sábado, 28 de novembro de 2020
Um filme de terror
Havia uma tênue esperança de que o tempo maior para treinar e descansar devido ao adiamento do jogo contra o Boca Juniors, pela Libertadores, pudesse proporcionar uma melhora no futebol jogado pelo Inter. Não foi o que se viu, hoje, no empate de 0 x 0 do Inter com o Atlético Goianiense, no Estádio Antônio Acioly, em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro. Pelo contrário. O que se assistiu foi um filme de terror, em que o Inter deu prosseguimento à sua péssima fase. Mesmo jogando um futebol horroroso, o Inter teve duas chances para marcar, mas desperdiçou ambas. A primeira, num pênalti, cobrado por Thiago Galhardo. A outra, numa incrível falha da defesa adversária, que o goleiro Jean evitou que se transformasse em gol. Agora, já são seis jogos sem vitória do Inter no Brasileirão. Embora ainda tenha permanecido em quarto lugar, o Inter poderá ser superado pelo Fluminense, caso o clube carioca vença o Red Bull Bragantino, na segunda-feira. A queda do Inter parece incontrolável, pois não se notam sinais de reação.
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Os 50 anos de All Things Must Pass
Na data de hoje, em 1970, era lançado um disco que se tornaria histórico. Chegava ao público "All Things Must Pass", o primeiro disco solo de George Harrison após a dissolução dos Beatles. George já tinha lançado dois trabalhos individuais ainda como membro dos Beatles, mas eram projetos especiais, sem maior apelo comercial. "All Things Must Pass", ao contrário, se tornaria um sucesso retumbante. Foi o primeiro álbum triplo lançado por um artista solo. Com muitas músicas compostas que não conseguira incluir nos discos dos Beatles, George reuniu parte desse material num magnífico trabalho. O disco foi co-produzido por George e pelo renomado Phil Spector, e contou com participações ilustres como as do também ex-beatle Ringo Starr, Eric Clapton, e o grupo Badfinger. Nos Estados Unidos, o álbum ficou sete semanas em primeiro lugar, e sua excepcional vendagem lhe rendeu seis discos de platina. O single extraído do álbum com a música "My Sweet Lord" atingiu, igualmente, o topo das paradas. São muitas as pérolas contidas no disco. "I'd Have You Anytime", uma parceria de George com Bob Dylan, "What is Life?" "Isn't a Pitty", "Behind That a Locked Door", entre outras. Para os que já a conhecem, é uma obra para ser constantemente ouvida, por ser atemporal. Os mais novos poderão tomar contato com ela, por ocasião das comemorações do aniversário histórico. Os 50 anos de "All Things Must Pass" merecem ser efusivamente celebrados.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Com um pé na classificação
O resultado do Grêmio contra o Guarani do Paraguai, hoje, no Defensores del Chaco, pelas oitavas de final da Libertadores, foi melhor do que se esperava. A vitória por 2 x 0 deixou o Grêmio com um pé na classificação para as quartas de final. O Grêmio é o favorito do confronto, mas, fora de casa, pensava-se que pudesse ser mais exigido, o que não de confirmou. A superioridade do Grêmio se fez sentir durante todo o jogo. No primeiro tempo, faltou precisão para transformar esse predomínio em gols. O segundo mostrou um Grêmio mais determinado, e com grandes atuações individuais. Jean Pyerre e Pepê , pela ordem, não apenas marcaram os gols como jogaram demais. Foram os dois melhores jogadores da partida. Destaque, também, para Vanderlei, com duas grandes defesas, e Churin, pelo passe para o segundo gol. Bem nas três competições que disputa, o Grêmio vê as possibilidades de ganhar títulos se ampliarem a cada dia.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Maradona
A morte de Maradona, hoje, aos 60 anos, não pode ser encarada com surpresa. Há muitos anos, sua saúde vinha se deteriorando, como resultado do abuso de álcool e drogas. Maradona já havia tido duas overdoses, enfrentado problemas cardíacos, sofrido com o excesso de peso por várias vezes e, recentemente, realizara uma cirurgia no cérebro. Ainda assim, a notícia do seu falecimento, no início da tarde de hoje, vítima de uma parada cárdio-respiratória, deixou o mundo do futebol em estado de choque. Não foi apenas uma celebridade que morreu. Foi um mito. Um gênio. O segundo maior jogador de futebol de todos os tempos. O jogador que ganhou uma Copa do Mundo "sozinho", em 1986. Naquela Copa, contra a Inglaterra, Maradona fez os dois gols da Argentina na vitória por 2 x 0. Num deles, marcou com a mão. O outro é considerado o gol mais bonito da história das Copas, com Maradona partindo a dribles desde antes da linha divisória até o chute para a rede. Nada que Maradona tenha feito em sua vida pessoal, e não foram poucas as atitudes equivocadas que tomou, irá deslustrar o que fez com a bola nos pés. Para os amantes do futebol, deixa uma saudade gigantesca, de um gênio representativo do futebol na sua essência, lúdico e encantador, que exalta o talento individual, em vez de apostar no mecanicismo coletivo. Para quem teve o privilégio de testemunhar sua trajetória, só resta agradecer. Obrigado, Maradona!
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Trump admitiu o óbvio
Enquanto alguns lunáticos brasileiros ainda continuam a sustentar que Joe Biden "está tentando" fraudar a eleição, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente, jogou a toalha. O arrogante Trump admitiu o óbvio, ou seja, que Biden ganhou o pleito e é o presidente eleito dos Estados Unidos. Dessa forma, Trump irá iniciar a transição para o novo governo. Desde o início, sabia-se que o esperneio de Trump, negando-se a reconhecer a derrota, era puro jogo de cena, de resultado inócuo. A partir de agora, se estabelece a expectativa sobre como reagirá o governo brasileiro a saída confirmada de Trump, o grande ídolo do presidente Jair Bolsonaro. Biden já sinalizou que irá jogar duro na questão da preservação da Amazônia. Se nunca obteve nenhuma vantagem com seu proclamado apoio a Trump, Bolsonaro poderá ter muitos dissabores com Biden. A presença, no governo brasileiro, de figuras como os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, só tende a tornar as relações entre os dois países ainda mais tensas. O bolsonarismo, assim como o trumpismo, caminha para o seu final.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Desalento
O Inter vive uma situação dramática. Ontem, perdeu por 2 x 1 para o Fluminense, de virada, no Beira-Rio. Com isso, terminou a invencibilidade do Inter em casa no Campeonato Brasileiro, e já são cinco jogos seguidos sem vitórias na competição. O momento, sem dúvida, é de desalento no Inter, que não consegue reagir. Ontem, o Inter até não jogou mal, e saiu na frente no placar, mas acomodou-se com a vantagem magra, e cedeu o empate. A partir daí, tentou buscar novamente a vitória, mas com o Fluminense motivado pelo gol que marcara,sofreu a virada. Agora, o Inter irá jogar, quarta-feira, contra o Boca Juniors, novamente no Beira-Rio, pelas oitavas de final da Libertadores. Perspectiva de mais dificuldades para um clube tomado pelo desânimo.
Pagando mico
O Grêmio poderia ter dado um salto na classificação do Campeonato Brasileiro, caso vencesse o Corinthians, ontem, no Itaquerão. Havia um amplo favoritismo do Grêmio no jogo, pois seu bom futebol tinha voltado nas partidas mais recentes, e o Corinthians luta para se afastar da zona de rebaixamento. Porém, nada se mostrou como o esperado. Mesmo com o Corinthians tendo dois jogadores expulsos, um deles ainda no primeiro tempo, o Grêmio não conseguiu marcar um gol sequer. Pior do que isso, a maior chance de gol do jogo foi do Corinthians, quando já estava com apenas nove jogadores. O técnico do Grêmio, Renato, cometeu muitos erros. Primeiro, ao posicionar Jean Pyerre mais atrás, como se fosse um volante, diminuindo sua contribuição como articulador e homem que se soma ao ataque. Depois, ao fazer as substituições, retirando o poder de criação e apostando na bola aérea. Numa rodada em que Santos e Palmeiras perderam, o Grêmio não aproveitou a chance de ficar na frente dos dois. Permaneceu em oitavo lugar na classificação, com apenas oito vitórias, reduzindo suas chances de brigar pelo título, "pagando mico" diante de um adversário com dois jogadores a menos.
Procedimento habitual
A direita se viu aturdida com a repercussão do brutal assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, na última quinta-feira, numa das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre. O fato repercutiu em jornais do mundo inteiro, e gerou, até, uma declaração do piloto inglês Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, revelando todo o seu abatimento com o ocorrido.A primeira reação dos fascistas, ontem abordada nesse espaço,foi negar que se tratasse de um ato racista. Hoje,um outro procedimento habitual da direita entrou em cena. Não podendo negar a monstruosidade do crime, procurou-se enxovalhar a conduta de João Alberto, alegando que possuía uma extensa ficha policial, transformando,dessa forma, a vítima em réu. Um costume antigo e asqueroso da direita,mas que não irá surtir efeito.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
Assassinato emblemático
Não poderia haver um fato mais simbólico de uma situação que as vozes oficiais do país, ao longo da história, insistem em negar. O assassinato, ontem, de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado por seguranças de uma das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre, escancara o racismo existente no país. Tão revoltante quanto a morte brutal de João Alberto foram as declarações sobre o fato do jornalista ultrafascista Rodrigo Constantino e do vice-presidente Hamilton Mourão, que disseram que o crime não tem nenhuma conexão com o racismo, pois sustentam ambos, isso não existe no Brasil. Ao contrário do que afirmam Constantino e Mourão, o racismo existe, sim, no Brasil, e é gigantesco. O que aconteceu ontem foi um assassinato emblemático, já que ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, hoje comemorado, data que é feriado estadual em várias unidades da federação. Não é por acaso que o fato tenha ocorrido no Rio Grande do Sul, um dos estados que sempre se recusou a adotar o feriado na data. Proposições nesse sentido foram sistematicamente rejeitadas pela Assembleia Legislativa local. Os negacionistas Constantino e Mourão entendem que estão tentando importar o movimento ocorrido nos Estados Unidos em função do assassinato de George Floyd, sem que haja racismo no Brasil. Claramente, os dois temem a repetição, no Brasil, do que ocorreu na terra de Tio Sam. A morte de Floyd, certamente, foi um dos fatores que contribuíram para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se reelegesse. As recentes eleições municipais no Brasil, com homens e mulheres da etnia negra obtendo cadeiras nas câmaras de vereadores, e o fracasso de candidatos a prefeito apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, sinalizam os ventos da mudança. As falas de Constantino e Mourão são o berro de quem sente que os ventos estão mudando de lado, e que a sorte de Bolsonaro não será diferente da de Trump. O assassinato covarde e abjeto de João Alberto não será em vão. A partir de um ato tão repugnante, um novo Brasil começará a surgir. A aventura fascista no país irá desmoronar.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Diferenças
O Brasil,lamentavelmente, não segue os bons exemplos de seus vizinhos. Argentina e Uruguai também enfrentaram ditaduras militares, mas souberam punir os responsáveis para evitar que o mal se repita. No Brasil, a ditadura segue sendo negada por seus artífices, que permanecem impunes. Na economia, não é diferente. A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a criação de um imposto sobre grandes fortunas. O projeto ainda terá de ser votado pelo Senado daquele país. No Brasil, a ideia é rejeitada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sob o argumento de que geraria fuga de investidores do país. O mesmo Guedes insiste no retorno da CPMF, o que ninguém deseja, e quer criar um imposto sobre o PIX, modalidade de pagamento bancário recém criada. Guedes só pensa em onerar as pessoas e defender o grande empresariado. As diferenças entre o Brasil e seus vizinhos mostram o quanto é preciso avançar para que o país seja menos injusto e desigual. Em vez de minorar o desastroso quadro social do país, é seguida uma cartilha neoliberal importada dos Estados Unidos que só gera mais miséria. O brasileiro precisa se dar conta dessa realidade antes de escolher a quem dar o seu voto, ou essa situação nunca irá mudar.
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