domingo, 12 de abril de 2020
Mandetta não baixa o tom
A entrevista concedida pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao programa "Fantástico", da Rede Globo, mostra que o ministro não tem medo do confronto com o presidente Jair Bolsonaro. Como ficou comprovado na entrevista, Mandetta não baixa o tom. Mesmo fazendo alguns circunlóquios, para amenizar sua postura, Mandetta deixa clara a sua posição favorável ao confinamento como forma de evitar o contágio pelo coronavírus, o que contraria a opinião de Bolsonaro. O ministro da Saúde vai mais longe, e diz que seria importante uma posição unificada sobre o assunto, pois a população fica sem saber a quem seguir, dadas às manifestações conflitantes. Para tomar essa atitude, Mandetta deve estar muito bem amparado, ou convicto de ser verdade o que muitos especulam, ou seja, de que Bolsonaro já não é presidente de fato. A alta popularidade que ostenta no momento faz com que Mandetta saiba que tem um futuro político promissor pela frente. Ainda que viesse a ser demitido pelo presidente, seu prestígio não ficaria abalado. Por isso, Mandetta aposta alto, e deixa Bolsonaro embretado contra as cordas.
sábado, 11 de abril de 2020
Equilibrista
Os últimos pronunciamentos oficiais e a aparição conjunta, hoje, com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o anúncio da construção de um hospital de campanha naquele estado, mostraram uma nova face do presidente Jair Bolsonaro. Se antes só se dirigia aos seus fanáticos seguidores, Bolsonaro agora se mostra um equilibrista, tentando fazer média com os que o criticam. A grande carga de ataques que recebeu por seu comportamento em sentido contrário ao que recomendavam as autoridades médicas, fez com que Bolsonaro revisse, parcialmente, a sua postura. Ao comparecer ao lançamento de um hospital de campanha, Bolsonaro quer se mostrar engajado nos esforços da luta contra o coronavírus. Porém, paralelamente, Bolsonaro continua a desobedecer as recomendações de quarentena, e circula livremente pelas ruas, causando aglomerações, pois seus apoiadores mais fiéis não aceitariam que ele afrouxasse de sua posição de confronto com os que lhe atacam. A sobrevivência política é a única preocupação de Bolsonaro, e a explicação para o seu comportamento, antes de permanente antagonismo com seus críticos, ter se tornado ambivalente.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
50 anos sem os Beatles
Na data de hoje, há 50 anos, Paul McCartney anunciava o fim dos Beatles. Foi um dia triste para milhões de fãs espalhados pelo mundo. Os Beatles ainda eram muito jovens, nenhum deles sequer havia completado 30 anos de idade, e estavam no auge do seu processo criativo. Por isso, o fim do grupo era muitíssimo prematuro. Uma série de razões levou ao rompimento, mas a música e os fãs sofreram, na ocasião, um rude golpe, do qual não se recuperaram até hoje. Os Beatles são únicos, incomparáveis. Nenhum outro grupo alcançou um grau de qualidade tão elevado, criou tantos clássicos imortais, vendeu tantos discos, marcou tantas gerações. A música de maior sucesso de todos os tempos, "Yesterday", é deles, creditada a Lennon e McCartney, mas composta apenas por Paul. No mês seguinte ao anúncio da separação, chegou ao mercado "Let It Be", o penúltimo disco do grupo a ser gravado, e o último lançado. No mesmo ano, cada um dos quatro membros do grupo lançou o seu primeiro trabalho solo. O mais bem sucedido nessa largada, para surpresa de muitos, foi George Harrison. Sufocado por Lennon e McCartney, que dificultavam a colocação de suas composições nos trabalhos do grupo, George, que tinha muitas músicas estocadas, lançou um álbum triplo, "All Things Must Pass", um enorme sucesso de público e crítica, que chegou ao primeiro lugar das paradas e obteve um disco sêxtuplo de platina por suas extraordinárias vendagens. Pelos dez anos que se seguiram, os fãs alimentaram a esperança de que pudesse ocorrer a volta do grupo, até que, em dezembro de 1980, John Lennon foi assassinado. Acabava ali, para desconsolo dos fãs, a chance de que os Beatles voltassem a ficar juntos. Sua música, no entanto, é eterna, e todos os discos do grupo permanecem em catálogo. Nunca antes houve nada que pudesse se igualar aos Beatles, nem haverá depois, em qualquer tempo.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Fogo Amigo
A pandemia de coronavírus exige foco total dos governos para que possa ser superada. Porém, no Brasil, isso não é observado. As tricas e futricas do mundo político acabam gerando enorme repercussão, desviando a atenção do que é verdadeiramente relevante. Hoje, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que já teve sua continuidade no cargo ameaçada mas permaneceu na função, sofreu um "fogo amigo" do da Cidadania, Onix Lorenzooni, seu correligionário no DEM. Numa conversa telefônica com o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), Onix manifesta seu desejo de que Mandetta seja demitido, por não seguir o que o presidente Jair Bolsonaro defende em relação ao coronavírus. Terra concorda com Onix e diz que Mandetta "se acha". Onix acrescenta que Bolsonaro deveria ter assumido às consequências de uma demissão e afastado Mandetta do cargo. A conversa permaneceu nesse tom "elevado", até que Terra concluiu dizendo que ajudaria, mesmo que não fosse nomeado para o cargo, pois tem nomes para indicar. O teor da conversa foi captado pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN, pois Terra havia deixado o seu celular ligado. Desde o período da tarde, esse é o fato que mais repercute no país. Resolver a questão da pandemia deveria ser a única preocupação do governo, mas, em se tratando da administração Bolsonaro, o que é ruim sempre pode piorar.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Perdeu a chance de ficar calado
O jornalista Arnaldo Ribeiro é um respeitável cronista esportivo, tendo trabalhado, entre outros veículos, na revista Placar, no período áureo da publicação, e nos canais ESPN. Porém, Arnaldo perdeu a chance de ficar calado. Num podcast, o cronista afirmou que Romário foi um jogador superestimado, e que não admira sua carreira. Ao comparar Romário com Careca, classificou o segundo como mais completo, e que Romário foi bom apenas na "zona do agrião", o que não considera suficiente. Arnaldo está amplamente equivocado. Romário resumia sua função, basicamente, à grande área ou "zona do agrião", é verdade, mas, nela, foi genial. Ninguém é escolhido como o melhor jogador do mundo por acaso. Romário recebeu esse prêmio, Careca, não. Careca brilhou no Napoli, com Maradona, mas Romário foi protagonista no Barcelona. Romário foi convocado para duas Copas do Mundo, mas, praticamente, só jogou em uma, pois, em 1990, a recuperação de uma fratura o deixou fora de quase toda a participação da Seleção Brasileira na competição. Em 1994, no entanto, Romário fez a diferença, e foi diretamente responsável pelo título obtido pela Seleção. Embora tenha se destacado em duas Copas, 1986 e 1990, Careca não carregou a equipe nas costas, como Romário, e não conduziu a Seleção a conquista do titulo. No que diz respeito aos aspectos pessoais de Romário, também levados em conta por Arnaldo Ribeiro, eles não vem ao caso. Ao analisar um jogador, deve-se limitar a apreciação aos critérios técnicos, e neles Romário foi, indiscutivelmente, um gênio, o que não ocorreu com Careca.
terça-feira, 7 de abril de 2020
O vírus não escolhe vítimas
A pandemia de coronavírus já gerou uma série de falsas verdades. Doença desconhecida até há pouco pela medicina, os fatos pretensamente concretos afirmados sobre ela não são mais que meras especulações. Algumas dessas falsas verdades são risíveis, como é o caso de que idosos e pessoas com comorbidades constituem os grupos de risco para a doença. Trata-se de uma constatação que serve para qualquer outra doença, ou, até mesmo, na ausência de uma enfermidade. Uma pessoa idosa já viveu muito, e seu organismo está mais desgastado. Assim, é óbvio que, diante da epidemia de qualquer doença suas chances de ser vitimada é maior do que a de outras pessoas. O mesmo se dá com quem tem doenças crônicas. Em comparação com os que não possuem essa condição, seu organismo é mais suscetível às enfermidades. Dessa forma, colocar os dois grupos como "de risco" para o coronavírus é apenas uma maneira de os estigmatizar. Ao contrário do que foi apregoado nas primeiras semanas da pandemia, o vírus não escolhe vítimas. Entre as pessoas que já morreram da doença, há bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos de meia-idade, idosos e anciãos. Muitas dessas vítimas não tinham nenhuma comorbidade, e cultivavam hábitos de vida saudáveis. Outra afirmação falsa travestida de verdade é de que a letalidade da doença é de pouco mais de 2%. No Brasil, com os dados colhidos até hoje, ela é de quase 5%. Portanto, é preciso encarar o fato de que o coronavírus é "democrático", pois atinge a todos, sem distinção de idade, condição de saúde, etnia, nível de renda, ou qualquer outro fator. O isolamento vertical, em que só idosos e pessoas com comorbidades ficam em confinamento é sem eficácia, e estigmatiza cruelmente dois segmentos populacionais. O coronavírus é uma ameaça a todos, sem exceção, e é assim que deve ser enfrentado.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Mandetta fica
Foi um dia de muitas especulações. O presidente Jair Bolsonaro convocara uma reunião, no final da tarde, em que poderia ser determinada a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Seria uma medida absurda no momento em que o país enfrenta a pandemia de coronavírus e a população aprova amplamente o trabalho do ministro. A divergência de Mandetta e Bolsonaro sobre o uso da cloroquina nos doentes de coronavírus, desejada pelo segundo e considerada precipitada pelo primeiro por falta de comprovação científica de seus benefícios, esteve por implicar na saída do ministro. A tendência só não se concretizou porque figuras influentes se puseram contra a demissão de Mandetta. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente, são do mesmo partido de Mandetta, o DEM, e deixaram clara a contrariedade do Congresso Nacional diante dessa possibilidade. O Supremo Tribunal Federal também se manifestou a favor do ministro. Os ministros militares do governo Bolsonaro, da mesma forma, apoiaram Mandetta. Com isso, Mandetta fica e, ao que parece, com bastante solidez, o que se traduziu numa explanação pós-reunião em que se mostrou muito seguro e assertivo. Melhor assim. Mudar o ministro da Saúde em meio à pandemia poderia ter efeitos desastrosos na estratégia para conter o avanço da doença. O foco dos brasileiros deve estar direcionado, unicamente, para derrotar o vírus que tanto sofrimento tem trazido ao país e ao mundo.
domingo, 5 de abril de 2020
O maucaratismo sem disfarces
O modo com que os governantes de diversos países reagem à pandemia de coronavírus tem sido extremamente revelador. O maucaratismo sem disfarces é apresentado por alguns deles, diante de todos. Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Jair Bolsonaro, tem sido os protagonistas nesse aspecto. Trump, que, agora, admitiu a gravidade da pandemia, quer garantir o máximo de máscaras possíveis para os americanos, mesmo que isso implique na falta de unidades em outros países. Bolsonaro segue fazendo pouco do coronavírus, combatendo a quarentena, espalhando falsas verdades sobre a doença, e confrontando o seu ministro da Saúde. A crise do coronavírus escancarou o que as pessoas lúcidas já sabiam há muito tempo sobre os dois. O incrível é que Trump e Bolsonaro ainda possuem uma considerável base de apoio em suas sociedades. Fanáticos, seus defensores não se rendem às evidências, e atacam furiosamente os que se lhes opõem. O fato é que as declarações e atitudes de Trump são mais do que suficientes para que não consiga se reeleger, no final do ano. Pelas mesmas razões, Bolsonaro, cujo mandato não chegou nem na metade, deveria sofrer um processo de impeachment. Resta aos eleitores menos fanatizados de ambos reconhecerem o erro cometido ao os terem escolhido para os cargos que ocupam. O efeito dessa autocrítica não seria imediato, mas, pelo menos, sinalizaria para escolhas menos desastrosas no futuro.
sábado, 4 de abril de 2020
Perspectivas sombrias
A esperança é um recurso importante em momentos de aflição. Porém, mesmo ela que, conforme o dito popular, é a última que morre, precisa ser alicerçada num mínimo de indícios positivos. Esse é o grande problema em se tratando da pandemia de coronavírus, no Brasil. As semanas de confinamento vão transcorrendo, angustiantes, mas o futuro imediato não sinaliza a chegada de tempos melhores. Perspectivas sombrias, é o que, até agora, se tem. O número de casos tende a aumentar muito e, em alguns estados, poderá ter uma alta descontrolada. As autoridades de saúde, diante de uma doença nova, pouco ou nada podem prever com acerto. As picuinhas políticas em meio a uma situação tão grave, só fazem com que tudo se torne ainda mais preocupante. Manter o controle emocional é fundamental no período que se está atravessando, mas boas notícias em meio a tantas ruins, são, também, essenciais. Se elas não começarem a aparecer, só restará a esperança nos que optam pelo otimismo permanente, que é nutrido pela irreflexão, em total desacordo com os fatos.
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Muito barulho por nada
Uma postagem do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em que elogia uma atitude do governador de São Paulo, João Dória Júnior, que agradeceu a referência, causou impacto nos meios políticos. Pura frivolidade, pois é muito barulho por nada. A possibilidade de uma aliança entre os dois é uma hipótese delirante, logo sugerida por Ciro Gomes, sempre preocupado em criar a imagem de único opositor autêntico do presidente Jair Bolsonaro, de olho nas eleições de 2022. As duas postagens não vão adiante do que cada uma expressa. Claro, na tentativa de tentar salvar Bolsonaro, um cadáver político, seus apoiadores exageram o significado das mensagens, para transformar seu "mito" em vítima de seus adversários. Não vai dar certo. O Brasil tem que concentrar suas forças em enfrentar a pandemia de coronavirus. Picuinhas políticas não condizem com um momento tão grave.
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