segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Desalento
O Inter vive uma situação dramática. Ontem, perdeu por 2 x 1 para o Fluminense, de virada, no Beira-Rio. Com isso, terminou a invencibilidade do Inter em casa no Campeonato Brasileiro, e já são cinco jogos seguidos sem vitórias na competição. O momento, sem dúvida, é de desalento no Inter, que não consegue reagir. Ontem, o Inter até não jogou mal, e saiu na frente no placar, mas acomodou-se com a vantagem magra, e cedeu o empate. A partir daí, tentou buscar novamente a vitória, mas com o Fluminense motivado pelo gol que marcara,sofreu a virada. Agora, o Inter irá jogar, quarta-feira, contra o Boca Juniors, novamente no Beira-Rio, pelas oitavas de final da Libertadores. Perspectiva de mais dificuldades para um clube tomado pelo desânimo.
Pagando mico
O Grêmio poderia ter dado um salto na classificação do Campeonato Brasileiro, caso vencesse o Corinthians, ontem, no Itaquerão. Havia um amplo favoritismo do Grêmio no jogo, pois seu bom futebol tinha voltado nas partidas mais recentes, e o Corinthians luta para se afastar da zona de rebaixamento. Porém, nada se mostrou como o esperado. Mesmo com o Corinthians tendo dois jogadores expulsos, um deles ainda no primeiro tempo, o Grêmio não conseguiu marcar um gol sequer. Pior do que isso, a maior chance de gol do jogo foi do Corinthians, quando já estava com apenas nove jogadores. O técnico do Grêmio, Renato, cometeu muitos erros. Primeiro, ao posicionar Jean Pyerre mais atrás, como se fosse um volante, diminuindo sua contribuição como articulador e homem que se soma ao ataque. Depois, ao fazer as substituições, retirando o poder de criação e apostando na bola aérea. Numa rodada em que Santos e Palmeiras perderam, o Grêmio não aproveitou a chance de ficar na frente dos dois. Permaneceu em oitavo lugar na classificação, com apenas oito vitórias, reduzindo suas chances de brigar pelo título, "pagando mico" diante de um adversário com dois jogadores a menos.
Procedimento habitual
A direita se viu aturdida com a repercussão do brutal assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, na última quinta-feira, numa das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre. O fato repercutiu em jornais do mundo inteiro, e gerou, até, uma declaração do piloto inglês Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, revelando todo o seu abatimento com o ocorrido.A primeira reação dos fascistas, ontem abordada nesse espaço,foi negar que se tratasse de um ato racista. Hoje,um outro procedimento habitual da direita entrou em cena. Não podendo negar a monstruosidade do crime, procurou-se enxovalhar a conduta de João Alberto, alegando que possuía uma extensa ficha policial, transformando,dessa forma, a vítima em réu. Um costume antigo e asqueroso da direita,mas que não irá surtir efeito.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
Assassinato emblemático
Não poderia haver um fato mais simbólico de uma situação que as vozes oficiais do país, ao longo da história, insistem em negar. O assassinato, ontem, de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado por seguranças de uma das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre, escancara o racismo existente no país. Tão revoltante quanto a morte brutal de João Alberto foram as declarações sobre o fato do jornalista ultrafascista Rodrigo Constantino e do vice-presidente Hamilton Mourão, que disseram que o crime não tem nenhuma conexão com o racismo, pois sustentam ambos, isso não existe no Brasil. Ao contrário do que afirmam Constantino e Mourão, o racismo existe, sim, no Brasil, e é gigantesco. O que aconteceu ontem foi um assassinato emblemático, já que ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, hoje comemorado, data que é feriado estadual em várias unidades da federação. Não é por acaso que o fato tenha ocorrido no Rio Grande do Sul, um dos estados que sempre se recusou a adotar o feriado na data. Proposições nesse sentido foram sistematicamente rejeitadas pela Assembleia Legislativa local. Os negacionistas Constantino e Mourão entendem que estão tentando importar o movimento ocorrido nos Estados Unidos em função do assassinato de George Floyd, sem que haja racismo no Brasil. Claramente, os dois temem a repetição, no Brasil, do que ocorreu na terra de Tio Sam. A morte de Floyd, certamente, foi um dos fatores que contribuíram para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se reelegesse. As recentes eleições municipais no Brasil, com homens e mulheres da etnia negra obtendo cadeiras nas câmaras de vereadores, e o fracasso de candidatos a prefeito apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, sinalizam os ventos da mudança. As falas de Constantino e Mourão são o berro de quem sente que os ventos estão mudando de lado, e que a sorte de Bolsonaro não será diferente da de Trump. O assassinato covarde e abjeto de João Alberto não será em vão. A partir de um ato tão repugnante, um novo Brasil começará a surgir. A aventura fascista no país irá desmoronar.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Diferenças
O Brasil,lamentavelmente, não segue os bons exemplos de seus vizinhos. Argentina e Uruguai também enfrentaram ditaduras militares, mas souberam punir os responsáveis para evitar que o mal se repita. No Brasil, a ditadura segue sendo negada por seus artífices, que permanecem impunes. Na economia, não é diferente. A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a criação de um imposto sobre grandes fortunas. O projeto ainda terá de ser votado pelo Senado daquele país. No Brasil, a ideia é rejeitada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sob o argumento de que geraria fuga de investidores do país. O mesmo Guedes insiste no retorno da CPMF, o que ninguém deseja, e quer criar um imposto sobre o PIX, modalidade de pagamento bancário recém criada. Guedes só pensa em onerar as pessoas e defender o grande empresariado. As diferenças entre o Brasil e seus vizinhos mostram o quanto é preciso avançar para que o país seja menos injusto e desigual. Em vez de minorar o desastroso quadro social do país, é seguida uma cartilha neoliberal importada dos Estados Unidos que só gera mais miséria. O brasileiro precisa se dar conta dessa realidade antes de escolher a quem dar o seu voto, ou essa situação nunca irá mudar.
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Eliminação cruel
A desclassificação do Inter nas quartas de final da Copa do Brasil era, de certa forma, esperada. Porém, ao vencer o América Mineiro, hoje, no Independência, por 1 x 0, com um gol aos 49 minutos do segundo tempo, e perder na cobrança de tiros livres da marca do pênalti, o Inter teve uma eliminação cruel. O torcedor, que já estava desesperançado com o que via, criou novo ânimo após o gol marcado poucos segundos antes do encerramento do jogo. No entanto, foi apenas uma postergação do sofrimento. A derrota nos tiros livres, que já estava nas cobranças alternadas, tirou o Inter da competição. O Inter foi desclassificado por um clube da Segunda Divisão, e isso torna o fato ainda mais doloroso para o torcedor. O futuro imediato do Inter não parece nada animador.
Bom futebol
Mais uma boa atuação. Esse foi o destaque na vitória do Grêmio por 2 x 0 sobre o Cuiabá, hoje, na Arena, pelas quartas de final da Copa do Brasil. A classificação para as semifinais estava virtualmente garantida, após a vitória por 2 x 1 no primeiro jogo, fora de casa. A curiosidade, portanto, era saber se o Grêmio iria repetir o bom futebol exibido nos jogos mais recentes. Repetiu. Jean Pyerre, novamente, teve um desempenho exuberante. Matheus Henrique e Darlan jogaram muito bem. Pepê também jogou em alto nível. Diego Souza marcou os dois gols do jogo. O Grêmio está crescendo na hora certa, com boas perspectivas em todas as três competições que disputa.
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Vitória tranquila
Foi melhor do que se esperava. Num jogo que se projetava como difícil, a Seleção Brasileira venceu o Uruguai por 2 x 0, no Centenário, pelas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2022, no Catar,com gols marcados ainda no primeiro tempo. Sem fazer uma atuação brilhante, a Seleção teve uma vitória tranquila, e ganhou com naturalidade, sem sofrer maiores ameaças. A verdade é que, mesmo sem jogar um futebol brilhante, a Seleção sobra em relação aos seus adversários sul-americanos. Na edição anterior das Eliminatórias, para a Copa de 2018, a Seleção, depois de uma má campanha com o técnico Dunga, deslanchou após sua substituição por Tite. De lá para cá, segue se impondo sobre as demais seleções sul-americanas. O problema é o enfrentamento com seleções europeias, que, praticamente ficou inviabilizado pelo calendário do Velho Continente, desde a última Copa. A Seleção corre o risco de chegar no Catar sem parâmetro no enfrentamento com os europeus. Em 2018, isso já lhe custou caro.
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
A boa notícia das eleições
Se apresentaram como fator negativo a vitória de candidatos "centristas" e velhos caciques da política, as eleições.municipais realizadas ontem também tiveram fatos positivos para serem destacados. A boa notícia das eleições que mais se sobressai é o fracasso rotundo do.presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral. A maioria dos candidatos apoiados pelo ex-capitão foi rejeitada nas urnas. Ao saber disso, Bolsonaro tratou de apagar suas postagens de apoio aos candidatos fracassados. A força do bolsonarismo se esvaiu em apenas dois anos. Se a esquerda ainda encontra resistências de uma parte dos eleitores, a popularidade de Bolsonaro está derretendo. Há, portanto, um vácuo que, nesse momento, está, indesejavelmente, sendo ocupado por políticos do chamado "centrão", de tão triste práticas. O caminho para uma vitória da esquerda em 2022 é árduo, mas existe. O processo de conquista do eleitor tem de começar o quanto antes. Não há tempo a perder.
domingo, 15 de novembro de 2020
Voto insensato
O eleitorado brasileiro confirmou, mais uma vez, sua triste tendência para o conservadorismo. A lição sobre o desatino que foi a eleição do insano Jair Bolsonaro para presidente, pelo visto, não foi aprendida pelos eleitores nos pleitos municipais realizados hoje. Se é verdade que os candidatos apoiados por Bolsonaro, em geral, fracassaram, evidenciando a perda de popularidade do ex-capitão, a preferência dos eleitores, na maioria dos casos, foi por nomes de uma direita mais "suave" ou, até mesmo, de centro. A esquerda, no entanto, foi pouco votada. Foi o que se pode definir como um voto insensato. Num país de enorme crise econômica, vivendo a omissão do governo federal no enfrentamento à pandemia de coronavírus, com direitos trabalhistas sendo surrupiados, a Previdência Social sendo desmontada, o povo escolhe eleger seus algozes, e recusa a mudança que só os candidatos de esquerda poderiam promover. Como bem conceituou o célebre escritor Lima Barreto, o Brasil não tem povo, apenas público. Sem dúvida, pois um povo luta por seus direitos, enquanto o público assiste passivamente à destruição dos mesmos.
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