quarta-feira, 9 de setembro de 2020
O arrependimento de FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é uma das figuras mais lastimáveis da política brasileira. Sociólogo reconhecido, perseguido pelo regime militar, fez um governo de direita, alinhado com os interesses da plutocracia do pais, vendendo patrimônio público em troca de moedas podres. Agora, muitos anos depois de deixar o poder, declarou estar arrependido de ter implantado o instituto da reeleição no Brasil, por entender que os governantes fazem de tudo para obter a renovação do mandato. A constatação é óbvia, mas isso não faz da reeleição um mal em si, já que outros países também a adotam. O problema maior é que FHC, para obter a aprovação da medida, comprou duzentos deputados federais, e agiu em proveito próprio, pois queria ter um segundo mandato. Um governante pode propor mudanças dessa natureza, mas apenas visando mandatos futuros, já que, quando foi eleito, a regra era outra. Estabelecer a reeleição para ser o seu primeiro beneficiário constitui um casuísmo eleitoral repulsivo. O arrependimento de FHC é um ato cínico, e tardio. O ex-presidente é um retrato fiel da asquerosa elite brasileira. Polido, de fala mansa, esconde por trás da aparência refinada um lobo em pele de cordeiro. O melhor que poderia fazer pelo país seria recolher-se ao silêncio.
terça-feira, 8 de setembro de 2020
Cristiano Ronaldo ainda faz a diferença
A atuação de Cristiano Ronaldo, hoje, no jogo Portugal 2 x 0 Suécia, pela Nations League, chamou a atenção. Ele fez dois golaços, que definiram o placar. Com 35 anos, já está numa idade em que os jogadores encaminham o final da carreira. Porém, Cristiano Ronaldo ainda faz a diferença. Maior expressão técnica da seleção de Portugal, conduziu-a aos títulos da Eurocopa de 2016 e da Nations League 2018/2019. Se no Juventus não conseguiu, até agora, o mesmo êxito que obteve no Real Madrid, onde ganhou várias edições da Champions League, na seleção de Portugal seu desempenho é notável. Nisso, difere de Messi, com quem, há mais de dez anos, disputa a condição de melhor jogador do mundo. Na seleção da Argentina, ainda que tenha sido vice-campeão da Copa do Mundo de 2014, Messi nunca repetiu o seu brilhante desempenho pelo Barcelona. Com uma postura profissional admirável, Cristiano Ronaldo, mesmo numa idade avançada para os padrões do futebol, parece ainda ter muito a ofertar aos apreciadores do esporte mais popular do mundo.
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
O discurso cansativo de Renato
O técnico do Grêmio, Renato, tem por hábito dar entrevistas sempre no mesmo tom. Costuma exaltar as virtudes do seu grupo, e minimiza toda e qualquer crítica mais forte. Como os resultados eram, em sua maioria, positivos, com a conquista de títulos, essa postura era relevada. Agora, com o Grêmio em evidente crise técnica, essas entrevistas já não assimiladas da mesma forma pelos torcedores. O discurso cansativo de Renato já não convence a torcida, ainda que o Grêmio tenha conquistado o tricampeonato gaúcho há poucos dias. Os maus resultados em série no Campeonato Brasileiro, as péssimas atuações, o preparo físico precário, a falta de soluções de Renato para o decréscimo técnico do Grêmio, são fatos que minaram a paciência da torcida. Renato ainda não corre risco de demissão, mas as vitórias tem de retornar o quanto antes. Nenhum técnico, nem mesmo Renato, um ícone do Grêmio, é imune a tropeços sucessivos. Só as vitórias conservam os técnicos em seus empregos.
domingo, 6 de setembro de 2020
Tropeço
Um resultado inesperado, em pleno Beira-Rio, cortou a sucessão de vitórias do Inter no Campeonato Brasileiro. O Inter empatou com o Bahia em 2 x 2, hoje, e perdeu a chance de manter uma liderança folgada no Brasileirão. Embora não possa perder a primeira posição na próxima rodada, o Inter já vê uma perigosa aproximação de adversários como São Paulo e Flamengo. O tropeço contra um Bahia de técnico interino poderá custar caro ao Inter. Para quem tem grandes ambições na competição, perder pontos em casa para adversários médios é um péssimo negócio.
Marasmo
O Grêmio continua jogando mal e desperdiçando pontos no Campeonato Brasileiro. Hoje, empatou em 1 x 1 com o Atlético Goianiense, no Estádio Olímpico Pedro Ludovico. Não se viu nenhuma melhora no futebol do Grêmio. A produção segue sendo modesta, os adversários, sejam eles quais forem, se mostram perigosos, diante de um Grêmio sem soluções. O resultado de hoje poderia ter sido pior, já que o Grêmio saiu perdendo. Porém, mesmo tendo conseguido o empate, o Grêmio não encontrou forças para alcançar a vitória e, até o final do jogo, correu o risco de ser derrotado. Para piorar, Geromel foi expulso, e não jogará a próxima partida, contra o Bahia, no Pituaçu. Embora seja evidente que o Grêmio viva uma crise, o técnico Renato nega que isso esteja acontecendo, e segue com suas declarações desconectadas da realidade. Dessa forma, o Grêmio permanece num marasmo que o está levando a uma má campanha no Brasileirão e, consequentemente, a uma colocação constrangedora na competição.
sábado, 5 de setembro de 2020
Feriadão como nos velhos tempos
O que já se previa, acabou se confirmando. O feriadão de 7 de Setembro, com dias de intenso calor, fez as estradas do estados de Rio de Janeiro e São Paulo lotarem em direção às praias. A recomendação de médicos infectologistas para que as pessoas evitem aglomerações, em função da pandemia de coronavírus, que já vinha sendo pouco observada, dessa vez foi totalmente ignorada. O movimento nas estradas rumo ao litoral superou o do Carnaval. Embora a pandemia ainda ceife muitas vidas no país, a população decidiu que é hora de a rotina voltar. O temor de contrair a doença é menor do que a vontade de se divertir. Os bares do Leblon, no Rio de Janeiro, voltaram a registrar grandes aglomerações. A atitude de lotar praias e bares é claramente irresponsável e mostra indiferença pelos outros. Porém, o egoísmo é um traço prevalente do ser humano. As próximas semanas deverão apresentar a conta dessa postura, traduzida num aumento expressivo de pessoas infectadas. Os brasileiros, no entanto, decidiram fazer um feriadão como nos velhos tempos, sem culpa e ignorando qualquer recriminação.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
A correção de um erro
O Grêmio, ainda que seja um clube vitorioso nos últimos quatro anos, depois de um longo jejum de títulos, tem feito muitas contratações equivocadas. Dentre elas, talvez o exemplo mais gritante tenha sido a de Thiago Neves. Nada justificava a sua aquisição. Era um jogador decadente, caro, pivô do rebaixamento do Cruzeiro para a Segunda Divisão, artífice da queda do técnico Rogério Ceni no clube mineiro. A diretoria do Grêmio não pretendia trazer o jogador, mas cedeu ao pedido do técnico Renato. Como tudo indicava, Thiago Neves mostrou-se um rotundo fracasso no Grêmio. Renato tentou forçar o seu aproveitamento, chegando a tirar o jovem e talentoso Jean Pyerre para o colocar entre os titulares no jogo de ontem contra o Sport. Com a derrota do Grêmio, e mais uma péssima atuação de Thiago Neves, era hora da diretoria tomar uma atitude. Até porque, se fosse relacionado para mais dois jogos, Thiago Neves, por força de uma cláusula contratual, teria seu vínculo com o Grêmio renovado, automaticamente, por mais um ano, e receberia um substancial aumento salarial, incluindo luvas. Diante de tudo isso, hoje, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, resolveu agir, e rescindiu o contrato de Thiago Neves. Foi a correção de um erro. Antes tarde do que nunca. Romildo errou quando cedeu ao pedido de Renato para contratar Thiago Neves. Porém, corrigiu o seu deslize ao decidir pela rescisão. Dessa vez, o presidente não levou em consideração a vontade de Renato. Cumpriu, brilhantemente, o seu papel, colocando o clube em primeiro lugar.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Resultado desastroso
A péssima atuação no jogo contra o Caxias, no domingo, e a má colocação na tabela do Campeonato Brasileiro, tornavam essencial que o Grêmio vencesse o Sport, hoje, na Arena, e com uma apresentação consistente. Nada disso aconteceu. O Grêmio perdeu por 2 x 1, e teve sua segunda derrota consecutiva, depois de ficar dezesseis jogos invicto. Mais uma vez, o técnico do Grêmio, Renato, contribuiu decisivamemte para o fracasso. Absurdamente, Renato escalou Thiago Neves como titular, deixando Jean Pyerre no banco. Ainda no primeiro tempo, Jean Pyerre entrou, substituindo Lucas Silva, o que já gerou uma melhora no desempenho do Grêmio. Porém, tendo levado um gol muito cedo, o Grêmio não conseguia o empate. No segundo tempo, o Grêmio dominou amplamente o Sport, acumulou chances de gol, mas não as concretizava. Como consequência, sofreu outro gol. A entrada de Robinho deu mais força ofensiva ao Grêmio. Foi com um lançamento dele que Pepê descontou. Por sinal, as substituições, novamente, foram equivocadas por parte de Renato. Robinho deveria ter entrado antes, quando da saída de Thiago Neves, mas o técnico do Grêmio preferiu colocar Isaque, que não deu nenhuma contribuição. Robinho só entrou mais tarde, no lugar de Alisson, quando restava pouco tempo para uma reação. Foi um resultado desastroso, que coloca o Grêmio muito próximo da zona de rebaixamento, e já compromete as chances do clube no Brasileirão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Um jogador a mais
Certos fatos repetem-se com tamanha insistência que não podem ser considerados meramente casuais. O Botafogo teve dois gols anulados no jogo contra o Inter, no sábado. Hoje, o mesmo Inter, jogando contra o Palmeiras, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, foi beneficiado pela marcação de um pênalti, inexistente, nos acréscimos da partida, e abriu o placar. Porém, o Palmeiras empatou logo a seguir, e o resultado final foi 1 x 1. Ao longo de sua história, o Inter sempre foi ajudado pelo apito amigo. Os demais participantes do Brasileirão precisam ficar atentos para o fato de que Francisco Novelleto, ex-presidente da Federação Gaúcha de Futebol e notório torcedor do Inter, é, agora, um dos vice-presidentes da CBF. Os benefícios da arbitragem ao Inter não são casuais. O Inter tem atuado com um jogador a mais.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Esmola
O governo federal ampliou a duração do auxílio emergencial por mais quatro meses. Porém, o valor a ser pago por essas parcelas adicionais será de R$300
metade do estabelecido até agora. A redução é uma perversidade com os brasileiros mais atingidos pelos efeitos econômicos da pandemia de coronavírus. Transforma o auxílio em esmola. Ao mesmo tempo que prorroga a medida, colhendo dividendos eleitorais, o governo cede às pressões do mercado, para o qual o auxílio causa um "rombo" nas contas públicas. O Congresso não deveria convalidar essa iniquidade. O valor de R$600 teria de ser mantido. Não se pode, no entanto, esperar muito de um Congresso com maioria de direitistas. O povo, mais uma vez, é tratado com desdém pela direita que está no poder.
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