sábado, 2 de maio de 2020
Pizzas
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, depôs por mais de oito horas, hoje, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. No depoimento, Moro teria de apresentar provas sobre as acusações que fez ao presidente Jair Bolsonaro de ter tentado influir em investigações da Polícia Federal. O depoimento foi determinado pelo juiz do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, buscando dar celeridade ao inquérito, para evitar o perecimento de provas. Durante a longa exposição, foram encomendadas dezesseis pizzas, o que é muito sugestivo. O que se espera é que não acabe tudo em pizza, como costuma acontecer no país quando os poderosos estão envolvidos. Na verdade, como bem disse o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Francisco Rezek, esse depoimento nem seria necessário, já que todas as acusações feitas por Moro ao deixar o cargo, foram confirmadas no pronunciamento de Bolsonaro, realizado poucas horas depois. O ex-capitão admitiu que queria no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, alguém com quem pudesse "interagir". Não há porque perder tempo com investigações. Os crimes de Bolsonaro são vários e estão devidamente tipificados. Sobram razões para sua destituição do cargo. Prolongar uma ação nesse sentido só o beneficia, e arrasta por mais tempo o sofrimento que tem causado ao país.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Empilhando mortos
- Uma triste realidade tomou conta do país. O Brasil está empilhando mortos pelo coronavírus. A cada dia, já são mais de 400 mortes pelos dados oficiais, que estão muito subnotificados, num quadro de evidente e total descontrole, que só tende a piorar. Era tudo que o presidente Jair Bolsonaro desejava. O ex-capitão nunca esteve preocupado em preservar vidas, e permanece contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido porque cometeu dois "erros" terríveis pela ótica de Bolsonaro, ao ficar mais em evidência que o chefe, e priorizar a verdade quanto aos números do coronavírus e a estratégia correta para fazer frente à pandemia. Alucinado pelo poder, Bolsonaro não suporta que alguém de sua equipe o supere nos holofotes da mídia. Em relação aos planos traçados por Mandetta contra a pandemia, nunca foi da sua vontade fazer o gasto necessário para isso, nem divulgar os números verdadeiros do elevado morticínio, para não ter o seu governo desgastado. Ao nomear Nélson Teich como o novo ministro da Saúde, Bolsonaro resolveu os dois "problemas". Teich é um inepto, que nada faz contra a doença, e os números de infectados e mortos que são divulgados já não tem nenhum grau de confiabilidade. Não é por acaso que o comentarista político Demétrio Magnoli, mesmo sendo reconhecidamente de direita, disse que o Ministério da Saúde fechou. Faltou acrescentar que isso era, exatamente, o que Bolsonaro queria.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
A busca do confronto
A cada dia, fica mais evidente que o presidente Jair Bolsonaro é um psicopata. Sedento pelo poder, egocêntrico, indiferente ao sofrimento alheio, defensor da ditadura, Bolsonaro faz sempre a busca do confronto. Não lhe interessa qualquer tipo de conciliação, seja com quem for. Na sua mente doentia e perversa, isso seria demonstração de fraqueza. Admirador do poder absoluto, sem nenhum apreço pelas normas democráticas, Bolsonaro faz questão de provocar atritos com todos. Desafia os demais poderes da República, flerta com a possibilidade de fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. As ações agressivas visam, também, fazer com que esteja sempre em evidência. O ex-capitão quer a atenção para si de modo permanente, e não tolera que alguém de seu governo ganhe um destaque superior ao dele. Nesse confronto com tudo e todos, Bolsonaro mirou, agora, no ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que acolheu uma ação impedindo a posse de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. Desrespeitando flagrantemente a independência entre os poderes, Bolsonaro disse que "não engoliu" a decisão do ministro, e insiste que ainda vai conseguir empossar Ramagem. Sem limites na sua sanha beligerante, Bolsonaro atira para todos os lados, atacando, até mesmo a Organização Mundial de Saúde. Suas declarações mostram cinismo e desdém diante das milhares de mortes no país causadas pelo coronavírus. Vendo os números aterrorizantes, que só fazem aumentar, tenta transferir a culpa para prefeitos e governadores, afirmando que não vão jogar no seu colo uma culpa que não é dele. Muitas vezes, Bolsonaro, ao perceber as reações negativas ao que diz, baixa o tom, para, no dia seguinte, tornar a fazer declarações ofensivas. O país poderia ficar livre desse tormento, desde que o Congresso e o STF cumprissem com o seu papel, e encaminhassem a destituição de Bolsonaro. Razões legais, devidamente tipificadas, não faltam para isso.
quarta-feira, 29 de abril de 2020
O recuo de Bolsonaro
Para o bem do Brasil, Alexandre Ramagem não será empossado como o novo diretor-chefe da Polícia Federal, como era da vontade do presidente Jair Bolsonaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, barrou a nomeação de Ramagem, acolhendo uma ação do PDT. Não poderia ser diferente. Por mais que o país esteja entregue ao pior governo de sua história, há um limite para tudo, e a escolha de Ramagem era uma afronta à dignidade do exercício do poder. Diante da decisão de Alexandre de Moraes, houve o recuo de Bolsonaro, que desfez a nomeação de Ramagem. Em pronunciamento durante a posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, o ex-capitão classificou a decisão do ministro de "monocrática". Mais uma vez, Bolsonaro estava tentando ser ardiloso, buscando marcar o ministro como um adversário de seu governo. Porém, Bolsonaro não recorreu da medida, preferindo desfazer a nomeação de Ramagem, porque sabia que seria derrotado também no plenário do STF, composto de onze ministros. Entre tantas más notícias, a não efetivação de Ramagem como diretor-chefe da Polícia Federal é um alento para o país. O Poder Judiciário, chamado a se posicionar numa gravíssima questão, mostrou sua independência. Pena que não seja sempre assim.
terça-feira, 28 de abril de 2020
O drama do esporte
Os dias vão transcorrendo e a pandemia de coronavírus não arrefece. Pelo contrário, no Brasil, por exemplo, os números da doença ainda são ascendentes. Todos os ramos de atividade são prejudicados numa pandemia, mas alguns vivem uma situação particularmente aflitiva. Esse é o caso do esporte. As competições estão paralisadas, o que gera uma enorme perda financeira. Diversos torneios, das mais variadas modalidades esportivas, foram cancelados. Outros, em princípio, foram suspensos mas sem que se consiga estabelecer uma data de retorno. Algumas decisões mais radicais já foram tomadas. A Federação Belga de Futebol encerrou o campeonato da temporada 2019/2020, concedendo o título ao Brugge, que liderava a competição com 15 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. As federações holandesa e argentina foram ainda mais drásticas, e deram os campeonatos de seus países por encerrados sem um vencedor. No caso da Holanda, a federação indicou os clubes que participarão da Champions League e Liga Europa, e determinou que não haverá rebaixamento, nem subida para a Primeira Divisão, decisões que geraram contrariedades. O Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio, que foram adiadas para o próximo ano, já anunciou que se a competição não puder ser realizada em 2021, ela será definitivamente cancelada. O drama do esporte, um setor que arrecada quantias milionárias, é inegável. Na atual situação de paralisação, são os prejuízos que se acumulam, em níveis estratosféricos. O futuro do esporte, do modo como o conhecemos, de uma hora para a outra, tornou-se uma incógnita.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
A sobrevida de Guedes
Diante de um quadro que fazia o governo desabar como um castelo de cartas, o presidente Jair Bolsonaro fez um movimento que tenta brecar o seu processo de iminente perda do cargo. Ciente de que a saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, caso viesse a ocorrer, sepultaria de vez o seu governo, Bolsonaro apareceu ao lado dele, hoje pela manhã. O ex-capitão fez questão de afirmar que Guedes é o único responsável pela política econômica do país. A sobrevida de Guedes, no entanto, não deverá ser muito longa. O afago de Bolsonaro em Guedes é apenas um gesto para diminuir a efervescência política que tomou conta do país. A saída de Guedes logo em seguida às quedas dos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, faria com que o grande empresariado brasileiro, o maior fiador do execrável governo Bolsonaro, retirasse o seu apoio. A atitude de Bolsonaro foi interpretada como um reforço da condição de "super ministro" de Guedes. Mero jogo de cena para acalmar o "mercado". Não há futuro para Bolsonaro, nem para Guedes. Mais cedo ou mais tarde, Bolsonaro será derrubado. Bem antes disso, Guedes já terá saído. Mesmo com as afirmações em contrário, a política econômica de Guedes não será mantida, o que levará ao seu descontentamento, e fará com que deixe o cargo. Com isso, os grandes empresários abandonarão o governo que, precocemente, chegará ao fim.
domingo, 26 de abril de 2020
Uma ação entre amigos
O governo Jair Bolsonaro está enveredando cada vez mais, pela via do escândalo. Agora, se encaminha para ser uma ação entre amigos. As cogitadas nomeações de Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal, e de Jorge de Oliveira para ministro da Justiça, têm o único condão de blindar os filhos de Bolsonaro das garras da lei. No último réveillon, às famílias de Ramagem e de Carlos Bolsonaro passaram juntas a festa de Ano Novo. Por sua vez, Jorge de Oliveira, foi chefe de gabinete de Eduardo Bolsonaro e, atualmente, é secretário-geral da Presidência. Seus vínculos com a família Bolsonaro, não lhes dão condições de atuar com isenção no exercício de seus cargos. Ainda há o agravante, no caso de Oliveira, de seu currículo não estar a altura do cargo. Sem nenhum apreço pela democracia, defensor ferrenho de ditaduras, Bolsonaro quer fazer do governo uma extensão da sua casa. Uma situação vergonhosa, a que o país não pode assistir passivamente. Cabem ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal a tomada das medidas necessárias para que Bolsonaro seja retirado do cargo. Alternativas jurídicas para isso não faltam. O Brasil não pode prosseguir como refém das patifarias de Bolsonaro e seus filhos.
sábado, 25 de abril de 2020
A possibilidade de um mundo no modo remoto
- A quarentena estabelecida em função da pandemia de coronavírus levou as pessoas a experimentarem, forçadas pelas circunstâncias, uma nova realidade. O que antes era feito de modo presencial, foi transformado em "home office". Programas de rádio e tevê são transmitidos com seus apresentadores e participantes falando de dentro de suas casas. Shows musicais são apresentados em "lives", também com os artistas em suas próprias residências. A partir disso, há quem levante a possibilidade de um mundo no modo remoto que prepondere mesmo após o fim da pandemia. Alguns comerciantes teriam revelado sua disposição de não voltar a ter uma loja física, vendendo apenas pela internet. Essa hipótese, no entanto, é só mais uma especulação dos que acreditam que haverá um "novo mundo" pós-pandemia. Perguntado a respeito, o filósofo Luiz Felipe Pondé disse que um mundo no modo remoto após o final da pandemia representaria a falência da humanidade, sua derrota definitiva, pois a vida se faz no contato, na socialização. Porém, ele refuta essa hipótese. A exemplo do que já expressei nesse espaço, Pondé não acredita num mundo diferente depois que a ameaça do coronavírus se dissipar. Ele acha, também que, com o tempo, tudo voltará a ser como antes. O filósofo considera que é bom que seja assim, pois, se tivéssemos um novo mundo depois do coronavírus, haveria uma mudança para pior. O mundo, destacou, é naturalmente confuso e não há como se obter sua salvação. Pondé pontuou que muitos estão a buscar, nesse momento, uma ideia de pureza, como forma de propor a nova realidade. A pureza, no entanto, sentenciou, não faz parte do mundo. Mais uma vez, concordo com a visão do filósofo, de quem divirjo no plano ideológico. Esqueçamos a hipótese, apocalíptica, de uma sociedade sem contato físico, apenas conectada remotamente, e deixemos de lado, também, a ideia de um mundo redimido e puro. Nesse último caso, fora das prédicas religiosas e dos execráveis livros de autoajuda, isso não faz o menor sentido.
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Um governo que derrete
Num pronunciamento forte e farto em revelações comprometedoras para o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, pediu demissão, hoje. A gota d'agua para a saída de Moro foi a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, com a qual o ministro não concordava. Em duas semanas sucessivas, dois ministros de grande prestigio do governo Bolsonaro deixaram seus cargos, Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e Sérgio Moro. O que se vê, claramente, é um governo que derrete a cada dia. Pela manhã, Moro, no seu pronunciamento de despedida do cargo, fez uma série de graves acusações à conduta de Bolsonaro. No final da tarde, Bolsonaro procurou rebater as acusações de Moro. Não conseguiu. Seu discurso foi prolixo e desconexo. Ao tentar justificar sua vontade de trocar nomes na Polícia Federal, admitiu ter feito solicitações de investigações à instituição, o que é descabido e caracteriza uma conduta indevida e passível de indiciamento. Não há inocentes nessa história. Os interesses eleitorais de Moro são claros. O ex-ministro tem a aspiração de concorrer ao cargo de presidente. Diante de uma demissão que se tornava inevitável, tentou capitalizar o fato politicamente. Por sua vez, Bolsonaro criou todo esse imbróglio com Moro pelo desespero de ver que investigações da Polícia Federal estão chegando nos muitos crimes praticados por seus filhos. Para o Brasil, o que melhor poderia acontecer seria a queda de Bolsonaro, para que o país, que está sem rumo, possa ter um governo.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Balança mas não cai
O governo Bolsonaro é um desastre absoluto. Em menos de dois anos, já se mostra um fracasso absoluto. Na verdade, não há governo, o país está acéfalo. Perdido, inseguro, o presidente Jair Bolsonaro começa a bater de frente com ministros. Primeiro, demitiu Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo de ministro da Saúde com 76% de aprovação. Hoje, entrou em rota de colisão com o "superministro" da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O motivo do desentendimento foi a negativa de Moro em aceitar a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, como quer Bolsonaro. Como de hábito, Bolsonaro faz questão de afirmar sua autoridade, e que depende da sua vontade a manutenção das pessoas em seus cargos. As investigações sobre quem foram os responsáveis pelas manifestações contra a ordem democrática irão chegar, fatalmente, aos filhos de Bolsonaro, daí o porquê do ex-capitão querer intervir na Polícia Federal. A queda de Bolsonaro seria o caminho natural para o país encontrar um mínimo de estabilidade. Porém, os dias vão transcorrendo e permanece a situação de "balança mas não cai" de Bolsonaro. Não bastasse o drama da epidemia de coronavírus, o Brasil ainda tem de carregar o peso de um governo caótico.
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