsonaro não é grave. Poŕém, sua internação irá se prolongar para que desperte os sentimentos do público em torno do seu nome. Não irá adiantar. A imagem de Bolsonaro vem se desgastando a cada dia. Seu governo nào tem mais futuro.
terça-feira, 13 de julho de 2021
O reencontro com a vitória
Nove jogos sem ganhar. Eis o retrospecto terrível do Grêmio até hoje, quando venceu a LDU por 1 x 0, no Casablanca, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana, e obteve o reencontro com a vitória. Não foi uma grande atuação do Grêmio, mas houve maturidade e aplicação para a manutenção do resultado, depois de marcar o gol aos 18 minutos do primeiro tempo. Jean Pyerre foi o melhor jogador em campo, fazendo um belo cruzamento para o gol de cabeça de Léo Pereira, e mantendo um bom desempenho ao longo da partida. Gabriel Chapecó jogou bem, novamente, e Kannemann e Ruan tambem fizeram boas apresentações. Bruno Cortez e Alisson, mais uma vez, destoaram dos demais, e precisam dar lugar a outras opções. O resultado deixa a classificação do Grêmio para as quartas de final muito bem encaminhada, mas, sobretudo, alivia o ambiente de um clube em crise por ocupar a lanterna do Campeonato Brasileiro. Há muito trabalho a se fazer para que o Grêmio consiga reaver o seu futebol, mas a vitória de hoje melhora o estado anímico do grupo, trazendo a esperança de uma recuperação no Brasileirão.
segunda-feira, 12 de julho de 2021
O sonho realizado de Renato
Depois de um período sabático iniciado em abril, quando deixou o Grêmio, o técnico Renato já tem novo emprego. Mais do que um novo clube, é o sonho realizado de Renato. O técnico nunca escondeu que tinha vontade de treinar o Flamengo, o que, agora, se concretizou. Renato conquistou títulos importantes pelo Flamengo como jogador, e terá a tarefa de repetir o feito como técnico. Porém, Renato tem de estar consciente de que, no Flamengo, não terá a mesma condescendência para seus erros de que gozava no Grêmio. Por ser, indiscutivelmente, o maior jogador da história do Grêmio, o que levou-o a ganhar uma estátua em sua homenagem, Renato tem, junto à torcida do clube, um crédito que nenhum outro técnico jamais possuirá. No Flamengo, embora tenha a simpatia de muitos torcedores, Renato não contará com esse fator, e será questionado diante de qualquer tropeço. Afora isso, ao ter em mãos o melhor grupo de jogadores do Brasil, num clube com boa capacidade de investimento, Renato não poderá se utilizar da desculpa, dada muitas vezes em seus tempos de Grêmio, de que a obrigação de ganhar é de clubes que tem R$ 200 milhões para gastar em reforços. Agora, Renato terá de corresponder, com vitórias e títulos, ao maior poder de investimento de seu novo empregador. Na sua entrevista de apresentação, hoje, Renato disse que o Flamengo equivale, em importância, à Seleçào Brasileira. Um exagero típico de Renato, mas que aumenta ainda mais a sua responsabilidade, pois se o Flamengo tem melhores jogadores, e uma grandeza tamanha, a cobrança por títulos será feita na mesma proporção.
domingo, 11 de julho de 2021
A marca do fracasso
A Inglaterra tem atribuída a si a condição de país que inventou o futebol. Seus principais clubes conquistaram relevância internacional. O Liverpool, por exemplo, é o terceiro maior vencedor da Champions League, com seis títulos. Porém, a Seleção da Inglaterra nunca conseguiu esse mesmo êxito. Seu único título foi o da Copa do Mundo de 1966, que jogou em casa, contando com um erro de arbitragem a seu favor na decisão contra a Alemanha. Em Eurocopas, a Inglaterra nunca obteve o título, e nas Copas do Mundo jamais tornou a chegsr na decisão. Hoje, essa trajetória de fracassos tinha tudo para chegar ao fim. A Inglaterra decidia, contra a Itália, num Wembley quase lotado, a Eurocopa de 2020, postergada para 2021. Com um minuto e meio de jogo, a Inglaterra abriu o placar, o que reforçou a ideia de que esse histórico de insucessos acabaria. No entanto, a Itália empatou, o jogo foi para a prorrogação, terminou com o resultado de 1 x 1, e a decisão ficou para os tiros livres da marca do pênalti, com a Inglaterra sofrendo, mais uma vez, com a marca do fracasso. Com uma boa geração de jogadores, a Inglaterra prometia chegar ao seu segundo título, mas ele acabou escapando por entre os dedos.
sábado, 10 de julho de 2021
Derrota dolorosa
No futebol, a pior derrota é a que ocorre para o maior rival. Hoje, no Maracanâ, a Seleção Brasileira perdeu por 1 x 0 para a Argentina, na decisão da Copa América. Foi a primeira vez que a Seleção Brasileira perdeu essa competição dentro de casa. A conquista encerrou um jejum de 28 anos sem titulos da Argentina, desde 1993, quando foi campeã da mesma disputa. Messi ganhou seu primeiro título pela Argentina, e se mostrou extremamente emocionado. Neymar, em contrapartida, ficou abalado, chorando muito. Pior que a perda do título em si, é perceber que a Seleção, sob a orientação do técnico Tite, não demonstra evolução desde a Copa de 2018, na Rússia. Tite comete erros nas convocações, insiste com jogadores que não dão resposta, como Gabriel Jesus, que hoje estava suspenso, Roberto Firmino e Fred, enquanto relega ao banco nomes como Gabigol e Vinicius Júnior. Gérson sequer foi convocado, e deveria ser titular absoluto. Foi uma derrota dolorosa, e a teimosia de Tite, sua dificuldade em escalar os melhores, insistindo com seus preferidos, não aponta para uma perspectiva mais positiva.
Empate emblemático
A aflitiva situação de Grêmio e Inter no Campeonato Brasileiro foi bem caracterizada hoje. Grêmio e Inter empataram em 0 x 0, na Arena, num jogo de pouco futebol, e emoções também escassas. Embora houvesse quem acreditasse num jogo de muitos gols e em busca incessante pela vitória, de ambos os lados, essa expectativa não era razoável. A má atuação do Grêmio contra o Palmeiras, com uma leve melhora no segundo tempo, e a péssima exibição do Inter durante todo o jogo diante do São Paulo, não autorizavam a que se esperasse uma melhora substancial de ambos, apenas três dias depois. Foi um empate emblemático. O Gre-Nal foi tecnicamente fraco, com poucos destaques individuais. O técnico do Grêmio, Felipão, que estreava, surpreendeu positivamente na escalação ao colocar Fernando Henrique no meio de campo, mas decepcionou ao reaproveitar Bruno Cortez e Alisson, dois jogadores que já deveriam ter encerrado, há muito tempo, o seu ciclo no clube. Bruno Cortez, mais uma vez, foi comprometedor, e Alisson, uma nulidade absoluta. Gabriel Chapecó, com grandes defesas, e Kannemann, foram os destaques do Grêmio. Geromel e Douglas Costa tiveram desempenhos medianos. Os demais jogadores ficaram muito abaixo das expectativas. Fernando Henrique nào mostrou o que dele se esperava, Victor Bobsin ainda não justificou a sua titularidade, Ferreira voltou a ter uma apresentação opaca, Rafinha e Diego Souza, novamente, foram pouco produtivos. No Inter, Yuri Alberto foi o melhor, só não marcando gols devido às defesas de Gabriel Chapecó. Taison sentiu o ritmo do jogo e saiu no intervalo. Os demais jogadores pouco fizeram de relevante. Pelo que mostraram, Grêmio e Inter terão muita dificuldade para sair do atoleiro técnico em que se encontram.
sexta-feira, 9 de julho de 2021
Vira-latice
São muitas as razões que levam um país como o Brasil a não atingir os graus de desenvolvimento e prosperidade correspondentes à sua condição de quinto maior do mundo em extensão territorial, e abundante em recursos naturais. Uma delas é o desamor que os brasileiros tem pelo seu próprio país, e que alimenta o "complexo de vira-lata", tão bem definido por Nélson Rodrigues. A auto-estima do brasileiro, historicamente, é baixíssima. A execrável classe média brasileira, tão bem descrita em suas características repulsivas por Marilena Chauí, ocupa o seu tempo a maldizer o país e seu povo, como se dele não fizesse parte. São pessoas que comem carne moída e arrotam peru, muitas delas viajando anualmente para os Estados Unidos, sua ideia de paraíso, onde batem ponto na Disneýworld e tiram fotos com um homem vestido de Mickey. Esse caldo de cultura é que explica a absurda preferência de muitos brasileiros pela vitória da Argentina sobre a Seleção Brasileira, amanhã, na decisão da Copa América. Nada justifica essa postura. As pessoas podem ter perdido a identificação com a Seleção, ao longo dos anos, pelos mais variados motivos. A Seleçào faz poucas partidas dentro do país, os jogadores que a integram, na sua maioria, atuam no exterior, o que dificulta a identificação com o torcedor, a CBF, instituição responsável por ela, chafurda na corrupção, seu grande craque, Neymar, é um narcisista sem carisma. Porém, nada disso justifica torcer contra a Seleção e, pior, a favor da Argentina, sua maior rival. Se essa posição é lamentável no que tange ao cidadão comum, torna-se intolerável por parte de jornalistas. A Seleção, embora a tentativa de apropriação pelos bolsonaristas, não pertence ao presidente genocida. Neymar é uma "mala", mas isso não autoriza a que brasileiros, por acharem Messi mais simpático, torçam pela Argentina. Pode-se admitir que muitos sejam indiferentes á Seleção, pelas mais variadas alegações. No entanto, torcer contra a equipe do seu próprio país é inaceitável. Na Eurocopa, que se encerrará domingo, as torcidas têm dado um exemplo comovente de amor pelas seleções de seus países. Os brasileiros deveriam se orientar por esse bom exemplo. A vira-latice do povo brasileiro precisa ser eliminada.
quinta-feira, 8 de julho de 2021
Agenda folgada
O presidente genocida Jair Bolsonaro gastou 50 minutos de seu tempo na manhã de hoje conversando com apoiadores na porta do Palácio do Planalto. Durante esse período, falou, novamente, sobre fraude nas eleições, contou piadas, e justificou sua disponibilidade por que estava com a "agenda folgada". Sim, é isso mesmo. Num país onde a pandemia de coronavírus segue sem previsão de acabar e, até agora, já causou mais de 500 mil vítimas fatais, o presidente se declara com uma agenda folgada! Porém, na verdade, isso não deveria espantar ninguém, pois Bolsonaro não governa o país, na acepção do termo. O ex-capitão não tem condição intelectual nem aptidào para fazê-lo. Mentalmente limitado, inculto, despreparado para funções administrativas, ocioso por natureza, Bolsonaro usa o cargo, apenas, para satisfazer sua vaidade pessoal e blindar as próprias falcatruas e as de seus filhos. O que esse episódio deixa claro, para quem ainda não tivesse percebido, é que o Brasil está acéfalo, não há um presidente que exerça o cargo dentro das atribuições que lhe são próprias. Some-se a isso os vários crimes, devidamente tipificados, praticados por Bolsonaro, e se vê o quanto é desastroso para o Brasil cada novo dia que ele permanece no cargo. Há mais de 100 pedidos de impeachment que seguem ignorados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aliado político de Bolsonaro. Diante desse quadro, o país caminha para um futuro desastroso, onde só restarão escombros.
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